quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O buraco da Guatemala

O buraco que se abriu este fim de semana na capital guatemalteca parece-me uma dolina associada a morfologia cársica típica de zonas com substratos calcários ou evaporíticos.
No entanto, os relatos feitos pelos media apontavam para que o buraco tenha sido escavado pelas águas que saiam de uma ruptura num esgoto, algo manifestamente insuficiente para erodir 100 metros de rocha em alguns dias mas que poderia muito bem remover o topo da gruta que entretanto colapsou.

É bom que se comece a ter em conta a existência de grutas e dolinas na para efeitos de planeamento urbano. Ninguém está interessado em ver algo semelhante repetir-se em zonas de Portugal onde abundam grutas.

“Terras ao Sol" - encontro de jovens geocientistas

Estava a passar pelas notícias do Ciência Hoje quando reparei neste congresso.

Felicito a ideia, principalmente quando vem chamar os jovens, quando os pões a discutir, a encontrar soluções. Diz-se que a única maneira de educar é pelo exemplo. é fácil de perceber se tivermos em conta os nossos primeiros anos. Tudo o que fazemos é por imitação, até na fala. É por isso que se vêm adultos a fazer algumas figuras tristes quando rodeados de crianças. É só para dar o exemplo.

Sou contra a ideia de que os jovens são o futuro. Eles são mais do que isso, eles são o agora. E é neste "agora" que devem ser levados a pensar, a usar o raciocínio, as artes do discurso, do diálogo, do trabalho em equipa, etc. É neste "agora" que o exemplo tem de partir de nós, mais velhos.

Que me adianta a mim saber que a Terra gira, que existem biliões de sóis e que o universo é infinito (ou que existem vários universos), se não conseguir partilhar estas ideias e conhecimentos. Se não conseguir despertar nos mais novos o interesse do que me rodeia, da felicidade de...pensar.
Que me adianta a mim preservá-los de tomar decisões e fechá-los em casa... Os jovens são o "Agora", e é agora que tem de seguir os exemplos.

II Congresso dos “Jovens Geocientistas - Terras ao Sol”, que decorrerá nos próximos dias 19 e 20 de Março no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.
O Congresso é promovido pelo Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e está centrado nos estudantes dos Ensinos Básico e Secundário. São eles os autores dos trabalhos a apresentar durante o evento. Estes trabalhos estão a ser orientados pelos seus professores e por docentes do Departamento de Ciência da Terra.

Com o apoio institucional da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através do Programa Ciência Viva.

Escolas que participam:Cercal do Alentejo, Vilar Formoso, Cacém, St. António dos Cavaleiros, Ferreira do Zêzere, Louriçal , Juncal, Guarda, Tondela, Caxarias, Baião, Figueira de Castelo Rodrigo, Poiares, Lousã, Penacova, Seia, Alcobaça e Coimbra

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Mais um pouco de Universo

As perguntas suscitadas num dos posts anteriores levaram-me a pensar em escrever mais umas coisas acerca do Universo. Os físicos têm sido confrontados desde há muito tempo com a questão da criação e expansão do Universo. É “quase” consensualmente aceite que o Universo teve um principio no qual o espaço e o tempo foram criados a partir do nada, ou se quisermos, a partir de um ponto infinitamente pequeno e com densidade infinita (Ambos não fazem sentido nas nossas cabeças). O problema é que também não fazem sentido nas equações físicas. O edifício colapsa. Segundo diversos autores (a maioria) também o próprio tempo foi criado no Big Bang e por isso, chuta-se para canto, afirmando que desta forma não faz sequer sentido pensar no que havia “antes”. O antes simplesmente não existia, a expressão tempo não tem significado. Outra questão que é normalmente mal interpretada é a de o Big Bang ser visto como uma explosão. Numa explosão há qualquer coisa que se fragmenta e se espalha dentro de um meio, normalmente é matéria que se dispersa no espaço ou no ar. Ora após o Big Bang o que se expandiu e continua a expandir é o próprio espaço, a matéria fica imóvel! Pensemos da seguinte forma: imaginemos duas pessoas paradas no espaço a uma distância de por exemplo 2 metros. Se de facto se tratasse de uma explosão convencional as pessoas afastavam-se do centro da explosão com uma determinada “velocidade”. Caso a explosão fosse exactamente no meio das duas estas afastavam-se em sentidos opostos (confesso que só agora me apercebi que é um pouco macabro dar este exemplo com pessoas, mas imaginemos que nada lhes acontece e que permanecem de boa a saúde e com todos os membros). Mas se por outro lado fosse o espaço que se estivesse a expandir, como é o caso do Universo, as duas pessoas não se mexem, mantêm-se imóveis, mas entanto afastam-se. Na realidade é o espaço entre elas que aumenta, é criado espaço novo entre elas. É exactamente isto que acontece com o Universo. E nenhuma lei física é violada. O Principio da Conservação da Massa não é violado. A física não permite que se crie matéria do nada (se bem que com a mecânica quântica possa ser discutível e de facto pode ser criadada matéria do nada, mas por apenas fracções de segundo, 10^− 43s e ao nível da escalas da dimensão de Plank, ~10^− 35m, chamam-se flutuações quânticas), mas o espaço pode e é criado. Outra analogia é pensarmos num balão a encher. Quando estiver vazio marquemos dois pontos sobre a sua superfície com um marcador. Quando o enchemos e à medida que a área da superfície elástica do balão aumenta os pontos vão-se afastando. Mas de facto eles não se mexem, mantêm-se exactamente no sítio onde os pintámos, é a superfície entre eles é que vai aumentando, vai esticando, cria-se espaço bidimensional entre os pontos. Com o Universo passa-se a mesma coisa, o espaço tridimensonal estica-se e a matéria fica mais diluída. (Na realidade o espaço tridimensional estica ao longo de um espaço quadrimensional, a 4D é o tempo; é imperativo haver um tempo ao longo do qual as outras três dimensões possam esticar-se. É-nos impossivel visualizar isto de forma intuitiva e sem ferramentas matemáticas, mas isto fica para o outro post..) Desta forma não faz sentido pensar num Universo a expandir dentro de uma espaço, o espaço só existe dentro do Universo. Fora dele estamos por enquanto no domínio da metafísica. Não me quero alongar mais com medo que isto se torne uma grande seca. Em breve voltarei a este assunto, mas tentarei reparti-lo por vários posts. É um assunto absolutamente fascinante.

Geologia de Campo (XII)

É um monoclinal? É um flanco de uma dobra?
Não, é a caixa de falha, colorida pelos efeitos da circulação de fluidos, da falha de Carboneras, na região de Almeria, Sul de Espanha.
A falha de Carboneras é um desligamento esquerdo onde já ocorreram, no mínimo, 30 km de movimento entre cada um dos blocos que separa, esmagando a rocha nas suas proximidades que depois de alteradas químicamente pela circulação de fluidos deram origem ao material observado na foto.

Será o Multiverso Infinito?

Acabei de tomar banho. Daqueles banhos em que ficamos debaixo do duche, fechamos os olhos e começamos a viajar. Teria sido normal, e não estaria aqui a escrever este post se essa viagem tivesse sido até uma qualquer ilha paradisíaca no meio do Oceano Pacífico. Mas não! Não foi! Viajei até aos limites do Universo, e claro perdi-me por lá. Quando lá estamos, sem sabermos bem onde, várias questões nos surgem: Será o Universo infinito? Será finito mas ilimitado (tipo a superfície da Terra, em que por mais que andemos nunca lhe encontramos um fim)? Confesso que qualquer uma das repostas me deixa estupidamente perturbado. Passo a dissecar. Se pararmos por uns instantes, fecharmos os olhos (aconselho vivamente a faze-lo debaixo do duche, e sozinhos de preferência) e pensarmos: Ok! O Universo é obviamente infinito. Esta afirmação traz rapidamente um outro problema. O que é o infinito? Fechemos outra vez os olhos, deixemos a água bater-nos na testa, e tentemos imaginar um universo infinito (ou outra coisa qualquer infinita). Não dá! Não faz sentido! É claro que podemos comer e calar, assumir que ele é infinito e pronto. Se os cientistas o dizem, não vale a pena pensar mais nisso. Mas creio que não é essa a posição do leitor, caso contrario não estaria provavelmente a ler este post. Então voltemos às nossas questões. Escolheremos a outra perspectiva. O Universo é finito mas ilimitado. Pensemos… Que chatice, também não faz sentido! Ok! Até podemos assumir que o Universo é como a Terra, mas com curvatura negativa, isto é, em vez de estarmos na superfície da esfera da parte de fora, estamos na superfície de uma esfera, mas da parte de dentro. Por mais que andemos, vamos sempre parar ao mesmo sítio e não encontramos fronteiras. (Confesso que a superfície da Terra ser uma esfera também me causa alguma comichão, é que os gajos do outro lado do planeta estão a tomar banho de cabeça para baixo). Mas voltemos ao fim do Universo. Onde íamos? Ah! Sim! Já me lembro! Estávamos a queimar neurónios no Universo finito mas ilimitado. Ora! Pensemos outra vez... Isto também não faz sentido. Se estamos lá dentro tem de haver qualquer coisa lá fora. Alguns cientistas pensam que pode não ser bem assim, que poderia pura e simplesmente ser finito e ilimitado e não haver nada lá fora, nem sequer faz sentido pensar em lá fora. (ponto final) Mas há questões apêndice, como por exemplo: Para onde vai a matéria que entra num buraco negro? Outros cientistas, na tentativa de explicar este e outros fenómenos propuseram a existência de um Multiverso, no qual o nosso Universo é apenas um dos muitos Universos que para aí andam. Ora, daqui a cem anos saberemos muito mais e iremos ter a certeza de que de facto estamos num HiperMegaMultiUniverso, no qual o nosso MegaMultiUniverso é apenas um dos muitos MegaMultiUniversos que constituem o HiperMegaMultiUniverso. Claro, isto faz muito mais sentido!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

E o Óscar vai para...

Ás vezes sinto que estou a fazer campanha por este senhor, mas não me importo. Simpatizo com a causa, inspira-me o esforço e a dedicação. Saúdo a inteligência política e científica com que percebeu que deveria abordar o tema.

A Verdade, é que o filme ganhou um óscar para melhor documentário. Parabéns ao primeiro ex-futuro Presidente dos EUA a "ganhar" um Óscar.

Ouvir um sismo

Aqui e aqui.
O estrondo incial corresponde ao evento principal e os mais pequenos que se seguem a réplicas.
Estes sons são capturados por geofones associados a sismómetros.

Encelado e Saturno



Uma foto magnífica de Encelado (Lua de Saturno), retirada daqui. Ver Post Uma lua temperamental , por André Pinto.


Saturno e algumas das luas.

domingo, fevereiro 25, 2007

Videos de sismos

Os momentos que acompanham a passagem das ondas sísmicas são cada vez mais frequentemente captadospor câmaras de em video por esse mundo fora, quer por câmaras pessoais quer pelas cada vez mais presentes câmaras de segurança.
Mas se o medo e a disrupção dos sistemas eléctricos associados à ocorrência de um sismo não permitem um registo claro do evento, há casos em que a intensidade destes é relativamente mais reduzida e permite ao operador filmá-lo em quase toda a sua totalidade.
É esse o caso do vídeo abaixo, filmado em 2006 durante um sismo de magnitude 6.7 ocorrido a 15 de Outubro de 2006 na ilha de Maui, no Hawaii.



Neste vídeo é possível distinguir, através do movimento da câmara, a chegada dos diferentes tipos de ondas sísmicas. Primeiro as ondas Primárias á volta dos 39 segundos, depois as ondas Secundárias (43 segundos) e finalmente as ondas de superfície (Love e Rayleigh) aos 45 segundos, que se propagam conforme a figura abaixo.


Abundam também pelo Youtube uma série de vídeos de sismos menos didáticos mas bem mais espectaculares como é o caso dos dois que se seguem, registados durante o sismo de magnitude 7 que afectou Kobe em 1995. Para além de ser impossível ficar indiferente aos efeitos causados por um evento desta magnitude, não consigo deixar de me perguntar porque raio é que estava aquele tipo no primeiro vídeo a dormir no escritório...



sábado, fevereiro 24, 2007

A Terra e a Lua vistas do Espaço


Tirei esta imagem daqui

Perguntas proibidas


Paradoxo?!


Algumas respostas divertidas em exames de matemática!







Relativity de Escher


Crónicas do Professor José Fernando Monteiro

A propósito fica aqui o link para as crónicas do Professor José Fernando Monteiro no Portal do Astrónomo. Deliciem-se!

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

As Estrelas e os Cometas

Reparei que hoje a Terra que gira se estava a concentrar em temas astronómicos. Que giro, pensei eu na coincidência. Até que me lembrei..."quando foi mesmo?"

Existem algumas razões para a Terra que gira existir, mas sem dúvida que foi pelo exemplo e dedicação à divulgação científica, demonstrada pelo Professor José Monteiro que este espaço nasceu. Nunca será demais a homenagem e o agradecimento.

Existem pessoas Estrelas e pessoas Cometas.
Os Cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As Estrelas permanecem. Assim como o Sol.
Passam anos, milhões de anos, e as Estrelas permanecem.
Há muita gente Cometa. Gente que passa pela nossa vida apenas por instantes.
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos, gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença.
Importante é ser Estrela. Estar junto. Ser luz, calor, ser vida.
Amigo é Estrela.
Podem passar anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração.
Ser Estrela nesse mundo passageiro, nesse mundo cheio de pessoas Cometas, é um desafio. Mas acima de tudo, uma recompensa. Recompensa de ter sido luz para muitos amigos, calor para muitos corações e acima de tudo, saber que nascemos e vivemos, e não somente existimos.
(Adaptado)

Em memória do Professor José Fernando Monteiro
Pela luz, pelo incentivo e pela dedicação,
dos seus alunos,
Um sincero Obrigado

Eclipse da Lua - 3 de Março

Segundo a notícia do Público, o eclipse iniciar-se-á por volta das 21h30, sendo que o eclipse total ocorrerá entre 22h44 e as 23h58 do dia 3.



Estes eclipses ocorrem quando a Terra se encontra entre o Sol e a Lua, provocando um efeito de sombra.


Notícia:
Público

Mais informações:
Observatório Astronómico de Lisboa
Centro Astrofísica do Porto
NUCLIO

O Novo Sistema Solar



UMA ESTRELA DE NEUTRÕES SURPREENDENTE


"Com o auxílio do observatório espacial de raios-gama Integral, os astrónomos detectaram o que parece ser a estrela de neutrões com a rotação mais rápida descoberta até hoje. Este pequeno corpo estelar, conhecido por XTE J1739-285, completa 1122 rotações a cada segundo e, se confirmada esta descoberta, os astrónomos terão a oportunidade de "vislumbrar" o interior da estrela morta.


A morte de uma estrela não implica necessáriamente a sua extinção. Uma estrelade neutrões é o coração de uma estrela que colapsou no final da sua vida. Com apenas aproximadamente 10 quilómetros de diâmetro e possuindo cerca de uma massa solar, uma estrela de neutrões é um objecto extremamente denso. O interior deuma estrela de neutrões é o local mais exótico que os astrónomos podem imaginar. De acordo com cálculos efectuados, um dedal cheio de matéria de uma estrela de neutrões pesa cem milhões de toneladas. (...)"
Fonte: Astronovas. Ver aqui

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Efeito de Estufa

Mais uma infografia da SIC.


Esta explica o fenómeno do efeito de estufa. Como se forma, qual a sua função e quais os benefícios naturais da sua existência.

Acrescentaria para uma melhor ilustração que o efeito de estufa pode causar o aquecimento global quando a percentagem dos raios infravermelhos que deveria ser irradiada de novo para o espaço, acaba por ficar retido nesta camada gasosa da nossa atmosfera.

Não deixem de a visitar.

Efeito de Estufa - SIC

Hipercubo


Aqui está mais uma imagem de um cubo em 4 dimensões, também denominado por Tesseract. Estes objectos são fabulosos.

Quatro dimensões

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Geologia de Campo (XI)


A discordância do Telheiro, Sagres, entre o Carbónico dobrado e o Triásico ligeiramente inclinado.
De livro.

Um pouco de Física: Espaço-tempo



Ilustração da curvatura do Espaço-tempo


"Em física, espaço-tempo é o sistema de coordenadas utilizado como base para o estudo da Relatividade especial ou restrita. Pontos no espaço-tempo são chamados de eventos e são definidos por quatro números (x, y, z, ct), onde c é a velocidade da luz e pode ser considerado como a velocidade a que um observador se move em direção ao futuro. Isto é, eventos separados no tempo por apenas 1 segundo estão a 300.000 km um do outro no espaço-tempo.



Na relatividade especial e geral, o tempo e o espaço tridimensional são concebidos, em conjunto, como uma única variedade de quatro dimensões a que se dá o nome de espaço-tempo. Um ponto, no espaço-tempo, pode ser designado como um "acontecimento". Cada acontecimento tem quatro coordenadas (t, x, y, z); ou, em coordenadas angulares, t, r, θ, e φ que dizem o local e a hora em que ele ocorreu, ocorre ou ocorrerá.



A pesquisa científica actual centra-se na natureza do espaço-tempo ao nível da escala de Plank. A Gravidade Quântica em Loop, a teoria das cordas, e a Termodinâmica de Buracos Negros predizem um espaço-tempo quantizado sempre com a mesma ordem de grandeza. A Gravidade quântica em loop chega, mesmo a fazer previsões precisas sobre a geometria do espaço-tempo à escala de Planck."


in Wikipédia



Um dos grandes desafios da Física Moderna está em tentar perceber se o espaço-tempo é contínuo ou discreto. Os físicos à muito que tentam unificar a gravidade (que pode ser vista como a deformação ou a curvatura do espaço-tempo) com as outras três forças básicas da natureza (electromagnética, nuclear fraca e nuclear forte). O problema está no facto de estas três últimas serem quantitizaveis, enquanto se desconhece se a gravidade o é ou não. Para que esta unificação seja possível é necessário que o seja, caso contrária a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica não podem ser compatíveis. Têm sido dados grandes passos em termos teóricos, mas a verificação experimental tem sido extremamente difícil, pelo que não tem sido possível testar em laboratório algumas das mais promissoras teorias.



As expectativas centram-se agora nos grandes aceleradores de partículas, em particular no LHC (The Large Hadron Collider) do CERN.

Ilustração mostrando a deformação no espaço-tempo causada pelo Sol, por uma anã branca, estrela de neutrões e por um buraco negro.

Hidrogénio para reduzir dependência do petróleo

"Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto, liderada por Paula Tamagnini, vai participar num projecto europeu que visa reduzir a dependência do petróleo através do desenvolvimento de uma nova forma de produção de hidrogénio."

O hidrogénio será obtido através de cianobactérias (algas azuis), aproveitando o facto destes organismos o produzirem naturalmente utilizando energia solar. Segundo os lideres do projecto BioModular H2 esta é uma energia limpa, competitiva e saudável.

Ver a notícia aqui

UE: ministros do Ambiente de acordo para reduzir em 20 por cento emissões de CO2

"Os ministros do Ambiente da União Europeia chegaram hoje a acordo para a redução de “pelo menos 20 por cento” dos gases de efeito de estufa até 2020. A redução poderá atingir os 30 por cento, se outros países industrializados se comprometerem com metas idênticas.(...)"

ver notícia aqui

Conclusões do Conselho europeu de Ambiente sobre Alterações Climáticas (em pdf)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Hot Stuff



No dia em que a UE aprovou um plano de redução de emissões de gases de efeito de estufa muito importante para avançar com a preparação e implementação de um protocolo que vá suceder ao de Quioto, deixo-vos com mais uma animação da NASA que mostra as variações da temperatura média à superfície de 1880 a 2006. Os tons azulados correspondem a diminuições na temperatura e os avermelhados a aumentos.

Cientistas propõem ao Governo o primeiro Programa Polar português

"A proposta de adesão de Portugal ao Tratado da Antárctida, apresentada pelo Partido Ecologista "Os Verdes", foi discutida na Assembleia da República na passada sexta-feira e deverá ser votada brevemente. Será o primeiro avanço político que reconhece a mobilização dos cientistas portugueses que trabalham nas regiões polares, em preparação para a comemoração do quarto Ano Polar Internacional, que começa a 1 de Março. (...)"

Notícia aqui

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O Janeiro mais quente de sempre


Foi o mês passado..., segundo a NOAA.
2007 começa cedo a bater recordes.

Geologia de Campo (X)

A partir de hoje vamos passar contar com fotografias de colegas e leitores nesta pequena secção.
A primeira é uma foto da ilha Terceira de Davide Gamboa.

Construção, sismos e responsabilidade


Pode-se ler na edição impressa do Público de hoje (mais) uma notícia (transcrita abaixo) sobre a inacreditável negligência que caracteriza as nossas autoridades e entidades privadas em relação à preparação das estruturas para resistir a um sismo.
A existência de legislação ajuda a que o Estado fique com a consciência tranquila, apesar de não fiscalizar a sua aplicação, o que deixa as construtoras livres de a cumprir ou não, e já se sabe que como a memória é curta (1755 e 1910 já foram há muito tempo...), pode-se muito bem poupar uns trocos em materiais e estudos geotécnicos que essas coisas nunca hão acontecer...
E pronto, assim deixa-se tudo a postos para uma catástrofe anunciada em que a culpa vai morrer, como de costume, solteira.


Poucas garantias na resistência a sismos
19.02.2007
Numa semana em que o sul do país sofreu um sismo, as nossas casas estão preparadas para resistir aos sismos? "Umas sim, outras não", afirma o bastonário. "a partir dos anos 40/50 as construções passaram a ser de betão armado. Se forem aplicados os regulamentos obrigatórios, o que os engenheiros podem garantir é que em caso de sismo não há colapso. Pode haver danos, mas não há colapso." Para as construções anteriores há mais nuances. "A seguir ao terramoto de 1755 passou a construir-se em madeira, tipo gaiola, que era uma construção inovadora para a época. depois tivemos um período menos bom no princípio do século xx, em que ainda não havia o betão armado e a construção era em alvenaria". Nestas construções "começou a deitar-se algumas paredes abaixo, o que altera a capacidade de resistência do edifício e não há uma garantia do comportamento".
Um "aspecto muito positivo" é o facto de metade dos 5,5 milhões de habitações que há em Portugal ter sido construída nos últimos 30 anos.
Mas, ainda assim, "também não há uma garantia porque não há uma qualificação rigorosa dos técnicos que podem subscrever projectos", diz fernando santo. "Os técnicos não são sempre engenheiros e o ordenamento do território não é o nosso melhor domínio. Muitas construções foram feitas em leitos de cheias, em zonas onde não devia ter sido permitida a construção sem que tenham sido feitas as sondagens e os estudos geotécnicos para que as fundações fossem as exigidas."
Responsabilidades? "Deixar construir naquelas condições é das entidades públicas que aprovam. Da parte dos técnicos, a responsabilidade é não terem pedido os estudos nem a análise do terreno."

sábado, fevereiro 17, 2007

Outro sismo esta noite...


A Terra voltou a tremer esta noite. A magnitude foi um pouco mais baixa do que a do sismo do passado dia 12. O sismo de hoje teve outra vez origem na Falha da Ferradura, só que desta vez um pouco mais a Norte e com uma magnitude de 4.7. O mais curioso é a profundidade do hipocentro, 133 km. É muito abaixo da crusta!?

Magnitude: ML 4.7
Data: 17-02-2007, às 05:44 UTC
Localização: 36.32 N ; 9.95 W
Profundidade: 133 km

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Supervulcões

Um supervulcão, para além de ser um vulcão muito grande, dá origem a erupções extremamente explosivas (apropriadamente classificadas como "mega colossais") em que são ejectadas mais de 500 km3 de cinzas e outro material piroclástico, uma quantidade suficientemente grande para atapetar áreas equivalentes ao tamanho de metade dos Estados Unidos da América.

Só para servir de comparação, a erupção do Tambora em 1815, a maior erupção registada na história moderna, expeliu apenas cerca de 100 km3 o que foi suficiente para fazer diminuir a temperatura global durante 3 anos seguidos, tendo 1816 ficado conhecido como “o ano sem verão”.

O efeito destrutivo dos supervulcões foi já mediatizado tanto pela BBC como pelo Discovery Channel sob a forma de docudramas carregados de efeitos especiais sobre hipotéticas erupções das caldeiras de Yellowstone, o maior e mais conhecido supervulcão. Mas há quem pense que há aproximadamente 71000 anos, uma erupção na caldeira com 100x30 km do Toba, na Indonésia, quase provocou a extinção da espécie humana, reduzindo a sua população a apenas algumas dezenas de milhares de indivíduos depois das suas cinzas terem bloqueado a entrada de radiação solar na atmosfera e causando a queda das temperaturas globais em cerca de 3ºC durante vários anos.
Felizmente estas erupções são raras, ocorrendo em média 1.4 por milhão de anos (Mason et al., 2004), não existindo grandes razões para alarme (excepto se Hollywood decidir tornar este fenómeno em mais um mau disaster movie), pelo menos a curto prazo. Mas não custa nada ter estes gigantes debaixo de olho...


Água em Marte (outra vez)

Chegou hoje, pela mão da Science, a notícia da descoberta de mais um indício para a existência passada de água líquida na superfície do planeta vermelho.
Desta feita foram fotos de alta resolução tiradas pela Mars Reconnaissance Orbiter da NASA que permitiram o reconhecimento de pequenas cristas causadas pela erosão diferencial de arenitos . A erosão veio destacar zonas em que a circulação, através de fracturas, de água enriquecida em ferro foi cimentar estes arenitos tornando-os mais resistentes aos agentes erosivos.
O mais engraçado é, que para ocorrer este tipo de reacções, é necessário que a água tenha permanecido durante algum tempo em circulação e a temperaturas provavelmente mais altas que as presentes hoje em dia em Marte, sugerindo um passado bem mais dinâmico para o nosso vizinho encarnado.

Via The Guardian.

SOS Praia Azul




Parece que os atropelos à Rede Natura são uma constante. A Praia Azul pode ser a próxima...
Mais uma vez os interesses económicos privados colocam em risco património natural legalmente protegido e de reconhecido valor internacional. A Rede Natura 2000 é um conjunto de áreas com estatuto de protecção que todos os países da União Europeia definiram e que constitui um dos mais importantes mecanismos de conservação da natureza na Europa.
Portugal é afortunado ao ter uma relativa abundância de habitats dunares atlânticos bem conservados, mas a nível europeu tais condições são escassas, tornando-as um património único e que urge conservar.
Destruiram o Algarve e agora querem destruir o Oeste com resorts de luxo e campos de golfe para meia dúzia de estrangeiros de classe alta.

http://sospraiaazul.blogspot.com/

Obrigado Piteira por este link.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O degelo do Ártico



Esta animação mostra a evolução recente (1979-2005) da extensão média anual das plataformas do gelo Ártico. Com as coisas a continuar como estão, pensa-se que lá para 2040, durante o Verão, já restará pouco gelo neste oceano, coisa que não se via há muito, muito tempo.
Enfim, e quem se lixa é o urso polar (e mais uns quantos bichos menos mediáticos).

Via NASA.

Geologia de Campo (IX)

"A Capela", dobra em "flysch" do Carbónico, Praia do Telheiro, Sagres.

Freecycle...mais uma ideia tornada acção

Tens coisas em casa que já não utilizas?

Andas a pensar deitá-las fora?

Espera!!!
Podes dá-las a alguém que esteja a precisar!!!

Para isso criei uma mailing list em que as pessoas anunciam que objectos têm para dar, ou que objectos desejam ter. Assim consegue-se "reciclar" objectos, e evitar que estes vão direitos às lixeiras e aterros .

http://br.groups.yahoo.com/group/LisboaFreecycle é o link a clicar!!!

O Lisboa Freecycle® é um grupo que está aberto a todos os que querem "reciclar" algum objecto especial em vez de o deitar fora. Seja uma cadeira, um aparelho de fax, um piano ou uma porta velha, és livre para afixar. Ou talvez estejas a procurar adquirir algo por ti mesmo!
Os grupos de fins não lucrativos também são bem-vindos em participar!

Uma regra principal: tudo o que é afixado deve ser gratuito e livre.

Este grupo faz parte da rede Freecycle, uma organização sem fins lucrativos e um movimento de pessoas interessadas em manter os bons materiais fora dos aterros e das lixeiras.
Este grupo pretende promover a "reciclagem" de objectos na área de Lisboa, contudo existem outras comunidades no país e no Mundo. Visita freecycle.org para conhecer as outras comunidades e para teres mais informações sobre o movimento!

Agora toca a re-utilizar! Com a proximidade da extinção de importantes recursos naturais, a re-utilização de materiais é essencial para o futuro da Terra, e neste grupo estás a contribuir
directamente para um planeta mais sustentável.

Utiliza o e-mail LisboaFreecycle-owner@yahoogrupos.com.br
para colocar perguntas ou apresentar sugestões de melhoria!

João Aguiar
Moderador da comunidade Freecycle de Lisboa

versão em pdf

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Documentários online (grátis!)

Uma qualquer alma caridosa compilou neste site uma lista de documentários disponíveis para visualização online gratuita.
Os temas abrangidos vão desde a Geologia, Astronomia e outras ciências até ao Criacionismo (deve valer a pena dar uma espreitadela, nem que seja para rir um bocado) e às teorias da conspiração, passando pelas Biografias e a Antropologia.
Se têm largura de banda que suficiente e não são demasiado esquisitos com a qualidade da imagem, vão a Best Online Documentaries.

NASA - Imagem de Astronomia do dia

A NASA tem a bodade de disponibilizar diariamente neste link espectaculares imagens capturadas com os seus telescópios e satélites.
Hoje, o prato do dia é Io, uma lua vulcânica de Júpiter.
A visitar.

Via Quinta do Sargaçal.

Bacalhau bicarbonatado

Segundo um recente artigo publicado na Nature, os fundos oceânicos são um reservatório de CO2 antropogénico com tempos de residência bastante superiores ao que se pensava. Até agora, pouco se conhecia acerca do papel das águas profundas no ciclo do carbono enquanto sumidoiro. Os autores deste artigo baseiam-se em dados compilados ao longo de décadas, confrontando a evolução do carbono inorgânico com o pH, nutrientes dissolvidos, oxigénio e outros factores. Ao que parece, sugere-se um mecanismo de dissolução superficial seguido de transporte em profundidade, conduzindo a um estado mais subsaturado das águas superficiais em relação ao CO2 e consequente remoção de mais CO2 atmosférico, repetindo-se os processos referidos ciclicamente.
Gostaria de ler o artigo por duas razões:
a) Como é feito o transporte em profundidade;
b) Se foi quantificada a evolução supersaturação de águas superficiais em relação ao CO2 atmosférico e/ou para águas profundas; em função do tempo.
De resto, as consequências destes factos nos ambientes marinhos são conhecidas. Diminuição rápida do pH e más notícias para a malta que lá vive.
Não entendo porque refere a Nature que isto são boas notícias para a redução do risco de alteração climática. Necessitaria ler o artigo para conhecer a velocidade de resposta do sistema. A verdade é que, alterando as propriedades fisico-químicas da água do mar, serão afectadas importantes correntes de fluxo térmico, como a NADW. Até que ponto... isso é investigação que, certamente, estará a decorrer.
Outro facto é que o clima está a mudar no sentido da subida da temperatura média global, e são 3Gt/ano de CO2 da nossa responsabilidade que todos os anos entram no ciclo, via atmosfera.

View this barbaric scene

http://www.glumbert.com/media/dolphin

than sign the petition please

http://www.petitiononline.com/golfinho/


Esta petição conta com mais de 100000 assinaturas e é directamente dirigida ao Primeiro Ministro do Japão! Tem como objectivo acabar com a forma brutal como os Golfinhos são mortos neste país.

Haja alguem com cabeça!


"O Ministério do Ambiente chumbou a construção de uma ilha artificial de cem hectares em frente à praia de Vale de Lobo, no Algarve, uma iniciativa do grupo de empresas que detém o empreendimento turístico local."

link: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1285608&idCanal=80

Estamo numa época em que é urgente começarmos a pensar seriamente o que queremos fazer deste planeta. O primeiro passo é minimizar o nosso impacto nos ecossistemas naturais, sem os quais a própria sobrevivencia da Humanidade, como hoje a conhecemos, pode ser posta em causa. Devemos defender o que temos de melhor. O turismo em Portugal deve ser uma aposta, mas com tantos espaços naturais maravilhosos, esta ideia de construir uma ilha artificial na costa portuguesa cheira-me a disparate. Não é esse o caminho. Devemos preservar ao máximo o que temos. Isto não é uma ideia de um qualquer ecologista radical, a protecção do ambiente e o desenvolvimento sustentável são hoje acima de tudo um dever cívico.
Depois do grande salto extremamente positivo que foi a declaração universal dos direitos do Homem, é necessário reconhecer também os direitos do nosso planeta e acima de tudo reconhecer as responsabilidades que temos perante a este. A Terra é a nossa casa, mas também será a casa das futuras gerações, é nosso dever preservá-la e acima de tudo protege-la de nós próprios..

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A falha da Ferradura

Figura 1: Mapa da região do golfo de Cádiz, incluindo epicentros de alguns sismos aí registados e mecanismos focais. Falha da Ferradura assinalada a vermelho, região representada na figura 2 limitada pelo rectângulo preto. Adaptado de Zitellini et al., 2004.

A falha da Ferradura é um das prováveis (se não a mais provável...) candidatas a fonte do sismo que se fez sentir ontem.
Tem uma extensão de cerca de 180 km entre o Canhão submarino de S. Vicente e as montanhas submarinas de Coral Patch e Ampére (figura 1) e uma escarpa de falha com uma altura variável (figura 2) que corresponde á expressão superficial de uma falha inversa muito inclinada (cavalgamento) cega, ou seja, que não rompe à superfície (Zitelinni et al., 2004), mas o movimento ao longo do seu plano de falha tem potencial para desencadear sismos como o sentido ontem.

Figura 2: Planície Abissal da Ferradura (centro) e falha da Ferradura (ressalto à direita) representados a partir dos dados de batimetria multifeixe recolhidos durante a campanha MATESPRO (2004). Retirado de Terrinha, 2005.

Bibliografia:

P. (Terrinha,2005). A fronteira de Placas África-Ibéria e a fonte do terramoto de Lisboa de 1755.

N. Zitellini, M. Rovere, P. Terrinha, F. Chierici, L. Matias and Bigsets Team (2004). Neogene Through Quaternary Tectonic Reactivation of SW Iberian Passive Margin. Pure and Applied Geophysics, vol. 161, 3.

Aquilo que um ser inteligente consegue fazer..




Acabem com isto! Os sites onde encontrei estas imagens são de arrepiar. Esta chacina ocorre num chamado país desenvolvido, o Canadá. Se estas imagens já vos chocaram o suficiente então não procurem no google por "seal killing", caso contrário recomendo vivamente que o façam. Não se devem esconder estas coisas e muito menos fechar os olhos. A nossa sociedade está organizada de tal forma que estas coisas são subtilmente escondidas e depois aparecem nos telejornais noticias do género: a Dona Zezinha da Sevilheira teve uma dor de barriga. E é isso que o povo gosta. A internet possibilita hoje uma grande troca de informação. Muito do que nos era escondido está agora exposto. Deixo aqui o meu contributo a esta causa.
Os sites de associações de defesa do ambiente pedem que se divulguem estas imagens de modo a pressionar os governos responsáveis a acabar com esta vergonha.