quarta-feira, dezembro 27, 2006

Adivinhem de quem é a culpa...

O planeta está a aquecer e a culpa, em grande parte, é do homem. Mesmo que hoje se reduzissem drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa, o aquecimento global é inevitável pelo menos nos próximos cem anos. São as conclusões de um relatório de referência que reúne 2500 cientistas de todo o mundo. O tom é de alerta. Os decisores políticos saberão lê-lo? Por Kathleen Gomes

É uma verdade inconveniente: os efeitos do aquecimento global vão continuar a sentir-se nos próximos cem anos, mesmo que de hoje para amanhã se eliminem as emissões de gases com efeito de estufa. Ou seja, mesmo que você deixe o carro na garagem ou os países industrializados reduzam drasticamente as emissões de gases poluentes para a atmosfera, o aquecimento global não voltará atrás tão depressa. E a culpa é sua. Já se desconfiava, as provas são cada vez mais irrefutáveis: o homem tem uma grande responsabilidade nas alterações climáticas registadas nos últimos anos.

Estas são as principais conclusões do novo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que não é apenas mais um estudo académico sobre a matéria - é o documento de referência porque reúne 2500 cientistas de todo o mundo com produção relevante sobre mudanças climáticas. Como nota Francisco Ferreira, dirigente da organização ambiental Quercus que tem estudado as alterações climáticas, "este é o relatório científico mais extenso e rigoroso sobre as alterações climáticas à escala mundial". O relatório será apresentado no início de 2007 mas o seu esboço final foi ontem antecipado pelo diário espanhol El País


A culpa humana

Os cientistas podem hoje afirmar com maior grau de certeza que o homem tem responsabilidade no aquecimento global. Esta é uma preocupação dos últimos dez anos que tem carecido de comprovação científica total, porque é impossível atribuir uma causa directa às alterações climáticas. Como lembra o climatologista Ricardo Trigo, do Centro de Geofísica da Faculdade de Ciências de Lisboa, há várias causas naturais que contribuem para o aquecimento global, entre elas, a variação da intensidade de radiação de energia solar e as erupções vulcânicas. O El País propõe esta analogia: é tão impossível dizer que um cancro de pulmão de um fumador se deve ao tabaco quanto dizer, com 100 por cento de segurança, que uma onda de calor se deve à acção do homem.


O anterior relatório do IPCC, publicado em 2001, já avançava que o homem tinha responsabilidade nas mudanças climáticas verificadas nos últimos 50 anos. Mas o tom era mais cauteloso. O novo relatório vem reforçar essa conclusão com mais provas e precisão. O documento assinala que o aumento de fenómenos extremos - como secas e ondas de calor - "pode ser atribuído a mudanças climáticas antropogénicas", isto é, produzidas por acção humana.Segundo o relatório, nunca os níveis de concentração de gases com efeito de estufa na altmosfera (gases que impedem a saída do calor emitido pela superfície terrestre) foram tão elevados. Nunca quer dizer: nos últimos 650 mil anos. A par disso, o ritmo actual de aumento desses gases na atmosfera "não tem precedentes nos últimos 20 mil anos", cita o jornal El País.



O mal está feito

Há mais más notícias: mesmo que se conseguisse estabilizar a concentração desses gases - o que implicaria mudar drasticamente a actividade e economia mundiais -, o mal está feito e o planeta levaria tempo a reabilitar-se. Ou seja, o aumento da temperatura e do nível do mar vai continuar durante mais de 100 anos.Nesse período, as projecções do IPCC apontam para um aumento de temperatura "entre 2 e 4,5 graus, sendo 3 graus o valor mais provável". Em todo o caso, valores superiores a 4,5 graus "não podem ser excluídos". Um aumento de dois graus, aponta Francisco Ferreira, já representa um aumento "de proporções catastróficas". O novo relatório do IPCC vem "concretizar suspeições que existem há dez anos", nota Ricardo Trigo, e isso é importante porque "ajuda a tirar dúvidas a quem ainda as tivesse".

Se o mal está feito - se, mesmo que mudássemos a nossa forma de vida tal como a conhecemos, os efeitos vão continuar -, isso quer dizer que é tarde demais? "É uma questão importante", sublinha Ricardo Trigo. "Muitos investigadores que trabalham nos melhores centros internacionais dizem que mesmo que no melhor dos cenários se conseguisse reduzir em 50 ou 60 por cento as emissões do gases com efeito de estufa é imprescindível gastar-se muito dinheiro em soluções tecnológicas que permitam aos países adaptar-se às novas condições. Se há um aumento do nível médio do mar, os países que têm costa precisam de pensar em medidas para enfrentar o problema."O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.


Relatório será "decisivo" para as negociações pós-Quioto

Para se ter uma ideia da relevância dos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) - desde 1990, este é o quarto - Francisco Ferreira, da Quercus, resume: "É com base nesses relatórios que têm sido sempre tomadas as decisões políticas. A Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas surge em 1992 como consequência do primeiro relatório. E o Protocolo de Quioto, em 1997, surge na sequência do segundo relatório, que é de 1995." Há, portanto, expectativas em relação ao novo documento. Francisco Ferreira espera que ele seja "decisivo na negociação do pós-Quioto", o que pode traduzir-se em metas mais austeras de redução de emissões de gases com efeito de estufa. A Alemanha, que terá a presidência da União Europeia a partir do início de 2007, já anunciou que na reunião de ministros europeus do Ambiente na próxima Primavera vai propor uma redução de 30 por cento até 2020 - a meta estabelecida por Quioto é de oito por cento entre 2008 e 2012. A versão final do relatório será apresentada numa reunião do IPCC em Paris, nos primeiros dias de Fevereiro. Mas "mais de 90 por cento está escrito", garante o climatologista Ricardo Trigo, e foi enviado pelas Nações Unidos a um grupo seleccionado de especialistas e governos para leitura. O que pode mudar entretanto, nota o El País, é o resumo para decisores políticos, que é aprovado frase a frase.

in publico: 27-12-2006

"The Day After Tomorrow"

Temos falado na nova cultura. Na aproximação do mundo das artes, ao mundo científico. O filme que passou na SIC, "The Day After Tomorrow", é um excelente exemplo disso.



Leva-nos aos temas que nos inquietam, cidadãos conscientes, cientistas de alma ou profissão. A preocupação é partilhada por todos e por uns mais friamente explicada.

As questões:
As alterações climáticas podem, ou não provocar enormes tempestades, da dimensão de continentes? E podem desenvolver-se em tão pouco tempo? E como é possível que depois do degelo dos glaciares, a concequência seja precisamente, uma nova idade do gelo?

Explicações aqui:
Ocean and Climate Change Institue

Do filme, achei um diálogo interessante, a discussão entre os mais altos decisores políticos e os mais especializados cientistas.

"Jack Hall: Our climate is fragile. The ice caps are disappearing at a dangerous rate.
Vice President Becker
: Dr. Hall, our economy is every bit as fragile as the environment. Perhaps you should keep that in mind before making sensationalist claims.
Jack Hall
: Well, the last chunk of ice that broke off was the size of Rhode Island. A lot of folks would say that was pretty sensational.
...

Vice President Becker
: Maybe you should stick to science and leave policy to us.
Tom
: We tried that approach. You didn't want to listen to the science when it could have made a difference. "


Urgente agora é fazer com que as questões ambientais e climatéricas deixem de ser apenas entendidas por especialistas. Mais uma vez, o apelo para que se consiga passar a mensagem de que é possível Viver na Terra de uma forma consciente. É possível usufruir dos recursos que ela nos dá. Mais, é possível fazê-lo até que se esgotem. Mas para o planeta isso é igual. Mais gelo, menos gelo. Mais frio, mais calor, mais gases, menos espécies...
É indiferente para um planeta vivo, que existe há cerca de 4.600 milhões de anos, se o Homem, que não habita nele sequer há 10 milhões, resistirá às Alterações Climáticas, por ele próprio aceleradas...


Links:
The Day After Tomorrow
Wikipedia
WHOI

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A Física no dia-a-dia...nos dias do Natal.

Se soprar entre as duas bolas de Natal, sabe o que acontece?

What happens when you blow between the two Christmas balls?

As bolas aproximam-se e batem uma na outra. Porque, ao soprar entre as duas bolas, o ar que aí estava desloca-se, diminuindo a pressão nesse lugar.
Exprimente neste Natal.
The Christmas balls approach each other and collide. When blowing between the balls, you displace the air and the local pressure decreases.
Try this experiment this Christmas.



Visite a exposição: A Física no Dia-a-Dia
As 73 Experiências do Livro no Centenário de Rómulo de Carvalho
No Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva
Parque das Nações, 1990-273 Lisboa

Alguns mamíferos conseguem cheirar debaixo da água

O «truque» está em lançar bolhas de ar que depois se inalam

Alguns mamíferos conseguem cheirar debaixo da água e assim detectar alimentos depositados no fundo dos rios ou lagos, graças à pr odução de bolhas de ar, indica um estudo hoje publicado pela revista Nature. O professor Kenneth Catania, da Universidade Vanderbilt de Nashville (Estados Unidos), fez a descoberta ao estudar o comportamento de duas espécies semiaquáticas, a toupeira de nariz estrelado (Condylura cristata) e o musaranho aquático (Sorex palustris). Como os aromas circulam no ar, pensava-se até agora que o olfacto se perdia na água.

Porém, o estudo agora publicado mostra que pelo menos aqueles dois mamíferos conseguem gerar bolhas de ar que veiculam os cheiros dentro da água. A experiência consistiu em comprovar se as duas espécies eram capazes de cheirar e identificar objectos depositadas no fundo de um tanque, duas das quais comestíveis (lombrigas e peixes pequenos).

Utilizando uma câmara de alta velocidade, o investigador constatou que, ao dirigir-se aos objectos, a toupeira emitia bolhas pelo nariz que tocavam no objecto visado antes de serem de novo inaladas pelo animal. Cinco toupeiras que participaram na experiência com lombrigas conseguiram detectá-las em pelo menos 75 de 100 casos. Keneth Catania também observou vários musaranhos com resultados idênticos.

A técnica usada por estes animais consiste em exalar numerosas pequenas bolhas que depois inalam para extrair moléculas odoríferas. A descoberta "foi uma surpresa total, porque se julgava que os mamíferos n ão tinham sentido de olfacto debaixo da água", afirmou o autor do estudo.

"Quando os mamíferos se adaptam ao meio aquático, o seu olfacto costuma degenerar", acrescentou. "O principal exemplo são os cetáceos, como as baleias e o s golfinhos, a maioria dos quais perderam o sentido olfactivo". Após esta descoberta, o investigador interroga-se sobre se outros mamíferos, como as lontras ou as focas, terão uma capacidade semelhante.

in Ciência Hoje, 21-12-2006

Dragões de Komodo podem reproduzir-se por autofecundação

Em Janeiro, no Zoo de Chester, no Reino Unido, oito crias de dragões de Komodo deverão sair dos ovos postos por Flora, uma fêmea que não foi fecundada por um macho, revelam biólogos na revista “Nature”.

Estes répteis originários de uma pequena ilha vulcânica da Indonésia, da qual receberam o nome, são capazes de se reproduzir por partenogénese (ou autofecundação), revelam os investigadores dirigidos por Phillip Watts, da Universidade de Liverpool.

Ameaçada em estado selvagem, a espécie é alvo de um programa internacional de criação em cativeiro. Os primeiros quatro dragões de Komodo “europeu” nasceram em Março no Zoo de Londres, graças a uma fêmea enviada pelo parque francês de Thoiry para evitar problemas de consanguinidade.

A análise genética aos ovos das fêmeas de Londres e de Chester revelou que elas se podem reproduzir sem ter contacto com um macho.

“A partenogénese constitui um fenómeno que ainda não é reconhecido para a gestão genética das populações ameaçadas”, notam os investigadores. Uma única fêmea, não fertilizada, pode fundar uma colónia no âmbito da qual pode ser retomada a reprodução sexual.

Estima-se que apenas existam na natureza quatro mil dragões de Komodo, mil dos quais fêmeas adultas.

in publico PT, 20-12-2006

Ossos de nova espécie de dinossauro gigante encontrados em Espanha

Uma equipa de investigadores espanhóis encontrou em Teruel 70 ossos de um saurópode gigante, com 35 metros de altura e 45 toneladas de peso. Os restos, com cerca de 145 milhões de anos, provam a descoberta de uma nova espécie de dinossauro, chamada Turiasaurus riodevensis.

Segundo o “El Mundo” online, os paleontólogos fizeram a descoberta em Maio de 2003. Três anos depois, a revista “Science” dedica um artigo sobre a descoberta de uma espécie nunca antes catalogada.

A comunidade científica escolheu o nome Turiasaurus riodevensis porque Turiasaurio significa em Latim “lagarto de Teruel” e riodevensis devido ao nome do local da descoberta.

Esta descoberta confirma que no Velho Continente “viveram dinossauros gigantes no final do Jurássico superior (há 145 milhões de anos)”, explica Alberto Cobos, um dos investigadores responsáveis, da Fundação Dinópolis. Até ao momento apenas tinham sido encontrados restos significativos destes animais na América e em África.

Os paleontólogos estimam que este animal se alimentava de plantas, vivia em grupos e reproduzia-se através de ovos. Entre os ossos encontrados está a pata dianteira esquerda, praticamente completa.

Segundo o jornal online, os paleontólogos identificaram outros ossos em Portugal, outras regiões espanholas, em França e Inglaterra, que poderão pertencer a este novo grupo de saurópodes, dinossauros herbívoros.

Os trabalhos de escavações continuam em Teruel e os investigadores esperam encontrar mais ossos.

in publico PT, 21-12-2006

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Uma Terra que gira... há um ano

Que a Terra gira sobre si mesmo e à volta do Sol, já todos nós sabemos. Mas nem sempre foi assim. Muitos foram aqueles que se questionaram, que em determinados momentos duvidaram e com paixão investigaram. Muitas descobertas foram feitas desde que a ciência se tornou uma estrutura sólida. Pelo caminho, muitos se calaram ou foram calados, muitos morreram no processo… numa batalha sem igual … Pela primeira vez, que se saiba, a matéria ganhou consciência de si própria… consciência que lhe deu a capacidade de duvidar, de questionar e assim aprender… ”e no entanto ela move-se”, desabafou Galileu no final de uma batalha perdida. Mas agora, mais do que nunca, novos desafios se levantam. Cientistas continuam a fazer novas descobertas todos os dias. Cientistas que têm a coragem de se questionar e de explorar o mundo em que todos vivemos, de ir mais além atravessando as fronteiras do mundo conhecido e partindo à procura de novas terras por esse universo fora.
O interesse por estas questões alargou-se, e através daqueles que albergam um espírito crítico e científico, as notícias das novas descobertas chegam a um público cada vez maior, curioso, que as segue com entusiasmo.
Os tempos são outros! Começa a desflorar uma nova consciência ambiental sem precedentes. Hoje as pessoas têm a noção de que os recursos da Terra não são inesgotáveis e de que há um risco real de sermos nós a destruir o sistema que nos permitiu chegar até aqui. É preciso fazer passar a mensagem, de uma forma clara.


Uma Terra Que Gira nasceu com esse objectivo, o de divulgar, o de dar a conhecer a Terra, aquilo que nos rodeia e as pessoas que vão fazendo a diferença, para que não assistamos com a indiferença habitual à vitória da ignorância sobre o conhecimento.
Aqui faz-se divulgação científica e dá-se a conhecer quem o faça. Pelo menos tenta-se.


Para preservar, é preciso primeiro explorar, investigar e aprender, mas cabe também a nós, cientistas de alma ou profissão fazer chegar esse conhecimento a toda a sociedade, para que todos possamos viver de uma forma sustentável e responsável nesta Terra que gira.


Terra que gira
, Dezembro 2006

...e no entanto ELA move-se!

e-card elaborado por: Inês Mateus

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Subida do mar poderá ser mais rápida do que previsto

O aquecimento climático poderá provocar uma subida do nível do mar mais rápida do que o previsto durante este século , segundo um estudo hoje publicado na revista Science. Essa subida poderá atingir 1,40 metros até 2100, ou seja, o dobro da estimativa estabelecida até agora, aumentando os riscos de inundações de regiões baixas e a ameaça de tempestades violentas em cidades como Nova Iorque e Londres. Os climatologistas previam até agora um aumento de entre nove e 88 centímetros em relação ao nível de 1990 daqui até ao fim do século.

Hoje, no estudo publicado na Science, o investigador alemão Stefan Rahmstorf, especialista de oceanos na Universidade de Potsdam (Alemanha), prevê uma subida de entre 50 centímetros e 1,40 metros. Na sua perspectiva, as estimativas actuais não são fiáveis por se basearem em modelos de simulação que subestimam a subida do nível do mar ocorrida até agora.

"Durante os últimos 40 anos, o nível do mar aumentou 50 por cento mais do que previam os modelos climáticos. Isto revela que ainda não compreendemos o problema da subida do nível do mar", afirmou. Rahmstorf estudou a relação entre a subida do nível do mar e as subidas das temperaturas médias do ar à superfície do globo. Desse trabalho concluiu que o aumento do nível do mar foi proporcional à subida das temperaturas e teve impacto nas alterações registadas no século XX.

A subida do nível do mar mais importante do que previsto tem pesadas consequências não só para as regiões baixas ameaçadas de inundações, como para algumas grandes cidades ocidentais. Num estudo publicado no ano passado, Rahmstorf e a sua equipa do Instituto para a Investigação do Impacto das Alterações Climáticas de Potsdam estimaram que o aquecimento do planeta poderia provocar uma subida do nível do mar no Atlântico Norte por fechar ou enfraquecer uma corrente oceânica conhecida por "tapete rolante" (Conveyor Belt).

Segundo este cenário, o nível do mar da região poderia aumentar até um metro e, juntando a isso o efeito dos gases com efeito de estufa, a subida poderia mesmo atingir dois metros, expondo Londres e Nova Iorque a "tempestades violentas devastadoras".

in Ciencia Hoje, 2006-12-15

Sonda europeia descobre topografia rugosa e encoberta de Marte


A sonda orbital europeia Mars Express enviou para Terra imagens que mostram Marte com uma topografia mais antiga e rugosa, escondida sob uma camada superficial mais lisa e recente, anunciou hoje a Agência Espacial Europeia (ESA). Segundo os cientistas, as imagens fornecem novas e importantes chaves para compreender a evolução geológica de Marte e até mesmo da Terra.

De acordo com um comunicado da ESA, o radar da sonda revelou a existência de crateras de impacto soterradas com diâmetros de entre 130 e 470 quilómetros, debaixo de grande parte das terras baixas do norte do planeta. "As novas descobertas aproximam os cientistas planetários da compreensão de um dos mais persistentes mistérios sobre a evolução geológica e a história de Marte", diz a ESA.

A agência refere que as descobertas também ajudam os cientistas a compreender a evolução inicial da Terra, onde é mais difícil encontrar sinais das forças em acção porque a erosão e as erupções vulcânicas os apagaram. Ao contrário da Terra, Marte mostra grandes diferenças entre os seus hemisférios norte e sul.

Enquanto todo o hemisfério sul tem planaltos muito rugosos e cheios de crateras, a metade norte é mais lisa e menos elevada, uma topografia que se julga ser mais recente por ter sofrido os efeitos da erosão e de outros processos. Os novos dados "indicam que a crosta subjacente é extremamente antiga", afirma a ESA.

Marte formou-se há mais de 4,5 mil milhões de anos e os cientistas estão na sua generalidade convencidos de que passou por uma fase inicial húmida e quente que acabou passados 1,5 a 2,5 mil milhões de anos, para se converter num planeta extremamente seco e frio.

in Ciencia Hoje, consultado em 18 de dezembro de 2006
imagem ESA

Astronautas do vaivém Discovery preparam nova saída espacial

Os astronautas do vaivém Discovery passaram o dia a descarregar mantimentos trazidos pelo vaivém e a preparar uma nova saída espacial, que não estava inicialmente prevista, para desbloquear o mecanismo de um painel solar na estação espacial internacional (ISS, sigla em inglês).

A missão para abastecer e continuar a construir a estação, que se prevê ficar concluída em 2010, foi prolongada um dia devido à saída espacial extra. Esta, a realizar por Robert Curbeam e Christer Fuglesang, será a quarta desta tripulação. Terá uma duração de seis horas e meia.

O vaivém Discovery deverá agora regressar à Terra na sexta-feira, depois de 13 dias no espaço.

17.12.2006 -Reuters

domingo, dezembro 17, 2006

A terceira Cultura

A distância entre "linguagens" não é recente. Já na década de 1950 havia uma cisão entre duas culturas, a das artes (pintores, escritores, etc) e os cientistas. Os primeiros assumiam para si o papel de pensadores, de visionários. Era deles a responsabilidade de traçar o rumo para as suas comunidades. Aos cientistas restava...
C.P. Snow, filósofo e cientista e autor de um livro intitulado " As Duas Culturas", previa o aparecimento de uma terceira cultura. A ideia, optimista, era a de que os "artistas" se iriam aproximar da "outra" cultura, que os passariam a entender e fazer chegar ao grande público as novas descobertas sobre o mundo e os mundos novos descobertos. A verdade é que a história não se desenrolou bem assim. Foi através de uma linguagem mais actual dos cientistas e da adaptação da ciência à ficção que foi crescendo a curiosidade e interesse do cidadão comum. Nascia assim a Terceira Cultura e desde então, nomes como Carl Sagan contribuíram para o seu desenvolvimento.

Adaptado de Histórias do Universo, José Fernando Monteiro

Foi entregue, recentemente o Prémio Pessoa, que destacou António Câmara, investigador e empresário, na área das novas tecnologias. Nas entrevistas que se seguiram, ouvi do premiado uma frase que me marcou, tendo em conta que o lado empresarial deste "cientista" é bastante bem sucedida... ele diria que era preciso continuar a investigar por brincadeira.

Boas notícias, benvindo o tão afamado choque tecnológico e a nova Terceira Cultura.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Há água em Marte!? Segundo a Nasa as provas desse facto são cada vez mais fortes


Cientistas que investigaram imagens de alta resolução da superfície de Marte acreditam que, no hemisfério Sul do planeta, existem vestígios da recente passagem de água, revelou, esta quarta-feira, a NASA.

De acordo com a Lusa as fotografias, as primeiras das quais foram captadas pela cápsula de exploração espacial Mars Global Surveyor (MGS), agora inactiva, mostraram que a água em Marte é uma realidade actual, afirmou o perito Kennet Edgett.

«Pode ser água salgada, água com uma grande quantidade de sedimentos ou água ácida mas é seguramente água, H2O», sublinharam os cientistas, em conferência de imprensa, na sede da NASA.

Dadas as temperaturas extremas no planeta Marte, qualquer curso de água que corra na superfície não pode manter-se muito tempo em estado líquido - ou congela ou evapora-se.

Os investigadores tinham conhecimento dos vestígios desde 2000, quando a câmara da MGS as captou mas as comparações com imagens registadas em 1999, em 2001 e mais recentemente, foram determinantes.

A busca de água em Marte apaixonou os cientistas durante décadas, dado que relança a discussão sobre a hipótese de existência de vida.

in Portugal Diário 2006/12/06 20:18

Imagens de Marte - Foto NASA/AP

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Foto de Familia (antes de Plutão ser posto no quintal)

Uma foto geológica: Cabo de Creus (Espanha)

Cientista espanhol descobre que a maior estrela da Via Láctea é formada por três estrelas

Graças ao telescópio espacial Hubble, o astrónomo espanhol Jesús Maíz, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), descobriu que a estrela Pismis 24-1, considerada até ao momento a maior estrela gigante da Via Láctea, é afinal um sistema formado por três estrelas.

Os resultados da investigação - coordenada por este astrónomo do Instituto de Astrofísica de Andalucía (CSIC), em Granada, com o objectivo de encontrar a estrela com maior massa da Via Láctea – serão publicados no “Astrophysical Journal”.

Segundo um comunicado do CSIC, a Pismis 24-1 é 200 vezes maior do que o Sol.

“As estrelas gigantes, além de serem raras, tendem a formar-se em sistemas múltiplos. Por isso, um sistema estelar duplo pode parecer, à distância, uma estrela desmesuradamente grande”, explica Jesús Maíz. “A estrela Pismis 24-1, que era uma forte candidata à maior estrela da Via Láctea, é, afinal, um sistema formado por três estrelas”: Pismis 24-1 SW e a estrela dupla Pismis 24-1 NE.

Os investigadores estimam que cada uma das estrelas tenha uma massa de 70 sóis, o que as inclui na lista das 25 maiores da Via Láctea.

Maíz diz que na Via Láctea, por cada 15 mil estrelas como o Sol, existe uma estrela com mais de 65 massas solares.

A próxima missão do astrónomo será conseguir separar as três estrelas. “Elas estão tão próximas que não se podem captar imagens diferenciadas. No entanto, graças às variações de velocidade, podemos saber que têm existências separadas”.

in publico, 12-12-2006

Cientistas americanos estimam que Árctico pode ficar sem gelo no Verão a partir de 2040

O sobre-aquecimento do planeta está a causar alterações no Árctico, região que, segundo uma equipa de cientistas norte-americanos, poderá ficar sem gelo durante o Verão a partir de 2040.

“Os efeitos do sobre-aquecimento estão a começar a mostrar a sua cara feia”, comentou Mark Serreze, cientista do National Snow and Ice Data Center da Universidade do Colorado, em Boulder.

Marika Holland, cientista do Centro Nacional de Investigação Atmosférica, prevê um declínio lento mas constante do gelo no Ártico, num cenário de sobre-aquecimento global.

Os resultados da investigação, publicados hoje na revista “Geophysical Research Letters”, indicam que todos os meses de Setembro, a extensão de gelo pode reduzir-se tão drasticamente que, dentro de 20 anos, estará a desaparecer quatro vezes mais rapidamente do que em qualquer altura desde que existem registos.“

O gelo estará bastante estável até 2025 mas depois, começam os problemas”, disse Holland, no encontro de Outono da American Geophysical Union, em São Francisco.

Numa simulação, o gelo de Setembro pode passar, num espaço de dez anos, de seis milhões de quilómetros quadrados para dois milhões de quilómetros quadrados.


Impactes ambientais e estratégicos

Apesar de estar longe do ponto de vista geográfico, o degelo no Árctico pode alterar os ecossistemas do planeta, a vida no mar e na terra, o clima, padrões de navegação e ainda as necessidades nacionais de defesa.“

Neste jogo vão haver vencedores e vencidos, mas penso que o balanço é negativo”, comentou Serreze.

Para a Rússia, “as rotas de navegação vão abrir-se, o que trará benefícios económicos”. “Para o Canadá, isto poderá representar um crescimento económico”.

O degelo poderá criar uma série de problemas, quer para a vida selvagem – como os ursos polares -, quer para os países. Todos terão de se adaptar e responder a novas fronteiras.

Em cima da mesa estão ainda questões de geoestratégia, lembrou Mead Treadwell, da U.S. Arctic Research Commission em Anchorage, no Alasca. Talvez os Estados Unidos tenham de passar a patrulhar a sua fronteira a Norte, no Alasca, e preparar-se para novos derrames de petróleo, quando se abrirem novas rotas de navegação.

A falta do arrefecimento do Árctico poderá alterar os padrões climatéricos um pouco por todo o planeta, por exemplo, com efeitos nas oportunidades de desportos de Inverno, como o esqui, ou ainda nas épocas das plantações.

Os cientistas acreditam que reduzir as emissões de gases com efeito de estufa poderia ajudar a abrandar o ritmo do degelo no Árctico.

in publico, 2-12-2006

terça-feira, dezembro 12, 2006

Ecoline

Nasceu o Ecoline!



É um projecto ambicioso, criterioso, e de muito trabalho de retaguarda. É uma plataforma de informação sobre a relação, ou relações, da população com o ambiente.

Com o mote de...

Conhecer mais para Mudar melhor / Conhecer melhor para Mudar mais

a informação que aqui é "oferecida" de uma forma trabalhada, muitas vezes traduzida para o cidadão comum, faz do Ecoline um site, na minha opinião (propavelmente parcial), de utilidade e serviço público.

Serve, não só um público mais especializado, como também, o cidadão curioso e interessado em questões ambientais.

Penso que existe neste espaço informação suficiente para novos estudos, para novas questões, para novas linhas orientadoras da ecologia em Portugal.

Muito há a fazer ainda...mas pelo menos já existe e está acessível à vossa curiosidade, crítica e vontade de continuar a fazer esta terra girar de uma forma responsável e sustentável.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

NASA quer construir colónia na Lua. Poderá estar operacional em 2020.


A NASA tenciona estabelecer uma pequena colónia de astronautas no pólo sul da Lua por volta de 2020, primeira etapa de um programa ambicioso de exploração humana do sistema solar, anunciou ontem a agência espacial norte- americana.

O projecto da NASA, revelado após consultas com 13 agências espaciais de todo o mundo e com empresas privadas, considera o estabelecimento de um posto avançado lunar como uma escala para os astronautas que se desloquem a Marte.

Esta colónia na Lua permitiria, nomeadamente, a extracção do hidrogénio e do oxigénio necessários para produzir água e combustível para os motores dos foguetões.

Tal qual está actualmente concebido, o posto avançado lunar começará com uma tripulação de quatro elementos a efectuar estadas de uma semana cada até que os módulos habitacionais e o fornecimento de energia permitam missões mais prolongadas, que poderão atingir os seis meses, para preparar as viagens até Marte.

"Esta estratégia permitiria aos países interessados neste projecto optimizar os seus recursos técnicos e financeiros, contribuindo assim para coordenar o esforço que nos vai lançar nesta nova era de descoberta e exploração", assinalou Shana Dale, administradora-adjunta da NASA.

Segundo a mesma responsável, as condições existentes nos pólos lunares parecem ser as mais favoráveis para a localização do posto avançado, especialmente o pólo sul, que beneficia de uma maior exposição solar, ideal para produzir electricidade.

Recorde-se que o homem não visita o seu satélite desde 1972.

Fonte: Ciência Hoje, 2006-12-05

terça-feira, dezembro 05, 2006

XX FEIRA INTERNACIONAL DE MINERAIS, GEMAS E FÓSSEIS

XX FEIRA INTERNACIONAL DE MINERAIS, GEMAS E FÓSSEIS
7 a 10 Dezembro 2006

HORÁRIO:
7 de Dezembro - das 15.00 h às 20.00 h
8, 9 de Dezembro - das 10.00 h às 20.00 h
10 de Dezembro - das 10.00 h às 18.00 h

Local:
MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL
Rua da Escola Politécnica, 60 1250-102 Lisboa

(entrada livre)

A Feira Internacional de Minerais Gemas e Fósseis de Lisboa, cumpre este ano a sua 20ª edição, e constitui, anualmente, um ponto alto da divulgação científica em Lisboa. Este ano o tema central são os minérios, presentemente altamente valorizados como reflexo do aumento do consumo em países como a China e a Índia. Dos minérios se extraem os metais que integram incontáveis objectos de uso corrente. Por outro lado, eles são constituídos por minerais, muitas vezes lindíssimos, aliás bem representados nas sucessivas Feiras.

Este certame, que também integra as componentes cultural, científica e pedagógica, reúne coleccionadores e comerciantes de minerais, gemas e fósseis, oriundos de diversos países da Europa, bem como um vasto público que tem aqui oportunidade de comprar, vender ou trocar exemplares do seu interesse. No âmbito desta Feira, terão lugar, como vem sendo hábito, um conjunto de actividades complementares de carácter pedagógico e de divulgação científica destinadas a jovens e adultos.

Pirâmides do Egipto construídas com pedra sintética

As pirâmides do Egipto foram construídas com pedra sintética que teria sido vazada como betão, indica um estudo de uma equipa internacional de investigadores hoje divulgado pela revista francesa "Science et Vie". Segundo os investigadores, a composição das pedras das pirâmides é "muito mais complexa do que a das pedreiras oficiais" de Toura e Maadi, de onde foram extraídos os materiais usados nos túmulos de Gisé.

Exames com raios-X e tocha de plasma mostraram que "certos microconstituintes dessas pedras apresentam vestígios de uma reacção química rápida que não lhes permitiu uma cristalização natural (...), uma reacção inexplicável se as pedras tivessem sido talhadas, mas compreensível se tivessem sido vazadas como betão", refere a "Science et Vie".

Várias técnicas de microscopia electrónica revelaram que "os espectros de difracção de pedras retiradas das pirâmides diferem nitidamente dos das pedreiras", de acordo com os trabalhos de Gilles Hug, do Gabinete Nacional de Estudos e Investigações Aeroespaciais (ONERA), de França, e Michel Barsoum, da Universidade de Drexel em Filadélfia (EUA), citados pela revista.

Na perspectiva de outro especialista, o químico Joseph Davidovits, que há 30 anos defende a tese do betão geopolimérico para a construção dos túmulos dos faraós, foram vazados no local blocos de calcário natural reconstruído. Eram constituídos por "93 a 97 por cento de agregados de calcário natural e três a sete por cento de ligante", argila caulinítica, um silico-aluminato que se desagrega na água e a que se teria juntado cal extinta.

Outro cientista, o físico Guy Dumortier, das Faculdades Universitárias Notre-dame de la Paix de Namur (Bélgica), defende também nesta revista de divulgação científica a teoria da pedra aglomerada, afirmando que observou um teor muito mais elevado do que no natural em flúor, silício, magnésio e sódio.

A "Science et Vie" provocou uma polémica em 2001 ao anunciar que as pirâmides eram feitas de "pedras falsas", citando uma investigadora do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), Suzanne Raynaud, que tinha observado diferenças entre as pedras das pedreiras e amostras retiradas dos monumentos.

Fonte: Ciência Hoje, 2006-11-30

Espectáculo astronómico pode ser visto sábado através de binóculos

Um espectáculo astronómico que consiste no "ajuntamento pouco comum" dos planetas Júpiter, Mercúrio e Marte poderá ser observado na manhã de sábado através de binóculos normais, segundo os cálculos do matemático e astrónomo belga Jean Meeus. Os três planetas, que seguem as suas respectivas órbitas a milhares de quilómetros afastados um do outro, aparecerão para os observadores na Terra como estando separados por menos de um grau no momento em que estão mais juntos, formando "a ponta de uma flecha dirigida ao oeste", segundo o especialista.

Meeus prevê a conjunção de Mercúrio e Marte para sexta-feira e a união de Marte e Júpiter para domingo, "encontrando-se Mercúrio, no sábado, apenas a 1 ,5 graus por baixo e à direita da estrela Grafias na constelação de Escorpião". Segundo o astrónomo, normalmente é "muito difícil observar a olho nu este tipo de fenómenos em planetas próximos da terra".

Meeus tem vindo a calcular todos os trios planetários ocorridos desde 1 980 e aqueles que ocorrerão até 2050, tendo encontrado um total de 40, o que da uma média de um fenómeno a ocorrer a cada 21 meses.

Fonte: Ciência Hoje, 2006-12-05

quinta-feira, novembro 30, 2006

Do the evolution - Pearl Jam

I'm ahead,
I'm a man
I'm the first mammal to wear pants,
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust,
It's evolution, baby

I'm at peace,
I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills,
I'll flatten 'em out,
It's herd behavior,
It's evolution, baby

Admire me, admire my home
Admire my son,
he's my clone,



This land is mine,
this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby
I'm a thief,
I'm a liar
There's my church, I sing in the choir: (hallelujah, hallelujah)

Admire me, admire my home
Admire my son,
admire my clones

'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans,
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby

Do the evolution
Come on, come on, come on


Este teledisco diz tudo. Um dos melhores que vi até hoje. Uma crítica atenta à sociedade em que fazemos parte. É claro que podemos sempre dizer que a culpa do mal é do outro, que nós não somos assim.

No fim, a Terra é igual para todos e todos podemos sentir os erros, que embora não sejamos nós a cometer, não fizémos o suficiente para os impedir.

quarta-feira, novembro 29, 2006

terça-feira, novembro 28, 2006

"Mais vale prevenir que remediar"

Assisti na semana passada a uma conferência de David Gee, coordenador de um estudo para a Agência Europeia do Ambiente. O título da conferência, "Better safe than sorry!". Traduzido ficará qualquer coisa como, "Mais vale prevenir que remediar."

A conferência centrava-se, essencialmente, na relação entre a ciência e as decisões políticas, principalmente políticas de saúde pública.

A investigação científica nem sempre se desenvolve tão depressa para agradar aos políticos e assegurar-lhes que tomam a decisão correcta. Por vezes acontece o contrário, e aos ouvidos mocos dos políticos, resta ao cientista dizer, depois de ter previsto e avisado sobre os acidentes, "eu bem avisei".

Na apresentação, David Gee, estabeleceu seis níveis de evidência para um cientista.

Some Levels of Evidence…..
6. Beyond all reasonable doubt
5. Reasonable certainty
4. Balance of probabilities/evidence
3. Strong possibility
2. Scientific suspicion of risk
1. Negligible/insignificant

Muitas vezes são precisas decisões difíceis. Para as apoiar, os estudos científicos. No caso da saúde pública, e até no caso dos riscos naturais, as certezas são difíceis de atingir. E o tempo que demora a evacuar uma aldeia antes de uma erupção, ou a tirar do mercado um medicamento, pode ser fatal. E, no caso das ciências, só através dessa fatalidade se atinge o último nível de evidência..."sem qualquer dúvida".
David Gee utilizou uma expressão curiosa: "Good for science, bad for public health." Ou seja, conseguiu-se atingir o nível máximo para uma evidência científica, mas o mal já estava feito.

...mais vale prevenir que remediar.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Global Warming


As mudanças estão a acontecer, é notório para qualquer um.

A incógnita é saber as verdadeiras causas, e consequentemente, as soluções. Independentemente disso, há muita coisa que se pode ir fazendo, há ainda muito que se pode evitar...antes que seja tarde de mais.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Peter Gabriel - Biko (Nelson Mandela Tribute Concert)


Concerto de homenagem a Nelson Mandela no dia em que fez 70 anos (11 de Junho de 1988). Nelson Mandela tornou-se um homem livre em fevereiro de 1990. Estiveram presentes neste concerto em Wembley 72000 pessoas, 600 milhões acompanharam pela televisão. Um pedaço de História deste maravilhoso planeta.
Esta música foi feita por Peter Gabriel em homenagem a Stephen Bantu Biko um activista anti-apartheid que defendia a não violência. Foi torturado durante meses, tendo morrido a 12 de Setembro de 1977 na prisão devido a causas desconhecidas! O exemplo de um homem que se manteve de pé lutando até ao fim por aquilo em acreditava.

terça-feira, novembro 21, 2006

Cidadãos da UE estão preocupados com as alterações climáticas

Cerca de 45 por cento dos cidadãos de cinco países da União Europeia considera que o aquecimento do planeta é uma ameaça a curto prazo para si e para os seus filhos.

As conclusões são de uma sondagem sobre o aquecimento global encomendada pelo "Financial Times" ao Instituto Harris, que entre 2 e 10 de Novembro inquiriu cidadãos em Espanha, França, Reino Unido, Alemanha e Itália.

De acordo com os resultados da sondagem, os espanhóis são os que mais temem o aquecimento da Terra (67 por cento dos inquiridos), havendo ainda a assinalar que 68 por cento do total de inquiridos está disposto a mudar de atitude para reduzir o impacto das suas acções no Planeta.

Os franceses (73 por cento) e os alemães (72 por cento) são os mais favoráveis à alteração de hábitos quotidianos com vista a uma menor agressão ao ambiente.

Dos 5346 adultos entrevistados, 43 por cento são a favor da aplicação de uma taxa especial aos passageiros das linhas aéreas devido aos danos causados pelos voos, enquanto 36 por cento se opõe à medida.

A sondagem permitiu também concluir que 46 por cento dos inquiridos não vê com bons olhos a construção de mais centrais nucleares no seu país, ao passo que 30 por cento apoia essa instalação.

Neste tópico, os mais anti-nuclear são os espanhóis, com 62 por cento contra, e os que denotam menor oposição são os italianos, com 42 por cento dos inquiridos a favor.

A esmagadora maioria das pessoas auscultadas (85 por cento) considerou também que o governo do seu país deveria aumentar o investimento em energias renováveis.

Questionados ainda sobre se os Estados Unidos representam o maior perigo para a estabilidade mundial, por comparação com o Irão, a China, a Coreia do Norte, a Rússia e o Iraque, 38 por cento dos inquiridos escolheu os EUA, 16 por cento a China e outros 16 por cento a Coreia do Norte.

Lusa, in publico 21/11/2006

segunda-feira, novembro 20, 2006

L'Hymne De Nos Campagnes

Si tu es né dans une cité HLM
Je te dédicace ce poème
En espèrant qu'aux fonds de tes yeux ternes
Tu puisses y voir un petit brin d'herbe
Et les man faut faire la part des choses
Il est grand temps de faire une pose
De troquer cette vie morose
Contre le parfum d'une rose

Refrain :
C'est l'hymne de nos campagnes
De nos rivières, de nos montagnes
De la vie man, du monde animal
Crie-le bien fort use tes cordes vocales !

Pas de boulots, pas de diplomes
Partout la même odeur de zone
Plus rien n'agite tes neurônes
Pas même le shit que tu mets dans tes cônes
Va voir ailleurs, rien ne te retient
Va vite faire quelque chose de tes mains
Ne te retourne pas ici tu n'as rien
Et sois le premier à chanter ce refrain !

Refain

Assieds-toi près d'une rivière
Ecoute le coulis de l'eau sur la terre
Dis-toi qu'au bout, hé il y a la mer
Et que ça ça n'a rien d'héphémère
Tu comprendras alors que tu n'es rien
Comme celui avant toi, comme celui qui vient
Que le liquide qui coule dans tes mains
Te servira à vivre jusqu'à demain matin

Refain

Assieds-toi près d'un vieux chène
Et compare le à la race humaine
L'oxygène et l'ombre qu'il t'ammène
Mérite-t-il les coups de hache qui le saigne ?
Lève la tête, regarde ces feuilles
Tu verras peut-être un écureuil
Qui te regarde de tout son orgueuil
Sa maison est là, tu es sur le seuil...

Refrain

Peut-être que je parle pour ne rien dire
Que quand tu m'écoutes tu as envie de rire
Et si le béton est ton avenir
Dis toi que c'est la forêt qui fait que tu respires
J'aimerais pour tous les animaux
Que tu captes le message de mes mots
Car un lopin de terre, une tige de roseau
Servira la croissance de tes marmots !
Servira la croissance de tes marmots !

Refrain

tryo - mamagubida

Acordo internacional sobre reactor experimental de fusão nuclear será assinado na terça-feira

O acordo internacional que apresenta a estrutura jurídica que orientará a construção do reactor experimental de fusão termonuclear Iter será assinado na terça-feira em Paris, revelaram hoje fontes oficiais dos países participantes.

A cerimónia vai pôr um fim a dez anos de negociações, que terminaram em Junho de 2005 com a escolha do sítio francês de Cadarache para a instalação do Iter, orçado em dez mil milhões de euros.

O projecto envolve a China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Rússia e União Europeia, aos quais se juntou a Índia em Dezembro de 2005.

A fusão nuclear controlada visa reproduzir as reacções ocorridas no centro do Sol. O objectivo é dotar a Humanidade de uma fonte de energia inesgotável e não poluente.

AFP, in publico 20/11/2006

Peniche: Ponta do Trovão tem valor geológico mundial

Lusa

A equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra que estuda o lugar de Ponta do Trovão, em Peniche, concluiu que o local tem um valor geológico único a nível mundial.

"Pela leitura das rochas, sobre a qual já nos debruçamos há uma década, conclui-se que este é o local que apresenta o melhor registo geológico do mundo para o intervalo de tempo do período do jurássico inferior, há 183 milhões de anos", afirmou Luís Vítor Duarte, líder da equipa de investigadores.

Luís Duarte explicou que a península de Peniche, em termos geológicos, "mostra uma sucessão de estratos de rochas sedimentares carbonatadas de idade jurássica, registando, de forma contínua e ímpar, cerca de 20 milhões de anos da história geológica portuguesa".

"Constitui, sem dúvida, o melhor registo em Portugal de rochas daquela idade, relacionadas com uma fase marinha iniciada à volta dos 190 milhões de anos, anterior à génese do oceano Atlântico", disse.

O investigador defendeu ainda que a península de Peniche "ocupa um irrefutável valor científico à escala planetária, pois apresenta exemplos únicos da história geológica do período Jurássico".

Dos trabalhos elaborados, a equipa também concluiu que no jurássico inferior "a Península Ibérica era uma ilha e que as zonas das cidades como Coimbra, Lisboa e Peniche eram mar, só existia ambiente marinho".

Com os estudos realizados, a ideia é que dentro de dois anos o local venha a ser classificado pela Comissão Internacional de Estratigrafia (organismo pertencente à Unesco) como o estratotipo do limite Pliensbaquiano/Toarciano — um padrão à escala mundial entre dois dos andares do período Jurássico com cerca de 183 milhões de anos.

A equipa assinou ontem um protocolo com a Câmara Municipal de Peniche para a organização de actividades de divulgação científica na área da geologia para escolas, visitas de estudo e campos de trabalho por parte de investigadores internacionais.

Fonte: Lusa, in publico 20/11/2006

sexta-feira, novembro 17, 2006

Livro do dia

A Agonia da Terra
Hubert Reeves
com Frédéric Lenoir
CIÊNCIA ABERTA

O nosso planeta está doente: aquecimento global, depauperamento dos recursos naturais, poluição dos solos e das águas, desigualdade na distribuição da riqueza, malnutrição dos homens, taxa elevadíssima de extinção de espécies, etc. Mas a situação será realmente dramática? Que pensar das teses que põem em causa este pessimismo?

A partir dos dados científicos mais credíveis, Reeves traça um balanço rigoroso das ameaças que pesam sobre o Planeta. E o diagnóstico é alarmante: é o futuro da espécie humana que está ameaçado. E tudo se joga nos próximos decénios. É preciso reagir rapidamente!


Autor de inúmeras obras sobre a odisseia cósmica, como Um Pouco Mais de Azul, Últimas Notícas do Cosmos e O Primeiro Segundo (todos publicados na Gradiva), Hubert Reeves é astrofísico e director de investigação do CNRS. Neste livro, conversa com Frédéric Lenoir, filósofo e sociólogo.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Genoma dos neandertais mostra que não são nossos avós

É um debate que dura há 150 anos: o homem de Neandertal é, ou não, nosso avô? Mais do que não haver consenso, o assunto tira do sério muita gente na comunidade científica. Amanhã, o debate promete voltar a animar-se, com a publicação da análise mais completa feita até agora de ADN de Neandertal.

E a história que conta é que eles não são nossos avós — ou, se neandertais e homens modernos, a nossa espécie, fizeram sexo, isso acabou por ter pouca influência no genoma humano.

Não é a primeira vez que se obtém e analisa ADN de neandertais. A estreia foi em 1997, quando a equipa de Svante Pääbo (do Instituto Max Planck para a Antropologia da Evolução, na Alemanha) reduziu a pó uma secção de 3,5 gramas do úmero de um Neandertal. Eram amostras do primeiro Neandertal descoberto em 1856, no vale (Tal, em alemão) de Neander, perto de Düsseldorf, na Alemanha.

Essas amostras eram apenas de ADN das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia celular, que se encontram fora do núcleo das células (é no núcleo que está o grosso da informação genética, mas é mais fácil recuperar ADN mitocondrial antigo).

Tantos os resultados das análises do “primeiro” Neandertal, como de outros 11 indivíduos (encontrados na Alemanha, Rússia, Croácia, Bélgica, França, Itália e Espanha), deram sempre muita discussão. “Não havia provas de contribuição genética para os humanos modernos”, recordou Pääbo, numa conferência de imprensa para apresentação das novas análises.

Havia que recuperar o precioso ADN do núcleo e analisá-lo. É o que a equipa de Pääbo anuncia agora na revista Nature. Teste a ossos da CroáciaTestaram ossos e dentes de mais de 70 Neandertais encontrados na Europa e Ásia ocidental, à procura de amostras que não estivessem contaminadas por ADN de humanos modernos. Obtiveram-nas do fóssil com 38 mil anos, descoberto em 1980 na gruta de Vindija, na Croácia.

Teresa Firmino

Notícia completa: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1276725
Notícia original: Nature

segunda-feira, novembro 13, 2006

Mais um livro que se lê...e recomenda.

Já vi o filme, já o recomendei...(re)recomendo-o.

O livro, chegou-me às mãos e posso dizer, é uma bela obra de/para colecção. Dá gosto ler, ver e aprender sobre este tema tão, tão..."pesado". Quando o tema das alterações climáticas se começa a entrever em qualquer conferência, debate, filme, etc, etc...é o primeiro passo para o "abandono cerebral" da assistência. A excepção, os "entendidos". Que, "coitados", não bastava já a incompreensão sobre aquilo que estudam e a luta, quase inglória, por um melhor ambiente para TODOS, ainda são apelidados de..."entendidos".

Este senhor veio mudar isso. Primeiro ponto de viragem...apercebeu-se, em bom tempo, de que era mesmo preciso (e insiste) falar sobre as alterações climáticas. Não porque gosta do seu quintal e dos rios da sua aldeia, mas porque quer que os seus filhos, netos, etc, desfrutem desse "ambiente" que ele insiste em defender. O segundo, apercebeu-se de que ninguém o ouvia, e mesmo hoje, aqueles a quem mais devia interessar...são os primeiros a dedicar-lhe o seu "abandono cerebral"... Por isso mudou a direcção do seu discurso e...

Mudou a linguagem, acrescentou-lhe a proximidade, a presença de personagem, a re-invenção de heróis e carrascos, uma história de amor, sem esquecer...as alterações climáticas.

O livro e o filme são um só. Mas é necessário tê-lo em casa. Tal como o filme, e provavelmente as palestras, o livro é um convite sincero ao "não abandono cerebral". Mais uma tentaiva de "despertar", de dar a entender aos "não-entendidos" que a responsabilidade é de todos, de que a realidade existe e de que é possível fazermos parte dela, da melhor maneira que pudermos.

Nos escuteiros aprendi assim...

"Think global, act local!"
...para que ninguém se dedique ao abandono cerebral desta última frase...faço a comparação muito utilizada para grandes projectos ou construções...
...por muito grande que seja a obra, é sempre preciso pôr peça por peça, tijolo sobre tijolo, dar pés às pontes...

terça-feira, novembro 07, 2006

Ciclo de Conferências

Quintas da Ciência: " Do grão ao Planeta"
18:30 - Entrada Livre
Biblioteca Museu República e Resistência
Espaço Cidade Universitária, Rua Alberto de Sousa, Zona B do Rego
217 802 760




2.Nov - Sismos Escondidos; João Cabral

9.Nov - Um Oceano nas Paisagens da Planície Alentejana - O Rheic - de Beja ao Sul de Inglaterra; Paulo Fonseca

16.Nov - Minas e Armadilhas; Jorge Relvas

23.Nov - Portugal ao Microscópio; Isabel Costa

30.Nov - As Tremuras dos Açores: Sismos, Fósseis, Passados e Recentes; José Madeira

7.Dez - Em busca do Petróleo escondido; Nuno Pimentel

14.Dez - Ser geólogo na Guiné-Bissau; Paulo Hagendorn Alves

11.Jan - Uma viagem aérea pela Geologia do mundo virtual; Nuno Pimentel

18.Jan - A memória dos grãos de quartzo: o passado num grão de areia; Teresa Azevedo

25.Jan - Lamas em Albufeiras: de problema a recurso; Fernando Barriga

1.Fev - Dinossáurios da Mongólia; Carlos Marques da Silva

8.Fev - Búzios em Terra, alterações climáticas no Mar; Carlos Marques da Silva

15.Fev - Fósseis em vulcões: Porto Santo (Madeira); Mário Cachão

22.Fev - Os metais no ambiente superficial da Terra; Mário Abel Gonçalves

1.Mar - Geoturismo e Geologia Virtual: novas abordagens do ensino da Geologia; Maria Teresa Mira de Azevedo

8.Mar - Fósseis em vulcões: Santa Maria (Açores); Mário Cachão

15.Mar - As viagens da água no interior do planeta; Catarina Silva

22.Mar - Portugal calcário; José Crispim

29.Mar - Do que se alimentam as praias. Grão a grão...

12.Abr - Areias: todas iguais, todas diferentes; Maria Conceição Freitas

segunda-feira, novembro 06, 2006

Importância do conhecimento geológico

É o conhecimento geológico que permite compreender as condições que presidem à localização, natureza e quantidade de um enorme leque de recursos naturais essenciais à manutenção da qualidade de vida das populações e seu desenvolvimento económico, como é o caso dos solos, das águas subterrâneas e dos recursos minerais e energéticos. Permite compreender e contribuir para a prevenção de catástrofes associadas a uma grande diversidade de riscos naturais, como sejam os sismos, as erupções vulcânicas e deslizamentos de terrenos e ainda aqueles com repercussões na saúde pública, como as emissões radioactivas naturais de radão e o excesso ou deficiência de elementos traço em solos e águas, como o arsénio, o flúor e o iodo.

É também o conhecimento geológico que permite determinar os melhores e mais seguros locais para a construção de edifícios e outras infra-estruturas civis, onde se pode captar água de boa qualidade para consumo, onde se localizam os melhores locais para a deposição de resíduos consoante a sua natureza, onde se podem construir infra-estruturas subterrâneas como túneis, armazenamento de gás natural, entre muitos outros. Em suma, o conhecimento geológico é estruturante da sociedade e está na base do Ordenamento do Território.

A detenção de informação geológica é, assim, uma mais-valia de extrema importância e imprescindível às políticas públicas e programas que visam o ordenamento do território, a protecção ambiental, saúde pública e a gestão dos recursos geológicos (energéticos, minerais e hídricos). É neste contexto que a nível mundial a grande maioria dos estados considera a detenção de informação geológica relativa aos seus territórios como um factor estratégico para a sua gestão, valorização e desenvolvimento, razão pela qual detêm a missão de a adquirir, gerir e difundir através de organismos autónomos e independentes da rotatividade do poder político. Ainda recentemente, o agora reeleito Presidente do Brasil, Lula da Silva, afirmou que “o conhecimento geológico é tão importante como a construção de estradas e caminhos-de-ferro”.


Fernano Santana

Portugal, nação sem Serviços Geológicos!

Vale a pena perderem 5 minutos para ler o artigo abaixo.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=9546

sexta-feira, novembro 03, 2006

Terra terá sido uma bola de gelo no seu passado longínquo

O campo magnético da Terra permanece inalterado há mais de dois mil milhões de anos, o que parece confirmar a hipótese de que o planeta foi num passado longínquo uma gigantesca "bola de neve", revela hoje a revista "Nature".

De acordo com um estudo divulgado por esta revista científica, o geólogo norte-americano David Evans, da Universidade Yale, em New Haven (Connecticut), recolheu inúmeros dados globais sobre o geomagnetismo das rochas evaporíticas ( salinas) "descendo" até ao período Proterozóico (era que precede o aparecimento de formas de vida complexas sobre Terra).

Evans concluiu que as propriedades magnéticas destas rochas sugerem que no período Proterozóico o campo magnético da Terra se formava, tal como hoje, à volta de um eixo bipolar, deduzindo ainda que na era do Neoproterozóico (a última parte do Proterozóico, até há 540 milhões de anos), o planeta parecia uma "bola de neve". Os cientistas concordam que a era do Neoproterozóico correspondeu a um período glaciar nas regiões equatoriais da Terra, mas dividem-se quanto à situação no resto do planeta.

Uns têm defendido que as outras regiões do planeta estavam na altura igualmente cobertas de gelo e outros advogam que o fenómeno foi localizado, considerando que a obliquidade do planeta de então seria diferente da de hoje, fomentando o desenvolvimento dos gelos mais cedo perto do Equador. A obliquidade é o ângulo entre o eixo de rotação da Terra e a perpendicular ao plano da órbita terrestre em redor do Sol, que determina qual parte do planeta está fria e qual parte está quente.

É a actual obliquidade terrestre de 23,5 graus que faz com que os pólos sejam as zonas mais frias e as regiões equatoriais as mais quentes, uma situação que seria invertida caso esta inclinação excedesse os 58 graus. Segundo Evans, o magnetismo das rochas evaporíticas analisadas, oriundas de depósitos geológicos situados entre 10 e 35 graus de latitude, não reflecte nenhuma alteração na obliquidade.

No entender do geólogo norte-americano, isto só pode significar que a T erra devia ser então uma gigantesca "bola de neve" uniforme, contrariamente a outros períodos frios, nos quais os gelos abrangeram, em diversos graus, apenas as latitudes elevadas.

in: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=9559&op=all

Obrigado Vasco por me enviares este link.

terça-feira, outubro 31, 2006

RESOLVIDO O MISTÉRIO DO CICLO SOLAR?

O Sol é um corpo dinâmico que atravessa ciclicamente, com um período deaproximadamente 11 anos, momentos de intensa actividade e outros de algumatranquilidade. Os ciclos de actividade mais intensa são caracterizados portempestades solares. Estas tempestades têm origem quando os campos magnéticoscomplexos do Sol, gerados pelo plasma (gás electricamente carregado) emconstante movimento, se deformam libertando grandes quantidades de energia soba forma de plumas solares ou ejecção de massa da coroa - a camada mais exteriorda atmosfera solar. Esta actividade solar violenta, geralmente ocorre perto daschamadas "manchas negras", regiões mais escuras da "superfície" solaroriginadas pela concentração elevada de campos magnéticos.

Para ver uma imagem das "manchas negras" solares, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/smag1.jpg

Para ver um video de uma pluma solar, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/smag2.mpg

A compreensão da dinâmica do plasma no interior do Sol é essencial para sepoder realizar previsões acerca dos ciclos de actividade deste astro. Previsõesdetalhadas e correctas dos ciclos do Sol poderão ajudar na prevenção eminimização dos efeitos nefastos das tempestades solares. Quando ocorre um picode máxima actividade do Sol quase todos os aparelhos electrónicos são
ficam danificadas. Um satélite em órbita é guiado por um complexo sistemaelectrónico que o mantem no espaço e numa determinada trajectória. Com umatempestade solar intensa, o satélite perderia o seu sistema de orientação assimcomo a sua funcionalidade.

Os cientistas sabiam que, de uma forma geral, as correntes de plasma nointerior do Sol transportam, concentram e auxiliam na dissipação de camposmagnéticos. No entanto, os detalhes da dinâmica destas correntes eraminsuficientes para se poderem realizar previsões precisas dos ciclos deactividade solar.

Uma nova técnica, designada por "heliosismologia" permitiu aos cientistasobservar o interior do Sol revelando assim alguns detalhes que vieram auxiliarna compreensão dos fluxos de plasma. A heliosismologia usa o facto de ondas desom serem reflectidas no interior do Sol originando assim uma imagem. Esteprocesso é semelhante às ecografias realizadas ao interior do corpo humano, eque nos permite ver por exemplo um bebé antes de este ter nascido.

Com o auxílio desta técnica, foi possível observar que existem dois grandesfluxos de plasma que governam os ciclos solares. O primeiro actua como umtapete rolante de transporte, fazendo com que bem abaixo da "superfície" osfluxos de plasma fluam dos pólos para o equador. No equador, o plasma vem à"superfície" e é transportado de novo para os pólos onde se volta a afundar ese repete o ciclo.

O segundo ciclo actua produzindo um enrolamento. A "superfície" do Sol possuiuma rotação mais rápida no equador do que perto dos pólos. Como o campomagnético solar atravessa o equador de pólo a pólo, este acaba por ficar"entrelaçado" repetitivamente em torno do equador devido à elevada velocidadede rotação nesse local. É este fenómeno que concentra periódicamente o campo magnético solar, levando assim a picos na actividade do astro rei..

Medições precisas de heliosismologia do primeiro grande fluxo, realizadas com oauxílio de um instrumento a bordo do observatório solar SOHO, permitiram saberque são necessários dois ciclos para "encher" com o campo magnético metade do"tapete rolante", e mais dois ciclos para encher por completo a outra metade.Devido a este facto, e como o Sol possui ciclos de aproximadamente 11 anos, opróximo ciclo solar depende das características de há 40 anos - o Sol possuiuma memória magnética.

A equipa responsável por este estudo, com auxílio de análises computacionais ede dados observacionais recolhidos nos últimos 80 anos, concluiu que o Solencontra-se num período de tranquilidade para o ciclo corrente (ciclo 23). Noentanto, existe a previsão de que a acompanhar o início do próximo ciclo (24),estará um aumento na actividade solar prevista para finais de 2007, inícios de2008. A equipa acredita que este aumento de actividade será caracterizado pormais 30 a 50% de manchas solares, plumas e ejecções de massa. Os métodosanteriores previam que este aumento de actividade ocorresse um ano mais tarde.

Apesar deste modelo concordar com observações efectuadas, existem no entantooutros modelos que prevêm uma actividade solar baixa, não tendo sido possívelainda chegar a um consenso definitivo.

Para ver uma montagem que mostra a variação da actividade solar durante o ciclode 11 anos, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/smag3.jpg

Espera-se que este estudo seja aprofundado através de observações em detalheque se espera realizar com o lançamento do Observatório de Dinâmica Solar, emAgosto de 2008.

Fonte: ASTRONOVAS

Boavista - Cabo Verde

Um lugar na Terra
A Ilha onde vive a minha querida irmã e meu lindo sobrinho.

Covão d'Ametade (Serra da Estrela)

Este é sem duvida um dos mais maravilhosos e mágicos lugares deste planeta. E fica aqui tão perto. Este pequeno rio é o grandioso Zêzere!





Mais umas frases ditas por homens que giram connosco

"Amigo: alguém que sabe tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo." Elbert Hubbard

"Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver" Dalai Lama

"Meço o valor de um homem pela medida em que ele se liberta de seu próprio eu" Albert Einstein

"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte." Mahatma Ghandi

"É difícil fazer um amigo num ano; mas, é fácil perdê-lo numa hora." Provérbio Chinês

"A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio." Martin Luther King

"Uma viagem de 1.000 milhas começa com um único passo." Lao Tzé

"Uma vida inútil equivale a uma morte prematura." Johann Goethe

"O mundo é um belo livro, mas pouco útil para quem não sabe ler." Carlos Goldoni

"A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos."
Thomas Hardy

"Todas as cartas de amor são ridículas. Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas." Fernando Pessoa

"A arte é uma mentira que diz a verdade." Pablo Picasso

"O começo é a parte mais importante do trabalho." Platão

A esperança é o sonho do homem acordado." Aristóteles

"Um mau cirurgião fere 1 pessoa de cada vez. Um mau professor fere 130." Ernest Boyer, Presidente, Carnegie Foundation for Advancement of Teaching

"Quero dar a meus filhos bastante dinheiro para que possam fazer o que quiserem, mas não dinheiro o bastante para que não façam nada." Warren Buffett

"Se você quiser criar inimigos, tente mudar alguma coisa." Woodrow Wilson
"Tempo é a coisa mais valiosa que um homem pode gastar." Laércio Diógenes

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." Cora Coralina

"Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la." Cícero

Grandes frases de Albert Einsten


"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário."

"Grandes almas sempre encontraram forte oposição de mentes medíocres."

"Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens."

"No meio de qualquer dificuldade encontra-se a oportunidade."

"Procure ser um homem de valor em vez de ser um homem de sucesso"

"A Matemática não mente. Mente quem faz mau uso dela"

"Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza."

"A palavra progresso não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes"

"O tempo e o espaço são modos pelos quais pensamos e não condições nas quais vivemos"

"A realidade é uma ilusão, embora bastante persistente"

"A única coisa que interfere com a minha aprendizagem é a minha educação. Educação é o que resta depois de se ter esquecido tudo que se aprendeu na escola"

"A imaginação é mais importante que o conhecimento."

"A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras."

"A coisa mais dura de entender no mundo é o Imposto de Renda."

"O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível. "

"A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento."

"Nunca penso no futuro, ele chega rápido demais."

"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre."

segunda-feira, outubro 30, 2006

António Gedeão

António Gedeão (1906 - 1997)






Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).

Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção.

Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.

"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

Pedra Foilosofal

O poema completo http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v109.txt

Fonte: http://www.astormentas.com/din/poemas.asp?autor=Ant%F3nio+Gede%E3o

A.M. GALOPIM DE CARVALHO GEOLOGIA E GEO-HISTÓRIAS

Hoje tou numa de divulgar links, aqui vai mais um:

http://www.triplov.com/galopim/

Este link leva-nos a uma página onde constam alguns textos do Professor Galopim de Carvalho.
Alguns são deliciosos...

breve história do petróleo

Outro link muito interessante. Numa altura em que se fala tanto no petróleo vale a pena dar uma vista de olhos neste Site do professor Luís Domingos.

http://histpetroleo.no.sapo.pt/

Terra Planeta "Vivo"

http://domingos.home.sapo.pt/index.html

"Esta página tem como principal objectivo contribuir para a divulgação do conhecimento actual acerca do "nosso" planeta TERRA. A ciência que estuda a história da Terra, chama-se Geologia. Esta está dividida em muitos domínios e estes, por vezes, em subdomínios. Alguns dos domínios e subdomínios, preocupam-se com o estudo da constituição global do planeta Terra. Outros estudam a idade relativa da Terra, enquanto que outros estudam a idade absoluta, os minerais, a origem das rochas, a evolução de uma paisagem, a alteração e transformação das rochas, o aparecimento e desaparecimento de continentes e mares ou oceanos, a evolução da Vida ao longo dos tempos geológicos, a pesquisa dos recursos naturais... Enfim, uma "vida" complexa e atribulada, cheia de ordem e caos natural, com muito ainda por conhecer. Porém, aquilo que já se conhece dá para prevenir algumas catástrofes naturais, para satisfazer as nossas necessidades práticas tais como alimentos, metais e combustíveis, isto é as matérias primas da nossa civilização, bem como para que o Homem possa meditar na sua infinita pequenez, já não direi universal, mas terráquea. Vamos procurar apresentar, aos comuns mortais, esta muito breve, mas atraente, história da Terra sob a forma de TEMAS, dum modo simples e muito sintético, assumindo as muitas, por vezes gigantescas, omissões. Pese o risco, julgamos estar a contribuir para a vulgarização do conhecimento de algumas questões científicas relacionadas com a Terra."

Vejam este site!!!!

Alterações Climáticas

As alterações climáticas devem-se a causas naturais ou humanas. O principal responsável por estas alterações é o efeito de estufa (devido às perturbações das características físicas, químicas e ecológicas do sistema terrestre).

Curiosidades( efeito a nível mundial) :

o Kilimanjaro, no último século, fundiu 82% da massa de gelo. • Segundo especialistas do PNUA (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) e do ICIMOD (Centro Internacional de Estudo das Montanhas), as temperaturas da região dos Himalaias estão a subir, fundindo os glaciares que alimentam os lagos aí existentes (a altitudes médias de quatro mil metros), estando grande parte destes em risco de transbordar e inundar vales adjacentes dentro de alguns anos, ameaçando milhares de pessoas e outros seres vivos que aí habitam.

• Prevê-se que haja um aumento da temperatura média do ar na Terra em 2100. O ritmo do aquecimento vai ser muito mais rápido do verificado durante o século XX : a neve e o gelo no Hemisfério Norte devem diminuir, os glaciares devem continuar a recuar. Enquanto na Antárctida pode ocorrer um aumento da espessura do gelo devido ao aumento da precipitação, na Gronelândia acontecerá o contrário, devido ao escoamento da água.

• Grande parte da comunidade científica e das organizações internacionais acredita que em 2100, o NMM (nível médio do mar) estará entre 0.5 e 1 metro acima do actual, devido ao degelo e expansão térmica das águas do mar. Se o NMM se elevar 1 metro, só no Egipto serão directamente afectadas 6 milhões de pessoas e perder-se-ão 15% dos terrenos agrícolas, enquanto que no Bangladesh, a população afectada será de 13 milhões, com perda de 16% da produção nacional de arroz.

• Na Noruega, o nível do mar está a descer relativamente ao continente, resultando, a nível local, numa descida do nível do mar relativo.

• Algumas das ilhas do Pacífico quase desaparecerão, como é o caso das ilhas Marshall, em que mais de 80% do território será inundado. A produção de alimentos e o sector das pescas em algumas partes do mundo ficaram assim ameaçados.
Artigo realizado pelas alunas : Ana Luísa Alves, Mariana Silva e Teresa Ribeiro do 9ºano A, Externato Casa-Mãe, Portugal.

link: http://www.youngreporters.org/article.php3?id_article=1468

Protocolo de Quioto relativo às alterações climáticas

O protocolo de Quioto é o mais importante instrumento na luta contra as alterações climáticas. Integra o compromisso assumido pela maioria dos países industrializados de reduzirem em 5%, em média, as suas emissões de determinados gases com efeito de estufa responsáveis pelo aquecimento planetário.

ver link: http://europa.eu/scadplus/leg/pt/lvb/l28060.htm


Que ciência se faz em Portugal? Quem são os nossos cientistas? Como trabalham? O que investigam? Que resultados obtêm?

Todos os anos, em Novembro, durante a Semana da Ciência e da Tecnologia, instituições científicas, universidades, escolas, associações e museus abrem as portas para que estas e outras perguntas possam ser respondidas, dando a conhecer as actividades que desenvolvem, através de um contacto directo com o público.

Semana C&T: Edição de 200620 a 25 de Novembro Formulário para Inscrição de Eventos

DESCOBERTA DE 16 CANDIDATOS A PLANETAS EXTRA-SOLARES

Pela primeira vez, com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble, os astrónomosdetectaram com sucesso 16 candidatos a planetas extra-solares em órbita devárias estrelas, localizadas a grandes distâncias no interior da Via Láctea.

As observações do Hubble chegaram ao bojo central da nossa galáxia, localizado a26 mil anos-luz de distância, ou um quarto do diâmetro do disco desta.

Baseado em detecções anteriores de planetas extra-solares na vizinhança local doSistema Solar, que apenas cobre 5% do disco da Via Láctea, o número de planetasdescobertos é consistente com o número que se esperava encontrar como resultadode observações realizadas a tais distâncias.

Extrapolando este número de planetas encontrados pelo Hubble, é possível estimarcom uma forte certeza a existência de cerca de 6 mil milhões de planetas dotamanho de Júpiter na nossa galáxia.

Dos 16 planetas descobertos, 5 representam um novo tipo extremo destes objectos,ainda não encontrado nas pesquisas locais. Designados por Planetas de PeríodoUltra-Curto (PPUC), estes mundos completam uma órbita em torno das suas estrelasem menos de um dia, sendo o período orbital mais pequeno de 10 horas.

A descoberta destes planetas com um período orbital muito diminuto foi umagrande surpresa, e apenas o Hubble, com a sua resolução e sensibilidadesoberbas, poderia ter espreitado através da nossa galáxia e detectado planetasem torno de estrelas débeis.

Esta descoberta revelou ser também uma forte evidência de que os planetas sãotão abundantes em outras partes da Via Láctea como o são na vizinhança doSistema Solar.

Embora possua características que que fazem dele um instrumento poderoso, oHubble não foi capaz de observar directamente os 16 planetas. Os astrónomosutilizaram um dos instrumentos do Hubble, de modo a medir a ligeira alteração daluminosidade de uma estrela, resultante da passagem de um planeta à frentedesta, evento este designado por trânsito. Mesmo nestas condições, o planeta emquestão tem de ter uma massa aproximada à de Júpiter para que a variação daluminosidade da estrela seja suficiente para ser detectada (1 a 10%).

Os 16 planetas descobertos, são designados por candidatos devido ao facto de osastrónomos só terem conseguido até ao momento medir a massa de dois deles.

Para ver uma ilustração artística de um trânsito, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/pla1.jpg

Fonte: ASTRONOVAS
Lista de distribuição de notícias de Astronomia em Português
Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

domingo, outubro 29, 2006

Galileu Galilei - um dos primeiros a defender que a terra gira

Galileu Galilei (Pisa,15 de fevereiro de 1564 — Florença, 8 de janeiro de 1642) foi um notável físico, matemático e astrónomo italiano. É considerado um dos maiores génios da história da humanidade, como Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Albert Einstein, tendo um QI estimado em cerca de 240.

Filho do carpinteiro toscano Vincenzo Galilei, na mocidade dedicou-se às mulheres, escrevendo sobre Dante e Tasso. Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Por pouco Galileu não seguiu a carreira artística. Um de seus primeiros mestres, Orazio Morandi, tentou estimulá-lo a partir da coincidência de datas com Michelangelo (que havia morrido três dias depois de seu nascimento). O seu pai queria que fosse médico, então desembarcou no porto de Pisa para seguir essa profissão. Mas era um grande aluno e só pensava em fazer experiências físicas (que, na época, era considerada uma ciência de sonhadores).

Foi nessa época que descobriu como fazer a balança hidrostática, que originaria o relógio de pêndulo. Tendo sabido da construção do primeiro telescópio, na Holanda, a partir de um folheto, construiu, em 1609, em Veneza a primeira luneta astronómica e fez com ela observações astronómicas: a composição estelar da Via Látea a partir de 1610, os satélites de Júpiter, os “braços” de Saturno (não chegou a discernir os anéis), as manchas do Sol e as fases de Vénus. Todas essas descobertas foram comunicadas ao mundo no livro Sidereus nuntius (Mensageiro das estrelas) em 1610. A observação das fases de Vênus, levaram-no a adaptar o sistema de Copérnico (Heliocêntrico).

Pressionado pela Igreja, foi para Florença, onde concluíu nos seus estudos que o "Centro Planetário" era o Sol e não a Terra, essa girava ao redor dele como todos os planetas. Galileu foi chamado a Roma em 1611 para defender-se da acusação de heresia. Foi condenado, porém, em 1616, teve que assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, declarando ser meramente hipotético o sistema heliocêntrico. Nessa declaração lê-se que os movimentos dos corpos no céu "já estavam descritos nos Salmos", no livro de Josua e em outras passagens da Bíblia. Por isso, Galilei deveria deixar estes temas para os pais da Igreja. Apesar das admoestações, encorajado pela entrada em funções em 1623 de um novo Papa Urbano VIII, um espírito mais progressivo e interessado nas ciências do que o seu predecessor, publicou nesse mesmo ano o Saggiatore (Experimentador) para combater a física aristotélica e estabelecer a matemática como fundamento das ciências exactas. No Diálogo dei massimi sistemi (Diálogo sobre os grandes sistemas do universo) em 1632, voltou a defender o sistema heliocêntrico. Colocou em discussão muitas idéias do filósofo grego Aristóteles, entre elas o facto de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves, com a famosa história de que havia subido na torre de Pisa e lançado dois objectos do alto. Essa história nunca foi confirmada, mas Galileu provou que objectos leves e pesados caem com a mesma velocidade.

Galileu era católico fervoroso, mas viveu numa época atribulada na qual a Igreja Católica endurecia sua doutrina para fazer frente à Reforma Protestante. A prisão de Galileu tornou-se um exemplo muito citado da "luta entre fé e ciência". Enquanto que na Itália e nas zonas católicas seus livros eram proibidos, Galilei publicou sem quaiquer problemas nos Países Baixos, onde o protestantismo se tinha sobreposto ao catolicismo. Reza a lenda que, ao sair do tribunal após sua condenação, disse uma frase célebre: "Epur si Muove!", ou seja, "contudo, ela move-se", referindo-se à Terra. Passou os últimos anos de sua vida, retirado em sua vila, perto de Florença, escrevendo em 1634 Discorsi e dimonstrazioni matematiche in torno a due nuove scienze (Teorias e provas matemática sobre duas novas ciências), obra fundamental da dinâmica.

Morreu cego e condenado pela Igreja, longe do convívio público. Obras de Galileu foram censuradas e proibidas pela igreja católica romana (ver: Index Librorum Prohibitorum). No entanto, Galileu conseguiu que uma de suas obras (sobre mecânica) posteriores à proibição fosse publicada em Leiden, atual Holanda, uma zona protestante, onde a Igreja Católica não tinha grande influência. 341 anos após a sua morte, em 1983, a mesma igreja, revendo o processo, decidiu pela sua absolvição.

sexta-feira, outubro 20, 2006

O anel atómico da Europa

O LHC (Large Hadron Collider) é o maior instrumento científico do mundo. Está neste momento a ser construído no CERN (Centro Europeu de Física de Partículas – maior laboratório de física das partículas do mundo) na fronteira franco-suíça, nos arredores de Genebra, de modo a substituir o LEP (Large Electron Positron Collider). Quando estiver acabado, por volta do ano 2007, irá acelerar feixes de protões a energias sem precedentes ao longo de um túnel circular com 27 quilómetros de perímetro, a 100 metros abaixo da superfície terrestre.

Irá acelerar dois feixes de partículas que irão viajar em direcções opostas e, em quatro pontos do anel, as partículas irão colidir de frente, sendo estas colisões detectadas por enormes e avançados aparelhos detectores, que estudarão o resultado das colisões. Antes das partículas serem lançadas no LHC, estas terão que ser levadas para níveis de energia cada vez mais elevados, o que ocorrerá no complexo de aceleração. O LHC irá operar a 300 graus abaixo da temperatura ambiente (mais frio do que no espaço) e irá usar as tecnologias mais avançadas.

O grande desafio que o LHC enfrenta deve-se ao facto das enormes capacidades de armazenamento de dados (o LHC irá produzir 15 Pentabytes – 15 milhões de Gigabytes por ano. Esta enorme quantidade de informação não pode, naturalmente, ser analisada por computadores pessoais, pelo que o CERN está a projectar ligar centenas dos maiores centros de computação de todo o mundo de modo a poder analisar essa mesma informação.

Porém, foi criado o programa SixTrack que simula a viagem de partículas ao longo de 100.000 voltas ao LHC de modo a estudar a estabilidade das suas órbitas. Se, num caso real, o feixe perdesse o controlo da sua órbita, iria embater nas paredes do tubo de vácuo, o que implicaria uma paragem do projecto para reparações. Assim, repetindo os cálculos milhares de vezes, é possível determinar as condições segundo as quais o feixe se torna estável.

De cada vez que é instalado um novo íman supercondutor, são efectuadas medições às suas propriedades. Se elas se desviarem das especificações, o programa SixTrack é lançado para estudar o impacto, se existir, que essas diferenças irão produzir nas operações da máquina. Logo, obter rapidamente os resultados é imperativo para os engenheiros que instalam esses ímanes.

Assim, a participação no LHC@home implica uma ajuda enorme na construção do maior instrumento científico do mundo.

Quais os requisitos mínimos para poder participar? Os aspectos mais importantes são a memória RAM e o espaço de disco rígido no seu computador. Actualmente, 60 Mb de RAM livre e 30 Mb de espaço de disco livre são os requisitos mínimos requeridos. O fim do prazo de validade das unidades de trabalho (WU's) é actualmente de duas semanas; assim, o seu computador deve possuir uma velocidade suficiente para poder acabar as unidades nesse espaço de tempo. Em resumo: Sistema Operativo Linux 2.2 (ou mais novo), Windows 95 (ou mais novo); 60 Mb RAM; 30 Mb HD; Processador Pentium (ou superior).

Quanto tempo dura uma unidade de trabalho (WU)? Isso depende naturalmente da velocidade do computador. Neste momento, as unidades de trabalho podem ter durações diferentes: algumas calculam 10.000 voltas, outras 100.000 voltas e o resto calcula 1.000.000 voltas em torno do acelerador. Um trabalho que calcule 1.000.000 voltas funcionará, aproximadamente, 10 horas num processador de 2 GHz. Alguns dos dados testados resultam na falha completa durante as primeiras voltas ao acelerador. O programa detecta esses erros, pelo que não tem nenhum sentido continuar a calcular as órbitas das partículas. De notar que estes trabalhos curtos são tão importantes aos cientistas como os trabalhos mais longos.

Fonte: http://teknospace.no.sapo.pt/LHC_home.htm