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terça-feira, dezembro 23, 2008

Campanha de Geofísica Marinha - NearSeis 2008


O Hesperides
Foto: Heike Schmidt, ZDF


Tenho andando extremamente ocupado nos últimos tempos, assim como os outros co-autores deste blog, pelo que a escrita tem sido pouco. Entre as várias coisas que andem a fazer há uma que merece ser relatada aqui.
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Estive mais uma vez no mar, desta vez a bordo do Navio de Investigação da Armada Espanhola "Hesperides". O navio saiu de Cartagena no dia 27 de Novembro e aportou no dia 11 de Dezembro em Cádis. Esta campanha, Near-seis, foi realizada no âmbito do projecto NEAREST (Integrated observations from NEAR shore sourcES of Tsunamis: towards an early warning system ) e teve com objectivo a realização de dois perfis de refracção sísmica de alto ângulo. Estes perfis, com cerca de 300 km cada, foram desenhados de modo a cruzar a fronteira as placas Africana e Euroasiática, no local onde se pensa terem sido gerados os sismos de 1755, 1969 e o de 12 de Fevereiro de 2007 (este ultimo eu senti). Também passamos por cima do prisma acrecionário do Golfo de Cádis relacionado com um possível zona de subducção activa aí existente, mas esta é uma outra história para um outro post.
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Basicamente a metodologia foi a seguinte. Passamos pela linha imaginaria marcada no mapa uma primeira vez a largar os OBSs espaçados de 10 em 10 km. A linha tem 300 quilómetros pelo que largamos 30. Os OBSs são estações que se afundam até ao fundo do mar levado consigo um hidrofone, que é o instrumento que vai gravar o eco do som que vamos enviar. A tarefa de pôr os OBSs no mar, estes têm o tamanho de uma pequena maquina de lavar, é complicada especialmente más condições atmosféricas.
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Depois dos OBSs estarem no fundo do mar, alguns deles a mais de 5000 metros de profundidade, passamos uma segunda vez com o barco. Desta vez o barco leva atrás de si um cabo com 8 airguns (canhões de ar) com uma capacidade total de 450 litros. De 90 em 90 segundos todos os canhões disparam de forma sincronizada e dá-se como uma pequena explosão. Esta explosão emite uma onda acústica com frequências muito baixas e comprimentos de onda muito grandes (frequências altas = pouca penetração/alta resolução ; frequências baixas = alta penetração/baixa resolução). Deste modo a onda penetra profundamente na crusta e se tudo correr bem chegará ao manto. Esta onda é, no seu percurso, reflectida e refractada e o seu eco é captado pelos OBSs que estão no fundo do mar. Os dados de cada OBS são posteriormente processados e no final obtém-se um modelo da estrutura da crusta, da localização do Moho, etc.
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O Hesperides e um OBS
Foto: Heike Schmidt, ZDF



Um OBS
Foto: Heike Schmidt, ZDF


Por fim, passamos uma terceira vez pela linha para recolher os OBSs. Esta é a parte mais divertida. Quando estamos em cima do OBS pomos um transdutor na água, que é um objecto que envia um sinal acústico, o OBS "ouve" este sinal e vem para cima. Nas zonas mais profundas pode demorar duas horas. Cada OBS tem uma bandeira e uma luz. Quando chega a hora de ele chegar à superfície vai toda a gente lá fora procura-lo. É especialmente interessante à noite. A tarefa de "pescar" o OBS de 50 kg de modo a traze-lo de novo para navio é extremamente complicada. É ver os marinheiros pendurados quase borda fora com grandes ganchos a tentar apanhar o desgraçado. E a manobra de aproximação do navio também é muito complicada.
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Nos primeiros dias tivemos um mau tempo terrível com enormes ondas, chuva batida de lado e trovoada, que è uma experiência magnífica quando se está no mar. Bhom!!! De repente fica tudo iluminado! Durante muito tempo estivemos proibidos de ir lá fora. Este navio é grande, mas estreito e alto, pelo que farta-se de abanar tipo carrocel (ou maquina de lavar, consoante a direcção das ondas). Estarmos sentados numa cadeira giratória pode ser uma experiência muito interessante. Dormir nestas condições é quase impossível! Vai-se dormindo à uma hora de cada vez e nos instantes em que o navio não está em fase com as ondas do mar.
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Queria acabar dizendo que houve momentos incríveis. Em duas das manhãs, enquanto observava o nascer do Sol (no mar é um pôr do Sol invertido) apareceram dezenas de golfinhos. Foi um espectáculo...
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segunda-feira, julho 28, 2008

O que fazemos (I)


Pois é! Hoje fui cortar o cabelo! Não fui ao barbeiro castiço que tenho aqui ao lado porque aquilo é para machos latinos a sério, nem fui à cabeleira em frente pois dizia ..para senhoras! Andei mais um pouco ao longo da minha rua e encontrei um cabeleireiro para homens assim meio escuro por fora. Fui à aventura e entrei. Lá por dentro era um pouco chique e pensei logo: este deve ser caro! Mas como só corto o cabelo de três em três anos, mais coisa menos coisa, decidi corta-lo mesmo ali. A casa chamava-se Cabeleireiros Tony, não sei se é uma rede, mas pelo menos o senhor com ar de Quim Barreiros chamava-se António. Quem me atendeu foi a sua senhora, que estava na entrada e parecia ser ela que controlava o negócio, ele era o artista.

Depois de esperar um pouco, sentei-me na cadeira e disse: é para cortar tudo! Como sou uma pessoa tímida fico sempre sem saber o que fazer naquelas situações. Vou ter de estar ali 20 minutos com um homem a mexer-me na cabeça pelo que o silêncio pode ser uma coisa bastante confrangedora. Então resolvi, de forma um pouco improvisada, falar do que fazia. Aproveitei a deixa do cabelo dizendo que tinha de o cortar pois, como sou geólogo marinho, no Verão costumava ir para o mar e o cabelo comprido não dava muito jeito. Ele falou-me logo de um programa que tinha acabado de dar na televisão sobre a matança de golfinhos na China. Eu pensei: qual foi a parte de “geologia” que o senhor António (Tony) não percebeu? Não sei se ele sabe o que é um geólogo mas pelo menos usou a palavra correcta o resto da conversa. Talvez por não ter a certeza interrogou-me: vocês têm falta de emprego não é? Típico! Pelo que respondi: sim, mais ou menos, as coisas estão a melhorar, a falta de petróleo e o aumento do preço dos metais têm ajudado. E pronto, fez-se ali uma bela conversa. Falei-lhe que estava a trabalhar no Golfo de Cádis e que estudava a falhas que geravam os sismos, como aquele de 1755. Disse-lhe que tinha cartografado a estrutura que gerou o sismo de Fevereiro do ano passado e ele comentou logo: Oh homem! Não me lembre disso! Se soubesse o que foi em 68.. Eu respondi mais ou menos ao mesmo tempo que a esposa do senhor António (Tony): 69, foi em 69. Ele concordou mas disse-me que preferia não falar em terramotos pois de alguma forma tinha a noção que caso haja um não haverá muito a fazer. Continuámos, falámos na reabertura das minas e eu de vez em quando lá me esquecia que estava a falar com um cabeleireiro e mandava uma posta do tipo: mas é nos nódulos de manganês do fundo do mar que está o futuro. O homem fazia uma cara estranha e eu lá voltava a falar numa coisa mais interessante. Foi uma experiência sociológica interessante e saí de lá com um belo corte de cabelo.

O leitor deve estar neste momento a pensar: porque raio está um dos autores deste blog a falar na sua ida aos cabeleireiros Tony? Bem a ideia surgiu quando estava a fazer o jantar e decidi fazer uma série de posts sobre o que faço cientificamente. Como já deve ter reparado o pessoal daqui é formado em geologia (o estudo do planeta Terra) e a maior parte de nós trabalha nessa área. Pois será sobre disciplinas da geologia que irei falar. Serve este post de introdução. (Desafio os outros autores a escreverem um pouco sobre o que fazem também, se tiverem tempo claro :) ). E como é bom sentir de novo o vento na cabeça!

Imagem: daqui

sábado, julho 19, 2008

Subducção (Parte I) - Zonas de Subducção e Tectónica de Placas

O planeta Terra apresenta actualmente um camada externa sólida (litosfera) fragmentada em diversas placas que se movem umas em relação às outras com cinemática convergente, divergente ou deslizando lateralmente umas em relação às outras (limites destrutivos, construtivos e conservativos, respectivamente), sob a astenosfera mais dúctil. Uma zona de subducção é uma área do planeta Terra onde duas placas tectónicas com cinemática convergente se encontram e uma, geralmente a mais densa, afunda sob a outra em direcção ao manto. As placas oceânicas normalmente mergulham sob as placas continentais ou sob outras placas oceânicas menos densas. Em geral, este fenómeno dá origem a uma zona orogénica e/ou a um arco vulcanico.

Uma ideia paradigmática da Teoria da Tectónica de Placas é a de que é a convecção mantélica que faz mover a litosfera, arrastando as placas tectónicas e permitindo assim o seu movimento. Esta ideia paradigmática está enraizada no seio da comunidade científica e continua a ser introduzida nas disciplinas de introdução à tectónica de placas como um facto aceite. Actualmente, vários cientistas pôem em causa este paradigma afirmando que o manto convecta essencialmente devido ao afundamento da litosfera nas zonas de subducção e que as plumas mantélicas correspondem a um modo secundário da convecção mantélica (Stern, 2004; Hager & O’Connell, 1981; Davis & Richards, 1992). Apesar da base dos continentes poder ser parcialmente arrastada devido à convexão do manto, a ideia pioneira de Forsyth & Uyeda (1975) de que é o excesso de densidade da litosfera junto às zonas de subducção, o afundamento desta e consequente roll-back, que provoca o movimento das placas é hoje fortemente suportada pelos dados geofísicos (Davis, 1992; Anderson, 2002; Conrad & Lithgow-Bertelloni, 2002). A flutuabilidade negativa da litosfera oceânica resulta do aumento da densidade dos silicatos que a contituiem à medida que a temperatura diminui juntamente com o facto de a litosfera espessar à medida que se torna mais antiga. A listosfera torna-se mais densa que a astenosfera subjacente cerca de 20 a 30 milhões de anos depois de se formar nas zonas de rifte (Davis, 1992; Oxburgh & Parmentier, 1977). Após esta fase a densidade da litosfera continua a aumentar bem com a sua massa devido à acumulação de sedimentos no fundo marinho. Esta litosfera torna-se a assim instável e a subducção de lajes de litosfera antiga e densa na astenosfera surge em consequência da necessidade de a Terra manter o seu equilíbrio dinâmico (Stern, 2004). O movimento do manto dá-se porque a placa ao mergulhar arrasta consigo o manto que se encontra sob a laje e suga o manto que se encontra na sua frente (ver figura). Este processo provoca, indirectamente, a ascenção de material mantélico sob as dorsais oceânicas (Hamilton 2003). Lithgow-Bertelloni & Richards (1995) estimam que 90% da força necessária para mover as placas tectónicas é gerada devido ao afundamento da litosfera nas zonas de subducção, sendo que os outros 10% têm origem nas zonas de rifte em consequência do alastramento oceânico (ridge push).

Bibliografia: em construção

Próximos posts sobre o tema (brevemente):

- Quando é que o processo de subducção se iniciou no planeta Terra?

- Como se inicia uma zona de subducção?

quarta-feira, abril 16, 2008

Espeleologia


A Espeleologia é a disciplina científica consagrada ao estudo das cavernas e de alguns objectos cársicos, da suas características, génese (espeleogénese), evolução e características físicas, bem como meio biológico associado, actual ou passado. A espeleologia é assim uma ciência multi-disciplinar envolvendo a Geologia (Tectónica, Morfologia, Hidrologia, Espeleogénese), a Paleontologia, a Biologia (Flora, Fauna, Ambiente Cavernícola, Ecologia) e a Arqueologia.

Desde tempos imemoraveis que o Homem se sente atraído pelas cavernas, quer como abrigo temporário ou definitivo, quer como local mágico e/ou religioso dedicado ao culto de deuses, ou ainda como sendo as portas do inferno. No entanto muitos de nós já passámos perto de cavernas e com certeza que nos chamou a atenção e despertou alguma curiosidade. Existem cavidades no solo (naturais ou artificiais) praticamente por toda a parte, mas é sobretudo nas regiões onde existem grandes extensões de calcário (uma rocha essencialmente constituída por carbonato de cálcio) que se encontram as cavidades denominadas cavernas ou, mais popularmente, grutas, covas, furnas ou algares.

Apesar de desde a mais remota antiguidade haver referências escritas e mais ou menos interpretativas sobre cavernas foi só no último quarto do século XIX que se iniciou o seu estudo sistemático (exploração, estudo e documentação). Foi com o francês Édouard-Alfred Martel que nasceu a espeleologia moderna. Martel foi um pioneiro na exploração do mundo subterrâneo, tendo explorado milhares de cavernas por todo o mundo. Foi também ele que em 1895 fundou a Société de Spéléologie, a primeira instituição em todo o mundo dedicada ao estudo das cavernas.

Fica aqui um link onde se pode encontrar um pouco da história da espeleologia em Portugal.

A fotografia de topo foi tirada na Mammoth cave, uma caverna labiríntica com mais de 500 quilómetros de galerias e passagens. A fotografia aqui em baixo foi tirada no Ladoeiro, na Serra d'Aire e Candeeiros.


Queria dedicar este post aos meus amigos do Espeleo Clube de Torres Vedras onde passei escelentes momentos e com quem muito aprendi. Um abraço especial para o Ricardo (na fotografia).

quarta-feira, março 12, 2008

Descoberta do "Núcleo Interno" do Núcleo Interno da Terra confirmada

O conhecimento da nossa área do Universo é actualmente enorme, no entanto pode ser infinitamente pequeno se pensarmos na imensidão do Universo. Mas já pusémos robots em Marte, já andámos pela Lua e no entanto conhecemos muito pouco do que está mesmo debaixo dos nosso pés. As pessoas que estudam essa fracção ínfima do nosso Universo são comummente e carinhosamente apelidados de "os gajos que estudam os calhaus", perceba-se geólogos. Os geofísicos livram-se muitas vezes deste mal.

A Terra, o nosso querido planeta, é um planeta vivo, dinâmico, em constante alteração e agitação. O seu interior fervilha, mas pouco conhecemos de facto do que lá se passa. Temos muito poucas formas de "ver" o que está ali em abaixo. Uma das formas, a directa, é fazer um buraco (sondagem) e tirar amostras (amostragem). Tentámos e o máximo que atingimos foram apenas cerca de 12 km, e lembremo-nos de que a Terra tem aproximadamente 6400 km de raio. É de facto muito pouco mas um feito enorme em termos técnicos.

A outra forma de aceder ao interior da Terra é através de método indirectos, em particular utilizando o eco de um tipo de ondas mecânicas, as ondas sísmicas. Note-se que ao contrario das ondas electromagnéticas, como é o caso da luz, que se propagam através de um meio físico, as ondas sísmicas correspondem à vibração do próprio meio. É por isso que sentimos o chão a mexer quando se dá um sismo, o meio está a vibrar e essa vibração é devida à propagação das ondas sísmicas.

Usando as ondas geradas por sismos e utilizando sismógrafos extremamente precisos os cientistas conseguem inferir acerca da estrutura interna da Terra e foi assim que se detectou o núcleo da Terra. Este principio baseia-se no facto de as ondas serem reflectidas e refractadas nas interfaces de meios com elevado contraste de densidades, como é o caso do manto e do núcleo. De forma geral as densidades dos meios estão relacionadas com a sua composição química pelo que também podemos inferir acerca da constituição química do interior do Planeta.

Hoje em dia é mesmo possível obter imagens tridimensionais do interior da Terra utilizado computadores. Foi exactamente isso que uma equipa da Universidade de Illinois fez utilizando a técnica de tomografia tridimensional. Desta forma obtiveram um "imagem" do "núcleo interno" do núcleo interno da Terra, que até agora pouco mais era do que uma especulação muito bem fundamentada (Ver notícia aqui).

A Terra tem um núcleo com cerca de 3400 km de raio, o núcleo interno tem aproximadamente 1300 km e o que esta equipa de cientistas descobriu foi um núcleo interno do núcleo interno com cerca de 600 km de raio. É difícil traduzir "inner inner core"! O núcleo interno interno! :)
Crédito da imagem: Precision Graphics

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Tempo Geológico

Um excelente artigo sobre o Tempo Geológico:


How The Discovery Of Geologic Time Changed Our View Of The World




Imagem de "Geologic Time", U.S. Geologic Survey, retirado daqui

sexta-feira, novembro 16, 2007

Mar algarvio monitorizado

No mês em que se assinalam 252 anos sobre o terramoto que devastou Lisboa e o Algarve fica completa a primeira rede de sismómetros colocada no fundo do mar algarvio para estudar a actividade sísmica da região.

Aqui fica o link para a notícia completa que me foi enviada pelo Vasco Valadares: Aqui

quinta-feira, outubro 04, 2007

O que causa um Tsunami?

Um Tsunami é uma onda causada pelo movimento repentino do fundo do mar. Este movimento pode ser desencadeado por diferentes fenómenos: sismos, erupções vulcânicas ou deslizamentos de terras submarinos. Podem ainda ser gerados em consequência de impactos de meteoritos. Os Tsunamis propagam-se ao longo da superfície dos oceanos a grandes velocidades e quando atingem a linha de costa os seus efeitos podem ser devastadores.
A grande maioria dos Tsunamis formam-se em consequência de sismos gerados em zonas de subducção. As zonas de subducção são locais onde um fragmento de crusta terrestre, normalmente oceânica, mergulha sob outra (continental ou oceânica) afundando-se no manto. Neste local as forças de fricção são enormes. Imaginem uma fracção de rocha com mais de 20 km de espessura a mergulhar sobre outro com mais de 50 km, podendo atingir várias centenas de quilómetros de extensão e afundando a mais de 700 km de profundidade no manto.
Devido à fricção e devido ao facto de as placas se movimentarem lentamente durante a maior parte do tempo, a zona de subducção encontra-se normalmente bloqueada (stuck).


Deste modo a energia vai-se acumulando e as placas vão-se deformando lentamente, mas sem que ocorra movimento relativo ao longo do plano de subducção.



Quando a energia acumulada excede a força de fricção existente entre as duas placas dá-se o movimento repentino relativo entre elas ao longo do plano de subducção, libertando as enormes quantidade de energia. A energia potencial é "transformada" em energia cinética (movimento). Quando isto acontece o fundo do mar pode movimentar-se bruscamente, movimento este que é transferido à coluna de água suprajacente, gerando o Tsunami.



A onda assim formada propaga-se ao longo da superfície do mar, podendo ser amplificanda quando atinge as zonas costeiras. Nestas zonas podem-se formar-se ondas com várias dezena de metros causando a destruição quase total das áreas onde se dá o impacto da massa de água.


Fonte: Geology.com

Esquemas: USGS

terça-feira, outubro 02, 2007

As mais poderosas erupções do Século XX


Ver mais aqui
Imagem: USGS

quinta-feira, agosto 16, 2007

Qual o lubrificante da Tectónica de Placas?

A Terra é um sistema dinâmico e a sua superfície é um lugar muito activo. A superfície da Terra é constituída por um conjunto de placas litosféricas que se movem umas em relação às outras, estas podem chocar entre si formando cadeias de montanhas, roçam gerando sismos ou afastam-se permitindo a ascensão de magmas até à superfície, criando continuamente nova litosfera.



Por vezes uma placa litosfera afunda sob outra formando uma zona de subducção. Este processo permite que a litosfera seja reciclada no manto. Desta forma à medida que nova litosfera é criada nas zonas de afastamento das placas (riftes) a litosfera mais antiga (mais fria e mais densa) é consumida nas zonas de subducção. Estes processos permitem a manutenção do volume total da litosfera ao mesmo tempo que permitem a libertação de calor gerado pelos processos radioactivos que têm lugar no interior do planeta, impedindo que a Terra se expanda.
Pelo que se sabe a Terra é uma caso único no sistema solar. No entanto os cientistas ainda estão longe de perceber o que mantém as placas litosféricas lubrificadas de modo a poderem movimentar-se.

Existem algumas ideias e a maior parte da comunidade geológica está convencida que o segredo está na Astenosfera, a camada adjacente à Litosfera e sobre a qual esta última se desloca. A existência de uma camada dúctil é um um ponto essencial no enquadramento actual Teoria da Tectónica de Placas. É esta camada que permite que a Litosfera bóie e se mova ao longo da superfície da Terra empurrada pelas correntes de convecção do manto.

Sob os continentes o topo da Litosfera está a cerca de 150 km, enquanto que sob os oceanos pode encontrar-se a bem menos de 60 km. A base da Astenosfera encontra-se a cerca de 220 km, lugar onde esta passa a ter características de manto propriamente dito, bastante menos "flexível".

Mas afinal o que torna a Astenosfera tão dúctil?

Esta é uma pergunta que tem dado cabo da cabeça dos cientistas desde que a Teoria da Tectónica de Placas começou a tomar forma. Hoje acreditamos estar mais perto da resposta.

Esta resposta vem do enorme esforço que tem sido realizado quer em termos numérico/computacionais quer a nível experimental, reproduzindo as condições existentes no interior do planeta.

Para Björn Winker da Universidade de Frankfurt na Alemanha acredita que a chave deste mistério é a água. Segundo o mesmo: "É necessário ter água na astenosfera de modo a que esta possa deformar-se plasticamente. Esta água não se encontra no estado liquido, mas sim formando grupos hidroxilos (OH-) com estrutura cristalina.

Mas aqui surge uma nova questão: como é que aquela água está ali?

Estudos recentes revelaram que solubilidade da água torna-se mínima às condições de pressão e temperatura existentes na astenosfera. Os estudos revelaram também que nestas condições os minerais mantélicos eram incapazes de incorporar toda a água existente no manto nas suas estruturas cristalinas. Deste modo a água em excesso formaria um fundente silicatado rico em água.

Há muito que se sabe que a presença uma pequena quantidade de fundente numa rocha diminui drasticamente a sua resistência mecânica.

Este modelo denominado de "Modelo da Solubilidade da Água" é elegante e permite explicar porque é que a Astenosfera é tão dúctil, permitindo assim que as placas litosfericas se desloquem e que a Tectónica se desenrole.

A Tectónica de Placas é talvez a característica geológica mais distinta que o nosso planeta apresenta, influenciando directa ou indirectamente muitos outros processos biológicos, atmosféricos e oceanográficos.

Texto adaptado daqui

sexta-feira, julho 20, 2007

Grand Canyon


O Grand Canyon é um acidente geográfico (desfiladeiro) situado nos Estados Unidos da América. Corresponde a uma depressão que o rio Colorado moldou durante milhares de anos à medida que as suas águas percorriam o seu leito, aprofundando-o ao longo de 446 km. Chega a medir 29 km de largura e atinge profundidades de 1600 metros. Cerca de 2 mil milhões de anos da história geológica da Terra foram expostos pelo rio, à medida que este e os seus afluentes vão expondo camada após camada.


Fonte Wikipédia
Imagens daqui e daqui

quarta-feira, julho 18, 2007

Geologia na ponta dos dedos

O Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e a Agência Ciência Viva promovem nos dias 24 e 31 de Agosto actividades dirigidas a cegos e amblíopes no âmbito da Geologia no Verão. "Geologia na Ponta dos dedos: as Rochas" vai realizar-se no laboratório do Deparatmento de Geologia, da FCUL, pelas 15h00 e dará a oportunidade a estes jovens de sentirem a geologia nas pontas dos dedos.
Mais informações:

segunda-feira, junho 25, 2007

Geologia Urbana (I)


Afloramento de xisto de Manhattan com dobras. O topo ondulado do afloramento deve-se à erosão provocada pelos movimentos das calotes de gelo durante o último periodo glaciar. Central Park, Nova Iorque, E.U.A.

Se por acaso alguém for suficentemente nerd para querer saber mais algo sobre a geologia de Manhattan existe um guia online e tudo.

segunda-feira, maio 14, 2007

O que são dobras?

Um das grandes realizações do século XX foi a elaboração da teoria da Tectónica de Placas. Esta teve por base a teoria da Deriva Continental e o conceito de Alastramento Oceânico.

A Teoria da Tectónica de Placas tem como objectivo explicar como e porquê a Litosfera (Crusta e uma fracção do Manto) se desloca sobre a Astenosfera.

A Litosfera é constituída por diversas "placas", denominadas "Placas Tectónicas" que se deslocam umas em relação às outras. O motor deste movimento é ainda alvo de intensos debate, mas pensa-se que este movimento é causado pelas correntes de convecção do Manto.


As placas ao movimentarem-se entre si causam a deformação das rochas presentes nas zonas junto às suas fronteiras. Esta deformação pode ser frágil (falhas) ou dúctil (dobras). As dobras formam-se geralmente em zonas mais profundas da litosfera, onde a temperatura é mais elevada, potenciando a deformação dúctil das rochas. A disciplina que estuda a deformação causada pela a interacção das placas tectónicas é a Geologia Estrutural.
As dobras são de extrema importância para a geologia porque permite estudar a história da Tectónica de Placas, isto é permite obter informações acerca de placas antigas que já não existem actualmente e das suas interacções.

Algumas dobras que encontrei na net













sexta-feira, maio 04, 2007

Deslizamento (Landslide)




O deslizamento (slide) define-se como um movimento de solo ou rocha que ocorre dominantemente ao longo de planos de rotura ou de zonas relativamente estreitas, alvo de intensa deformação tangencial. A massa deslocada durante o movimento permanece em contacto com o material subjacente não afectado, apresentando graus de deformação bastante variáveis, consoante o tipo de deslizamento.

Estes movimentos, activados quando a resistência ao corte dos terrenos é ultrapassada pela tensão cisalhante a que os materiais estão sujeitos na vertente, apresentam frequentemente estrias ao longo do plano de rotura e nos flancos, indicadoras da direcção de deslocamento.

Os deslizamentos subdividem-se em subtipos. O tipo de rotura, bem como a natureza do material afectado, constituem os critérios fundamentais para essa divisão.

Embora a acção da gravidade sobre encostas demasiado inclinadas seja a principal causa dos deslizamentos de terra, existem outros factores em acção:

- A erosão pelos rios, glaciares ou ondas oceânicas cria encostas demasiado inclinadas
- As encostas de rocha e solo são enfraquecidas por via da saturação com água proveniente do degelo ou de grandes chuvas
- Sismos criam tensões que levam à falência de encostas frágeis
- Erupções vulcânicas produzem depósitos de cinzas soltas, chuvas fortes e fluxos de detritos
- Maquinaria, o tráfego, explosões e mesmo trovões causam vibrações que podem accionar a falência de encostas frágeis
- O excesso de peso por acumulação de chuva ou neve, deposição de rochas ou minérios, pilhas de resíduos ou criado por estruturas feitas pelo homem podem também acumular tensões sobre encostas frágeis até à sua falência.


La Conchita, Califórnia
El Salvador, in 2001


Ver mais aqui e aqui
Fonte: Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos e Wikipédia

sexta-feira, março 30, 2007

Nature Geoscience


A Nature, uma das mais reputadas publicações de ciência, prepara-se para lançar em 2008 uma revista mensal dedicada em exclusivo às Geociências.
Já estava na altura da Geology começar a ter alguma concorrência.

Via ...Or Something.