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quinta-feira, março 22, 2007

Um criacionista na Faculdade de Ciências


Ontem, no aparentemente infame Colóquio realizado na FCUL, Jónatas Machado deu, perante uma assistência maioritariamente constituída por cientistas, o seu show criacionista.

O programa do espectáculo consistia em primeiro rejeitar as regras da Ciência para depois demonstrar que esta, quando aplicada ao estudo da Vida, chegava a uma conclusão falaciosa porque da interpretação naturalista da Vida só pode resultar a teoria da Evolução. Isto constitui na visão deste senhor um argumento circular e um óbvia falácia e um caso exemplar de, nas palavras do próprio, trash in – trash out.

Pena que Jónatas Machado não tenha aplicado este raciocínio à interpretação Criacionista do mundo, essa sim, o argumento circular perfeito e um dos exemplos mais utilizados para descrever a falácia do argumento circular. É caso para dizer que se trata simplesmente de God in – God out.

Contudo, é curioso que o Criacionismo, apesar de rejeitar as regras da Ciência, procure tão persistentemente disfarçar-se de teoria cientifica, como que sugerindo que estas são necessárias para legitimar e validar as crenças religiosas, como uma interveniente sugeriu durante o debate final do colóquio.

Depois seguiu-se uma catadupa de questões a que a Ciência ainda não respondeu ou para a qual não existe ainda uma resposta consensual. Enfim, nada mais que os eternos pontos de interrogação que os criacionistas tanto gostam de transformar em divindade.

È claro que isto veio misturado com uma série de outras questões cuja resposta é conhecida e aceite, embora ainda se discutam alguns pormenores. Como a origem dos oceanos, que dá muito jeito rotular como desconhecida, principalmente se se estiver a pensar em arranjar uma maneira ligeiramente menos estapafúrdia de se meter um dilúvio e uma arca ao barulho para explicar a história do planeta e da vida nele contida.

Nos últimos minutos da sua intervenção, Jónatas Machado declarou que a evolução era cruel e ineficiente quando comparada com a criação perfeita um Deus omnisciente, omnipresente e benevolente (excepto naquele dia em Sodoma e Gomorra, mas dias maus temos todos…). Aparentemente os criacionistas vivem num mundo de eterna Primavera em que os passarinhos cantam, as abelhas polinizam lindas flores e os casais de animaizinhos aguardam em paz o nascimento das suas crias, alheios à existência de presas e predadores, de competição inter e intra populações, do canibalismo e de toda uma gama de catástrofes naturais que ocorrem quase diariamente por este mundo fora.

Posto isto, o orador saiu cedo evitando grandes confrontos com as suas afirmações (fora aquelas proferidas nas palestras que antecederam a sua) e remetendo para sites de supostos cientistas criacionistas. Não se pode dizer que se tenha perdido grande coisa…

sexta-feira, março 16, 2007

Vulcanólogo Steven Self dá palestra na FCUL


Steven Self, vulcanólogo da Open University no Reino Unido vai passar na próxima segunda feira dia 19 de Março às 12h00 pela sala 6.2.53 do Edifício C6 nas instalações do Campo Grande da Faculdade de Ciências da Universdade de Lisboa.
O tema da palestra são os efeitos ambientais das super erupções explosivas como a do Pinatubo em 1991 (nas fotos) ou as desencadeadas por supervulcões. O autor tem desenvolvido um trabalho extenso nessa área, tendo sido consultor da BBC em vários documentários entre os quais o já referido Supervolcano e outro sobre erupções fissurais na Islândia.
Mais informações sobre este tema aqui.


terça-feira, março 13, 2007

Colóquio que põe frente a frente Criacionistas e Darwinistas na FCUL

As recentes notícias sobre a hipotética abertura de um parque temático em Mafra destinado a promover o Criacionismo como teoria científica concorrente da teoria da Evolução vieram por na ordem do dia o debate entre cientistas defensores da evolução e de uma Terra antiga e (principalmente) Cristãos Evangélicos fundamentalistas defensores da criação divina numa Terra recente (aí com uns 6000 anos, mais coisa menos coisa).
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa propõe então um colóquio denominado: Darwinismo versus Criacionismo. Onde começa e onde acaba uma teoria científica? a realizar no próximo dia 21 de Março de 2007, das 14h às 20h no Edifício C6, 1º piso, Anfiteatro 36 das suas instalações no Campo Grande.
Eu vou tentar arranjar tempo para la dar um saltinho e aviso desde já que estou do lado do senhor das barbas, que para mal dos seus pecados não era omnisciente nem omnipotente, o que o impediu de forjar uma teoria perfeita.

Horários, programa e leitura adicional aqui.