quarta-feira, novembro 07, 2007

Estrela falhada?


Já todos provavelmente ouvimos que Júpiter é uma estrela falhada. Eu ouvi, não me lembro quando, mais de uma vez. Ontem peguei no meu guia do Universo, um daqueles livros que não se devem ler de uma ponta à outra, e abri numa página ao calhas. Fui parar a uma página do capítulo sobre Júpiter, dizia: "Failed Star?".


É claro que me interessei e li a pequena caixa de texto de meia dúzia de parágrafos. Era a oportunidade certa de me informar daquilo que existia na minha cabeça mais ou menos como um mito. É realmente Júpiter uma estrela falhada? Entretanto hoje pesquisei mais um pouco na net e vamos lá a isso..


Júpiter é um planeta gasoso gigante. Tem 2,5 vezes mais massa do que todos os outros planetas do sistema solar em conjunto e cerca de 300 vezes mais massa do que a Terra. A razão pela qual Júpiter é por vezes descrito como uma estrela falhada tem a ver com o facto de este planeta ter uma composicao muito semelhante à do Sol: essencialmente Hidrogénio (81%) e Hélio (17%). (O Sol tem cerca de 73% de Hidrogénio e 24% de Hélio). A enorme massa de Júpiter faz com que parte dos elementos que o constituem estejam altamente comprimidos na zona do núcleo gerando grandes quantidades de calor.


Ora acontece que o núcleo de Júpiter não está suficientemente comprimido de modo a iniciar o processo e fusão nuclear (processo em que dois ou mais núcleos atómicos se juntam para formar um outro núcleo de maior número atómico. A fusão nuclear requer muita energia, e geralmente liberta muito mais energia que consome). É este processo que fornece combustível às estrelas, como o Sol. Mas Júpiter não tem simplesmente massa suficiente para despoletar este processo.


Na verdade, Júpiter nem está perto de poder tornar-se numa estrela. Era preciso que tivesse 84 vezes mais massa para se tornar numa anã vermelha, o tipo "mais pequeno" de estrelas.


E nem sequer está perto de se tornar numa anã castanha, objectos, 10 a 83 vezes mais pesadas que Júpiter, que criam quantidades enormes de energia no seu interior, mas não têm massa suficiente para iniciar a fusão nuclear. As anãs castanhas são um pouco mais pesadas e muito mais quentes que os planetas gigantes e um pouco menos pesadas que um estrela. Desta forma são vistas como o "elo perdido" entre planetas e estrelas. É interessante pensarmos deste modo, isto é, se começarmos por ter um planeta e lhe começarmos a juntar mais e mais massa ele acaba por se transformar numa estrela.


Concluíndo, é mais correcto pensar em Júpiter como uma anã castanha falhada, ou, como o meu livro dizia, como um planeta muito bem sucedido.



Bibliografia: The rough guide to the Universe, John Scalzi, Rough Guides.
Imagem: Nasa

5 comentários:

hugo disse...

Também li algures (não me recordo onde) que Júpiter liberta mais energia que a que consome e esse facto faz dele "uma estrela sem luz".

Bom blog, soube dele pelo último Post da Palmira no De Rerum Natura.

Cumpts

Méon disse...

Que bom este espaço de informação científica!
A propósito, gostei da entrevista do Mariano Gago ao JL: parece que a ciência tem futuro em Portugal. Ele fala de muitos jovens que a escolheram com estusiasmo.

Espero que leias e dês a tua opinião.
Abraço. Continuação de bom trabalho

JSA disse...

hugo, Júpiter liberta mais energia que aquela que recebe, não que aquela que consome. Júpiter, na realidade, não consumirá grande energia, já que esta não é exactamente consumível. Nesse aspecto penso que o post não é absolutamente claro...

ClaudioPascoal disse...

Uma anã castanha consegue fazer a fusão nuclear do deutério mas não do hidrogénio.

Anónimo disse...

Belas informações... Só que eu já sabia disso...
Júpiter é um planeta gasoso só qu com muitamassa planetária...
Pelo menos foi isso que a minha professora me disse...
Bem...
PORQUÊ VOCÊ NÃO FALA SOBRE OUTROS PLANETAS COMO SATURNO??
Eu pesquisei na net , e soube que Júpiter libera mais energia do que consome... esse fato faf dele "uma estrela sem luz"...