sexta-feira, agosto 25, 2006

Plutão já não é um planeta

União Astronómica Internacional

O sistema solar passou a ter apenas oito planetas. A União Astronómica Internacional decidiu hoje que Plutão, até aqui um dos nove planetas do nosso sistema solar, é um planeta anão.

Os planetas do sistema solar são agora Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno.

A primeira definição de planeta, aprovada hoje depois de um debate acalorado entre 2500 cientistas e astrónomos de todo o mundo, traça uma linha clara entre Plutão e os actuais oito planetas do sistema solar.

Segundo a nova definição, para que um corpo celestial possa ser considerado um planeta deve orbitar em torno de uma estrela, ter massa suficiente para ter gravidade própria e assumir uma forma arredondada e ser dominante na órbita. Esta última norma foi determinante para desclassificar Plutão, que até se cruza com o "vizinho" Neptuno na sua órbita em torno do Sol.

Para além das definições de planeta e de planeta anão, o documento da União Astronómica Internacional cria uma terceira categoria para abranger todos os outros objectos - à excepção dos satélites -, que ficam agora conhecidos como pequenos corpos do sistema solar.


Um anão com lugar indefinido no sistema solar

Plutão intriga os cientistas desde que souberam que existia. É um mundo feito de rochas e de água e metano congelados, por isso chamam-lhe "anão gelado". A temperatura é de 220 graus Celsius negativos.

Pouco após a sua descoberta - a 18 de Fevereiro de 1930, por Clyde Tombaugh, do Observatório de Lowell, nos EUA -, começou a pôr-se a hipótese de que seria uma lua de Neptuno fugidia. Foi o primeiro golpe contra o estatuto de Plutão como planeta. Mas a verdadeira contestação começou em 1992, quando se descobriu o primeiro de uma população de corpos rochosos e gelados para lá de Plutão. Um golpe ainda mais rude foi a descoberta de Xena, no ano passado, que está muito perto e até tem uma maior dimensão, um diâmetro de 3000 quilómetros.

A sua primeira lua, Caronte, foi descoberta em 1978, mas já em 2005 os astrónomos encontraram outras duas, Nix e Hydra, das quais foram recolhidas imagens através do telescópio espacial Hubble. A órbita deste anão gelado cruza-se com a do vizinho Neptuno. Demora 248 anos a dar a volta ao Sol.

in Público 24.08.2006

sábado, agosto 12, 2006














"O Caos não tem estátua nem figura e não pode ser imaginado; é um espaço que só pode ser conhecido pelas coisas que nele existem e ele contém o universo infinito."
Frances A. Yates

Na Mitologia grega, o Caos era considerado o estado não organizado, ou o nada, de onde todas as coisas surgiam. De acordo com a Teogonia de Hesiold, o Caos precedeu a origem, não só do mundo, mas também dos deuses. A cosmogonia de Orphic afirma que Chronos (personificação do tempo) deu origem a Ether e a Caos, este formou um enorme ovo de onde nasceu o Paraíso, a Terra e Eros.
Actualmente, com o desenvolvimento da Matemática e das outras ciências, a Teoria do Caos surgiu com o objectivo de compreender e dar resposta às flutuações erráticas e irregulares que se encontram na Natureza, resíduos da formação primordial vinda do grande ovo de Caos.
A ciência do Caos é relativamente recente e é considerada a terceira grande revelação deste século nas ciências físicas.
A investigação do Caos teve início nos anos 60, quando se descobriu que sistemas complexos, que podiam descrever possíveis previsões do tempo, podiam ser traduzidos por equações matemáticas simples. Do mesmo modo, sistemas que eram aparentemente simples e modelos deterministas, podiam levar a problemas muito complexos.
Através do estudo desta ciência, verificou-se que um sistema passa facilmente de um estado de ordem para um estado caótico, podendo surgir, por vezes de uma maneira espontânea, dentro do caos, a ordem. Também foi verificado que pequenas diferenças nas condições iniciais de um sistema podem conduzir a diferenças bastante significativas no resultado final, sendo deste modo fortemente abalado o paradigma da física determinista.
Porém, compreendendo o comportamento caótico, muitas vezes é possível entender como o sistema se comportará como um todo ao longo do tempo.
Esta ciência tem proporcionado algumas descobertas extraordinárias e levantado questões tão problemáticas que a tornam muito interessante e desafiante.
A geometria fractal está intimamente ligada à Teoria do Caos. São as estruturas quebradas, complexas, estranhas e belas desta geometria que conferem uma certa ordem ao caos, e esta é muitas vezes caracterizada como sendo a linguagem do caos.
A geometria fractal busca padrões organizados de comportamento dentro de um sistema aparentemente aleatório.

Vejamos o seguinte exemplo:
O João sai de casa às 9 horas para visitar a avó que vive a 30 Km.
Ao sair de casa, fica preso no elevador, por falta de corrente, o que o faz demorar 5 minutos e perder o autocarro que passa de 10 em 10 minutos (passou às 9 horas e 4 minutos). Chega à estação, acabando de perder o comboio (só o viu ao fundo da linha), o próximo é daí a 2 horas. Esta relação é um bom exemplo de caos: uma pequena alteração pode provocar uma diferença considerável, como no caso anterior.

Mas também pode acontecer que uma alteração não origine uma diferença significativa como se pode ver na situação seguinte:
Se o João tivesse saído de casa às 8 horas e 59 minutos, o elevador não tinha parado e teria chegado a horas a casa da avó.
Mas a mais pequena alteração pode ter consequências imprevisíveis.
Neste exemplo, saíndo às 9 horas, apenas um minuto mais tarde, o João vai chegar a casa da avó 2 horas e 14 minutos mais tarde.

Outra relação existente entre a geometria fractal e a Teoria dos Caos prende-se com o facto de ambas se terem desenvolvido e crescido graças ao desenvolvimento da informática. No entanto, embora a utilização de computadores seja indispensável, não podemos confiar cegamente nos computadores pois uma alteração mínima nas condições iniciais pode ser o suficiente para que o resultado sofra mudanças bastante significativas.
Apesar das inúmeras aplicações e utilidades, os fractais ainda têm um longo caminho pela frente. Faltam muitas ferramentas e vários problemas continuam sem solução. Uma teoria completa e unificada é necessária e a pesquisa prossegue neste sentido.

"O mundo que nos cerca é caótico mas podemos tentar limitá-lo no computador. A geometria fractal é uma imagem muito versátil que nos ajuda a lidar com os fenómenos caóticos e imprevisíveis."
Benoît Mandelbrot

Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm14/

Os fractais

"A Geometria dos Fractais não é apenas um capítulo da Matemática, mas também
uma forma de ajudar os Homens a verem o mesmo velho Mundo diferentemente"
(Benoît Mandelbrot)



Nos últimos anos, diferentes definições de fractais têm surgido. No entanto, a noção que serviu de fio condutor a todas as definições foi introduzida por Benoît Mandelbrot através do neologismo "Fractal", que surgiu do latino fractus, que significa irregular ou quebrado, como ele próprio disse: "Eu cunhei a palavra fractal do adjectivo em latim fractus. O verbo em latim correspondente frangere significa quebrar: criar fragmentos irregulares, é contudo sabido – e como isto é apropriado para os nossos propósitos! – que, além de significar quebrado ou partido, fractus também significa irregular. Os dois significados estão preservados em fragmento".

Os fractais são formas geométricas abstractas de uma beleza incrível, com padrões complexos que se repetem infinitamente, mesmo limitados a uma área finita. Mandelbrot, constatou ainda que todas estas formas e padrões, possuíam algumas características comuns e que havia uma curiosa e interessante relação entre estes objectos e aqueles encontrados na natureza.


Um fractal é gerado a partir de uma fórmula matemática, muitas vezes simples, mas que aplicada de forma iterativa, produz resultados fascinantes e impressionantes.

Uma 1ª definição, pelo próprio Mandelbrot, diz que: "Um conjunto é dito fractal se a dimensão Hausdorff deste conjunto for maior do que a sua dimensão topológica". Contudo, no decorrer do tempo ficou bastante claro que esta definição era muito restrita, embora apresentasse algumas motivações pertinentes.

Existem duas categorias de fractais: os geométricos, que repetem continuamente um modelo padrão e os aleatórios, que são feitos através dos computadores.

Além de se apresentarem como formas geométricas, os fractais representam funções reais ou complexas e apresentam determinadas características: auto-semelhança, a dimensionalidade e a complexidade infinita.

Uma figura é auto-semelhante se uma parte dela é semelhante a toda a figura. Podemos observar esta característica na curva de Koch.


" As imagens que calculei com a minha teoria matemática assemelhavam-se curiosamente à realidade: e se eu podia imitar a Natureza, era porque provavelmente teria descoberto um dos seus segredos..." (Benoît Mandelbrot)

"É possível acreditar que no dia de amanhã, ninguém poderá ser considerado cientificamente culto se não estiver familiarizado com os fractais." (John Archibald)

A informação desta "postagem" foi retirada de uma página da net elaborada por três estudantes de ensino de matemática da FCUL (Inês Quaresma, Jorge Oliveira e Paula Faria ). Parabens a eles, a página está muito boa e é uma excelente iniciativa. Se tiveram oportunidade visitem-na (http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm14/). Espero que o autores não se importem de ter retirado algumas coisas de lá. O meu objectivo, e penso que também o deles, é divulgar a ciência.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Geologia do Petróleo

O estudo do petróleo engloba várias áreas da geologia, desde a prospecção, através de métodos geofísicos (sísmica, gravimetria, magnetometria, etc.), ao estudo das rochas reservatório, que servem de armadilha às reservas de petróleo ou gás, através da sedimentologia, estratigrafia e paleontologia.

Estes estudos tornam mais eficiente a "busca" a esta fonte de energia, que é a principal em todo o mundo, pois permitem inferir, com um considerável nível de certeza/risco, a localização destas ditas armadilhas.

A geologia do petróleo é, como muitas vertentes da geologia, uma combinação de vários conhecimentos, sendo necessário uma equipa pluridisciplinar em qualquer das fases de trabalho.

As imagens seguintes demonstram como se encontram as reservas de petróleo e como é extraído.

http://encarta.msn.com/media_461531212_761576221_-1_1/Oil_Drill_Rig_and_Reservoir.html

Para saber mais:

Encarta

Wikipedia

A explicação do fenómeno geométrico

A visão às vezes cega a razão...

que é realmente o que explica o fenómeno!

Comecemos pela primeira figura... temos um triângulo grande de lados rectos com comprimento 5 e 13, o que faz com que a inclinação da sua hipotenusa seja exactamente 5/13 (vulgo tangente do ângulo que a hipotenusa faz com a recta horizontal). Da mesma forma, o triângulo vermelho tem lados rectos 5 e 8 o que prefaz uma inclinação da hipotenusa de 5/8 e para o triângulo verde temos lados 2 e 5 ou seja, inclinacao de 2/5! Acontece que 2/5, 5/8 e 5/13 são todos números diferentes... daí que a hipotenusa do triângulo maior, que nos parece ser uma linha recta, na realidade não o seja! É uma linha quebrada nos vértices dos triângulos pequenos! Na segunda o argumento é semelhante...

E está resolvido o mistério... a área do quadrado que sobra é a àrea dessa parte que foi tomada a mais...

Explicação enviada pelo mestre Pedro Serranho

UMA GRANDE "BOLA DE FOGO" COM A FORMA DE UM COMETA

Uma equipa internacional de cientistas, com o auxílio de dados obtidos pelosatélite de raios-x XMM-Newton, da ESA, descobriu uma bola de gás com a forma deum cometa com mais de mil milhões de vezes a massa do Sol. Esta "bola de fogo"colossal é de longe o maior objecto deste tipo a ser identificado até hoje eencontra-se a atravessar um enxame de galáxias distante, com uma velocidadesuperior a 750 quilómetros por segundo.
O tamanho e a velocidade deste objecto são verdadeiramente fantásticos. A bolade gás tem cerca de três milhões de anos-luz de extensão, o que corresponde aaproximadamente cinco mil milhões de vezes o tamanho do nosso sistema solar.Visto da Terra, este objecto aparece como uma "mancha" circular brilhante nosraios-x, possuindo o que se assemelha a uma cauda (como nos cometas) comaproximadamente metade do tamanho da Lua.
O enxame de galáxias em que a bola de gás está localizada é designado de Abell3266 e encontra-se a milhões de anos-luz da Terra, não representando assimqualquer perigo para o nosso sistema solar. O Abell 3266 contem centenas degaláxias e grandes quantidades de gás muito quente que se encontra atemperaturas de aproximadamente cem milhões de graus. Tanto o gás do enxame comoa bola gigante de gás encontram-se ligados pela atracção gravitacional dematéria negra.
Para os cientistas, o mais interessante não é apenas o tamanho desta bola de gásmas também o papel que esta desempenha na formação e evolução de estruturas noUniverso. Este objecto será provavelmente um grande "bloco de construção"entregue a uma das maiores concentrações de galáxias de que temos conhecimento.O enxame de galáxias Abell 3266 faz parte do super enxame Horologium-Reticulum eé um dos enxames de galáxias com maior massa. A bola de gás indica que esteenxame ainda se encontra activamente a aumentar de tamanho e que se tornará numadas maiores concentrações de massa no Universo próximo.
Com o auxílio dos dados do XMM-Newton os cientistas produziram um mapa deentropia - uma propriedade termodinâmica que fornece uma medida de desordem.Este mapa permitiu separar o gás frio e denso do "cometa", do gás mais quente erarefeito do enxame. Os dados mostram com grande detalhe o processo em que o gásé arrancado do núcleo do "cometa" para formar a grande cauda que contem gás maisfrio e denso. Os cientistas estimam que em cada hora o equivalente à massa doSol é arrancada do núcleo da bola de gás.
Para uma imagem de raios-x da bola de gás, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/ball.jpg
A bola de gás está confinada às regiões laranja na imagem. A parte da frente do"cometa" encontra-se na extremidade inferior direita da estrutura com áreasavermelhadas.
O que observamos no enxame Abell 3266 é a formação de estruturas. A matérianegra é a cola gravitacional que mantém a bola de gás inteira. À medida que esta"corre" pelo enxame de galáxias uma guerra de forças ocorre, sendo que por umlado encontra-se o enxame a puxar e do outro a bola de gás. Mas o enxame acabaeventualmente por ganhar este confronto, arrancando e dispersando o gás da bola,que talvez um dia, levará à formação de estrelas e ao crescimento das galáxiasdo enxame.
Fonte: ASTRONOVAS

segunda-feira, agosto 07, 2006

Nota

As imagens seguintes, são representações segundo uma escala relativa de alguns corpos que constituiem o sistema solar, assim como de algumas estrelas mais próximas. Estas imagens foram-me gentilmente enviadas por Vasco Valadares. Obrigado Vasco!