domingo, maio 14, 2006

E agora?

Ao princípio junta-se o útil ao agradável. A necessidade de oferta com a ciência da procura.
As casas cobrem-se de rochas ornamentais, as estradas ganham quilómetros e alguns bolsos enchem-se de dinheiro. Abrem-se buracos, rasgam-se serras, sempre com a intenção de explorar os recursos e equilibrar a economia. O pior é quando os buracos se somam, as serras desaparecem e a economia não ajuda.

Estremoz, 2006

Estremoz, 2006


E agora?


Lanço um desafio...

Que fazer às pedreiras abandonadas ou em fim de exploração?
Que reabilitação poderão ter?

sábado, maio 06, 2006

Antropologia Pós-Moderna Portuguesa

"Daniel Kaufmann, director do Instituto do Banco Mundial, fez cálculos e concluiu que Portugal podia ter o nível de desenvolvimento da Finlândia, se melhorasse o seu índice de controlo de corrupção que, numa escala de 0 a 100, se situava, em 2004, nos 86,7 pontos."

"(...) a incidência nas autarquias é brutal e representa quase metade (42%) da corrupção investigada pela PJ (...)" (Francisco Galope, in Visão)

A concentração dos poderes executivos nos autarcas facilita em muito o tráfico de influências, nomeadamente entre os perversos meios do futebol e construção.

E nós, alegres ignorantes, ficamos a ver esses senhores, "chicos espertos", que mais se parecem com nojentas ratazanas de esgoto, a esbodegar o mundo em que vivemos.

quarta-feira, maio 03, 2006

VISÃO PANORÂMICA DO UNIVERSO

Um novo mapa do Universo confirma resultados anteriores, incluindo a existência de matéria escura e energia escura.

Uma equipa internacional de astrónomos anunciou que criou um mapa de uma profundidade de 2 mil milhões de anos-luz que revela a constituição mais precisa do Universo até à data. Retirando informação do levantamento Sloan Digital Sky Survey (SDSS), os astrónomos realizaram medições precisas da distribuição em larga escala dos agregados de galáxias e da matéria escura associada. Ao representarem as posições tridimensionais de 205 443 galáxias dispersas por cerca de 6% do céu, este grupo de astrónomos obteve a visão mais apurada do traçado de agrupamento gravitacional entre galáxias.

Enquanto numa escala de milhões de anos-luz, surge uma distribuição heterogenea, já numa escala mais ampla (larga escala) surge uma imagem do Universo mais uniforme.

Os resultados foram publicados no Astrophysical Journal e no Physical Review em dois artigos separados, e os autores fixaram a constituição do Universo em 70% energia escura, 25% matéria escura e apenas 5% matéria comum composta por átomos.

ASTRONOVAS

UM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO NUCLEO DE UMA PEQUENA GALAXIA

Nas últimas semanas, os astronómos descobriram um buraco negro supermassivo (de massa muito elevada)no núcleo de uma pequena galáxia espiral. Esta descoberta revela que afinal mesmo as galáxias sem núcleos bojudos podem possuir este tipo de buracos negros.

- Que galáxia foi estudada?

A galáxia estudada foi a NGC4395, que se encontra a cerca de 11 milhões de anos-luz e que é visível no hemisfério norte, na direcção da constelação "Cannes Venatici". Esta galáxia é uma galáxia "achatada", aparentando não possuir qualquer bojo central. Contudo, possui, no seu centro, um buraco negro cuja massa é cerca de 10000 a 100000 de vezes superior à massa do nossso Sol. Esta descoberta sugere que outras galáxias semelhantes, isto é, outras galáxias "achatadas", ao contrário do que até agora se pensava, podem possuir um buraco negro supermassivo no seu centro.

- Mas que tipo de buraco negro é este?

Tipicamente, os buracos negros supermassivos possuem uma massa que é milhões ou biliões de vezes superior à massa do Sol, sendo que este tipo de buracos negros são milhões de vezes mais massivos do que aqueles que resultam do colapso gravitacional dos núcleos de estrelas muito massivas. No entanto, este buraco negro situado na galáxia NGC4395, apesar de supermassivo, é o mais pequeno até agora encontrado no centro duma galáxia, o que seria consistente com o facto da galáxia possuir apenas um pequeno bojo. Mas, na realidade, este bojo não aparenta ser pequeno, mas sim inexistente, o que torna esta descoberta algo "estranha".

- Como foi feita a descoberta?

Esta galáxia é há muito conhecida por emitir quantidades significativas de radiação do seu núcleo, incluindo radiação visível e raios X. Este facto é um sinal da presença de um buraco negro central e gigante e que se encontra a sugar matéria de modo a criar um disco de acrecção rotativo e bastante quente. No entanto, até agora, tal buraco negro não havia ainda sido descoberto. Os cientistas usaram, então, o telescópio de 10 metros Keck I situado no Hawai e o telescópio de raios X ASCA para encontrarem este buraco negro massivo mas que, mesmo assim, fica bastante aquém de outros buracos negros supermassivos já descobertos.

-Que técnicas foram utilizadas para a determinação da sua massa?

A técnica usada para estimar a massa do buraco negro foi a técnica de dispersão de velocidades.Esta técnica baseia-se na medição da velocidade média das estrelas que orbitam o buraco negro central. Embora esta teoria tenha sido prevista na década de 90, só em 2000 veio a confirmação da estreita relação entre a dispersão das velocidades e a massa dum buraco negro supermassivo. Até aí pensava-se que essa correlação só se verificava para buracos negros com milhões ou biliões de massas solares. No entanto, a utilização desta técnica na galáxia NGC4395 provou que também é válida para galáxias com 66000 massas solares, ou seja, a relação entre a massa do buraco negro e a dispersão das velocidades verifica-se mesmo nas escalas de aglomerados de estrelas que contenham um buraco negro central relativamente leve.

-Que conclusões se podem tirar?

A galáxia NGC4395 pode, assim, representar um passo na evolução de buracos negros supermassivos, em galáxias nas quais um bojo se desenvolve à medida que o buraco negro cresce. Refira-se ainda que as medições da dispersão de velocidades foram efectuadas em aglomerados de estrelas perto do buraco negro, ou seja, isso é uma indicação de que um dia um bojo poderá aí vir a formar-se.

ASTRONOVAS

terça-feira, maio 02, 2006

UMA ESTRELA DE NEUTRÕES INTRIGANTE

Com o auxílio de dados obtidos pelo telescópio espacial XMM-Newton, da ESA, uma equipa internacional de astrofísicos "descobriu" uma estrela de neutrões que aparenta não ser o objecto de rotação estável que os cientistas acreditavam ser.

As estrelas de neutrões em rotação, também conhecidas por pulsares, são geralmente objectos com uma rotação estável e periódica.

Devido à periodicidade dos sinais que emitem, quer nos comprimentos de onda do rádio ou nos raios-x, estes objectos são "usados" como "relógios" astronómicos muito precisos. Os cientistas descobriram que nos últimos quatro anos e meio a temperatura de um destes objectos enigmáticos, designado por RX J0720.4-3125, tem vindo a subir. No entanto, observações recentes mostraram que esta tendência foi revertida ea gora a temperatura está a descer.

De acordo com a equipa este efeito não édevido a uma variação real da temperatura, mas sim à forma como vemos o objecto.Acredita-se que esta estrela de neutrões se encontra em "precessão", ou seja oseu eixo de rotação move-se lentamente, fazendo com que ao longo do tempodiferentes partes da sua superfície sejam observadas por um observador na Terra.

Para ver uma imagem da estrela de neutrões RX J0720.4-3125, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/neutr.jpg

As estrelas de neutrões são um dos finais possíveis da evolução de uma estrela. Com uma massa comparável à do Sol, confinada numa esfera com 20-40 quilómetros de diâmetro, a sua densidade é maior que a densidade de um núcleo atómico – mil milhões de toneladas por centímetro cúbico. Logo após o seu nascimento, originado apartir de uma explosão de supernova, a sua temperatura é de aproximadamente um milhão de graus Celsius e a maioria da sua emissão térmica é emitida na gama dos raios-x. Estrelas de neutrões jovens e isoladas arrefecem muito lentamente, levando cerca de um milhão de anos até se tornarem demasiado frias para que se possam observar nos raios-x.

As estrelas de neutrões são conhecidas por possuirem um campo magnético muito forte, tipicamente vários biliões de vezes mais forte que o da Terra. O campo magnético pode ser tão forte que influencia o transporte de calor do interior da estrela para a crosta, originando pontos quentes em torno dos pólos magnéticos na superfície da estrela.É a emissão destes pontos quentes que domina o espectro de raios-x.

Existem poucas estrelas de neutrões isoladas conhecidas a partir das quaispodemos observar directamente a emissão térmica proveniente da superfície. Uma destas estrelas é a RX J0720.4-3125, que possui um período de rotação de aproximadamente 8,5 segundos.

Devido ao facto de o período de arrefecimento de uma estrela de neutrões sermuito grande era portanto muito inesperado poder observar o espectro de raios-x variar em apenas um par de anos. É muito pouco provável que a temperatura global da estrela de neutrões variasse tão rápidamente. Na realidade, foram observadas diferentes áreas da superfície da estrela em momentos diferentes. Isto também é observado durante o período de rotação da estrela quando os pontos quentes se movem entrando e saindo da nossa linha de visão, fazendo com que a sua contribuição para a emissão total da estrela varie.

Durante as primeiras observações realizadas pelo XMM à estrela RX J0720.4-3125, em Maio de 2000, a temperatura observada encontrava-se num mínimo, e um ponto quente mais frio era predominantemente visivel. Ao fim de 4 anos, a precessão da estrela trouxe para o noso campo de visão um segundo ponto quente, com uma temperatura mais elevada que o primeiro, o que fez com que a temperatura observada aumentasse. Isto provavelmnete explica as variações de temperatura e de emissão observadas.

A equipa desenvolveu um modelo que explica muitas das características peculiares da RX J0720.4-3125. Neste modelo, a variação de temperatura é produzida pelas diferentes fracções de dois "pontos quentes" nos pólos da estrela, que entram no nosso campo de visão à medida que a estrela precessa, com um período de cerca de 7-8 anos. Para este modelo funcionar, as duas regiões polares emissoras têm de possuir temperaturas e tamanhos diferentes.

Observações adicionais serão realizadas com o XMM-newton para monotorizar este objecto intrigante. Espera-se aprender mais acerca da evolução térmica e da geometria do campo magnético desta estrela em particular, e ainda acerca da estrutura interior das estrelas de neutrões em geral.

ASTRONOVAS