quarta-feira, outubro 31, 2007

Meteoritos – As rochas que caiem do céu


Os gregos terão sido o primeiro povo a olhar para as estrelas cadentes com olhos de ver. Antes deles o senso comum afirmava que as estrelas cadentes eram causadas, como o nome indica, pela queda de uma estrela. No entanto, os Gregos perceberam que, apesar de em certas noites centenas de estrelas cadentes cruzarem o céu, nenhuma das estrelas do céu conhecido parecia desaparecer. Deste modo consideraram que as estrelas cadentes não eram de facto estrelas e atribuíram-lhes o nome de meteoros, do termo grego que significa objectos no ar.

Hoje sabe-se que os meteoros são pequenas porções de matérias com dimensões da cabeça de um alfinete. O espaço em volta da Terra está cheio destas partículas. Quando uma destas se aproxima do Planeta comprime o ar à sua frente. Essa compressão faz aumentar a temperatura da partícula que em consequência se torna incandescente, desintegrando-se antes de atingir o solo.

Existem, no entanto, partículas de dimensões bastante superiores que viajem a através do espaço. Esses objectos são chamados meteoróides, e os fragmentos que atingem a superfície denominam-se meteoritos.

A maioria dos meteoritos cai no mar ou em áreas não populacionais, causando pouco impacto em termos culturais. Os impactos que deixam uma cratera na superfície ocorrem muito raramente, em média a cada 5000 anos. Os impactos realmente grandes, como aquele que se pensa ter ajudado na matança dos dinossáurios, acontece aproximadamente uma vez em cada 100 milhões de anos.

Os meteoritos que encontramos na Terra podem classificar-se em três tipos: rochosos (aerolitos), metálicos (siderito) ou metálico-rochosos (Siderólitos). Os meteoritos rochosos, por sua vez, aparecem em duas variedades: os condritos, que apresentam uns pequenos objectos esféricos chamados côndrulos, e os acondritos.

Condrito (http://www.meteoritemarket.com)




Cratera do Meteoro – Arizona. Com 1200 m de diâmetro e 200 m de profundidade, pensa-se que seja o resultado do impacto, há 50 000 anos de um meteorito com 30 a 50 m de diâmetro, que teria libertado uma energia da ordem de 6 a 10 megatoneladas de TNT. USGS.


Foto topo: O meteorito "Willamette", o maior já encontrado nos Estados Unidos da América, no estado do Oregon. É o sexto maior encontrado no mundo inteiro.

Foto de baixo: Meteoreo, Leonides (Crédito: Ferris Hall)

Bibliografia:

-Guia da Terra e do Espaço, Isaac Aimov, Campo das Ciências, Campo das Letras.

- The rough guide to the Universe, John Scalzi, Rough Guides.

- Wikipédia: Meteorite

Coisas da Matemática (II) – O número pi (π)


Há uns tempos escrevi sobre o π. Hoje apeteceu-me voltar a ele um bocadinho. Li sobre ele no livro que ando a ler, foi pesquisar um pouco à net e cá estou eu de volta do π outra vez.

O π é dos números mais enigmáticos que alguma vez foi descoberto. Os primeiros cálculos de π terão sido feitos na Babilónia, cerca de 1800 anos a.C., que consideravam que π tinha o valor de 3, o que naquela altura era uma boa aproximação.

Em 1700 a.C., os Egípcios perceberam que a razão entre o comprimento de uma circunferência e o seu diâmetro é o mesmo para qualquer circunferência, e que esse valor é nem mais nem menos π.

O π tem, como todos sabemos, um valor aproximado de 3,14. No entanto, ele é um número irracional, isto é, não pode ser expresso como a razão entre dois números inteiros naturais. Para além de irracional é também um número transcendente, o que formalmente quer dizer que não é raiz de nenhuma equação polinomial a coeficientes inteiros. Isto na prática quer dizer que é impossível exprimir π com um número finito de números inteiros, de fracções racionais ou suas raízes. Apenas podemos saber o valor aproximado do π, pois não conseguimos prever o seu valor à medida que formos considerando um número cada vez maior de casas decimais.

Actualmente conhecem-se mais de 50 mi milhões de casas decimais de π. Podemos perguntar: mas então não saber exactamente o valor de π não tem problemas práticos, como por exemplo na engenharia ou na física teórica? A resposta pode dar-se com um exemplo: é apenas necessário conhecer 39 casas decimais de π para calcular “o perímetro de um circulo que cerque o universo conhecido com um erro que não ultrapassa o raio de um átomo de hidrogénio”.


Bibliografia:

-O homem que só gostava de números, Paul Hoffman, Colecção Ciência Aberta, Gradiva nº105.

terça-feira, outubro 30, 2007

Coisas da Matemática (I) - Paul Erdős

Grande parte dos "posts" que aqui coloco são reflexo quase directo dos livros que tenho na cabeceira ou das notícias em que tropeço na net. Nos últimos tempos tenho andado cheio de trabalho não tenho podido passar muito tempo a ler notícias de ciência, coisa que gosto muito de fazer. Talvez por isso não tenha tido muita inspiração para escrever.

E então em relação aos livros que tenho na cabeceira? Tenho andado fascinado com um! Leio devagar para o saborear. O livro chama-se "O homem que só gostava de números", de Paul Hoffman, e trata da vida de um dos maiores matemáticos que o mundo já viu: Paul Erdős (ver foto).
Paul Erdős viveu entre 1913 e 1996, tendo nascido em Budapeste na Hungria. Colaborou com centenas de cientistas em todo o mundo e com a idade de 70 anos produzia uma média de 40 artigos científicos por ano. As suas grandes paixões eram, entre outras, a combinatória e a teoria dos números, e trabalhou a apaixonadamente na teoria do números primos (números naturais que apenas têm dois divisores: 1 e eles próprios). As incríveis capacidades matemáticas de Erdős revelaram-se cedo. Aos 3 anos conseguia calcular rapidamente quantos segundos os amigos da família tinham vivido.
Paul Erdős viajou pelo mundo com apenas duas malas na mão, onde cabiam todos os seus bens materiais. Tinha como objectivo descobrir o que estava escrito no Livro. Segundo ele, o SF (que queria dizer Supremo Fascista, o seu nickname para Deus), tinha um livro onde estavam escritas as leis do Universo e essas leis estavam escritas na linguagem da matemática.


Bibliografia:

O homem que só gostava de números, Paul Hoffman, Colecção Ciência Aberta, Gradiva nº105.

Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_ErdÅ‘s

quinta-feira, outubro 25, 2007

Notícias pela net..

The plate tectonics of alien worlds

Physicists capture image of elusive neutrinos

Oceans losing ability to absorb carbon

Meteorite case closed?

Ancient Cataclysm Rearranged Pacific Map, Study Says

Top Ten do Hubble


A National Geographic seleccionou um "top ten" de imagens do Telescópio Hubble (Ver Aqui). A maioria das imagens foram captadas pelo telescópio enquanto outras são foram concebidas por artistas utilizando os dados obtidos através do telescópio.


Crédito da Imagem: NASA, ESA, HEIC, and the Hubble Heritage Team (STSci/AURA)

terça-feira, outubro 16, 2007

Teorema do mapa de quatro cores


O teorema do mapa de quatro cores diz que não são necessárias mais de quatro cores para pintar qualquer mapa plano concebível, de países reais ou imaginário, de tal modo que dois países vizinhos não tenham a mesma cor.
A demonstração deste teorema é considerado um dos maiores feitos da matemática moderna. Este foi um dos primeiros grandes teoremas a ser provado usando um computador, no entanto esta prova não é ainda aceite por todos os matemáticos visto ninguém o ter conseguido demonstrar usando apenas papel e caneta.
Em meado do século XIX os matemáticos pensavam que este teorema era verdadeiro, tendo sido proposto como conjectura em 1852 por Francis Guthrie, que se apercebeu enquanto pintava o mapa dos condado de Inglaterra que apenas necessitava de quatro cores. Durante mais de 100 anos matemáticos de todo o mundo atacaram o problema com unhas e dentes tendo sempre falhado na sua demonstração.
No livro O Homem Que Só Gostava de Números, Paul Hoffman conta a história de um matemático, chamado E.F. Moore, que teve durante uns tempos como objectivo de vida encontrar um contra exemplo. Todos os dias chegava ao trabalho, na AT&M, com uma folha gigante de papel com mais de um metro quadrado onde tinha cuidadosamente desenhado um mapa com milhares de países. "Hoje vou conseguir", dizia ele pela manhã, "vou provar que são precisas 5 cores". Ao fim do dia saía desiludido. Mas na manhã seguinte lá estava ele com um lençol cheio de minúsculos e intrincados países imaginários.
Foi apenas em 1976 que a conjectura foi finalmente demonstrada por Kenneth Appel e Wolfgang Haken na Universidade de Illinois. Quando isto aconteceu reza a história que muitos professores de matemática terão interrompido as sua aulas para abrir uma garrafa de champanhe. No entanto muitos matemáticos não ficaram contentes, pois a descoberta tinha sido feita usando 3 supercomputadores durante mais de 1000 horas. Na realidade Appel e Haken demonstraram que todos os mapas possíveis eram variações de 1500 tipos fundamentais, e os computadores conseguiram pintá-los a todos com um máximo de quatro cores. Há quem acredite ainda que este teorema pode ser demonstrado com papel, lápis e umas poucas folhas.


Bibliografia:
- O Homem Que Só Gostava de Números, Ciência Aberta, Nº105, Gradiva.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Prémio Nobel da Paz 2007: Al Gore e IPCC

O Prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído ao ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU (IPCC).



O prémio foi atribuído a Al Gore e ao Painel das Nações Unidas pelo "esforço conjunto na criação e disseminação de um maior conhecimento acerca da influência humana nas mudanças climáticas, e pelo lançamento das bases necessárias para inverter essas mudanças", declarou o presidente do Comité Nobel norueguês, Ole Danbolt Mjoes.
Notícia via Público

quarta-feira, outubro 10, 2007

A Terra de Noite!

Clicar para ampliar.

Fonte: Nasa. Daqui.

Ó p'ra ela, que bonita!

Clicar sobre a imagem para ver em grande.

NASA images by Reto Stöckli, based on data.
Retirado daqui

segunda-feira, outubro 08, 2007

Ciclo de Palestras de Geologia

“DO GRÃO AO PLANETA”
Ciclo de conferências para o grande público a realizar durante 2007 e 2008 na Galeria Matos Ferreira, no Bairro Alto, Lisboa.
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Próximas:
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Jorge Figueiras-A Terra tem irmãos? (11/10)
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Fernando Barriga-As Fronteiras da Geologia na Terra, no Mar e no Espaço (18/10)
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João Cabral-O Terramoto de Lisboa de 1755 (25/10)
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Filipe Rosas / Pedro Terrinha-Explorando o fundo dos oceanos: Geologia Marinha no Golfo de Cádis e o Sismo de 1755 (08/11)
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Ver o programa completo aqui

sexta-feira, outubro 05, 2007

Doenças da vontade (científica)




Peço desde já desculpa pela fraca qualidade da traduçao livre abaixo apresentada. Faltas de acentuaçao sao devidas ao teclado castelhano.


"(...)Estes ilustres fracassados agrupam-se nas seguintes classes principais: diletantes ou contempladores, eruditos ou bibliófilos, organófilos, megalófilos, descentrados e teorizantes.

Contempladores. - Variedade mórbida muito frequente entre astrónomos, naturalistas, químicos, biólogos e físicos, reconhece-se nos seguintes sintomas: amor à contemplaçao da Natureza, mas apenas nas suas manifestaçoes estéticas: os espectáculos sublimes, as belas formas, as cores esplêndidas e as estruturas elegantes.


(...) Bibliófilos e poliglotas. -Da mesma forma que o micrógrafo se entretém com a diatomácea, ou o zoólogo com as conchas, o bibliófilo deleita-se com a leitura do livro ou monografia novíssimos, que só ele recebe e de que o nosso erudito se serve maravilhosamente para assombrar os seus amigos.


(...) Os megalófilos. - Caracteriza-se esta variedade através de atributos nobres e simpáticos. Estudam muito, mas amam igualmente o trabalho pessoal; possuem o culto da acçao e dominam os métodos inquisitivos, (...) e, no entanto, (...) como se confiassem no milagre, desejam estrear-se com um feito prodigioso.


(...) Organófilos. - Variedade pouco importante de infecundos, reconhecendo-se de seguida por uma espécie de culto fetichista em relaçao aos instrumentos de observaçao.


(...) Os descentrados. - Se o professorado nao fosse entre nós mera escumalha da política, ou o decoroso escaparate da clientela profissional; se aos nossos candidatos a cátedras lhes fosse exigido, em concurso ou exame, provas objectivas de aptidoes e vocaçao, em vez de provas puramente subjectivas e, de certo modo, proféticas, abundariam menos esses casos de actividade oficial entre a funçao retribuída e a actividade livre. (...) Quem nao recorda (...) professores de medicina cultivando a literatura ou a arqueologia, (...) engenheiros escrevendo melodramas, patólogos dedicados à moral (...)?

(...) Os teorizantes. - Há cabeças cultíssimas e superiormente dotadas cuja vontade padece de uma forma especial de perguiça, tanto mais grave que nem os aos próprios lhes parece que tal comportamento lhes possa ser imputado. Eis os seus sintomas culminantes: talento de exposiçao, imaginaçao criadora e inquieta, desvio do laboratório e antipatia em relaçao à ciência concreta e aos feitos pequenos. Pretendem ver em grande e vivem nas nuvens. (...) Em presença de um problema difícil sentem a irresistível tentaçao de nao interrogar a Natureza, mas de formular uma teoria."




Santiago Ramón y Cajal (1832 -1934). Reglas y Consejos sobre Investigación Científica (1898).


(Prémio Nobel da Medicina em 1908, descobriu que o sistema nervoso é composto por bilioes de neurónios, assim como a existência, funçao e mecanismo das sinapses nervosas. Manteve acesa polémica com Camillo Golgi, com o qual partilhou o Nobel.)

quinta-feira, outubro 04, 2007

O que causa um Tsunami?

Um Tsunami é uma onda causada pelo movimento repentino do fundo do mar. Este movimento pode ser desencadeado por diferentes fenómenos: sismos, erupções vulcânicas ou deslizamentos de terras submarinos. Podem ainda ser gerados em consequência de impactos de meteoritos. Os Tsunamis propagam-se ao longo da superfície dos oceanos a grandes velocidades e quando atingem a linha de costa os seus efeitos podem ser devastadores.
A grande maioria dos Tsunamis formam-se em consequência de sismos gerados em zonas de subducção. As zonas de subducção são locais onde um fragmento de crusta terrestre, normalmente oceânica, mergulha sob outra (continental ou oceânica) afundando-se no manto. Neste local as forças de fricção são enormes. Imaginem uma fracção de rocha com mais de 20 km de espessura a mergulhar sobre outro com mais de 50 km, podendo atingir várias centenas de quilómetros de extensão e afundando a mais de 700 km de profundidade no manto.
Devido à fricção e devido ao facto de as placas se movimentarem lentamente durante a maior parte do tempo, a zona de subducção encontra-se normalmente bloqueada (stuck).


Deste modo a energia vai-se acumulando e as placas vão-se deformando lentamente, mas sem que ocorra movimento relativo ao longo do plano de subducção.



Quando a energia acumulada excede a força de fricção existente entre as duas placas dá-se o movimento repentino relativo entre elas ao longo do plano de subducção, libertando as enormes quantidade de energia. A energia potencial é "transformada" em energia cinética (movimento). Quando isto acontece o fundo do mar pode movimentar-se bruscamente, movimento este que é transferido à coluna de água suprajacente, gerando o Tsunami.



A onda assim formada propaga-se ao longo da superfície do mar, podendo ser amplificanda quando atinge as zonas costeiras. Nestas zonas podem-se formar-se ondas com várias dezena de metros causando a destruição quase total das áreas onde se dá o impacto da massa de água.


Fonte: Geology.com

Esquemas: USGS

terça-feira, outubro 02, 2007

As mais poderosas erupções do Século XX


Ver mais aqui
Imagem: USGS

Aterações Climáticas em Portugal


Está disponível online um estudo pormenorizado acerca das alterações climáticas em Portugal Continental do projecto SIAM (Climate Change in Portugal. Scenarios, Impacts and Adaptation Measures), dirigido pelo Professor Dr. Filipe Duarte Santos.


domingo, setembro 30, 2007

Notícias pela net

Mixing the oceans proposed to reduce global warming

Mysterious Energy Burst Stuns Astronomers

Magellanic Clouds Are First-Time Visitors

This quantum stuff just doesn't add up

Birds may 'see' magnetic north

Amnistia Internacional

"A Amnistia Internacional nasceu em 28 de Maio de 1961.A sua criação teve origem numa notícia publicada no jornal inglês "The Observer" em que era referida a prisão de dois estudantes portugueses por terem gritado «Viva a Liberdade!» na via pública. O advogado britânico Peter Benenson lançou então um apelo no sentido de se organizar uma ajuda prática às pessoas presas devido às suas convicções políticas ou religiosas, ou em virtude de preconceitos raciais ou linguísticos.
A Amnistia Internacional forma uma comunidade global de defensores dos Direitos Humanos, regidos pelos princípios de solidariedade internacional, acção efectiva no caso das vítimas individuais, cobertura global, a universalidade e indivisibilidade dos Direitos Humanos, imparcialidade e independência e democracia e respeito mútuo."
Ler mais aqui

Petição pela Birmânia (Myanmar)

Assinar aqui
"Pode optar por escrever a sua própria carta ou usar o modelo que aqui anexamos (a carta modelo é dirigida ao General Than Shwe - chefe da Junta Militar) As moradas para envio dos apelos estão na Acção Urgente - escolha um dos destinatários, ou se poder envie o mesmo texto para todos, e envie por correio ou fax os seus apelos.
Manifestações pacíficas têm vindo a crescer em tamanho e número devido ao constante aumento do preço do combustível. Protestos comandados por budistas têm apelado à redução dos preços das matérias-primas, à libertação dos prisioneiros políticos e à reconciliação nacional. Relatórios revelam uma tensão crescente no país, ao mesmo tempo que o governo se dirige à população alertando-a para acções legais contra os protestos. Verifica-se, da mesma forma, a existência de vários postos militares e de tropas de elite vindas da capital Naypyitaw, em Yagon.

A violação dos direitos humanos em Myanmar é vasta e constante. Podemos identificar:
· Leis que criminalizam o direito e liberdade de expressão política. No final de 2006, grande parte dos jovens opositores ao regime foram presos ou administrativamente detidos, e mais de 1160 prisioneiros políticos foram mantidos em prisões de más condições;
· As pessoas são frequentemente detidas sem aviso e isoladas, não tendo direito a qualquer tipo de contacto com o exterior;
· A tortura e outros tipos cruéis e desumanos de maus-tratos são comuns especialmente durante o período pré-detenção e durante os interrogatórios;
· Procedimentos judiciais contra prisioneiros políticos estão longe de garantir os padrões internacionais de justiça;
· É frequentemente negado aos acusados o direito à defesa e são conseguidas confissões dos advogados de acusação através de actos de tortura." (Amnistia Internacional)

Mais informações no site da Amnistia Internacional

quarta-feira, setembro 26, 2007

Canais em Marte


Esta imagem mostra um conjunto de canais localizados na vertente de uma cratera situada nas terras altas do hemisfério sul de Marte. Foi tirada pela pela câmara High Resolution Imaging Science Experiment (HiRISE) a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter.

Estes canais apresentam um padrão morfológico típico da acção erosiva da água.

Para ler mais, por exemplo aqui

Crédito: NASA/JPL/University of Arizona

quarta-feira, setembro 19, 2007

Ciência na Rua em Estremoz - 29 e 30 de Setembro

(clique para aumentar)

Mais uma iniciativa do Centro de Ciência Viva de Estremoz.
Mais informações aqui e o programa detalhado aqui.

terça-feira, setembro 18, 2007

Caldeiras

Lagoa da caldeira do Fogo, São Miguel, Açores.

Uma caldeira é uma depressão de forma mais ou menos circular de origem vulcânica limitada geralmente por paredes muito inclinadas, formada na sequência do colapso ou subsidância parcial do edifício vulcânico após os esvaziamento parcial da câmara magmática que o alimenta, geralmente ocorrido durante uma grande erupção.
Esse esvaziamento vai tornar o edifício vulcânico graviticamente instável e promover a formação de uma falha em anel por cima da câmara magmática, em cujo o interior se vai dar o colapso. Essa falha pode continuar a condicionar a actividade vulcânica pós colapso, controlando os locais onde ocorre nova actividade e manifestações de vulcanismo secundário (fumarolas, etc).
Nos Açores podem observar-se várias caldeiras, de diferentes idades e em diferentes estádios de evolução. As de São Miguel, mais antigas, encontram-se mais erodidas, preenchidas com lagos e com abundantes testemunhos de actividade posterior (pequenos cones e por vezes até fumarolas, como nas Furnas), enquanto que a do Faial, mais recente, não possui ainda lago e tem as paredes ainda muito inclinadas.
Para mais informação sobre a geologia dos Açores e em especial do Faial, recomenda-se o blog do Geocrusoe.


Lagoa da Caldeira das Furnas, São Miguel, Açores.


Caldeira das Sete Cidades, São Miguel, Açores.

Caldeira Velha, Faial, Açores.

Esquema simplificado de um dos mecanismos para a formação de uma caldeira.

Cursos do MIT online


Encontrei há uns dias uma mina de ouro do conhecimento. O MIT (Massachusetts Institute of Technology), uma das melhores escolas e centros de investigação do mundo, disponibiliza online material de estudo de praticamente todos os cursos das mais diversas áreas do conhecimento.
O link está aqui
O MIT é um centro universitário de educação e pesquisa localizado em Cambridge, Massachusetts, nos EUA. O MIT é um dos líderes mundiais em ciência e tecnologia, bem como noutros campos, como administração, economia, linguística, ciência política e filosofia.
Entre os professores e ex-alunos do MIT estão incluídos vários políticos, executivos, escritores, astronautas, cientistas e inventores proeminentes. Até 2006, sessenta e um membros ou ex-membros da comunidade do MIT receberam o Prémio Nobel.
Para quem gosta de estudar aqui está um pequeno paraiso! E já agoro este é uma bom exemplo a seguir pelas instituições portuguesas.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Saturno e companhia..

A Nasa não pára de me surpreender. Aqui estão mais uma magníficas imagens de outros mundos. Foram obtidas pela Cassini.

Saturno, Titan (esquerda) e Enceladus



Saturno, Titan e Dione (direita)



Saturno, Titan (esquerda) e Dione



Saturno e Dione (em cima)

Credito: NASA/JPL/Space Science Institute
Fonte: Nasa

Adivinhem quem voltou


O confronto Evolução versus Criacionismo vai conhecer mais um round, desta vez tendo lugar na Culturgest de 8 a 12 de Outubro. Fica o programa e os links.

Segunda 8
História das relações entre criacionismo e evolucionismo
por Teresa Avelar (Universidade Lusófona)

Terça 9
Muitos criacionismos e a efervescência actual do Criacionismo Científico
por Gonçalo Jesus e Augusta Gaspar (Universidade Lusófona)

Quarta 10
Alguns Erros do Criacionismo Científico Explicados e Corrigidos
por Frederico Almada (Universidade Lusófona) e Octávio Mateus (Museu da Lourinhã)

Quinta 11
O que nos ensinaram duas décadas de evolução experimental em Drosophila?
por Margarida Matos (Universidade de Lisboa)

Sexta 12
Uma história evolutiva da Ética humana
por Augusta Gaspar (Universidade Lusófona)


Mais informações aqui.
Via Viridarium.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Porque pode ser tarde


A espécie humana tem-se mostrado nos últimos anos bastante eficaz na procura e acumulação de conhecimento. Basta entrar numa qualquer biblioteca universitária para nos apercebemos que temos matéria para estudar suficiente para nos ocupar por 20 ou 30 vidas. Por exemplo avanços na Física do final do século XIX e início do século XX realizados por Maxwell, Einstein, Bohr e companhia mudaram a nossa forma de “ver” e compreender o mundo, apesar de muita gente ainda não ter dado por isso. Mas esse é o preço a pagar. A transmissão deste conhecimento adquirido só se consegue com bons sistemas de ensino, que praticamente não existem. É certo que tem havido melhorias, mas não chega.

Em oposição à capacidade de adquirir conhecimento, o homem tem-se mostrado muito pouco eficaz na utilização do mesmo, especialmente quando não é do interesse dos grandes grupos empresariais ou porque não interessa a determinados grupos políticos. Os cientistas não têm conseguido passar a mensagem, com culpas de todos os lados. Tem melhorado mas também não chega.

Um exemplo desta falta de eficácia tem sido a forma como o Aquecimento Global tem sido tratado. Apesar de o assunto andar a ser debatido à já alguns anos, só recentemente passou a ser moda. Mas o facto de ser moda tem um problema. As modas passam. E na realidade pouco mais tem sido feito do que algumas reuniões a delinear objectivos baseados em muitos estudos, grande parte deles manipulados pelos ditos grupos para quem Aquecimento Global não é sinónimo de dinheiro ou de mais uns votos.

São precisos mais estudos para compreender melhor qual é de facto a situação do Planeta e da forma como este vai “reagir”. No entanto aqui mais do que em qualquer outro assunto deve ser aplicado o Principio da Precaução, que diz mais ou menos isto: “Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental”.

Li ontem numa notícia do Público que o Árctico pode ficar sem gelo já em 2030. Não é daqui a mil anos, nem é daqui a 100 anos, é daqui a pouco mais de 20. As consequências podem ser brutais. A corrente do Golfo irá ser destabilizada e isso poderá ter consequências nefastas globais.

O problema é que esta notícia deixou de ser notícia. O assunto já não é novo e praticamente todos os meses a notícia repete-se nos jornais porque mais um grupo de cientistas veio defender esta previsão.

É portanto imperativo que se tomem medidas urgentes, aplicando o Principio da Precaução. E podem ter a certeza que não é poupando um bocadinho de electricidade em casa que vamos resolver o problema. As medidas têm de ser tomadas conjuntamente a nível global por quem tem o poder e cabe a nós pressionar essas pessoas ou instituições. Temos de exigir aos nossos políticos medidas claras e efectivas e não o blá blá blá do costume.

Já temos o conhecimento necessário para detectar problemas deste tipo e resolve-los. A inércia é enorme, mas à que agir.

O Planeta, esse, irá adaptar-se, mesmo que as consequências sejam negativas para a nossa espécie e para as milhares de espécies que gentilmente temos vindo a extinguir.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Porque é que o céu é azul?


Esta é uma pergunta que provavelmente já todos fizemos, nem que tenha sido a nós próprios. Porque é que de noite não vemos um céu azul, pelo contrário este parece ser transparente permitindo nas noites de céu limpo uma magnífica visão duma parte da Via Láctea?


A resposta é hoje simples, em grande medida devido aos avanços da física dos séculos XIX e XX. Antes disso deve ter sido um enorme mistério!

A primeira pessoa a tentar dar uma resposta coerente e bem fundamentada foi o físico britânico John Tyndall, em meados do século XIX. Este defendeu que a cor azul do céu podia ser causada pelo modo como pequenas partículas de pó ou gotículas de água podiam reflectir a luz azul da luz branca do Sol, que por ter comprimentos de onda curtos dispersava-se em todas as direcções do céu enquanto que a luz laranja e vermelha, que tem comprimentos de onda maior, podia atravessar o céu sendo relativamente pouco afectada.

Outros cientistas posteriormente compreenderam que a dispersão tem de ser feita pelas próprias moléculas do ar, mas é preciso lembrar que no tempo de Tyndall os cientistas ainda nem sabiam se as moléculas realmente existiam.

Foi só em 1910 que Einstein publicou um artigo onde apresentava os cálculos que provavam que a cor azul do céu é produzida pela luz dispersa pelas moléculas do próprio ar (oxigénio e azoto).



O espectro visível


A luz branca do Sol é na realidade uma mistura de todas as cores do arco-íris. Este facto foi demonstrado por Isaac Newton, que usou um prisma de vidro para separar as diferentes cores que formam o conhecido espectro de luz visível. As diferentes cores de luz são caracterizados pelo seu comprimento de onda. A parte visível do espectro estende-se desde o vermelho, com um comprimento de onda de cerca de 720 nm (nanómetros) até ao violeta, com cerca de 380 nm, com o laranja, amarelo, verde, azul e ingido pelo meio.


Um pequeno paradoxo?

Então se as moléculas presentes no ar dispersam mais a luz com comprimentos de onda mais curtos, porque é que o céu não é violeta em vês de azul?
A resposta tem duas partes. A primeira é que grande parte da luz violeta é absorvida na alta atmosfera, pelo que nos chega muito pouca luz neste comprimento de onda. A segunda parte da resolução deste aparente paradoxo está na forma como os nossos olhos trabalham. A retina localizada nos nossos olhos tem três tipos de receptores, denominados de vermelho, azul e verde. Estes são mais sensíveis à luz correspondente a estes comprimentos de onda. Deste modo os nossos olhos quase não conseguem detectar a luz violenta e como resultado vemos o céu azul.


E então o pôr-do-sol?

Quando vemos o pôr-do-sol os raios de luz estão quase "paralelos" à atmosfera, atravessando-a ao longo de uma distância maior. Deste modo quando a luz chega aos nossos olhos praticamente todo o azul já foi disperso, restando o amarelo, laranja e vermelho. O pôr-do-sol é tipicamente amarelo, sendo que quando o ar está poluído este nos parece mais avermelhado. A bonita cor laranja, característica do por-do-sol sobre o mar, tem em grande parte a ver com a dispersão causada pelas de partículas sal.


Bibliografia:
Einstein. John Gribbin e Michael White 2004. Publicações Europa-América.
Wikipédia