terça-feira, julho 31, 2007
segunda-feira, julho 30, 2007
Pedro Russo

O cientista português tem vindo a desenvolver o seu trabalho na Alemanha utilizando dados da missão espacial Vénus Express, uma missão da Agência Espacial Europeia, que está a estudar em detalhe a atmosfera daquele planeta.
Pedro Russo tem 29 anos e é natural de Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda). Licenciou-se em Astrofísica, é Mestre em Geofísica e actualmente encontra-se a fazer o seu doutoramento.
Segundo as suas palavras: "Falar sobre ciência é tão importante como fazer ciência". Um exemplo a seguir.
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João Moedas Duarte
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Notícias
quinta-feira, julho 26, 2007
Um dia com um GPS
As minhas coisas, o GPS e a antena.
Estes pontos estavam situados em ambos os lados do Vale do Tejo, uma zona de fractura crustal (com falhas geológicas) que se pensa poder gerar sismos. Este projecto começou no início dos anos 90 e desde então têm sido realizadas diversas destas campanhas. O objectivo é medir a direcção e quantidade de movimento que estes pontos têm sofrido ao longo dos últimos anos, por outras palavras medir a sua cinemática. Medindo a sua posição através de GPS ao longo de vários anos podemos assim obter esta medida.
A minha missão, assim como a dos meus colegas, era a de certificar-nos que os GPS’s ficavam ligados durante as 7 horas necessárias para que os dados pudessem ser de confiança. Verificar os cabos, evitar que estes se desligassem, ver se estávamos ligados a mais de 3 satélites e principalmente verificar as baterias, que no meu caso eram fortemente temperamentais.
Bem, acontece que cada um de nós estava sozinho. Eu estava no cimo de um monte, que por ter ardido não tinha arvores, num dia de extremo calor e muito muito vento, o que se tornou problemático. Precisava de um chapéu-de-sol para não assar como uma sardinha, mas o vento tornou a tarefa de posicionar o chapéu extremamente difícil, que voou mais de uma vez, uma delas monte abaixo. E lá fui eu atrás dele que nem um doido. Acabei por passar a tarde com uma mão no cabo do chapéu a tentar mantê-lo o mais estável possível.
Para além de olhar para o ecrã do GPS não havia muita coisa para fazer, mas ia prevenido com uma bateria de livros, mas acabei por passar o dia agarrado ao “Tecido do Cosmos”, com uma mão apenas, pois a outra ia agarrando o chapeu assim que ouvia as árvores no fundo do vale a mexer.
Uma coisa muito boa era a vista. Do local onde estava (num monte por cima da Azambuja) via Lisboa, o Vale do Tejo, A Serra de Montejunto e o início da Serra D’Aire e Candeeiros. Naquela área havia também uma fauna avícola fabulosa, pelo que passei largos minutos a ver aves de rapina. Os insectos eram também extremamente abundantes, sendo que uma bateria de aranhas se apropriou do meu chapéu-de-sol alguns instantes após o ter colocado.
Não posso por isso deixar de aconselhar vivamente os leitores deste blog, amantes da natureza (e é este o objectivo deste post), a visitar este local e a observar a sua magnífica fauna e flora. Vale a pena levar uns binóculos, algo de que não me lembrei. Outra excelente opção é fazer o percurso Vale do Tejo – Serra de Montejunto e desfrutar do contraste Oeste/Lezíria.


Leziria e Rio Tejo

Ave de Rapina
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João Moedas Duarte
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Histórias
quarta-feira, julho 25, 2007
Lua Iapetus
A Lua de Saturno Iapetus terá permanecido congelada desde os tempos em que o sistema solar era ainda um jovem. Esta corpo terá retido as caracteristicas que apresentava quando tinha apenas algumas centenas de milhões de anos. É curiosa a cadeia montanhosa localizada exactamente sobre a o equador.
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João Moedas Duarte
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Geologia Planetária
segunda-feira, julho 23, 2007
Sombra



Imagens da sobra da Lua durante vários eclispes solares, registadas a partir de satélites e estações espaciais
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Rui M
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eclipses
Maravilhas Naturais do Mundo

Grande Barreira de Coral (ver)

Baía de Guanabara (ver)


Aurora Boreal (ver)

Vulcão Paricutín (ver)

Cataratas Vitória (ver)

Floresta Amazónia (ver)

Não existe consenso. Ficam aqui no entanto 8 hipóteses. Muitas mais coisas caberiam neste espaço. Talvez a maior maravilha natural seja mesmo o nosso Planeta Terra.
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João Moedas Duarte
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Divulgação
sexta-feira, julho 20, 2007
Sempre gostei muito desta imagem..
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João Moedas Duarte
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Grand Canyon
Fonte WikipédiaImagens daqui e daqui
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João Moedas Duarte
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Geologia
quinta-feira, julho 19, 2007
"O Universo Elegante" em Filme

"Por vezes diz-se que o acto de explorar não é tanto o de procurar novas paisagens, mas o de ver com novos olhos"
O Universo Elegante, de Brian Greene foi sem duvida um dos melhores livros que já li. Ao nível da Breve História do Tempo de Hawking, este livro oferece-nos uma nova visão da física e do Universo (ou Multiverso). O ponto de vista é a Teoria das Cordas. As imagens mentais que criamos ao ler este livro são fabulosas. Agora é possível ver o filme aqui. Não dá para fazer o download, mas pode-se ver online no site da NOVA (pode-se encontrar por lá mais filmes e documentários sobre ciência).
Para quem estiver interessado em rever conceitos básicos de física ao mesmo tempo que viaja por 11 dimensões e atravessa universos paralelos não deve perder este filme.
Imagem de topo daqui
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João Moedas Duarte
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quarta-feira, julho 18, 2007
Geologia na ponta dos dedos
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João Moedas Duarte
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Buracos Negros mesmo por cima das nossas cabeças
Apesar de nunca ninguém ter visto um buraco negro os cientistas acreditam que estes podem ser detectado de forma indirecta. Inclusivamente um grupo de cientistas conjecturou que versões muito pequenas e leves destes objectos exóticos podem estar neste preciso momento a formar-se sobre as nossas cabeças, como resultado da colisão entre partículas ultra-energéticas denominadas de raios cósmicos e as moléculas que constituem a nossa atmosfera. Estes pequenos buracos negros rapidamente decairiam e formariam uma chuva de partículas atómicas inofensivas sobre o nosso planeta. De facto existem actualmente cerca de 1600 aparelhos instalados na superfície do planeta com o objectivo de detectar as partículas resultantes da formação e desintegração deste buracos negros (ver figura em baixo).

Ver artigo: The Black Hole Next Door
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João Moedas Duarte
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Buracos Negros
terça-feira, julho 17, 2007
Água, água por todo o lado - no planeta HD 189733b

Ver notícia completa no site da ESA aqui (Crédito da Imagem: ESA)
A descoberta foi publicada a 12 de Julho de 2007 na Nature: ‘Water vapour in the atmosphere of a transiting extrasolar planet’, G. Tinetti, A. Vidal-Madjar, M-C. Liang, J-P. Beaulieu, Y.L. Yung, S. Carey, R. Barber, J. Tennyson, I. Ribas, N. Allard, G. Ballester, D.K. Sing, F. Selsis.
Ao que parece esta descoberta foi feita por uma bolseira!! (vejam o post do Klepsýdra aqui)
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João Moedas Duarte
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Livros que ando a ler
Não tenho por hábito ler um livro de enfiada, excepto quando estou em viagem. Geralmente leio muitos ao mesmo tempo. A minha mesa-de-cabeceira está coberta por uma pilha deles. Pego num ou noutro consoante o meu estado de espírito.
Tecido do CosmosBrian Greene
Gradiva, Ciência Aberta, 2006
O meu preferido! Gosto tanto dele que leio muito devagar com medo de o acabar.
É um livro sobre o espaço e o tempo. Será o espaço uma entidade? Porque é que o tempo tem um sentido? Poderia o universo existir sem espaço nem tempo? Poderemos viajar até ao passado?
Partindo de ideias antigas de Galileu, Newton e Einstein (entre muitos outros), Brian Greene leva-nos até às fronteiras da Ciência. De uma perspectiva da física teórica transporta-nos numa viagem desde do Big Bang até a um Multiverso de onze dimensões. Descreve de forma brilhante e acessível a teoria da relatividade e a mecânica quântica, apresentando as novas ideias da teoria das supercordas.
A Agonia da TerraGradiva, Ciência Aberta, 2006
É um livro sobre aquecimento global, depauperamento dos recursos naturais, poluição dos solos e das águas, desigualdade na distribuição da riqueza, mal-nutrição dos homens, taxa elevadíssima de extinção de espécies, etc. Nos dias que correm é um livro a não perder. Muito bem fundamentado em termos científicos resume muito bem quais os problemas que a Humanidade e o Planeta enfrentam. Pensar globalmente, agir localmente é imperativo.
O AcasoGradiva, Ciência Aberta, 2007
Um livro que explica o acaso. Que explica muito bem o que são as probabilidades. Que mostra porquê é que coisas improváveis acontecem.
Conceitos Fundamentais da MatemáticaGradiva, Ciência Aberta, 1998
Recentemente decidi estudar física moderna de forma metódica. Trabalhando em geologia cedo percebi que não iria ser fácil. Quando comecei apercebi-me que precisava de rever alguns conceitos básicos de física, mas principalmente tinha de dominar a matemática. Os textos de divulgação científica não são ferramentas de estudo por si, mas são excelentes complementos. Mesmo quando não tenho paciência ou tempo para estudar, ao ler estes livros delicio-me com a informação que ele contem e vou aprendendo alguma coisa. É juntar o útil ao agradável.
Guia da Terra do EspaçoIsaac Asimov
Campo das Letras, Campo das Ciências, 1995
Pronto, vou parar por aqui, já estão cinco. Tenho por lá mais uns livros que ando a ler, mas podem ficar para um próximo post. E quem sabe um dia escreva sobre os melhores que já li.
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João Moedas Duarte
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11:23
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segunda-feira, julho 16, 2007
O Prof. Sentieiro e os bolseiros
Abaixo são reproduzidas as declarações recentes do Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) sobre aqueles cujo organismo a que preside tutela, os bolseiros, conjuntamente com a resposta da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC).
Para além de dar a ideia que o Prof. não sabe muito bem o que é um bolseiro (ver a terceira declaração) há umas frases que dão a ideia de que o senhor também terá uma costela de comediante (a primeira e a última declaração).
DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE DA FCT
O Presidente da FCT, durante a apresentação do Consórcio InBio, a dia 15 de Junho, em Vairão, respondeu a questões colocadas pelos bolseiros presentes no evento e que são elucidativas das suas posições. (As citações apresentadas aqui são parafraseamentos mas que pensamos preservar o sentido original.)
«Os bolseiros são privilegiados pois fazem aquilo de que gostam e ainda são pagos para isso.»
Certamente que o Prof. Sentieiro não pretende sugerir que só os que trabalham naquilo que não gostam sejam pagos por isso. Os investigadores e técnicos recebem uma bolsa fruto do seu trabalho e estudo, cujo mérito foi avaliado e reconhecido por um painel de avaliação. Recebem pela realização do seu trabalho e contribuição para a produção científica um subsídio. Jovens investigadores e técnicos encontram na bolsa a única forma de prosseguir uma carreira
«A nova proposta do estatuto de bolseiro da ABIC quer transformar os bolseiros em funcionários públicos.»
Esta é uma descaracterização da proposta da ABIC. A ABIC não apela à transferência dos bolseiros para os quadros da função pública. A PAEBI reclama a substituição das bolsas por contratos de trabalho.
Estes poderão ser contratos a termo, semelhantes aos actualmente financiados pela FCT através de contratos-programa no âmbito do «Concurso Público para a Contratação de 1000 investigadores doutorados». Estes contratos não implicam a entrada nos quadros das instituições de acolhimento. A PAEBI recomenda que os “contratos devem ser equiparados ao regime de Carreira de Investigação Científica ou ao regime geral das carreiras da Administração Pública”, para que esses investigadores, embora não pertencendo às carreiras, possam ir rentabilizando a sua experiência de trabalho em termos de remuneração – o que contrasta com a situação caricata de um ex-bolseiro de pós-doutoramento, que aceitando uma bolsa de projecto para prosseguir o seu trabalho, veja a sua remuneração mensal reduzida em cerca de 700€.
«Se um bolseiro é considerado um trabalhador igual aos outros então um estudante de engenharia também devia ser pago para estudar engenharia.»
Esta afirmação revela a confusão reinante sobre como distinguir um estudante de um profissional de ciência (investigador, técnico, gestor de ciência). A PAEBI segue neste respeito a Carta Europeia do Investigador, que define que o reconhecimento como profissional deve “começar no início da sua carreira, nomeadamente a nível pós graduado, e incluir todos os níveis”. Isto é, nos termos pré-Bolonha, um licenciado é considerado um profissional. Existe sempre alguma componente de formação no trabalho realizado por um bolseiro, mas essa componente é inerente à actividade científica e coloca-se a qualquer nível. Sem prejuízo dessa componente, a actividade dos bolseiros é fundamentalmente a de realização de trabalho científico e de produção científica, equivalente à dos investigadores e técnicos de carreira. Esta distinção é clara para a grande maioria dos actuais bolseiros, como sejam os bolseiros de pós-doutoramento e de projecto. Vejam como a maior parte dos anúncios de bolsas de investigação incluem nos requerimentos do candidato experiência na actividade que irão realizar enquanto bolseiro. Claramente a bolsa não se destina a formar um “estudante” na área de trabalho, mas para recrutar um profissional já com alguma experiência. A distinção poderá ser menos clara no caso de um doutorando, o actual 3º ciclo de ensino superior. O doutorando, muitas vezes referido como “estudante de doutoramento” tem de se inscrever na instituição de acolhimento, pagar propinas, e irá obter um grau académico. Tornam-se frequentes os programas de doutoramento que incluem um período de frequência de cadeiras e seminários. A PAEBI faz a este respeito uma distinção, considerando que durante este período mais curricular, sendo predominante a componente de formação, deve ser atribuída uma bolsa. Numa fase mais avançada do doutoramento, durante a qual é predominante a realização de trabalho científico, deve ser atribuído um contrato de trabalho. Este sistema misto existe, por exemplo, na Espanha, Grécia e Suécia. Noutros países da União Europeia, como a Alemanha, Áustria, Dinamarca, Holanda e Noruega os doutorandos assinam um contrato de trabalho durante todo o periodo de doutoramento. A exigência da generalização de contratos de trabalho tem em conta a realidade de grande parte dos actuais bolseiros e o justo reconhecimento do pós-graduado como profissional.
«Concordo que as pessoas tenham bolsas de pós-doc de 3 anos a seguir ao doutoramento, mas não devem ter bolsas para toda a vida.»
Neste ponto há convergência. A questão que se coloca é a de alternativas às bolsas. São conhecidos muitos casos de investigadores e técnicos que são bolseiros há 8-10 anos, alguns com mais de 12 anos. Mas a realidade é que a bolsa é muitas vezes a única forma de estes poderem auferir rendimento para a continuação do seu trabalho. Por isso a ABIC tem defendido, paralelamente à revisão do estatuto, um maior incentivo à criação de emprego científico. Nesse campo, as medidas do actual governo estão muito aquém das suas promessas. A principal medida foi a abertura do «Concurso Público para a Contratação de 1000 investigadores doutorados», mas seria necessário contratar dez vezes mais investigadores para aproximar o número de investigadores per capita face à média da União Europeia, e adicionalmente um número ainda superior de técnicos. Sendo esta medida positiva, ela é restritiva e insuficiente, não respondendo à acentuada necessidade de contratação de técnicos de investigação. Uma realidade crescente e preocupante é a substituição da bolsa por avenças: o mesmo investigador passa a ser pago pela sua instituição enquanto prestador de serviços. Em vez de ser assinado um contrato a termo, o investigador ou técnico assina regularmente um recibo verde – uma forma de trabalho precário infelizmente já generalizada entre os trabalhadores portugueses.
«Têm que se mentalizar que têm que ir lá para fora e que isso não é mau para o país.»
Naturalmente que é positivo para o país existirem portugueses a trabalhar no estrangeiro, criando assim pontes de contacto entre comunidades científicas. Contudo o mais amplo aproveitamento da formação no estrangeiro só tem lugar se os investigadores e técnicos puderem depois regressar a Portugal para aqui se capitalizarem os conhecimentos e contactos estabelecidos lá fora. Porém, o actual défice de oferta de emprego científico, nos sectores público e privado, e a precariedade associada às bolsas de investigação, funciona como um desincentivo ao retorno e integração no sistema nacional. Certamente que não é benéfico para o país financiar investigadores cuja mais-valia não irá contribuir para a produção científica nacional, sobretudo quando Portugal tem grande necessidade de mais investigadores e técnicos e quando o Governo aponta a Ciência e Tecnologia como um dos eixos de desenvolvimento económico. A mobilidade dos investigadores é um elemento necessário para um ciência aberta, mas ela deve funcionar através de um sistema de incentivos, e.g., mais recursos de trabalho, melhor remuneração, e não através de factores de expulsão, e.g., precariedade, falta de perspectivas de emprego, que conduzem a uma “fuga de cérebros” e um desperdício dos recursos nacionais.
«Concordo com o aumento dos montantes das bolsas, mas isso irá fazer com que menos pessoas recebam bolsas no futuro.»
Os montantes das bolsas nacionais não são actualizados desde 2002, o que tem implicado, devido à inflação, um decréscimo significativo do valor real das bolsas. Uma actualização do montante das bolsas é claramente necessário. Face a esta reivindicação, a FCT tem retorquido que isso implicará uma redução do montante das bolsas, colocando o ónus da responsabilidade nos que reclamam uma justa actualização dos montantes. Mas essa ilação implica a decisão política por parte da tutela de não fazer o necessário reajuste orçamental. Um efectivo reforço do SCTN não pode ser feito à custa de uma maior precarização do trabalho científico. Tal tornará a carreira científica menos atractiva aos estudantes que têm de optar pela sua carreira profissional e conduzirá a uma maior “fuga de cérebros”. São necessários mais recursos humanos nas áreas de Ciência e Tecnologia, mas com condições dignas e atractivas, como recomendado pela Carta Europeia do Investigador.
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Rui M
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bolseiros
Castro do Zambujal

Exste também um exposição permanente no Museu Leonel Trindade em Torres Vedras sobre o Castro do Zambujal.
Mais sobre o Castro do Zambujal:
O modus vivendi do Castro do Zambujal
Zambujal: Relatório de Escavações 1994-1995
Foto daqui
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João Moedas Duarte
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Arqueologia
quarta-feira, julho 11, 2007
As entranhas de um vulcão
Um vulcão é mais que um amontoar impressionante de escoadas de lava e camadas de cinza e outros piroclastos.
Uma erupção envolve o transporte do magma desde o sitio onde este se gera (geralmente no manto) para uma câmara magmática onde este se vai acumular até que a pressão do mesmo seja suficiente para o fazer ascender por um sistema de diques e soleiras até às chaminés ou fendas por onde vai finalmente ser extruído sobre a forma de lava, cinzas, lapilli, escórias, bombas vulcânicas entre outros produtos piroclásticos.
Quando um vulcão se extingue e deixa de ser alimentado pelo seu intricado sistema de condutas os agentes erosivos encarregam-se de expor as redes de filões, soleiras, chaminés que a constituíam.
Em Portugal continental temos a sorte de poder observar todos estas diferentes partes de um sistema sub-vulcânico visto que o último episódio de actividade vulcânica na região se deu durante o Cretácico Superior e as rochas formadas durante este período se encontram agora expostas mostrando a quem quiser as entranhas dos vulcões portugueses que devem ter incomodado muito dinossauro com cinza e lava em abundância.
O Complexo Vulcânico de Lisboa, aflorante numa extensão de cerca de 200 km2 entre Lisboa e Torres Vedras compreende:
· Escoadas e camadas de cinza constituídas pelo material expelido por estes vulcões.
· Chaminés que transportavam a lava até à cratera onde esta atingia a superfície.
Chaminé do Cabeço de Montachique.
· Diques que transportavam verticalmente o magma da câmara magmática até zonas mais superficiais onde o magma, ao contactar com a superfície, se iria concentrar numa parte desta estrutura planar, formando uma chaminé ou irá parar o seu percurso acumulando-se numa soleira.
· Soleiras onde algum do magma seacumula e cristaliza sem nunca atingir a superfície.
Podemos ainda observar antigas câmaras magmáticas de edifícios vulcânicos, hoje materializadas pelas Serras de Monchique e Sintra e pelo afloramento do Cabo de Sines onde a presença de brechas ígneas é indicadora da actividade vulcânica explosiva ocorrida no passado.

O cabo da Roca, parte integrante do maciço sub-vulcânico de Sintra, visto da praia do Guincho.
Em outros locais, a erosão e exposição destas manifestações de actividade ígnea passada deram origem a paisagens reconhecidas mundialmente, como é o caso de:
Ship Rock, Novo México, EUA - uma chaminé e os diques que a alimentam

Palisades, New Jersey, EUA - uma soleira.

Devil's Tower, Wyoming, EUA - uma caminé

As montanhas Cuillins na Ilha de Skye, Escócia - uma antiga câmara magmática.

As soleiras do grupo Jurássico de Ferrar, na Antártica
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Rui M
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19:18
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vulcanismo
Parabéns!
Na ausência de trocadilhos geológicos decentes em português (aceitam-se sugestões), fico-me por um anglo-saxónico Keep on Rocking!
Que venha o doutoramento e uma carreira cheia de sucessos.
por
Rui M
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18:47
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