
Um vulcão é mais que um amontoar impressionante de escoadas de lava e camadas de cinza e outros piroclastos.
Uma erupção envolve o transporte do magma desde o sitio onde este se gera (geralmente no manto) para uma câmara magmática onde este se vai acumular até que a pressão do mesmo seja suficiente para o fazer ascender por um sistema de diques e soleiras até às chaminés ou fendas por onde vai finalmente ser extruído sobre a forma de lava, cinzas, lapilli, escórias, bombas vulcânicas entre outros produtos piroclásticos.
Quando um vulcão se extingue e deixa de ser alimentado pelo seu intricado sistema de condutas os agentes erosivos encarregam-se de expor as redes de filões, soleiras, chaminés que a constituíam.
Em Portugal continental temos a sorte de poder observar todos estas diferentes partes de um sistema sub-vulcânico visto que o último episódio de actividade vulcânica na região se deu durante o Cretácico Superior e as rochas formadas durante este período se encontram agora expostas mostrando a quem quiser as entranhas dos vulcões portugueses que devem ter incomodado muito dinossauro com cinza e lava em abundância.
O Complexo Vulcânico de Lisboa, aflorante numa extensão de cerca de 200 km2 entre Lisboa e Torres Vedras compreende:
· Escoadas e camadas de cinza constituídas pelo material expelido por estes vulcões.
Escoada (a castanho) que corta camada de cinzas (avermelhada) em Negrais.
· Chaminés que transportavam a lava até à cratera onde esta atingia a superfície.
Chaminé do Cabeço de Montachique.
· Diques que transportavam verticalmente o magma da câmara magmática até zonas mais superficiais onde o magma, ao contactar com a superfície, se iria concentrar numa parte desta estrutura planar, formando uma chaminé ou irá parar o seu percurso acumulando-se numa soleira.
Dique em Ribeira d'Ilhas.
· Soleiras onde algum do magma seacumula e cristaliza sem nunca atingir a superfície.
Soleira na praia das Maçãs.
Podemos ainda observar antigas câmaras magmáticas de edifícios vulcânicos, hoje materializadas pelas Serras de Monchique e Sintra e pelo afloramento do Cabo de Sines onde a presença de brechas ígneas é indicadora da actividade vulcânica explosiva ocorrida no passado.

O cabo da Roca, parte integrante do maciço sub-vulcânico de Sintra, visto da praia do Guincho.
Em outros locais, a erosão e exposição destas manifestações de actividade ígnea passada deram origem a paisagens reconhecidas mundialmente, como é o caso de:


Ship Rock, Novo México, EUA - uma chaminé e os diques que a alimentam

Palisades, New Jersey, EUA - uma soleira.

Devil's Tower, Wyoming, EUA - uma caminé

As montanhas Cuillins na Ilha de Skye, Escócia - uma antiga câmara magmática.


As soleiras do grupo Jurássico de Ferrar, na Antártica