sexta-feira, junho 15, 2007

"You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round"

(Do You Realize??, Flaming Lips)



quinta-feira, junho 14, 2007

Utilizamos apenas 10% do cérebro?

Veja um artigo aqui sobre este assunto, com ligação a outros dois, é mais uma bela Treta do blog Que Treta!, de Ludwig Krippahl.

Leia a frase seguinte e conte os FF's:

FINISHED FILES ARE THE RE-
SULT OF YEARS OF SCIENTIF-
IC STUDY COMBINED WITH THE
EXPERIENCE OF YEARS.

Quantos FF's contou?
Numa primeira leitura, a maioria das pessoas apenas vêem três. Contudo a resposta, é na verdade, seis. Porque acontece isto?

(in Os Porquês dos Quês da colecção Aprender Fazer Ciência da Gradiva)

terça-feira, junho 12, 2007

Imagens de alta resolução de Marte




Esta imagens foram adquiridas pela câmara HiRISE bordo da sonda da NASA Mars Reconnaissance Orbiter. Estão disponíveis numa página da Universidade do Arizona.
Homepage: aqui, para quem quiser explorar o site.
Fotos: aqui.


quarta-feira, junho 06, 2007

Geologia Marinha: uma pouco de história e outras coisas (Parte 2)

Os estudos de Geologia Marinha deparam-se com uma dificuldade adicional em relação à Geologia tradicional terrestre, esta deve-se ao facto de os objectos de estudo se encontrarem submersos. É assim necessário ultrapassar a coluna de água sempre que se deseje obter dados da natureza geológica da crusta submersa. Com o objectivo de estudar a superfície do fundo do mar e a crusta adjacente foram desenvolvidos métodos geofísicos indirectos fazendo uso de ondas acústicas e electromagnéticas que permitem sondar estes meios. Entre estes constam por exemplo a Batimetria Multieixe, que permite obter dados da morfologia do fundo do mar, e a Sísmica de Reflexão, que permite obter perfis da estrutura interna da crusta. (Estes dois métodos seram explorados em detalhe em "posts" futuros)

Desde cedo os pioneiros na exploração do fundo marinho utilizaram nas suas investigações uma vasta variedade de engenhos, tendo inclusive empregue diferentes formas de energia (luz e som) para sondar o fundo. No entanto estas tecnologias nem sempre estiveram disponíveis, tendo apenas sido desenvolvidas de forma eficaz nos meados do século passado. Este facto não impediu a realização de campanhas fazendo uso de meios mais rudimentares, como a elaboração de mapas batimétricos utilizando apenas uma corda. Esta era lançada ao mar com um peso na extremidade, quando este tocava no fundo, a profundidade era medida através do comprimento da corda (ver figura 1). Este método era relativamente rápido e eficaz a pouca profundidade, sendo muito pouco fiável e extremamente demorado quando utilizado em oceano profundo. A expedição do H.M.S. Challenger realizada entre 1872 e 1876 foi o primeiro estudo a grande escala dos fundos oceânicos, tendo sido realizadas cerca de 300 medições deste género. Exaustivamente documentada, a expedição forneceu para a época uma boa caracterização do fundo marinho (Kennet. J.,1982).



Figura 1: Mapa Batimétrico do Atlântico. Os pontos negros correspondem a medições de profundidade, utilizados para desenhar as linhas isobatimétricas. Os tons mais escuros correspondem a zonas de maior profundidade (Maury, 1855).


À medida que as ciências físicas se desenvolveram, foram realizadas numerosas tentativas de usar energia em forma de ondas acústicas e electromagnéticas com o objectivo de sondar o ambiente oceânico e crusta adjacente. Contudo, devido è elevada condutividade da água salgada, cedo se percebeu que as ondas electromagnéticas eram rapidamente atenuadas na água do mar. Porém as ondas acústicas propagam-se de forma eficiente em meios aquosos. No início do séc. XX foram utilizados pela primeira vez métodos acústicos de navegação (Urick, 1983). Em 1912, após o afundamento do Titanic esta tecnologia foi desenvolvida com o intuito de localizar objectos debaixo de água. No ano de 1913, o inventor canadiano, Dr. Reginald Fessenden, desenvolveu um conjunto de instrumentos utilizando ondas acústicas capazes de executar medições de profundidade e de localizar objectos como icebergs. Estes instrumentos foram os primeiros a ser usados em estudos de natureza geológica, com os quais se obterão dados de reflexão e refracção de formações geológicas (Seitz, 1999).

Foi com a Primeira Guerra Mundial que os métodos acústicos tiveram o seu maior desenvolvimento. Estes foram utilizados pela indústria militar no aperfeiçoamento de sistemas de navegação e localização de navios e submarinos, assim como na cartografia de pormenor do fundo marinho (Urick, 1983). Os progressos tecnológicos realizados nesta época levaram à consecução das ecosondas modernas. O termo “SONAR”, SOund Navigaton And RAnging foi utilizado pela primeira vez neste período. Posteriormente estes instrumentos foram aperfeiçoados, aplicados em pesquisas oceanográficas e utilizados para fins científicos. Com as novas ecosondas era possível executar centenas de medições batimétricas contínuas num período de dias. Foi assim possível produzir mapas batimétricos pormenorizados de estruturas a grande escala, como a Dorsal Média Atlântica (ver figura 2). Os dados recolhidos forneceram algumas das bases para a teoria da tectónica de placas, o contexto no qual grande parte da investigação nas áreas da geologia/geofísica marinha é actualmente conduzida.

Figura 2: Mapa batimétrico do fundo do mar. Tharp and Heezen, 1977.


Bibliografia:

Kennet. J. (1982) – Marine Geology. Prentice Hall, Upper Saddle River, New Jersey, 813 pp.

Seitz, F. (1999) - The Cosmic Inventor. Reginald Aubrey Fessenden, Transactions of the American Philosophical Society, vol. 89, pt. 6, 69 pp.

Urick, Robert J. (1983) - Principles of underwater sound. McGraw-Hill Book Company, New York.

terça-feira, junho 05, 2007

segunda-feira, junho 04, 2007

Roger Waters

A few years ago, an Italian journalist from a Florentine newspaper, involved in the Iniziativa contro la tortura, which is the initiative against torture in Northern Italy, sent some lyrics written by a South American man who had been tortured. The English translation (which represents the first stanza of the song) proved to be very moving, and was set to music. The words remained untouched.. Until Kosovo.

The London Times had a piece which told the story of a Serbian soldier who saw an Albanian woman lying wounded in a burned-out building. He left his platoon, went over and helped her, and then joined his men and marched off. There was sense in that image. The rest of the song is about that.

Not the torturer will scare me
Nor the body's final fall
Nor the barrels of death's rifles
Nor the shadows on the wall
Nor the night when to the ground
The last dim star of pain, is held
But the blind indifference
Of a merciless unfeeling world
Lying in the burnt out shell
Of some Albanian farm
An old Babushka
Holds a crying baby in her arms
A soldier from the other side
A man of heart and pride
Breaks ranks, lays down his rifle
And kneels by her side
He binds her wounds
He gives her food
And calms the crying child
She gives him absolution then
Across the great divide
He picks his way back through the broken
China of her life
And there at the kerb
The samaritan Serb turns..
Turns and waves.. goodbye
And each small candle
Lights a corner of the dark...
When the wheel of pain stops turning
And the branding iron stops burning
When the children can be children
When the desperados weaken
When the sea rolls into greet them
When the natural law of science
Greets the humble and the mighty
And the billion candles burning
Lights the dark side of every human mind
Each small candle
Lights a corner of the dark...

Black Smoker Vents

Ver mais aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Black_smoker

17 ANOS DO TELESCÓPIO ESPACIAL HUBBLE

sexta-feira, junho 01, 2007

Geologia Marinha: uma pouco de história e outras coisas (Parte 1)

Os Oceanos ocupam 71% da superfície do Planeta, com uma profundidade média de 3,86 quilómetros, sendo que 60% do total da superfície terrestre é ocupada por zonas com profundidades superiores a 1,6 quilómetros. Actualmente a Humanidade conhece a superfície de Marte com maior resolução que os leitos marinhos terrestres. Este facto deve-se essencialmente a dificuldades de ordem técnica inerentes à exploração dos ambientes marinhos profundos. As ondas electromagnéticas dissipam-se rapidamente em meios aquosos e raramente penetram mais de 200 metros na coluna de água. Deste modo o fundo marinho é invisível aos métodos de detecção que fazem uso da radiação electromagnética. No entanto, o desenvolvimento de sistemas de sondagem de fundo empregando energia acústica permitiu, nos meados do século passado, iniciar um estudo detalhado e sistemático dos oceanos e do substrato adjacente.

Figura 1 (veio daqui):

Segundo Robert Kunzing (1999), os humanos podem ter explorado talvez um milionésimo ou um bilionésimo da área total ocupada pelos oceanos. Calcula-se que actualmente se conheça menos de 1% das áreas localizadas sob os taludes continentais. Nos últimos anos, o pouco que tem sido explorado mudou radicalmente a visão que os cientistas tinham das Ciências da Terra e da Vida. As novas descobertas permitiram que a teoria da Tectónica de Placas se desenvolvesse, encontrou-se vida onde nunca se pensou existir, mas acima de tudo percebeu-se o quanto estes processos estavam relacionados entre si. O nascimento da Tectónica é considerada a maior revolução na área das Ciências da Terra desde a fundação da geologia moderna por James Hutton, comparável ao nascimento da Genética na Biologia, e só foi possível após a recolha de dados geológicos nas áreas oceânicas através de técnicas desenvolvidas depois de 1950. A especificidade de alguns fenómenos geológicos ocorrentes no meio marinhos, assim como a utilização de técnicas específicas na exploração da crusta imersa, levou ao aparecimento de uma nova disciplina, a Geologia Marinha.

Na década de 1830, o naturalista inglês Edward Forbes, após ter estudado com algum detalhe o fundo do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo, afirmou não existir vida abaixo dos 600 metros. Sem luz e com pressões tão elevadas não era razoável a existência de vida a tais profundidades. Em 1977, mais de um século depois, foi feita uma das mais importantes descobertas científicas do século XX. Nesse ano um submarino designado de Alvin[1] (ver figura 3), do Woods Hole Oceanographic Insitution do Massachusetts, descobriu densas colónias de grandes organismos, alguns com mais de três metros, coabitando junto de fontes hidrotermais localizadas a grandes profundidades. A base da cadeia trófica destes ecossistemas é um conjunto de bactérias que produzem energia a partir de sulfuretos de hidrogénio – compostos altamente tóxicos para a maioria dos seres vivos – libertados pelas chaminés hidrotermais (figura 2). Este foi o primeiro sistema vivo complexo baseado na quimiossíntese, em vez da fotossíntese, a ser reconhecido em águas profundas, em estreita ligação com um fenómeno geológico.

Figura 2:


Depois da descoberta das fontes hidrotermais a exploração de novas áreas do fundo do mar não pararam de surpreender os cientistas. Os hidratos de metano, os vulcões de lama, as chaminés carbonatadas e ecossistemas associados, os corais de água fria do Mar do Norte e os seres extremófilos, que vivem em ambientes com temperaturas superiores a 100º C e a pressões dezenas de vezes superiores às existentes à superfície, são alguns exemplos das linhas de investigação de ponta neste início de século. Ao mesmo tempo, cada vez mais se reconhece a interdependência dos processos oceanográficos, biológicos e geológicos. É cada vez maior a necessidade de realizar estudos multidisciplinares executados por equipas de cientistas provenientes de diferentes áreas do conhecimento. A resposta tem sido um grande esforço da comunidade internacional em constituir equipas de cientistas com o objectivo de estudar os ambientes oceânicos.

Figura 3: Alvin


Em consequência das limitações tecnológicas só agora começa a ser possível estudar com algum detalhe os sistemas marinhos profundos. O desenvolvimento recente de sistemas acústicos permite agora cartografar com elevado detalhe vastas áreas inexploradas do fundo marinho. A ideia paradigmática do século passado era a de que no oceano profundo, abaixo dos taludes e nas planícies abissais, os fenómenos oceanográfico, biológicos e geológicos eram relativamente pouco activos. Os novos dados, bem como um novo paradigma emergente no seio da comunidade científica, associado ao reconhecimento geral da existência de um défice de conhecimento dos processos activos a estas profundidades, permitem hoje pôr em causa o velho paradigma.


[1] Alvin é a forma contraída do nome do oceanógrafo Allyn C. Vine.

quinta-feira, maio 31, 2007

Um Bilião e Mil Milhões

O termo billion e bilião tem causado alguma confusão e são normalmente empregues de forma errada. Eu cometi este erro num dos últimos posts e chamaram-me a atenção. Deixo aqui um esclarecimento com a esperança que possa ser útil a quem um dia precisar.

Em Portugal um bilião é igual a um milhão de milhões: 1 000 000 000 000 (12 zeros), ou 10^12.

Em Inglês um bilião (one billion) é igual a um milhar de milhões: 1 000 000 000 (9 zeros), ou 10^9.

É portanto incorrecto traduzir-se billion (em Inglês) para bilião (em português de Portugal).

A tradução correcta de one billion deve ser um milhar de milhões.

Por exemplo, quando se diz que o Universo tem cerca de 15 billion of years, a tradução correcta será 15 mil milhões de anos.


Nota: No Brasil "one billion" significa de facto um milhar de milhões (10^9) e escreve-se um bilhão.

Hoje

Fósseis da Guimarota: o retorno de um tesouro a Portugal

PROGRAMA

AUDITÓRIO DO MUSEU GEOLÓGICO
DIA 31 DE MAIO, ÀS 17H 00


17h00 - 17h15: Apresentação
17h15 - 18h00: Conferência com o título: “Guimarota - a window on life in Jurassic times”
Prof. Thomas Martin, da Universidade Livre de Berlim.
18h00 – 19h00: Visita à exibição de exemplares de vertebrados fósseis da jazida da Guimarot
Museu Geológico. Rua Academia das Ciências, Nº 19 - 2º. 1200-003 Lisboa
Tel: 21 346 39 15. Fax: 21 342 46 09.

terça-feira, maio 29, 2007

Quando o improvável acontece!


Uma das grandes dificuldades de qualquer cientista é a de compreender como funcionam os processos que levaram à formação do Universo, do Planeta Terra e da Vida. Talvez a maior dificuldade seja compreender como o nosso Universo (ou Multiverso!) funciona do ponto de vista matemático. Esta dificuldade prende-se em parte com as nossas limitadas capacidades intelectuais.

As probabilidades e o acaso têm sido dos conceitos mais mal compreendidos pelo homem. Ontem quando lia o livro "O Acaso", de Joaquim Marques de Sá (da Gradiva) encontrei um fabuloso exemplo desta situação: Quando o improvável acontece.

Se considerarmos uma experiência aleatória que consiste no lançamento de uma moeda honesta ao ar em que saíram 20 caras (seja 1=cara e 0=coroa), ao observarmos a sequência

1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,1,

temos sensação que algo importante aconteceu. Esta sequência é extremamente improvável. Temos a tendência de "achar" que no vigésimo primeiro lançamento a probabilidade de sair coroa é maior. Este "achómetro" denomina-se "falácia do jogador". Noutras situações é grande a tentação de atribuir uma causa mágica a certas sequências altamente organizadas como:

0,0,0,0,0,0,0,0,0,0,0,0,0,0,0,1,1,1,1,1,

ou

0,0,1,1,0,0,1,1,0,0,1,1,0,0,1,1,0,0,1,1.

No entanto estas sequências têm exactamente a mesma probabilidade do que qualquer outra de 20 lançamentos: (1/2)^20 = 0,00000095367.

Se repetirmos a experiência dos 20 lançamentos um milhão de vezes, a esperança de obter tais sequências (ou quaisquer outras) é de n x p = 1000000 x 0,00000095367 ≈ 1!!

Existe elevada certeza de sair em média uma vez tais sequências aparentemente improváveis se repetirmos a experiência um milhão de vezes.

"A conclusão a tirar é que, dado um número suficientemente grande de experiências, o «improvável» acontece: sequências altamente organizadas, aparecimento da vida num planeta ou a nossa própria existência."

Um das razões pelas quais nos custa tanto compreender o aparecimento da vida, a sua complexidade e principalmente a evolução é a de não termos a noção de tempo geológico, cuja unidade é «1 Milhão de Anos». É muito tempo! Se considerarmos a idade do Universo, cerca de 15 mil milhões de anos a probabilidade de um qualquer evento de organização da matéria, por mais improvável que seja, tem uma "probabilidade" praticamente infinita de ocorrer!

Se considerarmos que o nosso Universo tem apenas uma fracção do tempo do Multiverso a que pertencemos então aí as possibilidades tornam-se monstruosas!

Texto adaptado de Joaquim Marques de Sá, em "O Acaso" (Gradiva, Ciência Aberta, nº154).

sexta-feira, maio 25, 2007

Ignorância ou Desinformação!!!

Como já começa a ser tradição grande parte das vezes que vem uma notícia sobre geologia num jornal esta vem cheia de erros. O Público tem-se livrado deste mal. Muitas vezes deixo links neste blog para este jornal por considerar que tem uma qualidade científica razoável. Mas hoje li uma notícia e não pude acreditar no que os meus olhos viram.

A notícia é: "Ota: estudo mostra risco de liquefacção de solos num sismo de grande intensidade" (ver aqui).

Esta notícia de extrema importância, não por se tratar do aeroporto da Ota, mas por tratar de risco sísmico. A notícia tem um erro grave e uma suposição incorrecta.

Comecemos pela suposição:

(...) em caso de sismo de grande intensidade com epicentro na Área Metropolitana de Lisboa, disse hoje a especialista da Protecção Civil Maria Anderson.(...)

Ora, aqui um pequeno reparo, a probabilidade de ocorrer um sismo com epicentro em Lisboa é muito baixa. Não existe nenhuma estrutura geológica conhecida activa que possa gerar esse sismo. Daqui se percebe que a especialista da Protecção Civil poucos conhecimentos tem de geologia ou está muito mal informada, o que é no mínimo vergonhoso. Alguns fenómenos Geológicos naturais são capazes de causar grande destruição, por exemplo os Sismos, Tsunamis, Deslizamentos de Terra e os Vulcões. Devem portanto ser um dos alvos prioritários da Protecção Civil, que deveria ter especialistas nesta matéria. É pena que tenham tão pouca formação nesta nesta área.

Segundo e mais grave:

"(...)O "Estudo dos Cenários Prováveis" equacionou duas hipóteses: a primeira, e menos provável, tomou como referência o sismo de 1755 (epicentro no mar ao largo de Lisboa)(...).

O Grande Sismo de 1755 não teve epicentro no mar ao largo de Lisboa. Inicialmente foi sugerido que o sismo teria tido origem na Falha do Marquês de Pombal, a Sudoeste do Cabo de São Vicente na Margem Algarvia. No entanto cedo se percebeu que esta estrutura era demasiado pequena para gerar um sismo como o de 1755. Hoje em dia pensa-se que o sismo pode ter tido origem na Fallha da Ferradura (onde ocorreu o sismo sentido em Fevereiro deste ano em Lisboa) ou de uma zona de subducção situada sobre o Estreito de Gibraltar. Ambos os locais são no Golfo de Cádis (o bocado de mar entre o Algarve e Marrocos). Esta sim é uma área capaz de gerar grandes sismos por ser uma zona de fronteira entre duas placas tectónicas.

Nunca houve nem haverá um sismo como o de 1755 com epicentro em Lisboa. Simplesmente porque não existe nenhuma estrutura capaz de o gerar.

Esta notícia é grave mas não culpo apenas o Público. Culpo sim o ignorante que forneceu as informações à Protecção Civil e culpo a Protecção Civil. Isto é muito, muito, diria mesmo brutalmente grave. A Protecção Civil, que eu respeito profundamente, não se pode basear em informações erradas. A protecção só pode ser feita se houver conhecimento das causas que põe em risco as pessoas, caso contrário andam a brincar.

Outra hipótese é a de esta informação estar a ser usada politicamente, não é por acaso que ela vem hoje neste jornal, quando toda a oposição tenta desencantar um argumento milagroso para que o Aeroporto não seja construído na Ota. Se assim for é ainda muito mais grave (do que apenas brutalmente grave) pois está-se a brincar com a vida das pessoas. E neste caso culpo jornal por tomar partido nesta desinformação, que vai exactamente contra tudo o que um jornal devia ser.
Façam política rasca à vontade. Eu não tenho nenhuma côr e não visto nenhuma camisola. Mas por favor não metam a Geologia (ainda por cima errada) ao barulho.

Imagens do Spirit revelam que Marte pode ter tido muita água no passado


Um trecho de solo marciano analisado pelo robot Spirit, da Nasa, mostrou ser muito rico em sílica - uma combinação de silício e oxigénio - que pode representar uma das mais fortes evidências de que Marte já teve mais água no passado do que actualmente. Os processos que poderiam ter dado origem a um depósito de sílica tão rico exigem a presença de água.
Mais aqui e aqui

Pegadas comprovam que dinossauros nadavam


"Doze fósseis de pegadas de dinossauro, encontrados num lago a norte de Espanha, são a primeira evidência científica que comprova que alguns dinossauros conseguiam nadar."

in Público, aqui
ver mais aqui

segunda-feira, maio 21, 2007

Para pensarmos

"O IPCC estimou com uma probabilidade superior a 90% que a actividade humana é responsável pelo aquecimento global?

Mesmo que esta probabilidade fosse de apenas 10%, estamos a falar de uma probabilidade muito superior à probabilidade de um terrorista tentar fazer um atentado num voo comercial.
Já viram a histeria e o dinheiro que se gasta na segurança de algo que não ameaça o planeta na sua totalidade e que é altamente improvável?
Se a bitola fosse a mesma para o aquecimento global, obrigar-nos-ia a ficar histérico-paranóicos permanentes e irrecuperáveis."


Texto adaptado de um comentário de Rui Curado da Silva a um post infeliz no De Rerum Natura. (Ver aqui o post e os comentários)
Às vezes choca-me a passividade com que estamos a tratar este problema.

Sumidouro Austral de CO2 enfraquecido

Os cientistas têm evidências de que a capacidade de absorção do CO2 nos oceanos do Hemisfério Sul (um dos maiores sumidouros de CO2 da Terra) está a diminuir a uma razão de 15% por década desde de 1981.

Um redução dos valores da captura do CO2 tem como consequência directa o aumento da concentração deste gás na atmosfera.

“The researchers found that the Southern Ocean is becoming less efficient at absorbing carbon dioxide due to an increase in wind strength over the Ocean, resulting from human-induced climate change” (Dr Paul Fraser, CSIRO Marine and Atmospheric Research).

O artigo foi publicado na revista Science.

Ver notícia aqui e aqui

sábado, maio 19, 2007

Mount St. Helens

Mount St. Helens é um estrato-vulcão activo localizado no NW dos EUA. Este vulcão produziu uma das mais espectaculares e destrutivas erupções de que há registo. Foi no dia 18 de Maio de 1980.

Mais informações aqui

mt st helens eruption

sexta-feira, maio 18, 2007

quinta-feira, maio 17, 2007

Geologia de Campo XXIII

Gabro do Maciço Intrusivo de Sines, cortado por inúmeros filões tardios (mais claros).

Satélites da NASA mostram vasta região de degelo na Antárctida


"Cientistas norte-americanos descobriram que uma vasta área da Antárctida derreteu em 2005, ano em que se registou um aumento considerável das temperaturas de Verão.
De acordo com observações feitas por satélite, a área, com 400 mil quilómetros quadrados, derreteu e voltou a congelar. Os cientistas da agência espacial norte-americana (NASA) acreditam que foi o processo de degelo mais significativo dos últimos 30 anos." (in Público 16/05/2007).
Ver notícia no site da NASA aqui
Imagem: NASA's QuikScat satellite detected extensive areas of snowmelt, shown in yellow and red, in west Antarctica in January 2005. Image credit: NASA/JPL

NASA encontra anel de matéria escura



Uma notícia do Público de online de ontem referia que os "astrónomos da NASA identificaram um gigantesco anel de matéria escura num aglomerado de galáxias, a cinco mil milhões de anos-luz da Terra, com a ajuda do telescópio espacial Hubble." (in Público 17/05/2007)

Segundo o jornal "o anel, com um diâmetro estimado em 2,6 milhões de anos-luz, foi descoberto no aglomerado de galáxias ZwCl0024+1652 e é a maior prova que confirma a existência de matéria escura."
Não diria que se trata de uma prova que confirma a existência de matéria escura, mas sim de uma observação que constitui uma forte evidência da existência deste tipo exótico de matéria. Este assunto é ainda alvo de intensa controvérsia.
Na realidade os cientistas não sabem qual a constituição deste tipo de matéria, que ao contrário da matéria comum conhecida não emite qualquer tipo de radiação, sendo portanto invisível para a maioria dos nossos meios de detecção. A única forma de detectar a matéria escura é através dos seus efeitos gravitacionais sobre a matéria conhecida. No entanto alguns cientistas pensam que a matéria escura (ou negra) pode corresponder a mais de 80% do total de matéria que constitui o nosso Universo.
O estudo foi publicado pela revista "Astrophysical Journal", e refere "que a formação do anel no aglomerado resultou de uma possível colisão entre duas galáxias."
Ver notícia no site da NASA aqui
Crédito da imagem: NASA, ESA, M.J. Jee and H. Ford (Johns Hopkins University)

quarta-feira, maio 16, 2007

Formação de uma Zona de Subducção e geração de uma Cadeia de Montanhas

Com se moveram as Placas Tectónicas desde o Jurássico Superior

Science On a Sphere® is a large visualization system that uses computers and video projectors to display animated data onto the outside of a sphere. Said another way, SOS is an animated globe that can show dynamic, animated images of the atmosphere, oceans, and land of a planet. NOAA primarily uses SOS as an education and outreach tool to describe the environmental processes of Earth.

segunda-feira, maio 14, 2007

O que são dobras?

Um das grandes realizações do século XX foi a elaboração da teoria da Tectónica de Placas. Esta teve por base a teoria da Deriva Continental e o conceito de Alastramento Oceânico.

A Teoria da Tectónica de Placas tem como objectivo explicar como e porquê a Litosfera (Crusta e uma fracção do Manto) se desloca sobre a Astenosfera.

A Litosfera é constituída por diversas "placas", denominadas "Placas Tectónicas" que se deslocam umas em relação às outras. O motor deste movimento é ainda alvo de intensos debate, mas pensa-se que este movimento é causado pelas correntes de convecção do Manto.


As placas ao movimentarem-se entre si causam a deformação das rochas presentes nas zonas junto às suas fronteiras. Esta deformação pode ser frágil (falhas) ou dúctil (dobras). As dobras formam-se geralmente em zonas mais profundas da litosfera, onde a temperatura é mais elevada, potenciando a deformação dúctil das rochas. A disciplina que estuda a deformação causada pela a interacção das placas tectónicas é a Geologia Estrutural.
As dobras são de extrema importância para a geologia porque permite estudar a história da Tectónica de Placas, isto é permite obter informações acerca de placas antigas que já não existem actualmente e das suas interacções.

Algumas dobras que encontrei na net













Cientistas criam enciclopédia online de espécies vivas

Encontrei esta notícia via "Rastos de Luz". Eis mais uma ferramenta online a partir de 2008 para quem tem sede de conhecimento..

"A «Enciclopédia da Vida», que é como se chamará, tem por objectivo reunir informação básica, fotografias, mapas e inclusivamente sons dos 1,8 milhões de espécies vivas do Planeta conhecidas actualmente.

Trata-se de uma extensa base de dados com uma curiosa particularidade: o conceito «wiki» em que se baseia." (in Diário Digital)

"Acho este projecto interessante e muito importante num conhecimento cada vez maior do que nos rodeia, que por sua vez pode ser uma das chaves para despoletar um novo tipo de pensamento e consciência sobre o que nos rodeia…nos tempos que correm, nos perigos que espreitam, até que ponto o conceito de biodiversidade é preponderante sobre o conceito de humanidade?" (in Rastos de Luz)

Estamos de facto a entrar numa nova era do conhecimento... É a globalização do conhecimento.. Quem sabe se agirmos de forma informada, global e inteligente isso não será bom para a Humanidade e para o Planeta.. ?

sábado, maio 12, 2007

“O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente a dar por isso”.

Álvaro de Campos