terça-feira, abril 10, 2007

Geologia de Campo (XXI)


Escoada de lava pahoehoe, ou encordoada. Ilha do Pico, Açores.
Contribuição de Davide Gamboa.

Descoberta relação entre sismos fortes e a intensidade de erupções vulcânicas


Cientistas da NASA verificaram um aumento na intensidade das erupções dos vulcões Merapi e Semeru depois da ocorrência de um sismo de magnitude 6.4 ter abalado a região da ilha de Java na Indonésia onde se localizam estes aparelhos vulcânicos.
A equipa que monotorizou a actividade dos vulcões usando vários tipos de dados recolhidos por satélites propõe que os movimentos provocados pelo evento sísmico tenham facilidato a ascensão do magma, dando origem a um aumento das taxas de erupção. Este estudo não permite contudo perceber se a ocorrência de um sismo forte poderá ou não dar origem a uma erupção num vulcão que não se encontre em actividade.

Mais informações aqui, via ScienceDaily.

segunda-feira, abril 09, 2007

Fronteira Núcleo-Manto: Imagens de alta resolução



Um grupo de cientistas do MIT e da Purdue publicou na Science novas imagens da estrutura interna da Terra. Ver aqui.
Estes cientistas adaptaram tecnologia utilizada na exploração de gás e petróleo na crusta superior de modo a obter imagens de alta resolução da fronteira manto-núcleo (a cerca de 2900 km de profundidade).
Crédito: Image courtesy, Robert van der Hilst, MIT

domingo, abril 08, 2007

Açores: a whola lotta shakin' goin' on


Três dias depois do último post sobre este assunto a actividade sísmica nos Açores está longe de diminuir, continuando a haver vários sismos diários tanto na zona dos Ilhéus das Formigas como a Oeste do Faial.
Contudo, para as autoridades responsáveis tal actividade é normal e não parece haver grandes razões para preocupação, e como eles percebem mais disso do que eu, que ainda por cima moro muito longe dos Açores, fico muito mais descansado.

quinta-feira, abril 05, 2007

Sismos nos Açores


Uma notícia de hoje no Público online de hoje chamou-me a atenção para além da ocorrência de um sismo de magnitude bastante elevada entre São Miguel e Santa Maria, para uma nova crise sísmica nos Açores, desta vez afectando a ilha do Faial que nem se vê no mapa de distribuição de sismos naquele arquipélago disponibilizado pelo IM, tal é a quantidade de sismos ocorrida desde o início do mês, tendo dois destes sido sentidos pela população.
A localização destes epicentros na ilha onde se deu a última erupção vulcânica registada em território nacional (vulcão dos Capelinhos, 1957-1958; algumas fotos aqui) sugere uma possível ligação entre esta actividade sísmica e movimentações de magma que podem ou não dar origem a uma futura erupção mas sendo os Açores uma região sísmicamente muito activa e com uma tectónica complexa é também possível que estes abalos não estejam relacionados com qualquer tipo de actividade vulcânica. A única coisa é esperar para ver e estar atento ás notícias do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

Mais informações sobre actividade sísmica nos Açores aqui e aqui.

quarta-feira, abril 04, 2007

Um pouco de nada


Einstein disse uma vez que o mais incompreensível do mundo era ele ser compreensível. Num colóquio realizado na Faculdade de Ciências, no qual estavam frente a frente cientistas crentes e não crentes (e um criacionista, mas essa é uma outra história), um dos intervenientes de que agora não me recordo do nome disse mais ou menos isto: mesmo não sendo crente, isso não me impede de sempre que o Sol nasce ou que uma molécula de DNA se replica, reconhecer que se realizou um milagre! Eu diria mais, é um milagre compreender que um milagre se realizou. É esta forma de pensar que por vezes as pessoas fora das ciências (e por vezes alguns cientistas) não compreendem. Muito do que foi historicamente considerado milagre foi posteriormente compreendido através do bom uso da razão. Foi explicado, testado e modelado. No entanto ainda há muitos milagres por explicar. Como nasceu o Universo? Porquê? Qual o seu tamanho? Somos os únicos seres vivos nesta vastidão de espaço? O que é o Tempo? Quantas dimensões existem? O que é a nossa consciência, que nos fala e questiona todos os dias? E até mesmo se quisermos, o que é esse magnífico sentimento denominado de amor? Ainda há muitas perguntas. E em cada nova resposta surgem ainda mais perguntas. É este o jogo da ciência. Tentar de forma persistente, racional e organizada abrir caminho pelo desconhecido. Se isto não fosse feito de forma metódica, usando o método científico, rapidamente nos perderíamos. A ciência é um pouco isto, é um caminho. Um caminho que foi seguido por milhões de pessoas antes de nós e que será seguido por muitos outros quando nós desaparecermos. É uma corrida de estafetas que dura há vários séculos. Sou cientista de profissão, mas isso não chega, à que sê-lo também de coração. Deste ponto de vista qualquer pessoa é um potencial cientista. De facto todos, mesmo que não saibam, o são. A questão e a procura de uma resposta coerente parecem ser inerentes ao espírito humano. Porquê?

terça-feira, abril 03, 2007

Geologia de Campo (XX)

Antigo vale glaciar perto do Monte Perdido, Pirinéus Aragoneses, Espanha.

Exponencial


“Uma famosa lenda sobre o inventor do jogo de xadrez, diz que, quando chamado à presença do rei e indagado que recompensa desejava pela sua invenção, ele humildemente pediu que um grão de trigo fosse colocado no primeiro quadrado do tabuleiro, dois no segundo quadrado, quatro grãos no terceiro e assim por diante, até que os todos os sessenta e quatro quadrados do tabuleiro estivessem cobertos. O rei, surpreso com a modéstia do pedido, imediatamente ordenou que se trouxesse um saco de grãos de e os seus servos pacientemente começaram a colocar os grãos no tabuleiro. Para seu espanto, logo ficou claro que nem mesmo todos os grãos de trigo do reino seriam suficientes para atender ao pedido, já que o número de grãos no último quadrado, 2^63 (2 levantado a 63), é 9223372036854775808 (aos quais devemos somar os grãos de todos os quadrados anteriores, o que torna o número total o dobro desta quantidade). Se colocássemos tantos grãos numa linha contínua, a linha teria o comprimento de dois anos-luz – cerca de metade da distância até à estrela Alfa de Centauro, a nossa vizinha mais próxima.”

Eli Maor acerca da espantosa taxa de crescimento de uma função exponencial, no seu livro “e: histórias de um número”. Publicado em português pela Gradiva, colecção Trajectos da Ciência.

domingo, abril 01, 2007

È Magia!


O texto de Jónatas Machado no Ciência Hoje desapareceu de um dia para o outro...
Será que foram as numerosas reacções negativas e a demissão de Jorge Buesco do Conselho Científico desta publicação que motivaram esta decisão ou terá sido providência divina?

Conchas



Filha da rocha e do mar acinzentado...
tu alegras o espírito das crianças,
ó concha marinha.

Alceu, séc. VII a. C.

sábado, março 31, 2007

Oxidação de pirites: meteorização e efeito antropogénico.

Praticamente todos os geólogos portugueses visitaram alguma vez, durante o seu percurso profissional, minas da Faixa Piritosa Ibérica. Semelhantes visitas centram-se de forma invariável nos aspectos geológicos inerentes à génese e evolução dos jazigos de sulfuretos maciços vulcanogénicos. O capítulo da exploração mineira é também pólo de atracção, sobretudo no âmbito dos métodos de modelação, gestão e exploração de recursos. No entanto, as questões ambientais associadas a essas actividadas extractivas são quase sempre abordadas de forma muito superficial, ou simplesmente ignoradas. É propósito deste texto divulgar um processo de meteorização química de importante impacto ambiental na qualidade das águas naturais, que é potenciado pela indústria extractiva de sulfuretos.

Mina de S. Domingos (Beja)

A pirite (FeS2) é um sulfureto de ferro que oxida ao entrar em contacto com a atmosfera. Este processo de oxidação é complexo e compreende muitas reacções intermédias, mas no final obtém-se sempre uma dissolução de elevada acidez rica em ião sulfato e um precipitado praticamente insolúvel de hidróxido de ferro (3+). Para além do ferro, o enxofre também sofre oxidação, passando do estado -1 para +6. O oxidante receptor de electrões é, obviamente, o oxigénio atmosférico. Resta acrescentar que esta reacção é muito lenta (o processo de meteorização química mais rápido é a hidrólise ácida) e é acelerada mediante a intervenção de bactérias que funcionam como catalizadores. Estes organismos utilizam a energia libertada durante o processo de oxidação (é exotérmico) nas suas funções metabólicas. Assim se formam águas ácidas em minas de sulfuretos. Até aqui, nada de novo.


Qual é, então, o perigo de saúde resultante da acidificação antropogénica de águas naturais?


Para melhor responder a esta questão, calculemos a distribuição de espécies com alumínio para uma dissolução aquosa em equilíbrio com a gibbsite (Al(OH3)) em função do pH, a 25º C e 1 atm:



Como se pode observar, a pH inferior a 4, a importância da espécie altamente tóxica Al3+ aumenta dramaticamente. A solubilidade da gibbsite pode ser considerada desprezável a pHs entre 5 e 9, aumentando de forma notória a pHs francamente ácidos. Este hidróxido de alumínio é o produto de alteração da caulinite, que por sua vez é produto de alteração das plagioclases, podendo haver formação intermédia de esmectites. As plagioclases são os minerais mais abundantes na crosta continental e, caso as condições ambientais sejam favoráveis, a sua alteração pode progredir até à solubilização da espécie Al3+ em concentrações perigosamente elevadas, constituindo um grave problema de saúde pública.

http://www.webmineral.com/ (informações gerais sobre minerais referidos no texto)

http://wwwbrr.cr.usgs.gov/projects/GWC_coupled/phreeqc/ (site da USGS onde se pode descarregar gratuitamente o código de modelação geoquímica PHREEQC, com o qual se efectuaram os cálculos da modelação acima descrita)



sexta-feira, março 30, 2007

Those pesky scientific facts


Sempre que surgem nos media supostas controvérsias científicas como o aquecimento global ou a guerra entre Evolução e Intelligent Design lembro-me deste cartoon do Doonesbury que explica a estratégia daqueles que querem promover a sua hipótese apesar de saberem que ela não se aguenta lá muito bem o escrútinio pelos seus pares.
Vai dar sempre ao mesmo: "É tudo muito controverso, na realidade sabemos muito pouco acerca do assunto portanto as duas hipóteses estão em pé de igualdade. Não acreditam? Vão lá ver ao Google? "

Nature Geoscience


A Nature, uma das mais reputadas publicações de ciência, prepara-se para lançar em 2008 uma revista mensal dedicada em exclusivo às Geociências.
Já estava na altura da Geology começar a ter alguma concorrência.

Via ...Or Something.

quinta-feira, março 29, 2007

Ciência Hoje?

Depois da FCUL ter apanhado pancada à grande e à francesa por ter recebido um criacionista num colóquio de Filosofia da Ciência, é agora a vez do Ciência Hoje publicar uma coluna de opinião do mesmo ilustre criacionista (que, como é óbvio, nem cientista é...) sobre o naturalismo que conduz inevitavelmente (e na opinião deste senhor, erradamente) a coisas como a Evolução e a Tectónica de Placas, tristemente incompatíveis com uma leitura literal do Génesis, não tendo qualquer consideração por mistico-mágicas explicações sobrenaturais para as observações efectuadas. E ainda bem, senão a esta hora não tínhamos boletins meteorológicos para saber como ia estar o tempo nos próximos dias, nem nada que necessitasse de electricidade, entre outras coisas que em outros tempos tiveram bonitas explicações sobrenaturais.
Se a linha editorial do Ciência Hoje se mantiver, esperamos ansiosamente um texto da astróloga Maya sobre a influência dos astros nas cores das roupas que decidimos usar.

quarta-feira, março 28, 2007

Geologia de Campo (XIX)

Cascata na sequência de escoadas lávicas intruídas por soleiras da ilha de Skye, Escócia, Reino Unido.

Como é que você pode controlar a mudança do clima?

CHANGE



As alterações climáticas são um problema global e, no entanto, cada um de nós pode fazer a diferença. Mesmo as mais pequenas alterações na nossa rotina diária podem ajudar a evitar as emissões de gases de efeito de estufa sem afectar a nossa qualidade de vida. Na realidade, podem até representar uma poupança de dinheiro.
"Devemos alterar o nosso comportamento e aprender a utilizar menos energia e a produzir menos poluição. Se cada um de nós actuar imediatamente, pode fazer-se enormes progressos." Emma Thompson, actriz, Abril de 2006
Ver aqui o que podemos fazer.

O aquecimento global vai criar zonas climáticas


"O aquecimento global pode criar zonas climáticas como nunca antes existiram na Terra, diz uma equipa de cientistas norte-americanos que estudou a evolução até 2100 de dois cenários delineados no último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas."

"Os novos climas do século XXI podem promover a formação de novas associações entre espécies e outras surpresas ecológicas, enquanto o desaparecimento de outros climas aumentará o risco de extinção de espécies de distribuição geográfica ou climática estreita."

"A nossa análise mostra que é muito mais provável que as zonas climáticas se alterem no cenário de maior aumento da temperatura média. Por isso, diria que apresentamos argumentos fortes para dar prioridade à redução das emissões de dióxido de carbono, antes de investir em soluções de conservação das espécies baseadas na adaptação às alterações climáticas." Até porque a única coisa certa é que haverá surpresas: "Termos de lidar com climas completamente diferentes do que já experimentamos torna difícil fazer planos para o futuro."

Notícia completa: aqui

Maior parque solar do mundo


Vai ser hoje inaugurado em Serpa, Portugal, o maior parque solar do mundo. "São 52 mil painéis fotovoltaicos, com uma potência total de 11 megawatts (MW), que transformarão a radiação solar em electricidade suficiente para suprir o consumo de oito mil pessoas."

Portugal é um país com enorme potencial na produção de energias limpas. Temos vento, ondas e muita radiação solar, para além dos rios. Pessoalmente sou contra a construção de barragens. Primeiro por destruiram o ciclo geológico natural, e segundo por serem produtoras de CO2, proveniente da matéria orgânica em decomposição (estes estudos são praticamente inexistentes em Portugal).

Numa situação como a actual, em que ninguém sabe muito bem como será o clima daqui a 50 anos, a construção deste parque solar é de louvar. Esperemos que se continue por este caminho.


Fonte: Público

terça-feira, março 27, 2007

A Terra e a Lua...



A Lua gira em volta da Terra. A Terra gira em volta da Lua. Ambas giram uma em torno da outra. Este facto parece um pouco estranho, pois a nossa intuição, ou o que aprendemos nos primeiros anos da escola, diz-nos que a Terra gira em torno do Sol e que a Lua gira em torno da Terra. De facto a Terra e a Lua giram em torno de um centro de gravidade comum, onde cada um dos corpos estão localizados em lados opostos relativamente ao centro. No entanto a Terra é muito mais maciça do que a Lua, pelo que esse centro de massa se encontra muito mais perto da Terra do que da Lua. Tão próximo que podemos considerar que é apenas a Lua que gira em torno da Terra.

O centro de gravidade do sistema Terra/Lua encontra-se 81,3 vezes mais próximo do centro da Terra do que do centro da Lua. Este centro de gravidade está localizado a cerca de 4700 quilómetros do centro da Terra. Ou seja, encontra-se a 1600 quilómetros abaixo da superfície da Terra.



A Terra não se mantém imóvel, para além do seu movimento de translação e rotação. Ela descreve também uma pequena circunferência em torno do centro de gravidade do sistema Terra/Lua sendo que o centro da Terra encontra-se sempre do lado do centro de gravidade mais afastado da Lua.
Bibliografia: Guia da Terra e do Espaço, Isaac Asimov

segunda-feira, março 26, 2007

Algumas curiosidades planetárias


Na antiguidade, quando ainda se pensava que o nosso planeta era plano, os antigos viam o céu como uma espécie de tampa semiesférica, que se unia com a Terra no horizonte.
Quando se começou a suspeitar de que a Terra era uma esfera, o céu foi reinterpretado como sendo a parte interna de uma esfera ainda maior que englobava a Terra. Em ambos os casos pensava-se tratar-se de uma cobertura sólida. Daí vem o termo firmamento, sendo que o prefixo firm- significa sólido ou firme. Ora, mas se o céu fosse firme então todos os corpos aí existentes deveriam mover-se solidariamente. Mas será que isto acontece deste modo?
Os Gregos, os Babilónios e os Egípcios eram grandes admiradores da abóbada celeste. Uns por questões práticas, utilizando-a como orientação para a navegação, outros por questões mais metafísicas. Muitos acreditavam que se podiam ler o futuro nas estrelas. (É interessante constatar que alguns milhares de anos depois ainda existem pessoas neste nível. Mais interessante ainda é que até aparecem na televisão!).
Estes povos perceberam que praticamente todos os objectos do firmamento descreviam um círculo em torno da Estrela Polar. Estes foram denominadas de estrelas fixas (existem cerca de 6000 destas estrelas visíveis à noite). Existem contudo 7 objectos que não se deslocam em conformidade com as estrelas fixas. Dois deles são obviamente a Lua e Sul, mas no entanto, existem 5 objectos em tudo semelhantes a estrelas e que não ocupam posições fixas no céu. Os Sumérios acharam estes objectos tão estranhos que resolveram atribuir-lhes nomes de deuses. Costume também adoptado pelos Gregos e pelos Romanos. Ainda hoje se mantém esta tradição, sendo os objectos semelhantes a estrelas denominados de Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. Estes corpos foram designados de planetas, do termo grego que significa errar ou vaguear.
Estes objectos eram tão místicos para os nossos antepassados que a semana de sete dias foi inventada pelos babilónios em honra a estes sete planetas (nesta altura o Sol e a Lua também eram considerados planetas). Ainda hoje em muitos idiomas europeus os dias da semana são designados de acordo com os nomes dos planetas. Em inglês temos Sunday (dia do Sol), Monday (dia da Lua) e Saturday (dia de Saturno). Também na língua francesa mardi (dia de Marte), mercredi (dia de Mercúrio), jeudi (dia de Júpiter) e vendredi (dia de Vénus). Os Hebreus adoptaram a semana dos Babilónios e tentaram dar-lhe um cunho religioso nos primeiros dois livros do Génesis, mas os nomes continuaram a mostrar a sua origem pagã.
Bibliografia: Guia da Terra e do Espaço, Isaac Asimov.

sábado, março 24, 2007

Tectónica de Placas

Evolução da distribuição das massas continentais nos últimos 750 milhões de anos. Retirado daqui.

A modelar o planeta há pelo menos 3.8 mil milhões de anos. Pelo menos é o que dizem estes senhores num artigo poublicado ontem na Science.

Notícia via Público.


Mais informações aqui e mais animações e imagens aqui e aqui.

sexta-feira, março 23, 2007

Geologia de Campo (XVIII)

Conjunto de filões relacionados com a intrusão de Sintra formando um X. Praia do Abano, Cascais.

quinta-feira, março 22, 2007

Um criacionista na Faculdade de Ciências


Ontem, no aparentemente infame Colóquio realizado na FCUL, Jónatas Machado deu, perante uma assistência maioritariamente constituída por cientistas, o seu show criacionista.

O programa do espectáculo consistia em primeiro rejeitar as regras da Ciência para depois demonstrar que esta, quando aplicada ao estudo da Vida, chegava a uma conclusão falaciosa porque da interpretação naturalista da Vida só pode resultar a teoria da Evolução. Isto constitui na visão deste senhor um argumento circular e um óbvia falácia e um caso exemplar de, nas palavras do próprio, trash in – trash out.

Pena que Jónatas Machado não tenha aplicado este raciocínio à interpretação Criacionista do mundo, essa sim, o argumento circular perfeito e um dos exemplos mais utilizados para descrever a falácia do argumento circular. É caso para dizer que se trata simplesmente de God in – God out.

Contudo, é curioso que o Criacionismo, apesar de rejeitar as regras da Ciência, procure tão persistentemente disfarçar-se de teoria cientifica, como que sugerindo que estas são necessárias para legitimar e validar as crenças religiosas, como uma interveniente sugeriu durante o debate final do colóquio.

Depois seguiu-se uma catadupa de questões a que a Ciência ainda não respondeu ou para a qual não existe ainda uma resposta consensual. Enfim, nada mais que os eternos pontos de interrogação que os criacionistas tanto gostam de transformar em divindade.

È claro que isto veio misturado com uma série de outras questões cuja resposta é conhecida e aceite, embora ainda se discutam alguns pormenores. Como a origem dos oceanos, que dá muito jeito rotular como desconhecida, principalmente se se estiver a pensar em arranjar uma maneira ligeiramente menos estapafúrdia de se meter um dilúvio e uma arca ao barulho para explicar a história do planeta e da vida nele contida.

Nos últimos minutos da sua intervenção, Jónatas Machado declarou que a evolução era cruel e ineficiente quando comparada com a criação perfeita um Deus omnisciente, omnipresente e benevolente (excepto naquele dia em Sodoma e Gomorra, mas dias maus temos todos…). Aparentemente os criacionistas vivem num mundo de eterna Primavera em que os passarinhos cantam, as abelhas polinizam lindas flores e os casais de animaizinhos aguardam em paz o nascimento das suas crias, alheios à existência de presas e predadores, de competição inter e intra populações, do canibalismo e de toda uma gama de catástrofes naturais que ocorrem quase diariamente por este mundo fora.

Posto isto, o orador saiu cedo evitando grandes confrontos com as suas afirmações (fora aquelas proferidas nas palestras que antecederam a sua) e remetendo para sites de supostos cientistas criacionistas. Não se pode dizer que se tenha perdido grande coisa…

Geologia de Campo (XVII)

Quartzitos na Serra do Marão, dobrados.

quarta-feira, março 21, 2007

Altamente recomendada

A leitura deste post de Palmira F. da Silva sobre as origens do Criacionismo moderno. E do resto do De Rerum Natura também.

Marte: água suficiente para cobrir a superfície do planeta

Espessura dos depósitos de gelo estratificados no pólo sul de Marte
Novos dados obtidos através de um radar construído pela NASA e pela Italian Space Agency, instalado a bordo do engenho espacial European Space Agency's Mars Express, revelou a existência extensiva de gelo de água (H2O no estado sólido) na região do pólo sul de Marte. Esta região contém água suficiente para cobrir a totalidade da superfície do planeta com uma espessura aproximada de 11 metros.

Estas estimativas foram elaboradas após a medição da espessura do gelo, que se encontra estratificado. O radar permitiu inclusivamente detectar a base desta unidade, que se encontra a a cerca de 3,7 km de profundidade.

A existencia de níveis de água nas regiões polares de Marte é mais um dado a favor da conjectura de que o Planeta já possuiu água liquida no passado. Este facto é muito importante pois todas a formas de vida conhecidas dependem da água liquida. Pensa-se que a água também tem um papel fundamental na tectónica de placas, e que esta pode por sua vez ter um papel fundamental na evolução da Vida na Terra. Será que o mesmo se passou com Marte? Qual o futuro daquele gelo? Poderá Marte vir a ter água líquida no futuro?

Crédito: NASA/JPL-Caltech. Ver original informação original aqui.

terça-feira, março 20, 2007

Colorado

Há sitios que não podiam ter outro nome.

segunda-feira, março 19, 2007

La Cueva de los Cristales


Na mina zinco, prata e chumbo de Naica situada na província de Chihuahua no México, descobriu-se em 2000, durante a escavação de um túnel, uma gruta repleta de cristais de gesso (selenite) com dimensões que podem atingir os 2 metros de diâmetro por 10 de comprimento.
Estes cristais precipiraram lentamente numa gruta formada pela dissolução do calcário através da acção de fluidos ácidos, ricos em enxofre. Estes fluidos preencheram a cavidade e entraram em contacto com outros provenientes da superfície ricos em oxigénio que oxidaram o enxofre e deram origem à precipitação lenta de gesso que permitiu a formação destes gigantes.


O único entrave à exploração (e à existência de mais fotos incríveis) desta gruta é o facto de se encontrar a temperaturas próximas dos 50ºC e ter uma taxa de humidade de 100%, o que a torna numa sauna natural a trezentos metros de profundidade onde a permanência prolongada sem o equipamento adequado pode causar a morte, deixando uma pessoa practicamente "cozida".

Mas isto não impediu o grupo italiano "La Venta" a inventar uma técnica que permitisse a permanência nas grutas, levando a cabo a sua exploração e a realização de um documentário rodado já no início deste ano.

Trailer do documentário aqui.
Mais informações sobre a descoberta e formação destas geodes de gesso gigantescas aqui, aqui e aqui.
Fotos aqui e aqui.

Vulcões Alienígenas

Erupções vulcanicas em Io. Fotografada pela New Horizons em Feb. 28, 2007(aqui).

Io é uma lua de Júpiter. O intenso campo gravitacional deste gigante gasoso provoca na sua lua um forte efeito de maré. Este efeito pode fazer a superfície de Io, constituída por crusta sólida, elevar-se e contrair-se cerca de 30 metros. É este fenomeno de contracção e expansão que faz com que Io possua um interior quente e fluido e em consequência exista actividade vulcânica. A energia cinética do efeito de maré é convertida em calor. (ver animação)


domingo, março 18, 2007

O Inverno já não é o que era



Ao que parece, os três meses que correspondem ao Inverno metereológico (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) que agora passou foram os mais quentes de sempre a nível global, quem o diz é a NOOA.
A culpa desta anomalia é atribuída tanto ao aquecimento global antropogénico como à prevalência de uma anomalia positiva nas temperaturas superfíciais das águas do Pacífico Equatorial conhecida por El Niño, que apenas se começou a dissipar durante Fevereiro. Contudo, este El Niño foi de uma intensidade bem mais reduzida que o de 1997-1998 responsável pelo anterior máximo de temperaturas invernais.
Agora as águas do Pacífico parecem estar a anunciar a vinda de uma condição inversa, conhecida por La Niña que potencia a formação de furacões no Atlântico e padrões de precipitação e temperaturas contrárias às vigentes durante o El Niño.
É de salientar também que estas temperaturas recorde ocorrem ao mesmo tempo em que a actividade solar se encontra em valores mínimos, que ocorrem ciclicamente de 11 em 11 anos sendo que isto invalida o argumento de que o Sol é o maior e único motor das alterações climáticas no nosso pontinho azul.