sexta-feira, março 09, 2007

OneGeology - geologia sem fronteiras


Um grupo de cientistas britânicos está a trabalhar num projecto que procura reunir toda a informação geológica disponível à escala global, eliminando de vez as barreiras no acesso ao conhecimento, porque a geologia não conhece fronteiras.

O projecto dá pelo nome de OneGeology e é uma iniciativa do British Geological Service e tem como objectivo disponibilizar a cartografia geológica de todo o planeta à escala de 1:1 000 000 e conta com a colaboração de vários países. Curiosamente Portugal não é um deles...

Mais informações aqui.

Via The Guardian.

Nota: Afinal parece que Portugal já aderiu a este projecto e que a nossa ausência se devia à inexistência de contactos prévios entre os membros do projecto e os serviços geológicos nacionais.

A semana em notícias

União Europeia aposta em energias renováveis para reduzir as emissões de dióxido de carbono.
E ainda bem, parece-me melhor ideia do que ter uma central nuclear em cada esquina.

Água em Marte pode estar presente sobretudo em lençóis freáticos subterrâneos e ser expulsa como consequência de erupções vulcânicas.


George W. Bush quer aumentar o consumo de biocombustíveis nos EUA e para isso conta com a ajuda do Brasil.
Vamos lá ver se isso não envolve deitar o que resta da Amazónia abaixo.

A poluição atmosférica reduz a precipitação em zonas montanhosas.

Os fluxos de gelo na Antártida são controlados por um sistema de lagos e cursos de água subterrâneos.
Se esses fluxos se alterarem lá vão as calotes polares alegremente até ao mar.

Descoberta ligação entre as nuvens de poluição asiáticas e as tempestades do Pacífico.
Já falamos disto aqui.

Oceano Mantélico

Há já algum tempo que uma geonotícia não me causava tão grande estupefacção.

"A seismologist at Washington University in St. Louis has made the first 3-D model of seismic wave damping — diminishing — deep in the Earth's mantle and has revealed the existence of an underground water reservoir at least the volume of the Arctic Ocean. It is the first evidence for water existing in the Earth's deep mantle."




Vejam aqui e aqui
Imagem: Washington University in St. Louis

quinta-feira, março 08, 2007

"Presidência Aberta" - Reais Benefícios

Cavaco Silva dedica segunda jornada do roteiro para a ciência às tecnologias limpas
05.03.2007 - Público


O Presidente da República, Cavaco Silva, vai dedicar a segunda jornada do roteiro para a ciência, que está marcada para os próximos dias 12 e 13, às tecnologias limpas.

As energias renováveis, a eficiência energética, a água, o saneamento básico, o combate à poluição marítima e a gestão dos recursos hídricos serão as áreas em torno das quais se desenvolverá a segunda jornada do roteiro para a ciência.Cavaco Silva vai visitar universidades, centros de investigação e desenvolvimento, empresas e instituições públicas (civis e militares) dos distritos de Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Santarém e Lisboa, cita a Lusa.



Já assitimos todos a inúmeras Presidências Abertas dedicadas às ciências. É caso para felicitarmos as iniciativas, porque nunca são demais. É bom ouvir falar os especialistas, promover o debate, divulgar os casos de sucesso, alertar para os perigos, etc. A minha questão está relacionada com o real benefício destas iniciativas. O que se sucede depois de mudar o tema da Presidência Aberta? Quantos mais cientistas passam a ser ouvidos? Quantos projectos novos se iniciam?
Acho que se poderia arriscar mais, afinal, é o Presidente da República o principal promotor. Não é uma simples conferência anual, ou um debate promovido por uma qualquer associação. Será que ficamos todos mais esclarecidos? Será que ficamos a ver o mundo que nos rodeia com outros olhos? Ou será apenas mais uma notícia que lemos nos jornais?


Quais são os reais benefícios de iniciativas como esta, ou como a Presidência Aberta, para a ciência em Portugal?

Olha, passou ali uma onda sísmica



Este vídeo ilustra a passagem de uma onda sísmica provocada não pela libertação de tensões acumuladas na crosta terrestre mas pela explosão do engenho nuclear mais potente alguma vez detonado pelos EUA (equivalente a 5 megatoneladas de TNT, 400 vezes mais potente que a bomba de Hiroshima) em Amchitka, uma ilha pertencente ao Arquipélago das Aleutas, perto do Alaska a 6 de Novembro de 1971.

A detonação deu-se a uma profundidade de cerca de 2000 m e os sismómetros localizados nas proximidades registaram um abalo com uma magnitude de 7 na escala de Richter. Alguns dias depois da detonação deu-se a subsidencia da caverna formada pela vaporização da rocha durante a explosão, originando um novo lago com cerca de 2 km de diâmetro ao mesmo tempo que se registaram uma série de abalos resultantes da interacção entre os efeitos da explosão e as tensões tectónicas presentes naquela ilha.

No entanto, as ondas sísmicas geradas durante uma explosão nuclear são bastante diferentes das registadas durante um sismo de origem tectónica. Estas detonações produzem ondas P com amplitudes mais elevadas que as ondas S ao contrário dos sismos naturais, o que permite a detecção de uma experiência nuclear em qualquer parte do mundo, desde que existam sismómetros suficientemente próximos para registar o evento.

Isto foi a principal motivação para que, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos e os seus aliados instalassem por esse mundo fora uma extensa rede de sismómetros que para além de detectar testes nucleares Russos e Chineses veio a fazer avançar grandemente os conhecimentos nos domínios da sismologia e outras Ciências da Terra.

Portanto, pelos vistos os testes nucleares não têm só consequências negativas. É que para além motivarem a implementação de redes de sismómetros, este teste em Amchitka fez com que um grupo de ambientalistas partisse em direcção à ilha num barco chamado Greenpeace para o tentar impedir. Dessa viagem resultou o nascimento da associação ambientalista mais famosa do mundo que herdou o nome inscrito no barco que transportou os seus fundadores , e embora eu não concorde sempre com os métodos e acções dos senhores, pelo menos chamam a atenção para uma data de assuntos importantes.

Mais informações:

Reportagem da Time sobre o teste em 1971.
Relatório da Greenpeace sobre os efeitos da explosão.

quarta-feira, março 07, 2007

Pequeno documentário sobre parque Criacionista



Pequeno (menos de 10 minutos), estranho e até divertido documentário sobre um parque Criacionista entratanto encerrado na Florida, Estados Unidos da América, porque o seu dono estava demasiado empenhado em tentar convencer pessoas que os humanos eram contemporâneos dos dinossauros para pedir as devidas licensas.

Via BoingBoing.

Geologia de Campo (XIV)


Sequência de escoadas lávicas (mais escuras) intruídas por soleiras e um dique (mais claros) na ilha de Skye, Escócia.

terça-feira, março 06, 2007

Poluição asiática dá a volta ao mundo ( e ao clima)


As nuvens persistentes com três kilómetros de espessura constituídas por poeiras, fuligem e aerossóis que cobrem partes da China, Índia, Bangladesh e outros países do Sudeste Asiático concorrem com o efeito de estufa para reclamar o primeiro lugar na categoria de "efeito antropogénico mais nocivo do século".
Estas nuvens, derivadas de emissões proveniente de actividades industriais e da queima de biomassa, para além de serem óbvias fontes de problemas respiratórios, vão bloquear a radiação solar diminuindo a temperatura diurna na região por elas coberta e afectando a produtividade das colheitas da região.
Vão também agir como núcleos de condensação de nuvens por toda a região do Índico e Pacífico, condensando gotículas mais pequenas dentro de cada nuvem. Isto vai inibir a sua coalescência e consequente precepitação sob a forma de chuva, modificando os padrões de precipitação nessas regiões, incluindo a duração e distribuição da Monção Indiana, vital para a agricultura naquela parte do mundo.
Mas não é só a Monção Indiana que é afectada, estes aerossóis vão influenciar toda a distribuição de tempestades na região do Pacífico, condicionando inclusive o padrão de ocorrência das mesmas nas costas Oeste dos Estados Unidos da América e Canadá.
E para ajudar ainda mais à festa, se a fuligem contida nestas nuvens se depositar no topo de glaciares ou calotes polares vai contribuir para que o gelo absorva uma maior quantidade de radiação solar, acelerando o seu degelo.


A existência destas nuvens é mais uma razão para que estes países sejam pressionados (se não o fizerem voluntariamente, afinal os riscos para a saúde pública e para as colheitas são em si enormes) a adoptarem rapidamente medidas tendo em vista a redução das suas emissões de aerossóis e dióxido de carbono e abandonar a retórica do "se vocês poluíram, nós também podemos", caminhando na direcção de um desenvolvimento mais sustentável, porque afinal o problema pelos vistos não é só deles...

Mais informações:
Programa de monotorização e estudo de impacte da nuvem de poluição asiática.
Reportagem sobre a influencia dos aerossois asiáticos na distribuição das tempestados no Pacífico.
Reportagens na CNN e na BBC sobre os riscos relacionados com a nuvem de poluição.
Efeitos dos aerossóis no clima.
Influencia da nuvem de poluição na produtividade agrícola.

Entrevista com Pedro Terrinha

Já que se falou no sismo de 1755 e na Planície Abissal da Ferradura, fica aqui o link para uma entrevista com o Dr. Pedro Terrinha, um dos especialistas nesta matéria, publicada na revista Vega.

Mais um sismo na zona da Planície Abissal da Ferradura

Também hoje houve mais um pequeno sismo (mag. 3,7) na zona da Planície Abissal da Ferradura (Horseshoe Abissal Plain). Ver aqui
A Planicie Abissal da Ferradura localiza-se na Margem SW Ibérica, sendo limitada a Oeste pelo Banco de Gorringe e a Este pela Falha da Ferradura. É o zona onde se localiza a fonte do sismo de 1969, assim como do sismo do passado mês de Fevereiro. Vários autores conjecturam que o Grande Sismo de Lisboa de 1755 também pode ter sido gerado neste local.

Sismo na Indonésia



Um sismo abalou hoje a Indonésia e a cidade-Estado de Singapura e fez pelo menos 82 mortos na ilha indonésia de Sumatra, segundo as últimas informações divulgadas por funcionários da Unicef presentes no local, indicou um porta-voz daquela organização da ONU, a partir de Genebra.

O Instituto Nacional americano de Geofísica estimou que a magnitude do sismo foi de 6,3 na escala aberta de Richter, com o epicentro a uma profundidade de 30 quilómetros. Por seu lado, a agência de meteorologia de Singapura estimou que a magnitude do abalo rondou os 6,6 na mesma escala de avaliação.

O abalo telúrico ocorreu às 10h49 em Sumatra (3h49 em Lisboa) e o seu epicentro localizou-se a 21 quilómetros a sudoeste da cidade de Bukittinggi, indicou à AFP a agência de sismologia de Jacarta, a Jafar.

in Público, 6/3/2007

segunda-feira, março 05, 2007

Stromboli


O Vulcão Stromboli voltou a verter lava para o mar no passado dia 28 de Fevereiro. Este vulcão, localizado numa pequena ilha a norte de Sicília, é o vulcão europeu mais activo, sendo um dos mais activos do mundo. Está em erupção quase contínua desde à pelo menos 2000 anos.
Photograph by Mario LaPorta/AFP/Getty Images.
Fonte aqui e aqui.

domingo, março 04, 2007

Fogo e Gelo

O glaciar de Vatnajökull, na Islândia, seria apenas mais um na extensa lista de glaciares árticos não fosse a particularidade de por debaixo deste se situar o bastante activo vulcão de Grímsvötn.

Cada vez que este vulcão entra em erupção derrete o gelo que se encontra a cobri-lo e a água resultante desse degelo vai interagir com a lava dando origem a explosões que libertam grandes quantidades de cinza e vapor de água.

Se a erupção for suficientemente longa e intensa, o calor libertado pode derreter grandes quantidades de gelo, escavando um canyon no glaciar que vai libertar grandes quantidades de gelo, lama e pedras nas regiões proximas do glaciar, numa inundação catastrófica que tem o impronunciável nome de Jökulhlaup.


Islândia, uma terra de extremos.
Mais fotos e informações sobre as erupções do Grímsvötn aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, março 02, 2007

Novas imagens de Saturno

Mosaico a partir de dados da sonda Cassini
Ver mais aqui
e vejam este video
e se gostaram deste video, aqui há mais

Auroras Boreais em Júpiter


Imagens obtidas com Hubble's Wide Field Planetary Camera 2 e the Advanced Camera for Surveys.

Fonte: hubblesite.org

quinta-feira, março 01, 2007

Ano Polar Internacional (2007-2008)

Glaciar "Pé de Elefante", costa Este da Gronelândia.

Começou hoje o Ano Polar Internacional, que visa divulgar conhecimento sobre os pólos, as zonas mais selvagens e pristinas da Terra, assim como incentivar à sua preservação, cada vez mais ameaçada quer por uma atmosfera cuja temperatura não pára de aumentar quer por interesses de várias ordens.
Pode ser ainda que este ano coincida com a criação de uma programa polar português e com a ratificação do tratado da Antártida o que constituíria um grande passo em frente para a comunidade científica nacional, abrindo uma série de novas linhas de investigação em diversas áreas e pondo-nos a par com outros países como a Itália, o Brasil, a Índia, a Nova Zelândia que para além das "super potências" científicas como os EUA, o Reino Unido e a França possuem programas de investigação e bases na Antártida.
Mais informações sobre as actividades relacionadas com o Ano Polar Internacional a decorrer em Portugal aqui.

Via Linha dos Nodos.

Ruptura superficial em falhas

Ruptura provocada pelo sismo de 1999 em Taiwan.

Quando ocorre um sismo violento, a uma profundidade reduzida e numa falha que se propague até à superfície é provável que o movimento ao longo do plano de falha venha modificar a superfície topográfica, como nas fotografias que ilustram este post.

Ruptura associada ao sismo de 1999 em Izmit, Turquia.

Ruptura associada ao sismo de 2004 em Nigita, Japão.

Ruptura superficial associada a um sismo ocorrido em 1999 no sul da Califórnia, EUA.

Ruptura provocada pelo sismo de 1999 em Taiwan.

Ruptura provocada pelo sismo ocorrido em 1987 em Edgecumbe, Nova Zelândia.

Ruptura provocada por um sismo na falha de Santo André, Califórnia, EUA.

Ruptura superfícial associada a um evento sísmico recente na Mongólia.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O buraco da Guatemala

O buraco que se abriu este fim de semana na capital guatemalteca parece-me uma dolina associada a morfologia cársica típica de zonas com substratos calcários ou evaporíticos.
No entanto, os relatos feitos pelos media apontavam para que o buraco tenha sido escavado pelas águas que saiam de uma ruptura num esgoto, algo manifestamente insuficiente para erodir 100 metros de rocha em alguns dias mas que poderia muito bem remover o topo da gruta que entretanto colapsou.

É bom que se comece a ter em conta a existência de grutas e dolinas na para efeitos de planeamento urbano. Ninguém está interessado em ver algo semelhante repetir-se em zonas de Portugal onde abundam grutas.

“Terras ao Sol" - encontro de jovens geocientistas

Estava a passar pelas notícias do Ciência Hoje quando reparei neste congresso.

Felicito a ideia, principalmente quando vem chamar os jovens, quando os pões a discutir, a encontrar soluções. Diz-se que a única maneira de educar é pelo exemplo. é fácil de perceber se tivermos em conta os nossos primeiros anos. Tudo o que fazemos é por imitação, até na fala. É por isso que se vêm adultos a fazer algumas figuras tristes quando rodeados de crianças. É só para dar o exemplo.

Sou contra a ideia de que os jovens são o futuro. Eles são mais do que isso, eles são o agora. E é neste "agora" que devem ser levados a pensar, a usar o raciocínio, as artes do discurso, do diálogo, do trabalho em equipa, etc. É neste "agora" que o exemplo tem de partir de nós, mais velhos.

Que me adianta a mim saber que a Terra gira, que existem biliões de sóis e que o universo é infinito (ou que existem vários universos), se não conseguir partilhar estas ideias e conhecimentos. Se não conseguir despertar nos mais novos o interesse do que me rodeia, da felicidade de...pensar.
Que me adianta a mim preservá-los de tomar decisões e fechá-los em casa... Os jovens são o "Agora", e é agora que tem de seguir os exemplos.

II Congresso dos “Jovens Geocientistas - Terras ao Sol”, que decorrerá nos próximos dias 19 e 20 de Março no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.
O Congresso é promovido pelo Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e está centrado nos estudantes dos Ensinos Básico e Secundário. São eles os autores dos trabalhos a apresentar durante o evento. Estes trabalhos estão a ser orientados pelos seus professores e por docentes do Departamento de Ciência da Terra.

Com o apoio institucional da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através do Programa Ciência Viva.

Escolas que participam:Cercal do Alentejo, Vilar Formoso, Cacém, St. António dos Cavaleiros, Ferreira do Zêzere, Louriçal , Juncal, Guarda, Tondela, Caxarias, Baião, Figueira de Castelo Rodrigo, Poiares, Lousã, Penacova, Seia, Alcobaça e Coimbra

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Mais um pouco de Universo

As perguntas suscitadas num dos posts anteriores levaram-me a pensar em escrever mais umas coisas acerca do Universo. Os físicos têm sido confrontados desde há muito tempo com a questão da criação e expansão do Universo. É “quase” consensualmente aceite que o Universo teve um principio no qual o espaço e o tempo foram criados a partir do nada, ou se quisermos, a partir de um ponto infinitamente pequeno e com densidade infinita (Ambos não fazem sentido nas nossas cabeças). O problema é que também não fazem sentido nas equações físicas. O edifício colapsa. Segundo diversos autores (a maioria) também o próprio tempo foi criado no Big Bang e por isso, chuta-se para canto, afirmando que desta forma não faz sequer sentido pensar no que havia “antes”. O antes simplesmente não existia, a expressão tempo não tem significado. Outra questão que é normalmente mal interpretada é a de o Big Bang ser visto como uma explosão. Numa explosão há qualquer coisa que se fragmenta e se espalha dentro de um meio, normalmente é matéria que se dispersa no espaço ou no ar. Ora após o Big Bang o que se expandiu e continua a expandir é o próprio espaço, a matéria fica imóvel! Pensemos da seguinte forma: imaginemos duas pessoas paradas no espaço a uma distância de por exemplo 2 metros. Se de facto se tratasse de uma explosão convencional as pessoas afastavam-se do centro da explosão com uma determinada “velocidade”. Caso a explosão fosse exactamente no meio das duas estas afastavam-se em sentidos opostos (confesso que só agora me apercebi que é um pouco macabro dar este exemplo com pessoas, mas imaginemos que nada lhes acontece e que permanecem de boa a saúde e com todos os membros). Mas se por outro lado fosse o espaço que se estivesse a expandir, como é o caso do Universo, as duas pessoas não se mexem, mantêm-se imóveis, mas entanto afastam-se. Na realidade é o espaço entre elas que aumenta, é criado espaço novo entre elas. É exactamente isto que acontece com o Universo. E nenhuma lei física é violada. O Principio da Conservação da Massa não é violado. A física não permite que se crie matéria do nada (se bem que com a mecânica quântica possa ser discutível e de facto pode ser criadada matéria do nada, mas por apenas fracções de segundo, 10^− 43s e ao nível da escalas da dimensão de Plank, ~10^− 35m, chamam-se flutuações quânticas), mas o espaço pode e é criado. Outra analogia é pensarmos num balão a encher. Quando estiver vazio marquemos dois pontos sobre a sua superfície com um marcador. Quando o enchemos e à medida que a área da superfície elástica do balão aumenta os pontos vão-se afastando. Mas de facto eles não se mexem, mantêm-se exactamente no sítio onde os pintámos, é a superfície entre eles é que vai aumentando, vai esticando, cria-se espaço bidimensional entre os pontos. Com o Universo passa-se a mesma coisa, o espaço tridimensonal estica-se e a matéria fica mais diluída. (Na realidade o espaço tridimensional estica ao longo de um espaço quadrimensional, a 4D é o tempo; é imperativo haver um tempo ao longo do qual as outras três dimensões possam esticar-se. É-nos impossivel visualizar isto de forma intuitiva e sem ferramentas matemáticas, mas isto fica para o outro post..) Desta forma não faz sentido pensar num Universo a expandir dentro de uma espaço, o espaço só existe dentro do Universo. Fora dele estamos por enquanto no domínio da metafísica. Não me quero alongar mais com medo que isto se torne uma grande seca. Em breve voltarei a este assunto, mas tentarei reparti-lo por vários posts. É um assunto absolutamente fascinante.

Geologia de Campo (XII)

É um monoclinal? É um flanco de uma dobra?
Não, é a caixa de falha, colorida pelos efeitos da circulação de fluidos, da falha de Carboneras, na região de Almeria, Sul de Espanha.
A falha de Carboneras é um desligamento esquerdo onde já ocorreram, no mínimo, 30 km de movimento entre cada um dos blocos que separa, esmagando a rocha nas suas proximidades que depois de alteradas químicamente pela circulação de fluidos deram origem ao material observado na foto.

Será o Multiverso Infinito?

Acabei de tomar banho. Daqueles banhos em que ficamos debaixo do duche, fechamos os olhos e começamos a viajar. Teria sido normal, e não estaria aqui a escrever este post se essa viagem tivesse sido até uma qualquer ilha paradisíaca no meio do Oceano Pacífico. Mas não! Não foi! Viajei até aos limites do Universo, e claro perdi-me por lá. Quando lá estamos, sem sabermos bem onde, várias questões nos surgem: Será o Universo infinito? Será finito mas ilimitado (tipo a superfície da Terra, em que por mais que andemos nunca lhe encontramos um fim)? Confesso que qualquer uma das repostas me deixa estupidamente perturbado. Passo a dissecar. Se pararmos por uns instantes, fecharmos os olhos (aconselho vivamente a faze-lo debaixo do duche, e sozinhos de preferência) e pensarmos: Ok! O Universo é obviamente infinito. Esta afirmação traz rapidamente um outro problema. O que é o infinito? Fechemos outra vez os olhos, deixemos a água bater-nos na testa, e tentemos imaginar um universo infinito (ou outra coisa qualquer infinita). Não dá! Não faz sentido! É claro que podemos comer e calar, assumir que ele é infinito e pronto. Se os cientistas o dizem, não vale a pena pensar mais nisso. Mas creio que não é essa a posição do leitor, caso contrario não estaria provavelmente a ler este post. Então voltemos às nossas questões. Escolheremos a outra perspectiva. O Universo é finito mas ilimitado. Pensemos… Que chatice, também não faz sentido! Ok! Até podemos assumir que o Universo é como a Terra, mas com curvatura negativa, isto é, em vez de estarmos na superfície da esfera da parte de fora, estamos na superfície de uma esfera, mas da parte de dentro. Por mais que andemos, vamos sempre parar ao mesmo sítio e não encontramos fronteiras. (Confesso que a superfície da Terra ser uma esfera também me causa alguma comichão, é que os gajos do outro lado do planeta estão a tomar banho de cabeça para baixo). Mas voltemos ao fim do Universo. Onde íamos? Ah! Sim! Já me lembro! Estávamos a queimar neurónios no Universo finito mas ilimitado. Ora! Pensemos outra vez... Isto também não faz sentido. Se estamos lá dentro tem de haver qualquer coisa lá fora. Alguns cientistas pensam que pode não ser bem assim, que poderia pura e simplesmente ser finito e ilimitado e não haver nada lá fora, nem sequer faz sentido pensar em lá fora. (ponto final) Mas há questões apêndice, como por exemplo: Para onde vai a matéria que entra num buraco negro? Outros cientistas, na tentativa de explicar este e outros fenómenos propuseram a existência de um Multiverso, no qual o nosso Universo é apenas um dos muitos Universos que para aí andam. Ora, daqui a cem anos saberemos muito mais e iremos ter a certeza de que de facto estamos num HiperMegaMultiUniverso, no qual o nosso MegaMultiUniverso é apenas um dos muitos MegaMultiUniversos que constituem o HiperMegaMultiUniverso. Claro, isto faz muito mais sentido!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

E o Óscar vai para...

Ás vezes sinto que estou a fazer campanha por este senhor, mas não me importo. Simpatizo com a causa, inspira-me o esforço e a dedicação. Saúdo a inteligência política e científica com que percebeu que deveria abordar o tema.

A Verdade, é que o filme ganhou um óscar para melhor documentário. Parabéns ao primeiro ex-futuro Presidente dos EUA a "ganhar" um Óscar.

Ouvir um sismo

Aqui e aqui.
O estrondo incial corresponde ao evento principal e os mais pequenos que se seguem a réplicas.
Estes sons são capturados por geofones associados a sismómetros.

Encelado e Saturno



Uma foto magnífica de Encelado (Lua de Saturno), retirada daqui. Ver Post Uma lua temperamental , por André Pinto.


Saturno e algumas das luas.

domingo, fevereiro 25, 2007

Videos de sismos

Os momentos que acompanham a passagem das ondas sísmicas são cada vez mais frequentemente captadospor câmaras de em video por esse mundo fora, quer por câmaras pessoais quer pelas cada vez mais presentes câmaras de segurança.
Mas se o medo e a disrupção dos sistemas eléctricos associados à ocorrência de um sismo não permitem um registo claro do evento, há casos em que a intensidade destes é relativamente mais reduzida e permite ao operador filmá-lo em quase toda a sua totalidade.
É esse o caso do vídeo abaixo, filmado em 2006 durante um sismo de magnitude 6.7 ocorrido a 15 de Outubro de 2006 na ilha de Maui, no Hawaii.



Neste vídeo é possível distinguir, através do movimento da câmara, a chegada dos diferentes tipos de ondas sísmicas. Primeiro as ondas Primárias á volta dos 39 segundos, depois as ondas Secundárias (43 segundos) e finalmente as ondas de superfície (Love e Rayleigh) aos 45 segundos, que se propagam conforme a figura abaixo.


Abundam também pelo Youtube uma série de vídeos de sismos menos didáticos mas bem mais espectaculares como é o caso dos dois que se seguem, registados durante o sismo de magnitude 7 que afectou Kobe em 1995. Para além de ser impossível ficar indiferente aos efeitos causados por um evento desta magnitude, não consigo deixar de me perguntar porque raio é que estava aquele tipo no primeiro vídeo a dormir no escritório...



sábado, fevereiro 24, 2007