segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Geologia de Campo (X)

A partir de hoje vamos passar contar com fotografias de colegas e leitores nesta pequena secção.
A primeira é uma foto da ilha Terceira de Davide Gamboa.

Construção, sismos e responsabilidade


Pode-se ler na edição impressa do Público de hoje (mais) uma notícia (transcrita abaixo) sobre a inacreditável negligência que caracteriza as nossas autoridades e entidades privadas em relação à preparação das estruturas para resistir a um sismo.
A existência de legislação ajuda a que o Estado fique com a consciência tranquila, apesar de não fiscalizar a sua aplicação, o que deixa as construtoras livres de a cumprir ou não, e já se sabe que como a memória é curta (1755 e 1910 já foram há muito tempo...), pode-se muito bem poupar uns trocos em materiais e estudos geotécnicos que essas coisas nunca hão acontecer...
E pronto, assim deixa-se tudo a postos para uma catástrofe anunciada em que a culpa vai morrer, como de costume, solteira.


Poucas garantias na resistência a sismos
19.02.2007
Numa semana em que o sul do país sofreu um sismo, as nossas casas estão preparadas para resistir aos sismos? "Umas sim, outras não", afirma o bastonário. "a partir dos anos 40/50 as construções passaram a ser de betão armado. Se forem aplicados os regulamentos obrigatórios, o que os engenheiros podem garantir é que em caso de sismo não há colapso. Pode haver danos, mas não há colapso." Para as construções anteriores há mais nuances. "A seguir ao terramoto de 1755 passou a construir-se em madeira, tipo gaiola, que era uma construção inovadora para a época. depois tivemos um período menos bom no princípio do século xx, em que ainda não havia o betão armado e a construção era em alvenaria". Nestas construções "começou a deitar-se algumas paredes abaixo, o que altera a capacidade de resistência do edifício e não há uma garantia do comportamento".
Um "aspecto muito positivo" é o facto de metade dos 5,5 milhões de habitações que há em Portugal ter sido construída nos últimos 30 anos.
Mas, ainda assim, "também não há uma garantia porque não há uma qualificação rigorosa dos técnicos que podem subscrever projectos", diz fernando santo. "Os técnicos não são sempre engenheiros e o ordenamento do território não é o nosso melhor domínio. Muitas construções foram feitas em leitos de cheias, em zonas onde não devia ter sido permitida a construção sem que tenham sido feitas as sondagens e os estudos geotécnicos para que as fundações fossem as exigidas."
Responsabilidades? "Deixar construir naquelas condições é das entidades públicas que aprovam. Da parte dos técnicos, a responsabilidade é não terem pedido os estudos nem a análise do terreno."

sábado, fevereiro 17, 2007

Outro sismo esta noite...


A Terra voltou a tremer esta noite. A magnitude foi um pouco mais baixa do que a do sismo do passado dia 12. O sismo de hoje teve outra vez origem na Falha da Ferradura, só que desta vez um pouco mais a Norte e com uma magnitude de 4.7. O mais curioso é a profundidade do hipocentro, 133 km. É muito abaixo da crusta!?

Magnitude: ML 4.7
Data: 17-02-2007, às 05:44 UTC
Localização: 36.32 N ; 9.95 W
Profundidade: 133 km

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Supervulcões

Um supervulcão, para além de ser um vulcão muito grande, dá origem a erupções extremamente explosivas (apropriadamente classificadas como "mega colossais") em que são ejectadas mais de 500 km3 de cinzas e outro material piroclástico, uma quantidade suficientemente grande para atapetar áreas equivalentes ao tamanho de metade dos Estados Unidos da América.

Só para servir de comparação, a erupção do Tambora em 1815, a maior erupção registada na história moderna, expeliu apenas cerca de 100 km3 o que foi suficiente para fazer diminuir a temperatura global durante 3 anos seguidos, tendo 1816 ficado conhecido como “o ano sem verão”.

O efeito destrutivo dos supervulcões foi já mediatizado tanto pela BBC como pelo Discovery Channel sob a forma de docudramas carregados de efeitos especiais sobre hipotéticas erupções das caldeiras de Yellowstone, o maior e mais conhecido supervulcão. Mas há quem pense que há aproximadamente 71000 anos, uma erupção na caldeira com 100x30 km do Toba, na Indonésia, quase provocou a extinção da espécie humana, reduzindo a sua população a apenas algumas dezenas de milhares de indivíduos depois das suas cinzas terem bloqueado a entrada de radiação solar na atmosfera e causando a queda das temperaturas globais em cerca de 3ºC durante vários anos.
Felizmente estas erupções são raras, ocorrendo em média 1.4 por milhão de anos (Mason et al., 2004), não existindo grandes razões para alarme (excepto se Hollywood decidir tornar este fenómeno em mais um mau disaster movie), pelo menos a curto prazo. Mas não custa nada ter estes gigantes debaixo de olho...


Água em Marte (outra vez)

Chegou hoje, pela mão da Science, a notícia da descoberta de mais um indício para a existência passada de água líquida na superfície do planeta vermelho.
Desta feita foram fotos de alta resolução tiradas pela Mars Reconnaissance Orbiter da NASA que permitiram o reconhecimento de pequenas cristas causadas pela erosão diferencial de arenitos . A erosão veio destacar zonas em que a circulação, através de fracturas, de água enriquecida em ferro foi cimentar estes arenitos tornando-os mais resistentes aos agentes erosivos.
O mais engraçado é, que para ocorrer este tipo de reacções, é necessário que a água tenha permanecido durante algum tempo em circulação e a temperaturas provavelmente mais altas que as presentes hoje em dia em Marte, sugerindo um passado bem mais dinâmico para o nosso vizinho encarnado.

Via The Guardian.

SOS Praia Azul




Parece que os atropelos à Rede Natura são uma constante. A Praia Azul pode ser a próxima...
Mais uma vez os interesses económicos privados colocam em risco património natural legalmente protegido e de reconhecido valor internacional. A Rede Natura 2000 é um conjunto de áreas com estatuto de protecção que todos os países da União Europeia definiram e que constitui um dos mais importantes mecanismos de conservação da natureza na Europa.
Portugal é afortunado ao ter uma relativa abundância de habitats dunares atlânticos bem conservados, mas a nível europeu tais condições são escassas, tornando-as um património único e que urge conservar.
Destruiram o Algarve e agora querem destruir o Oeste com resorts de luxo e campos de golfe para meia dúzia de estrangeiros de classe alta.

http://sospraiaazul.blogspot.com/

Obrigado Piteira por este link.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O degelo do Ártico



Esta animação mostra a evolução recente (1979-2005) da extensão média anual das plataformas do gelo Ártico. Com as coisas a continuar como estão, pensa-se que lá para 2040, durante o Verão, já restará pouco gelo neste oceano, coisa que não se via há muito, muito tempo.
Enfim, e quem se lixa é o urso polar (e mais uns quantos bichos menos mediáticos).

Via NASA.

Geologia de Campo (IX)

"A Capela", dobra em "flysch" do Carbónico, Praia do Telheiro, Sagres.

Freecycle...mais uma ideia tornada acção

Tens coisas em casa que já não utilizas?

Andas a pensar deitá-las fora?

Espera!!!
Podes dá-las a alguém que esteja a precisar!!!

Para isso criei uma mailing list em que as pessoas anunciam que objectos têm para dar, ou que objectos desejam ter. Assim consegue-se "reciclar" objectos, e evitar que estes vão direitos às lixeiras e aterros .

http://br.groups.yahoo.com/group/LisboaFreecycle é o link a clicar!!!

O Lisboa Freecycle® é um grupo que está aberto a todos os que querem "reciclar" algum objecto especial em vez de o deitar fora. Seja uma cadeira, um aparelho de fax, um piano ou uma porta velha, és livre para afixar. Ou talvez estejas a procurar adquirir algo por ti mesmo!
Os grupos de fins não lucrativos também são bem-vindos em participar!

Uma regra principal: tudo o que é afixado deve ser gratuito e livre.

Este grupo faz parte da rede Freecycle, uma organização sem fins lucrativos e um movimento de pessoas interessadas em manter os bons materiais fora dos aterros e das lixeiras.
Este grupo pretende promover a "reciclagem" de objectos na área de Lisboa, contudo existem outras comunidades no país e no Mundo. Visita freecycle.org para conhecer as outras comunidades e para teres mais informações sobre o movimento!

Agora toca a re-utilizar! Com a proximidade da extinção de importantes recursos naturais, a re-utilização de materiais é essencial para o futuro da Terra, e neste grupo estás a contribuir
directamente para um planeta mais sustentável.

Utiliza o e-mail LisboaFreecycle-owner@yahoogrupos.com.br
para colocar perguntas ou apresentar sugestões de melhoria!

João Aguiar
Moderador da comunidade Freecycle de Lisboa

versão em pdf

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Documentários online (grátis!)

Uma qualquer alma caridosa compilou neste site uma lista de documentários disponíveis para visualização online gratuita.
Os temas abrangidos vão desde a Geologia, Astronomia e outras ciências até ao Criacionismo (deve valer a pena dar uma espreitadela, nem que seja para rir um bocado) e às teorias da conspiração, passando pelas Biografias e a Antropologia.
Se têm largura de banda que suficiente e não são demasiado esquisitos com a qualidade da imagem, vão a Best Online Documentaries.

NASA - Imagem de Astronomia do dia

A NASA tem a bodade de disponibilizar diariamente neste link espectaculares imagens capturadas com os seus telescópios e satélites.
Hoje, o prato do dia é Io, uma lua vulcânica de Júpiter.
A visitar.

Via Quinta do Sargaçal.

Bacalhau bicarbonatado

Segundo um recente artigo publicado na Nature, os fundos oceânicos são um reservatório de CO2 antropogénico com tempos de residência bastante superiores ao que se pensava. Até agora, pouco se conhecia acerca do papel das águas profundas no ciclo do carbono enquanto sumidoiro. Os autores deste artigo baseiam-se em dados compilados ao longo de décadas, confrontando a evolução do carbono inorgânico com o pH, nutrientes dissolvidos, oxigénio e outros factores. Ao que parece, sugere-se um mecanismo de dissolução superficial seguido de transporte em profundidade, conduzindo a um estado mais subsaturado das águas superficiais em relação ao CO2 e consequente remoção de mais CO2 atmosférico, repetindo-se os processos referidos ciclicamente.
Gostaria de ler o artigo por duas razões:
a) Como é feito o transporte em profundidade;
b) Se foi quantificada a evolução supersaturação de águas superficiais em relação ao CO2 atmosférico e/ou para águas profundas; em função do tempo.
De resto, as consequências destes factos nos ambientes marinhos são conhecidas. Diminuição rápida do pH e más notícias para a malta que lá vive.
Não entendo porque refere a Nature que isto são boas notícias para a redução do risco de alteração climática. Necessitaria ler o artigo para conhecer a velocidade de resposta do sistema. A verdade é que, alterando as propriedades fisico-químicas da água do mar, serão afectadas importantes correntes de fluxo térmico, como a NADW. Até que ponto... isso é investigação que, certamente, estará a decorrer.
Outro facto é que o clima está a mudar no sentido da subida da temperatura média global, e são 3Gt/ano de CO2 da nossa responsabilidade que todos os anos entram no ciclo, via atmosfera.

View this barbaric scene

http://www.glumbert.com/media/dolphin

than sign the petition please

http://www.petitiononline.com/golfinho/


Esta petição conta com mais de 100000 assinaturas e é directamente dirigida ao Primeiro Ministro do Japão! Tem como objectivo acabar com a forma brutal como os Golfinhos são mortos neste país.

Haja alguem com cabeça!


"O Ministério do Ambiente chumbou a construção de uma ilha artificial de cem hectares em frente à praia de Vale de Lobo, no Algarve, uma iniciativa do grupo de empresas que detém o empreendimento turístico local."

link: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1285608&idCanal=80

Estamo numa época em que é urgente começarmos a pensar seriamente o que queremos fazer deste planeta. O primeiro passo é minimizar o nosso impacto nos ecossistemas naturais, sem os quais a própria sobrevivencia da Humanidade, como hoje a conhecemos, pode ser posta em causa. Devemos defender o que temos de melhor. O turismo em Portugal deve ser uma aposta, mas com tantos espaços naturais maravilhosos, esta ideia de construir uma ilha artificial na costa portuguesa cheira-me a disparate. Não é esse o caminho. Devemos preservar ao máximo o que temos. Isto não é uma ideia de um qualquer ecologista radical, a protecção do ambiente e o desenvolvimento sustentável são hoje acima de tudo um dever cívico.
Depois do grande salto extremamente positivo que foi a declaração universal dos direitos do Homem, é necessário reconhecer também os direitos do nosso planeta e acima de tudo reconhecer as responsabilidades que temos perante a este. A Terra é a nossa casa, mas também será a casa das futuras gerações, é nosso dever preservá-la e acima de tudo protege-la de nós próprios..

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A falha da Ferradura

Figura 1: Mapa da região do golfo de Cádiz, incluindo epicentros de alguns sismos aí registados e mecanismos focais. Falha da Ferradura assinalada a vermelho, região representada na figura 2 limitada pelo rectângulo preto. Adaptado de Zitellini et al., 2004.

A falha da Ferradura é um das prováveis (se não a mais provável...) candidatas a fonte do sismo que se fez sentir ontem.
Tem uma extensão de cerca de 180 km entre o Canhão submarino de S. Vicente e as montanhas submarinas de Coral Patch e Ampére (figura 1) e uma escarpa de falha com uma altura variável (figura 2) que corresponde á expressão superficial de uma falha inversa muito inclinada (cavalgamento) cega, ou seja, que não rompe à superfície (Zitelinni et al., 2004), mas o movimento ao longo do seu plano de falha tem potencial para desencadear sismos como o sentido ontem.

Figura 2: Planície Abissal da Ferradura (centro) e falha da Ferradura (ressalto à direita) representados a partir dos dados de batimetria multifeixe recolhidos durante a campanha MATESPRO (2004). Retirado de Terrinha, 2005.

Bibliografia:

P. (Terrinha,2005). A fronteira de Placas África-Ibéria e a fonte do terramoto de Lisboa de 1755.

N. Zitellini, M. Rovere, P. Terrinha, F. Chierici, L. Matias and Bigsets Team (2004). Neogene Through Quaternary Tectonic Reactivation of SW Iberian Passive Margin. Pure and Applied Geophysics, vol. 161, 3.

Aquilo que um ser inteligente consegue fazer..




Acabem com isto! Os sites onde encontrei estas imagens são de arrepiar. Esta chacina ocorre num chamado país desenvolvido, o Canadá. Se estas imagens já vos chocaram o suficiente então não procurem no google por "seal killing", caso contrário recomendo vivamente que o façam. Não se devem esconder estas coisas e muito menos fechar os olhos. A nossa sociedade está organizada de tal forma que estas coisas são subtilmente escondidas e depois aparecem nos telejornais noticias do género: a Dona Zezinha da Sevilheira teve uma dor de barriga. E é isso que o povo gosta. A internet possibilita hoje uma grande troca de informação. Muito do que nos era escondido está agora exposto. Deixo aqui o meu contributo a esta causa.
Os sites de associações de defesa do ambiente pedem que se divulguem estas imagens de modo a pressionar os governos responsáveis a acabar com esta vergonha.

O sismo na blogosfera


Não é muito comum que a Ciência em geral e as Geociências em particular despertem o interesse e mereçam destaque nos media Portugueses. Mas ontem de manhã não houve como escapar. De repente e sem aviso, Geologia, Geofísica e Física irromperam pelas casas e locais de trabalho de grande parte da população.

Previsivelmente, as reacções não se fizeram esperar. Os telefones do IM, Protecção Civil e Bombeiros desataram a tocar, jornais e televisões começaram a receber e a recolher testemunhos noticias do ocorrido, e claro, também a blogosfera foi sacudida pelas ondas sísmicas.

Pacheco Pereira, porventura o mais afamado blogger português, recolheu e publicou no seu Abrupto uma série de relatos enviados pelos seus leitores de várias partes do país. A Causa foi Modificada interrompeu as celebrações da vitória do Sim no referendo de sábado para se transformar numa ode (merecida) ao site da USGS, e as graçolas sobre um hipotética relação com um resultado menos católico do dito referendo foram-se espalhando um pouco por todo o lado (como por exemplo, aqui, aqui e aqui), isto para não falar nas anotações que surgiram prontamente em blogs mais ligados à ciência (como este e este).

Retratos de um dia diferente, em que Portugal se voltou a lembrar que é um país cujo território se encontra cortado por várias falhas activas associadas a um risco sísmico elevado, algo para que os cientistas aqui do burgo já andam a alertar há bastante tempo mas sem grandes resultados…

Intensidade vs Magnitude

Intensidade e Magnitude...

Pode não parecer mas são duas medidas distintas, apesar de ambas serem classificadoras de sismos.

A Intensidade, utilizada na Escala de Mercalli, serve para uma classificação apenas qualitativa de um sismo. É obtida a partir dos seus efeitos na população e estruturas. Como depende única e exclusivamente da observação humana, não pode, nem deve ser utilizada para medições absolutas. Por exemplo, um sismo no deserto, por muita que seja a energia libertada, será sempre de um grau de intensidade baixo, devido aos seus efeitos nas populações e estruturas.


A escala de Mercalli tem 12 graus:
Intensidade I
: Nenhum movimento é percebido.
Intensidade II : Algumas pessoas podem sentir o movimento se estiverem em repouso e/ou em andares elevados de edifícios.
Intensidade III : Diversas pessoas sentem um movimento leve no interior de prédios. Os objectos suspensos mexem-se. No exterior, no entanto, nada se sente.
Intensidade IV : No interior de prédios, a maior parte das pessoas sentem o movimento. Os objectos suspensos mexem-se, e também as janelas, pratos, armação de portas.
Intensidade V : A maior parte das pessoas sente o movimento. As pessoas adormecidas acordam. As portas fazem barulho, os pratos partem-se, os quadros mexem-se, os objectos pequenos deslocam-se, as árvores oscilam, os líquidos podem transbordar de recipientes abertos.
Intensidade VI : O terremoto é sentido por todas as pessoas. As pessoas caminham com dificuldade, os objectos e quadros caem, o revestimento dos muros pode rachar, as árvores e os arbustos são sacudidos. Danos leves podem acontecer em imóveis mal construídos, mas nenhum dano estrutural.
Intensidade VII : As pessoas têm dificuldade de se manter em pé, os condutores sentem os seus carros sacudirem, alguns prédios podem desmoronar. Tijolos podem desprender-se dos imóveis. Os danos são moderados em prédios bem construídos, mas podem ser importantes no resto.
Intensidade VIII : Os condutores têm dificuldade em conduzir, casas com fundações fracas tremem, grandes estruturas como chaminés e prédios podem torcer e quebrar. Prédios bem construídos sofrem danos leves, contrariamente aos outros, que sofrem danos severos. Os ramos das árvores partem-se, as colinas podem abrir fendas se a terra está húmida e o nível de água nos poços artesianos pode modificar-se.
Intensidade IX : Todos os prédios sofrem grandes danos. As casas sem alicerces deslocam-se. Algumas canalizações subterrânes quebram-se, a terra abre fendas.
Intensidade X : A maior parte dos prédios e suas fundações são destruídos, assim como algumas pontes. As barragens são significativamente danificadas. A água é desviada de seu leito, largas fendas aparecem no solo, as linhas de comboio entortam.
Intensidade XI : Grande parte das construções desabam, as pontes e as canalizações subterrâneas são destruídas.
Intensidade XII : Quase tudo é destruído. O solo ondula. Rochas podem deslocar-se.

Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_Mercalli"



A Magnitude classifica o sismo de uma forma quantitativa, medindo a energia libertada durante um sismo.

A escala usada para a medição da Magnitude é logarítmica. Isto deve-se à necessidade de medir os sismos mais pequenos e também os maiores. É uma escala, por isso, aberta, ou seja, não tem limites. Esses limites são impostas pela própria natureza, que a condiciona através da resistência das rochas da crosta.

Serviço de Sismologia do México

Magnitude e energia podem ser relacionadas pela fórmula descrita por Gutenberg e Richter em 1935,

log E = 11,8 + 1,5M
onde: E=energia liberada em ergs
M=magnitude do sismo.



Comparação entre os grandes sismos, a energia libertada e outros acontecimentos de impactos semelhantes.

Supernovas

Supernova é o nome dado à explosão de uma estrela com mais de 10 massas solares, produzindo uma nuvem de plasma extremamente brilhante. O brilho destes objectos vai diminuindo até se tornarem invisíveis passadas algumas semanas ou meses. Em apenas alguns dias o seu brilho pode aumentar um bilião de vezes a partir de seu estado original tornando a estrela tão brilhante como uma galáxia .

Remnants of Kepler's Supernova (en:SN 1604). This image has been constructed of images from NASA's en:Spitzer space telescope, Hubble Space Telescope, and en:Chandra X-ray Observatory.

A explosão de uma supernova pode expelir para o espaço até cerca de 9/10 da matéria inicial da estrela. O núcleo remanescente passa a ter uma massa superior a 1,5 Massas solares, a Pressão de Degenerescência dos electrões deixa de ser suficiente para manter o núcleo estável e em consequência os electrões colapsam com o núcleo dos átomos colidindo com os protões e originando neutrões. O resultado é um estrela composta por neutrões com aproximadamente 15km de diametro e extremamente densa, conhecida como estrela de neutrões ou Pulsar. Quando a massa do núcleo de uma estrela ultrapassa 3 massas solares a Pressão de Degenerescência dos neutrões não consegue manter o núcleo e a estrela continua a colapsar dando origem a uma singularidade no espaço-tempo conhecida como Buraco Negro.

Texto adaptado de fontes da Wikipédia.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Animação: sismos

Vejam este link:

Os Terramotos - Infografia - SIC

tem uma animação muito fixe!

O sismo



USGS

EMSC

Mecanismo focal via IGN.


Este sismo teve origem na zona da Planície Abissal de Ferradura, onde se localiza uma falha de cavalgamento com várias dezenas de quilometros, com direcção aproximada NNE-SSW. Nesta área estão também presentes falhas de desligamento com mais de cem quilometros de expressão morfológica, de direcção WNW-ESE.
Pensa-se que a fronteira entre as placas tectónicas Ibérica e Áfricana se localiza neste local. Esta estrutura é presentemente uma forte candidata a fonte do Grande Sismo de Lisboa de 1755.
Este sismo vem comprovar o elevado risco sismico a que Portugal está sujeito.

Sismo 12-02-2007


Acabei de sentir um sismo. Estou em Lisboa e são 10h45m.
Aqui foi bastante forte e durou uns 20 segundos.

EMSC:
Magnitude: 6.1
Profundidade: 67 km

USGS:

MAP6.0 2007/02/12 10:35:2235.843-10.28910.0AZORES-CAPE ST. VINCENT RIDGE

Aquecimento Global e os "cépticos"

domingo, fevereiro 11, 2007

Critérios...

Uma lua temperamental

É com enorme satisfação que escrevo neste blog, que já lia com frequência desde há algum tempo, e através do qual posso contactar com as ideias de colegas que tanto admiro. Espero que este seja o início de uma divertida colaboração, da qual espero vir a aprender muitas coisas e receber notícias de como evolui a investigação das Geociências por Portugal.



Como primeiro post, resolvi escrever um pequeno texto sobre a natureza química das fabulosas plumas de Encelado (lua de Saturno), fotografadas pela sonda Cassini. Em post anteriores falou-se bastante de hidratos de metano e vulcões de lama e, neste caso, parece que a geologia dita terrestre, encontra uma manifestação análoga em outras paragens celestes, sendo motivo de alegria para um cientista ver o campo das suas observações alargar-se à escala planetária.

A superfície de Encelado (480 km de diâmetro) apresenta manifestações geológicas curiosas, pelo facto de representarem uma assimetria peculiar na distribuição de actividade. Existem zonas desoladoras, em tudo semelhantes ao que vemos quando contemplamos a nossa Lua, com crateras de impacto de 35 km de diâmetro, sem aspectos erosivos ou estruturas tectónicas. No entanto, outras regiões de Encelado sugerem a presença de uma superfície bastante recente; com fissuras, terreno enrugado e outras deformações crustais. O seu pólo Sul é a parte mais activa, onde foram fotografadas plumas, que escapam ao próprio campo gravítico do satélite, agregando-se aos anéis de Saturno. Os dados recolhidos pela Cassini sugeriam que por baixo da superfície gelada, composta essencialmente por CO2 e água congelados, poderia haver um reservatório de água líquida a uma temperatura próxima do ponto de congelação. A expulsão desta água, através de monumentais geisers, estaria na origem das plumas observadas, de acordo com o seguinte modelo:


No entanto, o modelo descrito falha se considerarmos que 10% dos materiais expelidos nas plumas correspondem a metano e azoto molecular, praticamente insolúveis em água líquida, mas muito solúveis em gelo, formando compostos chamados “clatratos” (grupo no qual se inserem os famosos hidratos de metano). Assim, seria impossível que estes compostos estivessem em dissolução num reservatório de água líquida. Os investigadores propuseram um modelo alternativo que explique a presença das plumas em Encelado, referindo que os gases detectatos pela Cassini estariam dissolvidos em reservatórios de clatratos, sob o gelo superficial da região sul-polar. Quando os clatratos são expostos ao vazio, as moleculas de gás rompem o gelo onde estão retidas, arrastando partículas do mesmo na sua trajectória em direcção ao espaço. A decomposição violenta de clatratos explica a presença nas plumas de moléculas gasosas de azoto molecular, metano, dióxido de carbono, assim como partículas de gelo. A sublimação de algumas destas partículas resultaria no vapor de água detectado pela Cassini. Este modelo permite supor a existência de um meio com temperaturas entre 80 a 100º C mais frias que a água líquida, no qual se produzem plumas a partir de depósitos de clatratos, e não água líquida.


A exposição de clatratos ao vácuo pode ter a sua origem num ciclo contínuo de abertura e encerramento de fissuras na crosta gelada superficial do pólo sul, alimentado pela energia interna do planeta, gerando, assim, geisers cuja mecânica é muito semelhante aos que vemos na Terra, mas com uma pluma muito maior, devido à sua fraca atracção gravitacional.

Este mecanismo foi publicado na Science de 15 de Dezembro de 2006, e tem como autores cientistas da Universidade de Illinois (Southwest Research Institute ) e da Universidade da Califórnia.

ClimatePrediction.net



Há uns tempos vi um documentário sobre alterações climáticas e aquecimento global na RTP2 onde eram entrevistados climatólogos e modeladores que mostravam os seus super computadores e se lamentavam da falta de meios e tempo para completar mais simulações da evolução do clima nos próximos anos.
Um desses investigadores tinha proposto uma outra solução, ele desenhou uma versão mais simplificada do modelo que pode correr em computadores pessoais usados em casas e escritórios quando os seus utilizadores não necessitam de usar todo o potencial da máquina.
Entretanto, as diferentes versões deste modelo já completaram mais de 20 000 000 de anos de simulações cujos resultados parciais podem ser consultados aqui.
Se alguém estiver interessado em participar no projecto e adquirir este screensaver original, pode encontrar instruções e mais informações sobre os modelos e os resultados em ClimatePrediction.net, recomenda-se no entanto uma visita obrigatória à página dos requisitos mínimos, porque a brincadeira é um bocado pesada...

sábado, fevereiro 10, 2007

Deformação na Ásia a partir de medições GPS


A colisão entre as placas Indiana e Euroasiática continua a condicionar a tectónica Asiática.
Mapa publicado aqui e neste artigo.

Geologia de Campo (VIII)


Brecha vulcânica na Praia da Assenta, Torres Vedras.

Esta brecha está exposta numa falésia com 40 metros de altura e incluí clastos de todos os tamanhos, cores e feitios e naturezas, desde o encaixante sedimentar até bocados do soco Paleozóico, com tamanhos que vão desde o alguns centímetros até pedaços do tamanho de carros que não cabem numa só fotografia.
As brechas deste tipo formam-se quando o magma em ascensão encontra um lençol freático ou quando os gases nele contidos entram em exsolução resultando numa violenta explosão que vai provocar a brechificação do material envolvente, podendo atingir a superfície e formar uma cratera do tipo Maar.
No entanto, o desinteresse das autoridades locais pelo património geológico (e não só...) impede que este afloramento excepcional seja devidamente divulgado e apreciado (um pequeno painel explicativo não custava assim tanto...). Fica a sugestão.

As Leis de Newton

As duas primeiras leis de Newton podem-se deduzir da mesma equação:


F = ma

(A resultante das forças é igual ao produto da massa pela aceleração)

A força poderá ser medida em Newton se a massa for medida em kg e a aceleração em m/s² pelo Sistema Internacional de Unidades de medidas ( S.I ).


Começemos pelo princípio...


Lex I: Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum, nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare.

(Todo corpo continua em estado de repouso ou de movimento uniforme em linha recta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.)


1. Primeira lei de Newton ou princípio da inércia:

Um exemplo prático:

“No Metro”

Despertados pelo sinal sonoro da chegada do Metro à estação, dirigimo-nos até ao limite do cais de embarque... Abrem-se as portas, deixamos sair quem tem de sair (é importante que retenham isto, não tem nada haver com Física, apenas com civismo). Para este exercício simples, recomendo que fiquem de pé... soa o aviso de que as portas vão fechar, um último passageiro entra a correr e orgulha-se da sua proeza (“Consegui!”).

Neste momento encontramo-nos parados, dentro do Metro. No momento em que o Metro arranca, sentimos que somos puxados para trás, mas o que acontece realmente é que o nosso corpo, tal como o de qualquer outro passageiro, mesmo o orgulhoso “último passageiro”, tem a tendência para se manter exactamente como estava...ou seja, parado, sem movimento.

Mais umas centenas de metros à frente, chegamos à próxima estação e, embora sintamos o nosso corpo parado, ele está em movimento, precisamente à mesma velocidade que a do Metro. Na travagem, sentimos o oposto, parece que somos empurrados para a frente, quando o que realmente acontece é que o nosso corpo tem a tendência para continuar em movimento, à mesma velocidade que seguia.



“Um corpo que esteja em movimento ou em repouso, tende a manter o seu estado inicial.”


Lex II: Mutationem motis proportionalem esse vi motrici impressae, etfieri secundum lineam rectam qua vis illa imprimitur.

(A mudança de movimento é proporcional à força imprimida, e é produzida na direcção da linha recta na qual aquela força é imprimida.)


2. Segunda lei de Newton ou
princípio fundamental da mecânica:

Um exemplo prático:
“Ainda no Metro”
Como estas duas leis se
podem deduzir uma da outra, resolvi continuar com o mesmo exemplo.
Já sabemos que um corpo tem a tendência para manter o seu estado de movimento/inércia.
No caso do Metro sabemos ainda que, quando em “andamento”, temos a mesma velocidade que o Metro. O que esta segunda lei nos diz é que, quanto maior for a força que nos “puxa para trás” (no arranque), maior será a nossa (do Metro) aceleração (a aceleração, grosso modo, é a uma variação de velocidade). O que é verdadeiramente extraordinário nesta lei, é que funciona ao contrário também, ou seja, quanto maior for a aceleração do(s) corpo(s), maior será a resultante das forças neles aplicada.
“A resultante das forças que agem num corpo é igual ao produto da sua massa pela aceleração adquirida.”

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.
(Para toda a acção há sempre oposta uma reacção igual, ou, as acções mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.)

3. Terceira Lei de Newton ou lei de acção e reacção:

Um exemplo prático:
“Os encontrões no Metro”
Para quem usa frequentemente este meio de transporte já deve ter passado por esta experiência, pelo que apelo à memória e imaginação.

Quantas vezes não arriscamos a nossa integridade numa simples viagem de Metro? Quantas vezes não tivémos de seguir viagem sem um apoio garantido, apenas suportados pelo nosso frágil equilíbrio?
Avancemos para o momento da travagem... Estamos, como disse antes, sem qualquer apoio, apenas confiando no nosso equilíbrio. Neste momento, e segundo a primeira lei de Newton, o nosso corpo continua o movimento com a velocidade que trazia, ou seja, neste momento, temos a tendência para “ultrapassar” o Metro. O que realmente acontece é que entramos em
desequilíbrio, acabamos por dar um encontrão ao senhor que estava ao nosso lado, o que é bom para nós pois conseguimo-nos manter de pé, mas em jeito de dominó, os encontrões sucedem-se. A cada encontrão existe uma cara de alívio pelo equilíbrio readquirido, e outra de sufoco, à procura de uma força que contrarie a possível queda. Os encontrões terminam ao pé da porta da carruagem, no preciso momento em que o Metro chega à estação e pára, de portas abertas...desta vez não há “força de reacção”, a não ser que alguém, do lado de fora da carruagem, revele sinais de fraco civismo e esteje em cima da porta, mesmo “a tempo” de participar no exemplo da terceira lei de Newton.

"Para cada acção há sempre uma reacção oposta e de igual intensidade."


Na Wikipédia:
As Leis de Newton

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Comissão Europeia quer punir crimes ambientais graves com penas de prisão

"A Comissão Europeia propôs hoje, em Bruxelas, uma directiva que cria a figura de "crime ambiental" e prevê penas de prisão até dez anos para atentados graves contra o ambiente."

ver notícia em: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1285227&idCanal=90

Já era mais que tempo de agir neste sentido!!! Quantos de nós já estão fartos que não se faça nada?
Será que é preciso que todos os rios se tornem em esgotos a céu aberto (já faltam muito poucos), para que quem de direito tome medidas?

O exemplo do Rio Sizando em Torres Vedras é um caso paradigmático! A geração dos meus pais tomaram lá banho, e agora sente-se o cheiro a podre a mais de umas centenas de metros de distância e água é preta, mas mesmo preta! Quando não vem carregada de outras substâncias mais estranhas. Toda a gente sabe de onde vem a poluição e ninguém faz nada. É nojento! É um verdadeiro crime contra o ambiente. Pôr em causa a qualidade de vida de milhares de pessoas para que meia dúzia possam enriquecer. E pior, quem tem o dever de acabar com esta estupidez não o faz . Irresponsáveis! Deviam ir todos para a prisão.. E se tudo correr bem, se esta lei for para a frente e principalmente se for aplicada (o que acredito que seja difícil em portugal) essas pessoas irão em breve passar uns anos a ver o Sol aos quadradinhos.