domingo, fevereiro 11, 2007

ClimatePrediction.net



Há uns tempos vi um documentário sobre alterações climáticas e aquecimento global na RTP2 onde eram entrevistados climatólogos e modeladores que mostravam os seus super computadores e se lamentavam da falta de meios e tempo para completar mais simulações da evolução do clima nos próximos anos.
Um desses investigadores tinha proposto uma outra solução, ele desenhou uma versão mais simplificada do modelo que pode correr em computadores pessoais usados em casas e escritórios quando os seus utilizadores não necessitam de usar todo o potencial da máquina.
Entretanto, as diferentes versões deste modelo já completaram mais de 20 000 000 de anos de simulações cujos resultados parciais podem ser consultados aqui.
Se alguém estiver interessado em participar no projecto e adquirir este screensaver original, pode encontrar instruções e mais informações sobre os modelos e os resultados em ClimatePrediction.net, recomenda-se no entanto uma visita obrigatória à página dos requisitos mínimos, porque a brincadeira é um bocado pesada...

sábado, fevereiro 10, 2007

Deformação na Ásia a partir de medições GPS


A colisão entre as placas Indiana e Euroasiática continua a condicionar a tectónica Asiática.
Mapa publicado aqui e neste artigo.

Geologia de Campo (VIII)


Brecha vulcânica na Praia da Assenta, Torres Vedras.

Esta brecha está exposta numa falésia com 40 metros de altura e incluí clastos de todos os tamanhos, cores e feitios e naturezas, desde o encaixante sedimentar até bocados do soco Paleozóico, com tamanhos que vão desde o alguns centímetros até pedaços do tamanho de carros que não cabem numa só fotografia.
As brechas deste tipo formam-se quando o magma em ascensão encontra um lençol freático ou quando os gases nele contidos entram em exsolução resultando numa violenta explosão que vai provocar a brechificação do material envolvente, podendo atingir a superfície e formar uma cratera do tipo Maar.
No entanto, o desinteresse das autoridades locais pelo património geológico (e não só...) impede que este afloramento excepcional seja devidamente divulgado e apreciado (um pequeno painel explicativo não custava assim tanto...). Fica a sugestão.

As Leis de Newton

As duas primeiras leis de Newton podem-se deduzir da mesma equação:


F = ma

(A resultante das forças é igual ao produto da massa pela aceleração)

A força poderá ser medida em Newton se a massa for medida em kg e a aceleração em m/s² pelo Sistema Internacional de Unidades de medidas ( S.I ).


Começemos pelo princípio...


Lex I: Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum, nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare.

(Todo corpo continua em estado de repouso ou de movimento uniforme em linha recta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.)


1. Primeira lei de Newton ou princípio da inércia:

Um exemplo prático:

“No Metro”

Despertados pelo sinal sonoro da chegada do Metro à estação, dirigimo-nos até ao limite do cais de embarque... Abrem-se as portas, deixamos sair quem tem de sair (é importante que retenham isto, não tem nada haver com Física, apenas com civismo). Para este exercício simples, recomendo que fiquem de pé... soa o aviso de que as portas vão fechar, um último passageiro entra a correr e orgulha-se da sua proeza (“Consegui!”).

Neste momento encontramo-nos parados, dentro do Metro. No momento em que o Metro arranca, sentimos que somos puxados para trás, mas o que acontece realmente é que o nosso corpo, tal como o de qualquer outro passageiro, mesmo o orgulhoso “último passageiro”, tem a tendência para se manter exactamente como estava...ou seja, parado, sem movimento.

Mais umas centenas de metros à frente, chegamos à próxima estação e, embora sintamos o nosso corpo parado, ele está em movimento, precisamente à mesma velocidade que a do Metro. Na travagem, sentimos o oposto, parece que somos empurrados para a frente, quando o que realmente acontece é que o nosso corpo tem a tendência para continuar em movimento, à mesma velocidade que seguia.



“Um corpo que esteja em movimento ou em repouso, tende a manter o seu estado inicial.”


Lex II: Mutationem motis proportionalem esse vi motrici impressae, etfieri secundum lineam rectam qua vis illa imprimitur.

(A mudança de movimento é proporcional à força imprimida, e é produzida na direcção da linha recta na qual aquela força é imprimida.)


2. Segunda lei de Newton ou
princípio fundamental da mecânica:

Um exemplo prático:
“Ainda no Metro”
Como estas duas leis se
podem deduzir uma da outra, resolvi continuar com o mesmo exemplo.
Já sabemos que um corpo tem a tendência para manter o seu estado de movimento/inércia.
No caso do Metro sabemos ainda que, quando em “andamento”, temos a mesma velocidade que o Metro. O que esta segunda lei nos diz é que, quanto maior for a força que nos “puxa para trás” (no arranque), maior será a nossa (do Metro) aceleração (a aceleração, grosso modo, é a uma variação de velocidade). O que é verdadeiramente extraordinário nesta lei, é que funciona ao contrário também, ou seja, quanto maior for a aceleração do(s) corpo(s), maior será a resultante das forças neles aplicada.
“A resultante das forças que agem num corpo é igual ao produto da sua massa pela aceleração adquirida.”

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.
(Para toda a acção há sempre oposta uma reacção igual, ou, as acções mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.)

3. Terceira Lei de Newton ou lei de acção e reacção:

Um exemplo prático:
“Os encontrões no Metro”
Para quem usa frequentemente este meio de transporte já deve ter passado por esta experiência, pelo que apelo à memória e imaginação.

Quantas vezes não arriscamos a nossa integridade numa simples viagem de Metro? Quantas vezes não tivémos de seguir viagem sem um apoio garantido, apenas suportados pelo nosso frágil equilíbrio?
Avancemos para o momento da travagem... Estamos, como disse antes, sem qualquer apoio, apenas confiando no nosso equilíbrio. Neste momento, e segundo a primeira lei de Newton, o nosso corpo continua o movimento com a velocidade que trazia, ou seja, neste momento, temos a tendência para “ultrapassar” o Metro. O que realmente acontece é que entramos em
desequilíbrio, acabamos por dar um encontrão ao senhor que estava ao nosso lado, o que é bom para nós pois conseguimo-nos manter de pé, mas em jeito de dominó, os encontrões sucedem-se. A cada encontrão existe uma cara de alívio pelo equilíbrio readquirido, e outra de sufoco, à procura de uma força que contrarie a possível queda. Os encontrões terminam ao pé da porta da carruagem, no preciso momento em que o Metro chega à estação e pára, de portas abertas...desta vez não há “força de reacção”, a não ser que alguém, do lado de fora da carruagem, revele sinais de fraco civismo e esteje em cima da porta, mesmo “a tempo” de participar no exemplo da terceira lei de Newton.

"Para cada acção há sempre uma reacção oposta e de igual intensidade."


Na Wikipédia:
As Leis de Newton

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Comissão Europeia quer punir crimes ambientais graves com penas de prisão

"A Comissão Europeia propôs hoje, em Bruxelas, uma directiva que cria a figura de "crime ambiental" e prevê penas de prisão até dez anos para atentados graves contra o ambiente."

ver notícia em: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1285227&idCanal=90

Já era mais que tempo de agir neste sentido!!! Quantos de nós já estão fartos que não se faça nada?
Será que é preciso que todos os rios se tornem em esgotos a céu aberto (já faltam muito poucos), para que quem de direito tome medidas?

O exemplo do Rio Sizando em Torres Vedras é um caso paradigmático! A geração dos meus pais tomaram lá banho, e agora sente-se o cheiro a podre a mais de umas centenas de metros de distância e água é preta, mas mesmo preta! Quando não vem carregada de outras substâncias mais estranhas. Toda a gente sabe de onde vem a poluição e ninguém faz nada. É nojento! É um verdadeiro crime contra o ambiente. Pôr em causa a qualidade de vida de milhares de pessoas para que meia dúzia possam enriquecer. E pior, quem tem o dever de acabar com esta estupidez não o faz . Irresponsáveis! Deviam ir todos para a prisão.. E se tudo correr bem, se esta lei for para a frente e principalmente se for aplicada (o que acredito que seja difícil em portugal) essas pessoas irão em breve passar uns anos a ver o Sol aos quadradinhos.


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Fresquinha, fresquinha...

Acabada de solidificar.
Esta, é uma foto tirada na Crista do Pacifíco Este a uma lava em almofada com apenas alguns meses de existência.
A cor negra e a cobertura vítrea muito fracturada, assemelhando-se a uma côdea de pão não enganam, esta é uma das mais recentes adições à crosta oceânica terrestre e contrasta nitidamente com o basalto mais cinzento e alterado que cobre.
Aproveita estes próximos milhões de anos que há certamente uma zona de subducção há tua espera... (a não ser que tenhas o raro privilégio de ser obductada, mas isso fica para outra altura).

Mais informações, fotos, reportagens e videos relacionados com o projecto que monotoriza este segmento de crista média oceânica aqui.

Geologia de Campo (VII)

Soleira da Foz da Fonte, Sesimbra, uma digna representate do magmatismo tardi-Cretácico em Portugal.

ESPECIAL INFORMAÇÃO: VERDADE E CONSEQUÊNCIA - HOJE na RTP1


Num dia em que a visita de Al Gore põe em destaque as Alterações Climáticas, a RTP1 apresenta um programa dedicado ao tema, pelas 21h (em directo).

RTP
"As alterações climáticas e as suas consequências

O clima está a mudar.Saiba o que pode esperar.Os professores, Filipe Duarte Santos, Ricardo Aguiar, Rodrigo Oliveira e José Manuel Calheiros, são quatro cientistas portugueses que num programa especial da RTP, moderado por José Alberto Carvalho, explicam o que diz a ciência sobre as alterações climáticas."

Grande glaciação do Oligoceno pode ter favorecido os mamíferos

A grande glaciação do Oligoceno, há 33,5 milhões de anos, teve maior impacto no clima do que se julgava e favoreceu os mamíferos, devido à sua resistência às baixas temperaturas, concluiu uma equipa de cientistas norte-americanos, cujo estudo foi publicado na revista "Nature".

O estudo estima em 8,2 graus (com margem de erro de 3,1 graus) a queda das temperaturas médias num período de 400 mil anos.

"A importante alteração das temperaturas médias, muito superior à das temperaturas da superfície dos mares nas mesmas latitudes, explica as alterações da fauna, nos gastrópodes, anfíbios e répteis, enquanto que a maioria dos mamíferos da região não foi afectada", explica a equipa de Alessandro Zanazzi, da Universidade da Carolina do Sul.

Notícia completa: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1285006

Cientistas param raio de luz e libertam-no mais tarde

Uma equipa de físicos da Universidade de Harvard conseguiu parar um raio de luz numa matéria colocada a uma temperatura muito baixa e projectá-lo de novo à distância, a partir de outra concentração de matéria. Entre as duas acumulações de matéria estava um fosso de 160 micrómetros, uma distância ínfima à escala humana, mas substancial segundo as regras da física quântica, que reagem ao infinitamente pequeno.

Num artigo hoje publicado pela revista Nature, a equipa de Naomi Ginsberg explica ter dirigido um laser a um alvo formado por alguns átomos de matéria arrefecidos a temperaturas muito baixas. A algumas fracções de graus abaixo do zero absoluto (-273 graus) entra-se no mundo misterioso dos condensados de Bose-Einstein, um outro estado da matéria com propriedades físicas bastante diferentes dos tradicionais estados gasoso, líquido e sólido.

A essas temperaturas muito frias, parte dos átomos de matéria refugia-se num estado de energia o mais baixo possível. Os condensados de Bose-Einstein revelam aí as suas características desconcertantes onde as regras da física tradicional parecem não entrar. Na experiência norte-americana, os fotões do raio laser desaceleraram brutalmente, passando da velocidade da luz (300.000 kms/segundo) para 20 kms/hora, e pararam depois.

"A informação (a amplitude e a fase do sinal luminoso) ficou impressa como um holograma na matéria do condensado, dando origem a uma cópia absolutamente perfeita da pulsação da luz, mas sob a forma de matéria"

(...)

Retirado de Ciência Hoje.
Notícia completa: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=17513&op=all

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Nuvens detectadas em Titan



Foi recentemente detectada uma grande nuvem (do tamanho dos EUA) sobre o pólo norte de uma das luas de Saturno - Titan. Pensa-se que esta nuvem será essencialmente constituída por etano, metano e diversos tipos de matéria orgânica. Esta poderia ser a fonte dos lagos de metano detectados nesta mesma lua no verão passado (methane lakes spotted near the pole last summer).

Estas imagens, obtidas através da sonda Cassini, são evidências de que Titan possui um ciclo do metano similar ao ciclo da água na Terra, com massas de metano liquidas que evaporam para formar nuvens e que em seguida voltam à superfície do planeta sobre a forma de chuva.

Estes factos permitem eleger Titan como um dos principais candidatos a planeta onde a vida poderá ter-se desenvolvido.

Adaptado de http://news.nationalgeographic.com/news/2007/02/070202-titan-cloud.html

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Dos fundos abissais para Hollywood?


Digam o que disserem eu cá acho que este tubarão primitivo capturado no Japão já está a servir de modelo para o vilão de dente afiado (aliás, de três pontas afiadas...) da próxima sequela de Jaws.
Mais uma descoberta para nos recordar que não sabemos quase nada do que se passa no fundo dos oceanos e fazer pensar que outros seres fantásticos por lá andarão escondidos.

Mais informação e fotos na National Geographic, video aqui.

Stephen Colbert sobre as segundas opiniões da ExxonMobil



Stephen Colbert arrasa a "contribuição" da Exxon para o debate científico.

Sobre o vulcão de lama....

Atenção, esta lama é essencialmente constituida por uma mistura de sedimentos e uma fase fluida composta por hidrocarbonetos (principalmente metano) e água. O metano é dos mais poderosos gases de efeito de estufa. Numa extrusão como esta podem ser libertadas quantidades enormes deste gás. É fácil imaginar qual o impacto de uma extrusão como esta se continuar durante mais de um século. E este não é um caso isolado, longe disso. Estas extrusões ocorrem com grande frequencia no fundo do mar, quer naturalmente, quer por acção antrópica. Já por várias vezes referi, é importantíssimo contabilizar o metano libertado para a atmosfera deste modo. Sem que isso seja feito os modelos de previsão climática podem estar profundamente errados. Não há duvida de que o homem é o principal agente nestas alterações, mas uma extrusão como esta é devastadora em termos ambientais.

Só no Golfo de Cádis existem mais de quarenta vulcões de lama como este.
Actualmente estão documentadas ocorrências de vulcanismo de lama em 41 áreas emersa e 21 imersas. Segundo Milkov & Sassen (2003) foram identificados cerca de 1.100 vulcões de lama em terra e em margens continentais, e estima-se que possam existir nos taludes continentais e planícies abissais entre 1.100 e 100.000 vulcões de lama (ver figura).



Distribuição dos vulcões de lama: onshore – quadrados, offshore – círculos; cheios – provados, abertos – possíveis (Milkov, 2002).

Diagrama interpretativo de um vulcão de lama e sua estrutura interna. (Fonte: E. Kozlova, M. Ivanov, F. Baudin, C. Largeau,S. Derenne; adaptado de A. Akhmetzhanov).

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Vulcão de lama na Indonésia


Em Maio de 2006 trabalhos de prospecção para gás natural na ilha de Java, Indonésia, em que os procedimentos normais de segurança foram ignorados, furaram um aquífero pressurizado por debaixo de uma camada de calcário impermeável levando á fracturação da rocha e ascensão de uma mistura de água quente e lama sulfurosa e gases que ainda hoje corre.

Tendo sido já responsável pela inundação e cobertura de 4 km2 (podem ver fotos do antes e depois aqui) e desalojamento de 10000 pessoas os cientistas temem agora o abatimento tipo caldeira de 10 km2 da cratera deste vulcão de lama e que as lamas já libertadas se misturem com as águas da estação das chuvas provocando torrentes de lama ainda mais destruidoras. Para evitar tal cenário, engenheiros indonésios vão tentar estrangular o vulcão colocando correntes com esferas de cimento na sua chaminé, numa tentativa de diminuir a velocidade de extrusão da lama. Resta saber se este plano vai ser bem sucedido ou se, como foi já apontado por vários outros cientistas, vai apenas aumentar a pressão da lama e fazê-la encontrar outra via para atingir a superfície.

Impactos humanos e económicos à parte, esta pode ser uma excelente oportunidade para estudar a origem e evolução de um vulcão de lama, fenómeno relativamente raro à superfície, e neste caso, bastante impressionante, como se pode ver na pequena reportagem da BBC abaixo.



Mais sobre vulcões de lama aqui.

Notícia via Nature.

Tsunami de 26/12/2004 causado por dobramento ?


Um trabalho publicado este mês na Geology defende que o tsunami de Samatra foi provocado por dobramentos no topo de um (ou mais) cavalgamento(s) cego(s) e não por ruptura frágil.

A ler assim que a revista chegue aos escaparates.

in ScienceDaily, imagem de Geotimes.

Índia planeia enviar satélite à Lua em 2010

A Índia planeia enviar um satélite à Lua em 2010 e lançar uma missão tripulada para o espaço num prazo de oito anos, anunciou hoje o director da agência espacial indiana (ISRO), Madhavan Nair.

Notícia: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1284712

Especialistas em ambiente alertam para perigos da nanotecnologia

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) instou hoje os decisores políticos a procederem com urgência a uma avaliação da nanotecnologia, por considerar que a sua segurança requer um maior controlo e regulamentação.

Esta chamada de atenção consta de um relatório de 87 páginas sobre o ambiente global, apresentado hoje por aquela agência da ONU em Nairobi, na abertura Fórum Ministerial Global sobre Ambiente.

O documento, elaborado por 80 peritos de todo o mundo, diz ser prioritário o estudo dos potenciais riscos dos nanomateriais que estão já a ser produzidos em massa.

A nanotecnologia — a tecnologia do infinitamente pequeno — baseia-se na utilização de átomos como blocos de construção, tendo como escala o nanómetro, ou seja, um milionésimo de milímetro.

O seu objectivo é desenvolver novos produtos e materiais através da alteração ou criação de materiais a nível atómico e molecular, com aplicações em indústrias como a alimentar ou a farmacêutica, na cosmética ou na medicina.

Por exemplo, são já usados nanomateriais na produção de raquetes de ténis mais resistentes, de vestuário resistente às nódoas ou de janelas com auto-limpeza.

(...)

Segundo o relatório, não é claro o que acontece com as nanopartículas quando estas se libertam na atmosfera, na água ou no solo.

(...)

Notícia: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1284704

sábado, fevereiro 03, 2007

Geologia de Campo (VI)

Disjunção prismática em basaltos para todos os gostos:

Calçada dos Gigantes, Co. Antrim, Irlanda do Norte.


Soleira na ilha de Skye, Escócia.

Outra soleira na Ilha de Skye, com um padrão diferente (cliquem na foto para ampliar).

Chaminé da Torre da Besueira, Complexo Basáltico de Lisboa, Loures.

Penedo do Lexim, Complexo Basáltico de Lisboa, Mafra.

Chaminé do Cabeço de Montachique, Complexo Basáltico de Lisboa, Loures.

Para mais informações sobre disjunção colunar, o seu modo de formação e localidades famosas onde a mesma ocorre, cliquem aqui.

Nota: A pedido de várias famílias foi incluído o Cabeço de Montachique.

Relatório do IPCC

Clique aqui para obter uma cópia grátis em pdf do relatorio do IPCC (INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE):

Climate Change 2007: The Physical Science Basis, Summary for Policymakers

Presidente francês propõe uma ONU só para o Ambiente

O presidente francês, Jacques Chirac, apelou ontem em Paris a uma tripla "revolução" ecológica para que o mundo entre na era do desenvolvimento sustentado. "Estamos à beira do irreversível, chegou o tempo da revolução das consciências, da economia e da acção política", disse no discurso de abertura da conferência internacional de Paris, após o lançamento do relatório do IPCC.

Diante das cerca de duzentas personalidades políticas, científicas e culturais de 60 países, Chirac propôs a criação de uma Organização das Nações Unidas para o Ambiente. A ideia consiste em transformar o programa das Nações Unidas para o ambiente numa instituição independente, capaz de avaliar as ameaças ligadas às alterações climáticas e de pôr em prática as medidas decididas multilateralmente.

Chirac pretende que se constitua um grupo de países pioneiros para lançar as bases desta instituição.

(...)

Nicolas Hulot, apresentador de televisão francês e militante ecologista, encerrou a sessão com uma palavra de esperança, sublinhando que "o desafio ecológico encerra também a oportunidade de voltar a dar sentido à ideia de progresso".

in Diário de Notícas, 3-2-2007
http://dn.sapo.pt/2007/02/03/tema/presidente_frances_propoe_onu_para_o.html

300 milhões para pesquisa de petróleo no Alentejo

O consórcio liderado pela australiana Hardman Resources e participado pela Partex e pela Galp, que assinaram quinta-feira três contratos com o Estado português para pesquisa e exploração de hidrocarbonetos em águas profundas ao largo da Costa Vicentina, irá investir mais de 300 milhões de euros na fase inicial, de oito anos, caso os estudos feitos nos primeiros quatro indiciem que vale a pena avançar para as perfurações, disse ao DN o director-geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto. Se for descoberto petróleo, o Estado ficará com royalties de 7% sobre o barril de crude.
(...)

in Diário de Notícias, 3-2-2007
http://dn.sapo.pt/2007/02/03/economia/300_milhoes_para_pesquisa_petroleo_a.html

Eu e o Forum Português Pós-Quioto


Na passada quarta feira decorreu na Gulbenkian a conferência inaugural do Fórum Português Pós-Quioto. Apesar do atraso com que chega este post, o repórter estava lá e vai tentar agora sintetizar as suas impressões acerca palestras a que assistiu entre duas sempre divertidas consultas médicas.

Depois das apresentações e inevitáveis discursos dos representantes do governo (neste caso o Secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa, que saiu logo após da sua intervenção), Pedro Martins Barata, da Euronatura fez uma revisão da situação nacional em relação ao compromisso assumido por Portugal no âmbito do Protocolo de Quioto.

Portugal, ao contrário da maioria dos países da UE, podia aumentar as suas emissões de CO2 em 27% em relação aos níveis de 1990, mas essa cota já foi largamente ultrapassada e para cumprir o protocolo vamos ter de recorrer aos mecanismos de flexibilidade incluídos no mesmo (compra de créditos de carbono, etc). Esperemos que sejam tomadas (e não só anunciadas) medidas concretas e eficazes para a redução de emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE) para além de coisas pouco convincentes e com efeitos reduzidos no total de emissões geradas como a diminuição do limite máximo de velocidade para 118 km/h (como se alguém neste país fosse cumprir e/ou fiscalizar isso…), a diminuição dos dias de circulação dos táxis (que ainda assim são transportes públicos…) e a criação de uma taxa para lâmpadas pouco eficientes (a criação de benefícios fiscais para quem usasse energias renováveis e a diminuição dos impostos sobre tecnologias com maior eficiência energética seriam muito bem-vindos mas definitivamente menos lucrativos para o estado…).

Depois falou Wolfgang Cramer do Potsdam Institute on Climate Change sobre alterações climáticas perigosas e como evitá-las. Este tipo de alterações foram definidas pela sua equipa como correspondendo a uma subida da temperatura média superior a cerca de 2 a 2.5 ºC que seria acompanhada de verões extremos na Europa cuja temperatura média se poderia tornar a mesma vivida durante a canícula de 2003 já em 2020-2030, por alterações no padrão da Monção indiana de cujas chuvas depende aproximadamente ¼ da população mundial, seca generalizada na Amazónia que teria impactos ainda não totalmente conhecidos no clima local e global, aumento da intensidade das tempestades tropicais e sub-tropicais, o desaparecimento dos glaciares a latitudes mais baixas, entre uma série de outras coisas numa grande e desencorajadora lista de cenários num planeta mais quente.

Para evitar tudo isto é necessário estabilizar os níveis de CO2 na atmosfera entre os 450 e os 500 ppm o que envolve convencer os EUA (o maior emissor e de longe o maior emissor per capita) a China e a Índia (dentro de alguns anos os maiores emissores de CO2 mas com uma taxa per capita muito inferior aos EUA) a reduzir as suas emissões e, segundo este investigador, eliminar quase por completo a deflorestação descontrolada em todo o mundo visto que esta é responsável por aproximadamente 25% das emissões antropogénicas de CO2. Estas medidas de mitigação devem tomadas brevemente, como pico de emissões a situar-se algures entre 2015 e 2020 e ser acompanhadas por outras de adaptação ao aumento da temperatura resultante do aumento das concentrações de GEE até essa data.

As últimas duas intervenções a que assisti deram mais enfâse ao lado económico da coisa, com Jake Schmidt do Center for Clean Air Policy a salientar a importância do envolvimento da China, Índia, Brasil e outros países em rápido crescimento num acordo Pós-Quioto incentivando-os com projectos que permitam vantagens essencialmente domésticas (diminuição da dependência energética do estrangeiro, aumento da qualidade do ar, etc) e dando incentivos para a redução voluntária das emissões nos países em vias de desenvolvimento que seriam recompensados no caso de as conseguirem sem estarem sujeitos a sanções caso não conseguissem essa redução. O envolvimento dos EUA seria também essencial, e segundo Schmidt, se isso não acontecer este ano, só lá para 2009, com uma nova administração em funções, é que a conjuntura vai ser de novo favorável à adopção deste tipo de medidas por parte do governo americano.

Hubbert Kieken, do IDDRI, fez uma apresentação onde mostrou através de modelos macroeconómicos que a adopção de medidas mais rigorosas de redução de emissões de GEE não vão provocar uma hecatombe na economia mundial ao contrário do que algumas correntes político-económicas têm levado a crer apesar de nunca fundamentarem correctamente essa previsão.

Tudo isto se passou na semana em que foi divulgado o Summary for Policy Makers do IPCC e em que na Science saiu um artigo que confirma a concordância dos modelos usados por este painel nos seus relatórios e os dados observacionais, sendo que estes, no caso do aumento do nível médio das águas do mar, se situam no limite máximo das previsões de 2001, levando a que alguns investigadores critiquem este novo relatório por ser demasiado conservador.

Com as incertezas a desaparecer as medidas para diminuir as emissões de GEE tornam-se cada vez mais urgentes mas isso não impede que tanto governos como empresas tentem desesperadamente encobrir ou lançar a dúvida sobre as alterações climáticas para assim não comprometerem os seus interesses.

Cada dia que passa a ameaça cresce lentamente e é precisamente essa lentidão que torna a urgência da aplicação das medidas de mitigação tão difícil de popularizar e o hipotético impacto económico negativo das mesmas tão fácil de difundir. É urgente passar à acção concertada a nível global com medidas concretas e o apoio da sociedade civil que parece cada vez mais predisposta a aceitar estas medidas, pelo menos nos países ocidentais. O maior problema pode vir da China, onde procura energética cresce a um nível impressionante aliada às enormes reservas internas de carvão e não existe uma opinião publica suficientemente forte para pressionar o seu estado não democrático que só vai aceitar diminuir as suas emissões se isso lhe for de alguma maneira vantajoso.

2007 pode ser um ano de viragem e marcar um verdadeiro princípio de uma politica mundial de combate ás alterações climáticas, se a deixar-mos passar corremos o risco de só nos apercebermos dos nossos erros quando for tarde demais.

PS: Posto isto, alguém que ganhar milhões a inventar maneiras eficazes de sequestrar CO2 ?

Geologia de Campo (V)

Vale glaciar na Zona Axial da cadeira Pirenaica.

Investigador considera que política climática é das mais fundamentadas

Desde que, no final do século XIX, o sueco Svante Arrhenius inventou o termo "efeito de estufa", milhares de cientistas têm estudado as mudanças no clima. A mais recente novidade é o relatório do IPCC apresentado hoje em Paris. Na verdade, poucos são os processos de decisão política acompanhados por tanto trabalho científico, diz um investigador português que estuda a biodiversidade e o clima.

Miguel Araújo, investigador do Museo Nacional de Ciências Naturais de Madrid e investigador associado da Universidade de Oxford, lembrou, em declarações ao PUBLICO.PT, que "poucos são os processos de decisão política que foram acompanhados por tantos estudos e tanto rigor na quantificação da incerteza".

As alterações climáticas — reconhecidas pela opinião pública internacional — têm sido acusadas pela classe política de alguns países de terem insuficiente sustentação científica. Este foi um dos argumentos usados em Março de 2001 pelo Presidente George W. Bush para se recusar a ratificar o Protocolo de Quioto, única ferramenta internacional para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

Hoje, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) apresentou o resultado do trabalho de centenas de cientistas sobre a evolução do conhecimento sobre o fenómeno.

"Este é um processo longo. Depois da parte técnica estar pronta, os relatórios são discutidos pelos governos e depois aprovados pelos Estados. Tudo isto influencia o resultado final", explica Miguel Araújo, professor associado convidado da Universidade de Copenhaga.

"Em ciência é difícil fazer afirmações inequívocas porque o mecanismo de aquisição de conhecimentos não é o da confirmação de hipóteses mas sim a sua desqualificação". O que tem acontecido com as alterações climáticas é que "a hipótese de aumento da temperatura do planeta tem passado por vários estudos e não tem sido desqualificada".

"A questão que se coloca é o que fazer perante a crescente evidência de que o clima está a mudar e que as causas dessa mudança não são independentes das actividades humanas", considera.

Miguel Araújo afirma ainda que este novo relatório "lança um alarme e um sinal aos políticos; um certo sentido de urgência".

in Publico, 03-02-2007

Cientistas portugueses defendem acesso à literatura científica de fundos públicos

Cerca de 700 académicos e cientistas portugueses aderiram à petição de apoio ao acesso livre à literatura científica europeia que a Comissão Europeia vai discutir em Bruxelas, disse hoje à Lusa fonte da Universidade do Minho.

O director do Centro de Documentação, Eloy Rodrigues, adiantou que a petição "apoia a proposta apresentada à Comissão Europeia [CE] para a disponibilização em acesso livre na Internet da literatura científica financiada publicamente".

Em Portugal, a petição já foi assinada pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e pelos reitores da Universidade do Minho e da Universidade do Porto.

Em termos europeus, a iniciativa foi subscrita por 14 mil pessoas em apenas 14 dias, entre as quais alguns laureados com o Prémio Nobel.

A petição conta, no entanto, com a oposição de editores de alguns jornais e revistas científicas, que dizem ter a sua sobrevivência ameaçada se a medida for aplicada, sublinhando que o mesmo pode acontecer a sociedades científicas.

Para além de assinaturas em nome individual, a petição online junta adesões institucionais de universidades, sociedades científicas, centros de investigação, fundações, academias, bibliotecas e departamentos governamentais.

Eloy Rodrigues salientou que entre os aderentes estão os vencedores do prémio Nobel Harold Varmus e Richard Roberts, "que juntaram a sua assinatura a cidadãos da Europa e do mundo exortando a União Europeia a adoptar politicas que garantam o acesso público livre aos resultados das investigações científicas e, assim, maximizem a visibilidade mundial da investigação europeia".

"Mais de 500 instituições na área da educação, investigação e cultura de todo o mundo também aderiram à iniciativa através da assinatura institucional pelos seus representantes máximos", adiantou.

A petição encoraja a União "a aceitar as recomendações delineadas no estudo EC-commissioned Study on the Economic and Technical Evolution of the Scien tific Publication Markets of Europe".

Publicado no início de 2006, este estudo apresentou um conjunto de recomendações no sentido de assegurar uma maior acessibilidade aos artigos científicos publicados.

A primeira recomendação apelava particularmente a "garantir o acesso público aos resultados de pesquisas financiadas publicamente pouco depois da sua publicação".

A petição está disponível na Internet em www.ec-petition.eu.

in Publico, 03-02-2007

ESTRELAS QUE ILUMINAM O PASSADO


Com o auxílio do telescópio espacial Hubble, uma equipa de astrónomos obteveuma imagem de uma das regiões de formação estelar localizada na Pequena Nuvemde Magalhães. Nesta região, designada por N90, foi descoberta uma população deestrelas muito jovens, o que permitiu à equipa examinar os processos deformação estelar num ambiente muito diferente daquele que encontramos na nossagaláxia.

A N90 encontra-se na periferia da Pequena Nuvem de Magalhães a aproximadamente200 mil anos-luz da Terra. A relativa proximidade desta região torna-a um"laboratório" excepcional para a realização de estudos aprofundados dosprocessos de formação estelar.As galáxias anãs, como a Pequena Nuvem de Magalhães, possuem um pequeno númerode estrelas comparativamente à Via Láctea, e são consideradas os blocosprimitivos de construção das galáxias de maior dimensão. O estudo da formaçãoestelar observada na N90 é particularmente interessante para os astrónomos poisa natureza primitiva da galáxia onde esta região está inserida, implica aausência de uma grande percentagem de elementos pesados que são gerados pelafusão nuclear de sucessivas gerações de estrelas. Estas condições fornecem aosastrónomos a possíbilidade de estudar a evolução estelar num ambientesemelhante ao do Universo primitivo.

A imagem obtida pelo Hubble mostra algumas estrelas recém formadas que estão a
pelas estrelas jovens e muito quentes, faz com que a poeira e gás das camadasinteriores da nebulosa se dispersem.Como a N90 encontra-se a uma distância considerável do centro da sua galáxiaanfitriã, é possivel observar um grande número de galáxias como pano de fundo,o que "fornece" às estrelas recém nascidas uma "visão" espectacular. A presençade algumas poeiras na N90 faz com que as galáxias distantes observadas possuamum tom vermelho acastanhado
(...)

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Glosoli - Sigur Ros

"o investimento em política de ambiente compensa"

Secretário de Estado do Ambiente
Humberto Rosa: relatório do IPCC mostra que "o investimento em política de ambiente compensa"
02.02.2007 - 09h51 PUBLICO.PT

Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente, afirmou esta manhã que as conclusões do relatório do Painel Inter-Governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) indicam que uma das prioridades de investimento tem de ser em política de ambiente.

Em declarações ao Rádio Clube, Humberto Rosa afirmou que, apesar de o diagnóstico feito pelo painel de especialistas reunidos em Paris, sob a égide das Nações Unidas, referir uma situação dramática e irreversível do clima global, há, mais do que nunca, que fazer esforços para cumprir as metas do Protocolo de Quioto e trabalhar no sentido de adaptar o país às consequências desses efeitos irreversíveis, como o aumento dos períodos de seca, mais fogos ou mais cheias. "O relatório fala de uma situação irreversível, mas vel muito a pena agir", afirmou.

Questionado sobre as medidas já avançadas pelo Governo, o secretário de Estado disse: "Com certeza que já há esforços. A remoção de construções ilegais da orla costeira e o reforço do cordão dunar, a prevenção de incêndios e cheias, são algumas delas. O relatório do IPCC vem mostrar que o investimento em política de ambiente compensa".

Segundo uma síntese do documento, intitulada "Resumo à Atenção dos Decisores", o aumento da temperatura global previsto até ao fim do século XXI é entendido pelos peritos como "uma temperatura média" e será muito diferenciada segundo as regiões, podendo ser multiplicada por dois nos pólos, por exemplo.

A subida dos termómetros ocasionará a dos oceanos e múltiplos fenómenos extremos, como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas que poderão provocar a deslocação de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos daqui até ao fim do século.

Este quarto relatório do IPCC, criado em 1988 pelas Nações Unidas, traduz também a convicção reforçada dos peritos da responsabilidade humana no aquecimento global observado nos últimos 50 anos e que, segundo eles, não pode ser só atribuído à variabilidade natural.

As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham os especialistas, nunca foi tão elevada desde há 650 mil anos.

Energia Geotérmica – calor aos nossos pés

2007-02-01 Por Angelina Pinto, in Ciência Hoje


Com a crescente preocupação energética dos últimos anos, muito se tem investido no aproveitamento de recursos e no desenvolvimento da tecnologia, de forma a torná-la mais eficiente. Neste contexto, a utilização da energia proveniente do interior da Terra, parece ser uma opção óbvia e a tecnologia associada aos processos tem também vindo a evoluir.

O centro da Terra dista aproximadamente 6 400 km da superfície, encontrando-se a uma temperatura que deverá ultrapassar os 5000 ºC. O calor proveniente do centro da Terra é transportado por condução, em direcção à superfície, aquecendo as camadas rochosas que constituem o manto.

As águas das chuvas infiltram-se através de linhas de falhas e fracturas geológicas e aquecem ao entrar em contacto com as rochas quentes. Algumas destas águas sobreaquecidas sobem novamente à superfície, sob a forma de nascentes quentes ou, por vezes, géisers. Noutros casos, a água quente fica presa em reservatórios geotérmicos naturais, abaixo da superfície terrestre.

Para aproveitar a energia, abrem-se furos desde a superfície até aos reservatórios geotérmicos.
Em áreas de actividade vulcânica ou sísmica, a temperatura nos reservatórios atinge valores superiores a 150 ºC e o vapor de água pode ser utilizado para fazer movimentar turbinas, produzindo electricidade, como numa central eléctrica vulgar. No arquipélago dos Açores, na Ilha de S. Miguel, estão instaladas duas centrais geotérmicas que asseguram a produção de cerca de 40 % da electricidade consumida na Ilha.

Quando a temperatura no reservatório é inferior a 100 ºC, e usa-se o calor para aquecer directamente, por exemplo, águas e edifícios. Em Portugal, a utilização energética da geotermia consiste essencialmente em aproveitamentos de baixa temperatura e termais, com temperaturas entre os 20 e os 76 ºC, como os que existem em Chaves e S. Pedro do Sul, desde os anos oitenta.


O exemplo islandês

O aproveitamento da energia geotérmica depende dos recursos existentes em cada local da Terra. Na Islândia, país de muitos vulcões e elevado potencial energético geotérmico, a capital, Reiquiavique, tem já 95 % das habitações e edifícios aquecidos por geotermia, sendo considerada uma das cidades menos poluídas do mundo. No entanto, há, em geral, poucas zonas vulcânicas e termais disponíveis.

O solo, por outro lado, constitui uma óptima reserva energética que se conserva de forma permanente ao longo do ano e o calor acumulado no subsolo pode ser aproveitado em qualquer local que nos encontremos. Entre os 15 e os 20 m de profundidade, a temperatura mantém-se à volta dos 17 ºC. As bombas de calor geotérmicas fazem trocas de calor com o subsolo, tirando partido da temperatura aproximadamente constante a que ele se encontra.

No Inverno é energeticamente mais eficiente conseguir a temperatura confortável de 22 ºC numa habitação, partindo dos 17 ºC do subsolo, do que partindo da temperatura a que está o ar, por vezes inferior a 10 ºC. No Verão, estas bombas funcionam como refrigeradores, podendo-se tirar partido do facto de haver muito maior eficiência energética em manter os confortáveis 22 ºC partindo dos 17 ºC do subsolo, do que partindo dos 30 ºC ou mais, a que está o ar.

Para além de um recurso renovável e praticamente não poluente, a energia geotérmica apresenta vantagens relativamente a outras fontes de energia renováveis, visto não sofrer da intermitência e inconstância de factores meteorológicos que condicionam, por exemplo, a energia eólica, solar ou hídrica.