sábado, fevereiro 03, 2007

Eu e o Forum Português Pós-Quioto


Na passada quarta feira decorreu na Gulbenkian a conferência inaugural do Fórum Português Pós-Quioto. Apesar do atraso com que chega este post, o repórter estava lá e vai tentar agora sintetizar as suas impressões acerca palestras a que assistiu entre duas sempre divertidas consultas médicas.

Depois das apresentações e inevitáveis discursos dos representantes do governo (neste caso o Secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa, que saiu logo após da sua intervenção), Pedro Martins Barata, da Euronatura fez uma revisão da situação nacional em relação ao compromisso assumido por Portugal no âmbito do Protocolo de Quioto.

Portugal, ao contrário da maioria dos países da UE, podia aumentar as suas emissões de CO2 em 27% em relação aos níveis de 1990, mas essa cota já foi largamente ultrapassada e para cumprir o protocolo vamos ter de recorrer aos mecanismos de flexibilidade incluídos no mesmo (compra de créditos de carbono, etc). Esperemos que sejam tomadas (e não só anunciadas) medidas concretas e eficazes para a redução de emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE) para além de coisas pouco convincentes e com efeitos reduzidos no total de emissões geradas como a diminuição do limite máximo de velocidade para 118 km/h (como se alguém neste país fosse cumprir e/ou fiscalizar isso…), a diminuição dos dias de circulação dos táxis (que ainda assim são transportes públicos…) e a criação de uma taxa para lâmpadas pouco eficientes (a criação de benefícios fiscais para quem usasse energias renováveis e a diminuição dos impostos sobre tecnologias com maior eficiência energética seriam muito bem-vindos mas definitivamente menos lucrativos para o estado…).

Depois falou Wolfgang Cramer do Potsdam Institute on Climate Change sobre alterações climáticas perigosas e como evitá-las. Este tipo de alterações foram definidas pela sua equipa como correspondendo a uma subida da temperatura média superior a cerca de 2 a 2.5 ºC que seria acompanhada de verões extremos na Europa cuja temperatura média se poderia tornar a mesma vivida durante a canícula de 2003 já em 2020-2030, por alterações no padrão da Monção indiana de cujas chuvas depende aproximadamente ¼ da população mundial, seca generalizada na Amazónia que teria impactos ainda não totalmente conhecidos no clima local e global, aumento da intensidade das tempestades tropicais e sub-tropicais, o desaparecimento dos glaciares a latitudes mais baixas, entre uma série de outras coisas numa grande e desencorajadora lista de cenários num planeta mais quente.

Para evitar tudo isto é necessário estabilizar os níveis de CO2 na atmosfera entre os 450 e os 500 ppm o que envolve convencer os EUA (o maior emissor e de longe o maior emissor per capita) a China e a Índia (dentro de alguns anos os maiores emissores de CO2 mas com uma taxa per capita muito inferior aos EUA) a reduzir as suas emissões e, segundo este investigador, eliminar quase por completo a deflorestação descontrolada em todo o mundo visto que esta é responsável por aproximadamente 25% das emissões antropogénicas de CO2. Estas medidas de mitigação devem tomadas brevemente, como pico de emissões a situar-se algures entre 2015 e 2020 e ser acompanhadas por outras de adaptação ao aumento da temperatura resultante do aumento das concentrações de GEE até essa data.

As últimas duas intervenções a que assisti deram mais enfâse ao lado económico da coisa, com Jake Schmidt do Center for Clean Air Policy a salientar a importância do envolvimento da China, Índia, Brasil e outros países em rápido crescimento num acordo Pós-Quioto incentivando-os com projectos que permitam vantagens essencialmente domésticas (diminuição da dependência energética do estrangeiro, aumento da qualidade do ar, etc) e dando incentivos para a redução voluntária das emissões nos países em vias de desenvolvimento que seriam recompensados no caso de as conseguirem sem estarem sujeitos a sanções caso não conseguissem essa redução. O envolvimento dos EUA seria também essencial, e segundo Schmidt, se isso não acontecer este ano, só lá para 2009, com uma nova administração em funções, é que a conjuntura vai ser de novo favorável à adopção deste tipo de medidas por parte do governo americano.

Hubbert Kieken, do IDDRI, fez uma apresentação onde mostrou através de modelos macroeconómicos que a adopção de medidas mais rigorosas de redução de emissões de GEE não vão provocar uma hecatombe na economia mundial ao contrário do que algumas correntes político-económicas têm levado a crer apesar de nunca fundamentarem correctamente essa previsão.

Tudo isto se passou na semana em que foi divulgado o Summary for Policy Makers do IPCC e em que na Science saiu um artigo que confirma a concordância dos modelos usados por este painel nos seus relatórios e os dados observacionais, sendo que estes, no caso do aumento do nível médio das águas do mar, se situam no limite máximo das previsões de 2001, levando a que alguns investigadores critiquem este novo relatório por ser demasiado conservador.

Com as incertezas a desaparecer as medidas para diminuir as emissões de GEE tornam-se cada vez mais urgentes mas isso não impede que tanto governos como empresas tentem desesperadamente encobrir ou lançar a dúvida sobre as alterações climáticas para assim não comprometerem os seus interesses.

Cada dia que passa a ameaça cresce lentamente e é precisamente essa lentidão que torna a urgência da aplicação das medidas de mitigação tão difícil de popularizar e o hipotético impacto económico negativo das mesmas tão fácil de difundir. É urgente passar à acção concertada a nível global com medidas concretas e o apoio da sociedade civil que parece cada vez mais predisposta a aceitar estas medidas, pelo menos nos países ocidentais. O maior problema pode vir da China, onde procura energética cresce a um nível impressionante aliada às enormes reservas internas de carvão e não existe uma opinião publica suficientemente forte para pressionar o seu estado não democrático que só vai aceitar diminuir as suas emissões se isso lhe for de alguma maneira vantajoso.

2007 pode ser um ano de viragem e marcar um verdadeiro princípio de uma politica mundial de combate ás alterações climáticas, se a deixar-mos passar corremos o risco de só nos apercebermos dos nossos erros quando for tarde demais.

PS: Posto isto, alguém que ganhar milhões a inventar maneiras eficazes de sequestrar CO2 ?

Geologia de Campo (V)

Vale glaciar na Zona Axial da cadeira Pirenaica.

Investigador considera que política climática é das mais fundamentadas

Desde que, no final do século XIX, o sueco Svante Arrhenius inventou o termo "efeito de estufa", milhares de cientistas têm estudado as mudanças no clima. A mais recente novidade é o relatório do IPCC apresentado hoje em Paris. Na verdade, poucos são os processos de decisão política acompanhados por tanto trabalho científico, diz um investigador português que estuda a biodiversidade e o clima.

Miguel Araújo, investigador do Museo Nacional de Ciências Naturais de Madrid e investigador associado da Universidade de Oxford, lembrou, em declarações ao PUBLICO.PT, que "poucos são os processos de decisão política que foram acompanhados por tantos estudos e tanto rigor na quantificação da incerteza".

As alterações climáticas — reconhecidas pela opinião pública internacional — têm sido acusadas pela classe política de alguns países de terem insuficiente sustentação científica. Este foi um dos argumentos usados em Março de 2001 pelo Presidente George W. Bush para se recusar a ratificar o Protocolo de Quioto, única ferramenta internacional para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

Hoje, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) apresentou o resultado do trabalho de centenas de cientistas sobre a evolução do conhecimento sobre o fenómeno.

"Este é um processo longo. Depois da parte técnica estar pronta, os relatórios são discutidos pelos governos e depois aprovados pelos Estados. Tudo isto influencia o resultado final", explica Miguel Araújo, professor associado convidado da Universidade de Copenhaga.

"Em ciência é difícil fazer afirmações inequívocas porque o mecanismo de aquisição de conhecimentos não é o da confirmação de hipóteses mas sim a sua desqualificação". O que tem acontecido com as alterações climáticas é que "a hipótese de aumento da temperatura do planeta tem passado por vários estudos e não tem sido desqualificada".

"A questão que se coloca é o que fazer perante a crescente evidência de que o clima está a mudar e que as causas dessa mudança não são independentes das actividades humanas", considera.

Miguel Araújo afirma ainda que este novo relatório "lança um alarme e um sinal aos políticos; um certo sentido de urgência".

in Publico, 03-02-2007

Cientistas portugueses defendem acesso à literatura científica de fundos públicos

Cerca de 700 académicos e cientistas portugueses aderiram à petição de apoio ao acesso livre à literatura científica europeia que a Comissão Europeia vai discutir em Bruxelas, disse hoje à Lusa fonte da Universidade do Minho.

O director do Centro de Documentação, Eloy Rodrigues, adiantou que a petição "apoia a proposta apresentada à Comissão Europeia [CE] para a disponibilização em acesso livre na Internet da literatura científica financiada publicamente".

Em Portugal, a petição já foi assinada pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e pelos reitores da Universidade do Minho e da Universidade do Porto.

Em termos europeus, a iniciativa foi subscrita por 14 mil pessoas em apenas 14 dias, entre as quais alguns laureados com o Prémio Nobel.

A petição conta, no entanto, com a oposição de editores de alguns jornais e revistas científicas, que dizem ter a sua sobrevivência ameaçada se a medida for aplicada, sublinhando que o mesmo pode acontecer a sociedades científicas.

Para além de assinaturas em nome individual, a petição online junta adesões institucionais de universidades, sociedades científicas, centros de investigação, fundações, academias, bibliotecas e departamentos governamentais.

Eloy Rodrigues salientou que entre os aderentes estão os vencedores do prémio Nobel Harold Varmus e Richard Roberts, "que juntaram a sua assinatura a cidadãos da Europa e do mundo exortando a União Europeia a adoptar politicas que garantam o acesso público livre aos resultados das investigações científicas e, assim, maximizem a visibilidade mundial da investigação europeia".

"Mais de 500 instituições na área da educação, investigação e cultura de todo o mundo também aderiram à iniciativa através da assinatura institucional pelos seus representantes máximos", adiantou.

A petição encoraja a União "a aceitar as recomendações delineadas no estudo EC-commissioned Study on the Economic and Technical Evolution of the Scien tific Publication Markets of Europe".

Publicado no início de 2006, este estudo apresentou um conjunto de recomendações no sentido de assegurar uma maior acessibilidade aos artigos científicos publicados.

A primeira recomendação apelava particularmente a "garantir o acesso público aos resultados de pesquisas financiadas publicamente pouco depois da sua publicação".

A petição está disponível na Internet em www.ec-petition.eu.

in Publico, 03-02-2007

ESTRELAS QUE ILUMINAM O PASSADO


Com o auxílio do telescópio espacial Hubble, uma equipa de astrónomos obteveuma imagem de uma das regiões de formação estelar localizada na Pequena Nuvemde Magalhães. Nesta região, designada por N90, foi descoberta uma população deestrelas muito jovens, o que permitiu à equipa examinar os processos deformação estelar num ambiente muito diferente daquele que encontramos na nossagaláxia.

A N90 encontra-se na periferia da Pequena Nuvem de Magalhães a aproximadamente200 mil anos-luz da Terra. A relativa proximidade desta região torna-a um"laboratório" excepcional para a realização de estudos aprofundados dosprocessos de formação estelar.As galáxias anãs, como a Pequena Nuvem de Magalhães, possuem um pequeno númerode estrelas comparativamente à Via Láctea, e são consideradas os blocosprimitivos de construção das galáxias de maior dimensão. O estudo da formaçãoestelar observada na N90 é particularmente interessante para os astrónomos poisa natureza primitiva da galáxia onde esta região está inserida, implica aausência de uma grande percentagem de elementos pesados que são gerados pelafusão nuclear de sucessivas gerações de estrelas. Estas condições fornecem aosastrónomos a possíbilidade de estudar a evolução estelar num ambientesemelhante ao do Universo primitivo.

A imagem obtida pelo Hubble mostra algumas estrelas recém formadas que estão a
pelas estrelas jovens e muito quentes, faz com que a poeira e gás das camadasinteriores da nebulosa se dispersem.Como a N90 encontra-se a uma distância considerável do centro da sua galáxiaanfitriã, é possivel observar um grande número de galáxias como pano de fundo,o que "fornece" às estrelas recém nascidas uma "visão" espectacular. A presençade algumas poeiras na N90 faz com que as galáxias distantes observadas possuamum tom vermelho acastanhado
(...)

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Glosoli - Sigur Ros

"o investimento em política de ambiente compensa"

Secretário de Estado do Ambiente
Humberto Rosa: relatório do IPCC mostra que "o investimento em política de ambiente compensa"
02.02.2007 - 09h51 PUBLICO.PT

Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente, afirmou esta manhã que as conclusões do relatório do Painel Inter-Governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) indicam que uma das prioridades de investimento tem de ser em política de ambiente.

Em declarações ao Rádio Clube, Humberto Rosa afirmou que, apesar de o diagnóstico feito pelo painel de especialistas reunidos em Paris, sob a égide das Nações Unidas, referir uma situação dramática e irreversível do clima global, há, mais do que nunca, que fazer esforços para cumprir as metas do Protocolo de Quioto e trabalhar no sentido de adaptar o país às consequências desses efeitos irreversíveis, como o aumento dos períodos de seca, mais fogos ou mais cheias. "O relatório fala de uma situação irreversível, mas vel muito a pena agir", afirmou.

Questionado sobre as medidas já avançadas pelo Governo, o secretário de Estado disse: "Com certeza que já há esforços. A remoção de construções ilegais da orla costeira e o reforço do cordão dunar, a prevenção de incêndios e cheias, são algumas delas. O relatório do IPCC vem mostrar que o investimento em política de ambiente compensa".

Segundo uma síntese do documento, intitulada "Resumo à Atenção dos Decisores", o aumento da temperatura global previsto até ao fim do século XXI é entendido pelos peritos como "uma temperatura média" e será muito diferenciada segundo as regiões, podendo ser multiplicada por dois nos pólos, por exemplo.

A subida dos termómetros ocasionará a dos oceanos e múltiplos fenómenos extremos, como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas que poderão provocar a deslocação de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos daqui até ao fim do século.

Este quarto relatório do IPCC, criado em 1988 pelas Nações Unidas, traduz também a convicção reforçada dos peritos da responsabilidade humana no aquecimento global observado nos últimos 50 anos e que, segundo eles, não pode ser só atribuído à variabilidade natural.

As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham os especialistas, nunca foi tão elevada desde há 650 mil anos.

Energia Geotérmica – calor aos nossos pés

2007-02-01 Por Angelina Pinto, in Ciência Hoje


Com a crescente preocupação energética dos últimos anos, muito se tem investido no aproveitamento de recursos e no desenvolvimento da tecnologia, de forma a torná-la mais eficiente. Neste contexto, a utilização da energia proveniente do interior da Terra, parece ser uma opção óbvia e a tecnologia associada aos processos tem também vindo a evoluir.

O centro da Terra dista aproximadamente 6 400 km da superfície, encontrando-se a uma temperatura que deverá ultrapassar os 5000 ºC. O calor proveniente do centro da Terra é transportado por condução, em direcção à superfície, aquecendo as camadas rochosas que constituem o manto.

As águas das chuvas infiltram-se através de linhas de falhas e fracturas geológicas e aquecem ao entrar em contacto com as rochas quentes. Algumas destas águas sobreaquecidas sobem novamente à superfície, sob a forma de nascentes quentes ou, por vezes, géisers. Noutros casos, a água quente fica presa em reservatórios geotérmicos naturais, abaixo da superfície terrestre.

Para aproveitar a energia, abrem-se furos desde a superfície até aos reservatórios geotérmicos.
Em áreas de actividade vulcânica ou sísmica, a temperatura nos reservatórios atinge valores superiores a 150 ºC e o vapor de água pode ser utilizado para fazer movimentar turbinas, produzindo electricidade, como numa central eléctrica vulgar. No arquipélago dos Açores, na Ilha de S. Miguel, estão instaladas duas centrais geotérmicas que asseguram a produção de cerca de 40 % da electricidade consumida na Ilha.

Quando a temperatura no reservatório é inferior a 100 ºC, e usa-se o calor para aquecer directamente, por exemplo, águas e edifícios. Em Portugal, a utilização energética da geotermia consiste essencialmente em aproveitamentos de baixa temperatura e termais, com temperaturas entre os 20 e os 76 ºC, como os que existem em Chaves e S. Pedro do Sul, desde os anos oitenta.


O exemplo islandês

O aproveitamento da energia geotérmica depende dos recursos existentes em cada local da Terra. Na Islândia, país de muitos vulcões e elevado potencial energético geotérmico, a capital, Reiquiavique, tem já 95 % das habitações e edifícios aquecidos por geotermia, sendo considerada uma das cidades menos poluídas do mundo. No entanto, há, em geral, poucas zonas vulcânicas e termais disponíveis.

O solo, por outro lado, constitui uma óptima reserva energética que se conserva de forma permanente ao longo do ano e o calor acumulado no subsolo pode ser aproveitado em qualquer local que nos encontremos. Entre os 15 e os 20 m de profundidade, a temperatura mantém-se à volta dos 17 ºC. As bombas de calor geotérmicas fazem trocas de calor com o subsolo, tirando partido da temperatura aproximadamente constante a que ele se encontra.

No Inverno é energeticamente mais eficiente conseguir a temperatura confortável de 22 ºC numa habitação, partindo dos 17 ºC do subsolo, do que partindo da temperatura a que está o ar, por vezes inferior a 10 ºC. No Verão, estas bombas funcionam como refrigeradores, podendo-se tirar partido do facto de haver muito maior eficiência energética em manter os confortáveis 22 ºC partindo dos 17 ºC do subsolo, do que partindo dos 30 ºC ou mais, a que está o ar.

Para além de um recurso renovável e praticamente não poluente, a energia geotérmica apresenta vantagens relativamente a outras fontes de energia renováveis, visto não sofrer da intermitência e inconstância de factores meteorológicos que condicionam, por exemplo, a energia eólica, solar ou hídrica.

A culpa do aquecimento global é do Homem, diz o IPCC


O planeta vai aquecer entre 1,8 e 4 graus Celsius até final do século, o que fará subir o nível dos mares até 58 centímetros e multiplicar as secas e vagas de calor, indicaram hoje especialistas em alterações climáticas.

Estas são as principais conclusões do relatório hoje apresentado em Paris pelos 500 delegados do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas ( IPCC), que aponta para "uma probabilidade muito alta" de que o aquecimento global se deva à actividade humana.

Segundo uma síntese do documento, intitulada "Resumo à Atenção dos Decisores", o aumento da temperatura global previsto até ao fim do século XXI é entendido pelos peritos como "uma temperatura média" e será muito diferenciada segundo as regiões, podendo ser multiplicada por dois nos pólos, por exemplo.

A subida dos termómetros ocasionará a dos oceanos e múltiplos fenómenos extremos, como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas que poderão provocar a deslocação de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos daqui até ao fim do século.

Este quarto relatório do IPCC, criado em 1988 pelas Nações Unidas, traduz também a convicção reforçada dos peritos da responsabilidade humana no aquecimento global observado nos últimos 50 anos e que, segundo eles, não pode ser só atribuível à variabilidade natural.

As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham os especialistas, nunca foi tão elevada desde há 650.000 anos.

Este relatório do IPCC tem por objectivo ajudar a fundamentar a resposta dos dirigentes do planeta ao aquecimento global, nomeadamente no quadro do Protocolo de Quioto.

in Publico, 02-02-2007

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Aderir ou não aderir ao apagão?

Penso que esta decisão deve ficar ao critério de cada um. Se por um lado apagar a luz pode ter consequências imprevisíveis e talvez desastrosas, por outro pode ser exactamente esse abanão que os tubarões do mundo precisam. Apagar a luz em massa pode realmente constituir um problema grave, que pode causar a sobrecarga de alguns sitemas electricos. Este pode ser um acto com toques de "terrorismo". E veja-se, o Greenpeace que é um grupo conhecido pelas suas acções quase extremistas (mas sempre pacíficas) não irá aderir a este protesto. Por outro lado a Câmara Municipal de Paris vai apagar a luz da Torre Eiffel.

Eu vou apagar a luz. Como acto de protesto.

As alterações ambientais induzidas pelo homem também estão a ter consequências imprevisíveis e talvez desastrosas. Está na hora de agir. A Humanidade já provou várias vezes que é possível agir em conjunto, de forma consciente e racional. É possível passar das palavras às acções. Este não é um problema menor. É a nossa casa que está em causa. O nosso único planeta. Se daqui debaixo parece enorme, lá de cima é apenas um calhau ínfimo.

Torre Eiffel vai hoje ficar às escuras durante cinco minutos

Hoje à noite, quando se estiverem a dar os últimos retoques no relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas que será tornado público no dia seguinte, as luzes que decoram a Torre Eiffel, em Paris, vão apagar-se.

A organização francesa Aliança para o Planeta, que integra mais de 70 organizações de defesa do ambiente, lançou o apelo para que no primeiro dia do mês de Fevereiro haja um "apagão" em todo o Mundo, de cinco minutos - entre as 19h55 e as 20h00 (18h55 e 19h00 em Lisboa). A iniciativa simbólica destina-se a lutar contra o desperdício de energia.

No essencial, pede-se a todas as pessoas para que abdiquem da iluminação só por um bocadinho. "Cinco minutos de descanso para o planeta: não demora muito tempo, não custa nada", nas palavras da Aliança. A Câmara Municipal de Paris já anunciou que vai participar, desactivando por alguns momentos a iluminação decorativa do principal monumento da capital francesa. Ligadas mantêm-se apenas as lâmpadas indispensáveis à segurança no local.

Algumas horas depois, cientistas de todo o Mundo darão por terminado um relatório que deixará claro que o planeta está a aquecer e onde serão apresentadas novas provas da responsabilidade do homem nas alterações climáticas que, de acordo com dados do documento anteontem antecipados pelo diário australiano The Age, farão disparar o número de pessoas que, em todo o Mundo, passam fome (entre mais 200 milhões e 600 milhões até 2080) e não têm água potável disponível. O documento tem estado a ser trabalhado na sede da UNESCO, em Paris, num encontro que reúne 500 especialistas.

in Publico, 01-02-2007

Efeito prático do apagão de hoje pode ser “mais um problema que uma solução”

Efeito prático do apagão de hoje pode ser “mais um problema que uma solução”

Francisco Ferreira, da Quercus, afirma que, em termos de efeitos práticos a medida pode “provocar algum desequilíbrio na rede eléctrica”, uma vez que, em termos de eficiência energética, a produção deve ser igual ao consumo: “Todo o sistema vai continuar a funcionar e durante cinco minutos isso vai ser ignorado, o que vai implicar desperdício de energia. Por isso esta medida é mais um problema do que uma solução.”

A mesma explicação já tinha sido ontem avançada à agência Lusa por Amarante santos, gestor de sistemas da Rede Eléctrica Nacional, REN, que avançou que esta medida simbólica pode causar perturbações no abastecimento.

Para além das consequências práticas, Francisco Ferreira adianta que o significado filosófico da iniciativa, proposta pela organização francesa Aliança para o Planeta, não é eficaz: “Uma das principais medidas para combater o problema das alterações climáticas é reduzir o consumo de electricidade, mas essa redução tem de ser acompanhada pela prática de políticas de eficiência energética e, principalmente, de apoio às energias renováveis. E o sector que cresce mais continua ser o dos transportes.”

A Quercus, bem como a rede europeia de associações ambientalistas a que pertence, não adere hoje a esta iniciativa da Aliança para o Planeta. O mesmo foi decidido pela Greenpeace e pela WWF.

in Publico, 01-02-2007

Alterações climáticas/Manifesto em consciência

Aliança pelo Planeta (grupo francês de associações ambientalistas) lança um apelo simples a todos os cidadãos de se dedicarem por cinco minutos à Terra.

Dia 1 de Fevereiro Todo o mundo apagará por 5 minutos suas lâmpadas e aparelhos eléctricos entre 19h55 e 20 h.

Não se trata apenas de economizar electricidade nesse dia, mas também chamar a atenção da imprensa e daqueles que têm poder de decisão sobre o desperdício de energia e a urgência de agir! Cinco minutos de repouso para o Planeta Terra.

Não toma muito de seu tempo, não custa nada, e isso mostrará aos candidatos à presidência da França (e também a outros candidatos e actuais presidentes de outros países) que a mudança climática é uma questão que deve ser levada em conta em qualquer decisão política.

Porque dia 1 º de Fevereiro? Nesse dia será apresentado na França um relatório feito por um grupo de técnicos em climatologia da ONU. Os cidadãos não podem deixar escapar a ocasião para manifestarem sua opinião sobre a urgência com que deve ser tratada a mudança climática mundial.

Se todos participarem, essa acção poderá aparecer na imprensa e ter peso político.

http://www.amisdelaterre.org/Participez-a-la-plus-grande.html

quarta-feira, janeiro 31, 2007

2008, Ano Internacional do Planeta Terra

A ONU decretou o ano de 2008 como o Ano Internacional do Planeta Terra…



Por que necessitamos de um Ano Internacional do Planeta Terra?
Em dezembro de 2004, em inúmeras praias e ilhas do Oceano Índico, morreram cerca de 250.000 pessoas porque os governos dos vários países não compreenderam a necessidade de usarem mais eficazmente nosso conhecimento sobre a Terra. Os geocientistas do mundo todo estão conscientes de que o seu conhecimento sobre o Planeta Terra, que poderia ter, naquele caso, salvo vidas e meios de subsistência, está sendo subutilizado.

O principal objectivo desta iniciativa é a de rentabilizar o conhecimento acumulado por milhares de cientistas em todo o mundo. Dar a conhecê-lo e mostrar a sua importância para o desenvolvimento da Sociedade.

Está subdividido em dois programas, um Científico e outro de Divulgação.

O esforço do Programa Científico será canalizado em 10 temas abrangentes, multidisciplinares e socialmente relevantes: saúde, clima, água subterrânea, oceanos, solos, crosta e núcleo terrestres, (mega) cidades, desastres naturais, recursos naturais e vida. Para cada tema foram produzidas brochuras que podem ser encontradas no endereço http://www.esfs.org e em www.yearofplanetearth.org e através das quais os cientistas de todos os cantos do mundo estão sendo convidados a submeterem propostas voltadas a questões específicas dentro de cada tema.

Uma brochura sobre o Programa de Divulgação está também disponível (em papel e nos endereços acima), na qual são sugeridas várias possibilidades para se chamar a atenção da sociedade para a relevância das Ciências da Terra, incluindo convite para apresentação de propostas do tipo ‘bottom up’ ou ‘grass roots’ similares ao empregado pelo Programa Científico do Ano e o Programa Geocientífico (IGCP) da Unesco, de tanto sucesso.

Cérebro do homem das Flores mostra que é uma espécie nova

Continua a polémica sobre o homem das Flores, um fóssil descoberto em 2003 naquela ilha da Indonésia. Os cientistas australianos e indonésios que o encontraram numa escavação revelaram que era uma nova espécie de humano, que viveu há 18 mil anos.

noticia completa: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283984

terça-feira, janeiro 30, 2007

Um desafio

http://mais.no.sapo.pt/testeqirio.html

Previsão de alterações climáticas para o próximo século é a pior de sempre

Uma fuga de informação, em relação ao conteúdo do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que será divulgado em Paris na sexta-feira, traz hoje às páginas do australiano Weekend Australian, as principais conclusões redigidas pelo grupo de elite de cientistas.

De acordo com o jornal australiano, as previsões do IPCC são muito mais negras que as divulgadas há cinco anos, no último relatório do painel. Pela primeira vez os cientistas confirmam um aumento da temperatura global de três graus em cem anos, caso não sejam tomadas medidas eficazes e urgentes no corte das emissões de gases de efeito de estufa.

Em 2001 o painel de cientistas previam aumentos na ordem de 1,4 graus a 5,8 graus até 2100 mas foram depois levados a ajustar essa previsão para resultados entre dois e 4,5 graus.

O IPCC afirma ainda que o nível do mar vai igualmente aumentar, em cem anos, até um metro.

Hoje o PÚBLICO destaca em manchete um estudo da Universidade do Algarve que revela que a subida do nível do mar, fruto das alterações do clima, está a provocar uma acelerada erosão da orla costeira do Algarve e que na Ria Formosa, as conclusões avançadas pelo IPCC para daqui a cem anos já se confirmam: ali o mar avança já um metro por ano diz o estudo dos cientistas algarvios.

in Publico, 30-01-2007

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Marte pode conter reservas de água e dióxido de carbono





O subsolo de Marte poderá conter reservas de água e de dióxido de carbono (CO2) que antigamente faziam parte da sua densa atmosfera, indica um estudo de investigadores europeus publicado hoje na revista "Science".


Os cientistas chegaram a essa conclusão ao constatar, em dados recolhidos pela sonda europeia Mars Express, que só uma pequena parte da atmosfera marciana — desaparecida há 3,5 mil milhões de anos — se dispersou por efeito dos ventos solares.


Stas Barabash, do Instituto Sueco de Física Espacial, e Jean-André Sauv aud, do Centro de Estudos Espaciais das Radiações, em Toulouse, dois dos autores do estudo, determinaram que apenas 0,2 a 4 milibares (unidade de pressão) de CO2 e alguns centímetros de água se perderam no espaço.


Quanto ao que se terá passado com a densa atmosfera de Marte, os investigadores julgam que poderá estar no subsolo do planeta.


Os dois robôs norte-americanos Opportunity e Spirit confirmaram que a atmosfera de Marte conteve água e CO2 num passado distante.


Vários indícios, como depósitos sedimentares, traços de margens e leitos de ribeiros ressequidos testemunham uma intensa actividade hídrica no passado de Marte.


A água no estado líquido desapareceu completamente da superfície do planeta, mas existe sob a forma de vapor de água na sua atmosfera, numa pequena proporção, e no estado sólido, sob a forma de gelo, nas calotes polares e nalgumas crateras.


Pelo facto de essas quantidades serem insuficientes para explicar os traços geológicos observados, os autores do estudo admitem que possam existir grandes extensões de água no subsolo marciano.


in Publico, 26-01-2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007

dolphin2

dolphin

A "nossa" última Idade do Gelo...

As eras glaciares também chegaram ao nosso país e existem evidências da sua passagem, quer na Serra do Gerês, quer na Serra da Estrela, revelados pelos relevos tipicamente glaciares.

A última idade do gelo, denominada na Europa por Era Wurm, durou aproximadamente 60000 anos (-70000 e -10000). O seu período mais relevante ocorreu entre 24000–10000 antes da época actual. Terá sido nessa altura que os glaciares moldaram a paisagem no vale de Manteigas.

Em vez da habitual foto do antes e depois...

fica um novo conceito...o agora e o antes (muito antes)...

agora (Dezembro 2006)


antes (muito antes)

Glaciares

O que é?

Um glaciar é uma grande massa de gelo, formada por uma lenta compactação e recristalização de neve, em movimento.


Que tipos de glaciar existem?


Existem dois tipos principais de glaciares:


- os continentais;
Os glaciares continentais, situam-se a latitudes elevadas e ocupam áreas extensas. O gelo destes glaciares é permanente (ex: Antártica e Gronelândia).


Shackleton - Antártica

- os de montanha (também conhecidos como “de vale” ou alpinos);
Estes glaciares encontram-se a grandes altitudes, no cimo de montanhas, confinados a vales (Ex: Alpes, Andes, Himalais, etc.).


Alpes Austríacos

Como se movimentam?


Em contacto com o solo rochoso, mais quente que a massa de gelo, a parte inferior do glaciar começa por derreter formando uma fina camada de água. Essa camada, que se situa entre o glaciar e o solo rochoso, é responsável pela diminuição do atrito e consequente deslizamento da massa de gelo por efeito da gravidade.


Este movimento é lento e provoca grandes alterações no relevo. Em montanha, os vales formados pelos rios, em “V”, adquirem uma forma em “U”.



Vale Glaciário - Manteigas (Serra da Estrela)

No caso dos grandes glaciares continentais, o gelo move-se de uma zona central de acumulação para todas as direcções. O relevo formado por estes glaciares é aplanado. As formas “não aplanadas” evidenciam, entre outras coisas, a estrutura interna do glaciar e as zonas mais resistentes do solo rochoso.




Para saber mais:

EOA Scientific
http://www.eoascientific.com/campus/earth/multimedia/glaciers/view_interactive

Glaciers Online, SuissEduc
http://www.swisseduc.ch/glaciers/


The National Snow and Ice Data Center
http://nsidc.org/glaciers/


Wikipedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Glacier

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_glaciers


quarta-feira, janeiro 24, 2007

Expedição chega a pé pela primeira vez ao centro geográfico da Antártida


Uma equipa de exploradores britânicos e canadianos conseguiu chegar pela primeira vez a pé ao centro geográfico da Antártida, depois de enfrentarem ventos fortes e temperaturas abaixo de zero durante sete semanas. Arrastando trenós de 120 quilogramas, os exploradores percorreram mais de 1.700 quilómetros a pé ou em "kite ski" até atingirem o Pólo da Inacessibilidade da Antártida - o ponto mais afastado de qualquer oceano - a 19 de Janeiro, segundo o site da expedição

Primeiros dinossáurios voadores eram biplanos


Os primeiros dinossáurios voadores tinham dois de pares de asas com penas e planavam de árvore em árvore, de acordo com um estudo publicado ontem nos Estados Unidos. Graças às penas compridas existentes nos membros superiores e inferiores, o Microraptor de quatro asas deixava-se cair do alto e planava, ondulando de árvore em árvore, indica o estudo divulgado numa publicação da Academia norte-americana de Ciências.
Este antepassado do pássaro era capaz de percorrer uma distância de pelo menos 40 metros no ar, com a ajuda dos dois pares de asas. "É provável que o Microraptor tenha inventado o biplano 125 milhões de anos antes dos irmãos Wright, em 1903", escreveu Sankar Chatterjee, da Universidade Técnica de Texas, autor do estudo com o canadiano Jack Tamplin, e que utilizou um simulador em computador para compreender o voo do dinossáurio.
Com 77 centímetros de comprimento, o Microraptor não pesaria mais de um quilo e possuía uma longa cauda com penas que lhe davam mais estabilidade e o ajudavam a controlar a direcção do voo, refere o estudo. As conclusões de Chatterjee e de Tamplin diferem de uma primeira teoria baseada na descoberta de fósseis no norte da China e que afirmava que o Microraptor voava como uma libélula.
Mas a teoria da libélula significa que o Microraptor não teria podido marchar no solo, como fazia, referem.
in Ciência Hoje, 2007-01-23

Estabelecido novo recorde sul-americano de profundidade em cavernas


Brandt transpõe lance vertical (foto Lorenzo Epis)


Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SB) e da ONG Akakor Geographical Exploring estabeleceram um novo recorde sul-americano de profundidade em caverna e recorde mundial em rocha quartzífera durante a expedição ao interior da Amazónia. A descoberta do Abismo Guy Collet (AM-3), como foi baptizado pelos exploradores da expedição ítalo-brasileira, com seus 670,6 metros de desnível, foi divulgada em Dezembro passado no periódico InformAtivo SBE nº92 e registada no Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil (CNC), atendendo às recomendações para expedições estrangeiras no Brasil da SBE.

2007-01-23
Por Marcelo Augusto Rasteiro
Sociedade Brasileira de Espeleologia


Notícia completa: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=17417&op=all

Sócrates debate alterações climáticas

O primeiro-ministro, José Sócrates, escolheu as alterações climáticas para tema do debate mensal da Assembleia da República hoje, quarta-feira.

Glaciares dos Alpes correm o risco de desaparecer

A maioria dos glaciares dos Alpes desaparecerá até 2050, declararam hoje vários cientistas numa conferência sobre alterações climáticas realizada em Viena.

Os cientistas baseiam os seus cálculos em provas de degelo lento, mas constante, nas camadas de gelo continental da região.

Os glaciares da província alpina austríaca do Tirol têm vindo a encolher cerca de três por cento por ano, o que significa que a sua massa baixa anualmente cerca de um metro, segundo Ronald Psenner, do Instituto para a Ecologia da Universidade de Innsbruck.

"Como a densidade média dos glaciares nos Alpes é de 30 metros, parece bastante certo que já não existirão glaciares em 2050, a não ser os poucos situados acima dos quatro mil metros", disse o especialista.

"O futuro parece bastante líquido", acrescentou.

Os peritos exortaram à tomada de medidas preventivas para proteger os residentes nos vales alpinos, que poderão enfrentar riscos acrescidos de cheias perigosas.

in Publico, 22-01-2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS um problema inconveniente

Título do Público de hoje, que aborda o discurso que George W. Bush tem preparado para hoje, para o Estado da União, os seus antecedentes e os catalizadores desta, aparente, mudança.

Digo aparente porque me recordo de um outro discurso, também para o Estado da União, nas vésperas dos ataques ao Iraque (porque seria?). Aparente porque ainda há dias surgiram notícias sobre a intenção de explorar os recursos petrolíferos do Alasca, em plena reserva ecológica. Aparente porque, ao que tudo indica, uma tal senhora Clinton está na corrida para a Presidência, apoiada por dez grandes empresas energéticas. Aparente pela inconveniência do documentário do seu antigo opositor Al Gore.

Este senhor Bush faz-me lembrar aqueles miúdos que querem os brinquedos todos. Quando se apercebe que não tem ninguém para brincar, começa a querer oferecer... Aparentemente já vem tarde, a inteligência dos outros "miúdos" teve de ser desenvolvida para criar novos "brinquedos" e não creio que alguém queira ouvir este novo discurso de mudança. O povo desconfia, eu desconfiava...

Público:
Alterações Climáticas
Estratégia de George W. Bush
Novo relatório global

segunda-feira, janeiro 22, 2007

As dunas já não são como divãs, são coisas muito, muito mais caras

Educação
por Carlos Moreira Cruz (Professor Adjunto Equiparado do Departamento de CMD da ESE de Setúbal)
28-12-2006

As dunas já não são como divãs, são coisas muito, muito mais caras.

Neste mês fomos apanhados de surpresa pela notícia de que o oceano estava prestes a invadir o litoral de São João de Caparica, na freguesia da Costa de Caparica (Almada). Uns culparam o aquecimento global e a consequente elevação do nível médio das águas do mar, outros a falta de recarga de sedimentos do rio Tejo, devido à construção das barragens, outros ainda lembraram que a ocupação do nosso litoral não pode contrariar a tendência natural: a criação de uma espécie de baía na zona litoral da Costa de Caparica.
Tudo verdade, mas omitiu-se uma coisa importante. É que, desde meados dos anos 80, uma empresa de construção, proprietária da quase totalidade dos terrenos entre a Cova do Vapor e São João de Caparica, vedou as suas propriedades, incluindo caminhos públicos com séculos – tudo ilegal mas tudo consentido -, destruiu grande parte das dunas já quase mortas (vários estudos o referiam) – com autorização, suponho - para construir parques de estacionamento, e, mais tarde, fez grandes movimentações de terras na própria praia (?).

Ora dunas e praias são organicamente a mesma coisa. Para termos praias temos de ter dunas. Se destruímos as dunas destruímos as praias, se destruímos as praias destruímos as dunas. É de admirar que as dunas tenham sido quase submersas, depois de “comido” o areal?

Agora vamos a custos. Em meados dos anos 90 o preço de uma intervenção na praia para aumentar o areal ficava-se por um milhão de euros (200 mil contos em moeda antiga). Agora para resolver a situação tem que se gastar 10 a 15 vezes mais. E, ainda por cima, além de se tratar de uma intervenção cara e difícil, os resultados são relativamente imprevisíveis.

artigo em: Setubal na Rede

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Geologia de Campo (IV)

Dobra redobrada. Grupo do Dalradiano, Ilha de Achill, Irlanda.