quarta-feira, janeiro 17, 2007

Cortes orçamentais ameaçam capacidade dos EUA na previsão de fenómenos climáticos extremos

A capacidade norte-americana para prever fenómenos climáticos extremos como furacões, seca e alterações climáticas no geral está diminuida devido aos cortes orçamentais no programa de monitorização por satélite do clima e no atraso do lançamento de novos projectos, da responsabilidade da NASA, a agência espacial norte-americana.

Esta conclusão é da responsabilidade da Academia Nacional de Ciências dos EUA, que, após um estudo de dois anos, divulgado ontem e noticiado hoje no diário Washington Post, verificou que o orçamento para investigação científica da NASA decresceu 30 por cento desde 2000. O relatório afirma que o decréscimo começou quando foi tornada pública a atenção da administração Bush de investir nas missões tripuladas à Lua e a Marte.

Mas os cortes não afectam só a investigação na área do clima na NASA. Também a NOAA, a agência norte-americana para o estudo dos oceanos e clima viu o seu orçamento diminuido e inúmeros projectos adiados ou mesmo cancelados.

O resultado destes cortes, diz a Academia Nacional de Ciencias, é a incapacidade para apurar informação científica para fazer a previsão de fenómenos climáticos extremos: "Estes cortes são muito perturbadores da actividade das agências nesta área, numa altura em que precisamos mais do que nunca desta informação", disse ao Washington Post Berrien Moore III, da Universidade de New Hampshire, coordenador do relatório.

Segundo a NOAA, 2006 foi o ano mais quente de sempre nos EUA. Tanto a NOAA como a NASA vão agora analisar este estudo para rever as suas prioridades para os próximos dez anos.

in Publico, 16-01-2007

domingo, janeiro 14, 2007

Fósseis confirmam que homens modernos já estavam na Europa há 45 mil anos

Os humanos modernos saíram de África e chegaram à Europa, pelo menos, há 45 mil anos, afirma um estudo de uma equipa internacional coordenada pela Academia Russa de Ciências e pela Universidade do Colorado, em Boulder.

As conclusões basearam-se na análise de pedras, ossos e utensílios encontrados debaixo de antiga cinza vulcânica em Kostenki, nas margens do rio Don, na Rússia, disse John Hoffecker, da Universidade do Colorado, em comunicado no site da instituição.

Naquele local, onde os cientistas acreditam ter encontrado os primeiros vestígios do homem moderno na Europa, foram também identificadas conchas perfuradas e marfim gravado que poderá representar uma pequena fugira humana. Esta será a primeira peça de arte figurativa do mundo, segundo John Hoffecker.

“A grande surpresa é a presença tão antiga de homens modernos num dos locais mais frios e secos na Europa”, acrescentou. “Este é um dos últimos locais que esperaríamos ver ocupados por quem viesse de África”.

“Ao contrário dos Neandertais, os humanos modernos tinham a capacidade para criar novas técnicas para se adaptarem aos climas frios e à escassez de alimentos”, disse o investigador. “Os Neandertais, que terão ocupado a Europa ao longo de mais de 200 mil anos, parecem ter deixado a porta aberta para os humanos modernos”.

Os resultados da investigação – que envolveu 15 cientistas - são publicados na edição de hoje da revista “Science”.

in Público, 12/01/2007

Aquecimento Global e desinformação



Sendo o aquecimento global um problema cujas soluções acarretam, á primeira vista, a adopção de medidas que possam impor limites à actividade de económica de algumas grandes corporações, seria à partida de esperar uma reacção das mesmas.

Mesmo assim não consegui deixar de ficar surpreso quando li no Guardian uma coluna do jornalista George Monbiot em que este publicava informação desenvolvida no seu livro "Heat" acerca de como a ExxonMobil andava a financiar a divulgação de desinformação acerca deste assunto, usando as mesmas "instituições científicas" criadas pelas tabaqueiras para semear a dúvida acerca dos malefícios do tabaco.

Já este ano a Union of Concerned Scientists divulgou um relatório (disponível em pdf) sobre a campanha de desinformação da ExxonMobil que envolveu o pagamento de mais de 16 000 000 $ entre 1998 e 2005 a várias organizações que publicam material que procura deliberadamente lançar a dúvida sobre a veracidade ou a natureza antropogénica das recentes alterações climáticas publicitando factos já há muito tempo desacreditados como verdadeiros , chegando até a apresentar publicações com aparência de revistas científicas "peer-reviewed" e a usar o seu acesso privilegiado à administração Bush para ajustar as suas políticas científicas e comunicados governamentais de forma a melhor servir os seus interesses.

É claro que a ExxonMobil já se defendeu, alegando ser essa a sua maneira de contribuir para o debate científico. Ora bem, com contribuições destas é quase caso para dizer que nem era preciso um debate...


PS: Ao que parece, a pressão da opinião pública e do novo senado Democrata levaram a que a Exxon deixasse de financiar algumas destas instituições e há até quem fale numa mudança de política ambiental por parte da administração norte americana, a anunciar em breve. A ver vamos.

sábado, janeiro 13, 2007

Geologia de Campo (II)

Encrave de calcário (branco e cinzento) no maciço ígneo de Sintra (castanho alaranjado). Praia da Ursa, Sintra.

Mais um ano, mais uma ilha


O mais recente pedaço de terra firme do Pacífico Sul é a ilha de Home, no arquipélago de Tonga.
Inicialmente apenas detectada através de anomalias na temperatura da água do mar naquela região, passou rapidamente a manifestar a sua presença de forma mais vigorosa,com a emissão de "jangadas" de pedra pomes que invadiram as praias paradisíacas da região e a construção de um pequeno cone.




Em Dezembro de 2006 já só restava uma pequena parte do edifício formado desde o início da erupção, em Agosto do mesmo ano. Resta agora saber se 2007 verá o fim sempre anunciado de mais uma ilha vulcânica ou pelo contrário o nascer de um futuro paraíso tropical. Tenho a certeza que o mercado imobiliário já tem planos para este diminuto e jovem pedaço de terra, é uma pena que por enquanto ainda cheire tanto a enxofre.

Mais informações.



sexta-feira, janeiro 12, 2007

Geologia de Campo (I)


Achei por bem inaugurar por aqui uma série de posts com fotos nossas tiradas no campo, onde quer quer ele seja .
Segue uma imagem dos Mallos de Riglos, o que resta de um leque aluvial resultante da erosão da cadeia Pirenaica, muito apreciados por geologos, alpinistas e abutres.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

A Matemática das coisas (Pavilhão do Conhecimento)

Sabia que passear pelas calçadas de Lisboa pode ajudá-lo a aprender Geometria? Terá a Matemática alguma coisa que ver com incêndios, previsões meteorológicas e combate ao crime? E será que a Matemática nos pode fazer ganhar uma partida de basquetebol?

O ciclo de colóquios "A Matemática das Coisas" está de volta ao Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva. Nos próximos meses, juntaremos matemáticos a engenheiros, treinadores desportivos e elementos da PSP e da Protecção Civil para lhe mostrar como a Matemática está presente no nosso dia-a-dia.

Esta iniciativa, inserida nas "Tardes da Matemática", resulta de uma parceria iniciada em 2001 entre o Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva e a Sociedade Portuguesa de Matemática.

A primeira sessão acontece já no próximo sábado, dia 13, às 15h30, no auditório do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva. Tal como em anos anteriores, a entrada é gratuita.

Ana Cannas da Silva, do Instituto Superior Técnico, e Luísa Dornellas, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentarão os padrões utilizados pelos calceteiros e explicarão as simetrias que existem nas calçadas da cidade de Lisboa. E tudo isto à luz da Matemática viva!

O debate será alargado ao público e verá como é fácil conversar sobre Matemática.


Consulte o programa completo em www.pavconhecimento.pt

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Uma visão do futuro

Robert May, da Universidade de Oxford e presidente da Royal Society: "A taxa de extinção da espécies acelerou durante os últimos cem anos, para atingir um valor aproximadamente igual a mil vezes o que se verificava antes do surgimento da espécie humana na Terra.

E. O. Wilson, da Universidade de Harvard: "Estima-se que hoje são eliminadas, por decénio, 1% a 10% das espécies, ou seja cerca de 27000 cada ano." Mais de 500 espécies por semana e 72 por dia.

Michael Novacek, do Museu de História Natural, em Nova Iorque: Não é irrealista prever que teremos eliminado metade de todas as espécies vivas a meio do século XXI". Já não falta assim tanto tempo!!!

Em 1998, um inquérito efectuado entre os biólogos mostrou que 70% deles crêem estar em curso uma extinção maciça das espécies e um terço pensa que se perderão de 10% a 5o% das espécies nos próximos trinta anos.

Há uns dias vi na televisão que a pesca por arrastão arrasou até hoje uma área do fundo do mar equivalente á área da Russia, destruindo os ecossistemas aí existentes.


É incrível como o nosso futuro está constantemente a ser mostrado na televisão, normalmente no canal 2, a maioria das pessoas nem vê. E por vezes quando vemos dificilmente conseguimos processar a informação e tomar consciencia do que realmente nos vai acontecer daqui a poucos anos.

Hoje ouvi nas noticias na rádio: A UE quer reduzir em 20% a emissão de gases de efeito de estufa até 2050. Para que a temperatura média não aumente mais de 2º.
As consequencias de um aumento de 2% é brutal!!! Isto pode corresponder a aumentos de 8 a 10º nas áreas de climas mais extremos. Passamos a ter o Saara no Alentejo e os gelos da Gronelândia derretem. E não vai ser daqui 100 anos, pode ser em muito menos. As consequências são completamente desconhecias. Mas não vai ser um cenário bonito de se ver. ´

Tambem vi na TV que viver em algumas cidades na India equivale a fumar dois maços e meio de tabaco.... só de respirar!!!

É melhor começarmos a pensar profundamente o que queremos fazer do nosso planeta..

O problemas não é apenas um, são muitos: CO2, Poluição dos mares, extinção das espécies..

Para não esquecer...a Verdade

terça-feira, janeiro 09, 2007

João Magueijo dá palestra em Lisboa sobre as leis da Física

João Magueijo, físico que se tornou mundialmente conhecido quando em 2003 publicou o livro “Mais Rápido que a Luz”, dá uma palestra na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa sobre as leis da física a próxima 5ª feira, dia 11. Nesta palestra, intitulada "A Física da Inconstância", o cientista português que contestou a Teoria da Relatividade discute a possibilidade de as leis da Física evoluírem no tempo, contrariando a ideia de que são eternas.

Em particular João Magueijo irá debruçar-se sobre teorias de "constantes variáveis", as suas implicações para a cosmologia e teorias de gravidade quântica, e finalmente a sua viabilidade observacional.

João Magueijo é licenciado pelo Departamento de Física da FCUL, doutorado em Física Teórica pela Universidade de Cambridge e é professor nesta área no Imperial College de Londres. Em 2003 abalou o mundo científico quando publica o livro “Mais Rápido que a Luz” onde contesta a Teria da Relatividade de Albert Einstein.

Considerado como um físico genial por uns, contestado por outros, Magueijo é um forte crítico do modo como a ciência é feita e avaliada na comunidade científica.
Dia 11 de Janeiro às 17h00, no anfiteatro do edifício C3 (Sala 3.2.14), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Feito o mapa mais detalhado da matéria invisível no Universo

Tal como o corpo humano, o Universo tem um esqueleto que não está à vista. É feito de uma matéria invisível, a que apropriadamente chamaram matéria escura.

Enquanto os ossos humanos podem ficar expostos em qualquer radiografia, os telescópios mais poderosos não conseguem ver directamente os ossos do cosmos. No entanto, os cientistas estão a contornar essa dificuldade e a fazer mapas da matéria que não se vê: os mais pormenorizados foram revelados ontem, na edição "on-line" da revista "Nature".

Os cientistas já não duvidam de que a matéria escura existe, apesar de não emitir nem reflectir a luz. Sabem que está lá pelos efeitos gravitacionais que causa na matéria que vemos - afecta a rotação das galáxias e distorce a luz que emitem.

Utilizando o telescópio espacial Hubble, a equipa de Richard Massey (do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos) começou por medir a forma de 500 mil galáxias distantes. Depois, os cientistas usaram a distorção na luz emitida por elas, causada tanto pela matéria visível como pela invisível, para elaborar mapas da distribuição da matéria escura entre essas galáxias e a Terra, numa grande área do céu (o equivalente a oito vezes o tamanho ocupado pela Lua Cheia).

"Se um fotão vem de uma dessas galáxias e atravessa essa rede de matéria escura, a sua trajectória é distorcida. Tem uma trajectória às ondinhas, ligeiramente irregular", explica Domingos Barbosa, do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. O cosmólogo português acrescenta que, em galáxias distantes, como as que foram observadas, é mais difícil detectar o efeito de distorções da luz pela matéria do que em exames de galáxias.

Mesmo assim, o resultado foi o atlas mais detalhado dos ossos do Universo, e não só. "Conseguiram também reconstituir a distribuição da matéria escura em três dimensões entre nós e essas galáxias, no campo do céu que observaram. E é a primeira vez que se faz isso", comenta.

Há uma razão para se dizer que a matéria escura é o esqueleto do Universo, e não é só porque não está à vista. Oitenta por cento da matéria é escura, distribuída pelo Universo em enormes filamentos. E são eles que agregam a matéria visível, ou bariónica, como os físicos chamam à matéria normal.

"Descobriram que a matéria invisível está agrupada em enormes filamentos e em bolas, mais ou menos conectados com outras regiões com matéria escura e bariónica. A matéria escura funciona como um esqueleto gravitacional, para onde a matéria bariónica acaba por ser atraída", explica Domingos Barbosa. "É um esqueleto invisível, à volta do qual a matéria normal vai cair e formar essa carne de estrelas e galáxias."

Assim, o trabalho da equipa de Richard Massey permite compreender melhor como a matéria está ordenada pelo Universo, sublinha o investigador português.

Mas ninguém sabe de que é feita a matéria escura, que terá surgido pouco depois do Big Bang, o fenómeno que criou, há 13.700 milhões de anos, o Universo que conhecemos. Aliás, os mapas apresentados pela equipa de Richard Massey mostram a distribuição da matéria até à altura em que o Universo tinha metade da idade actual. A escola de pensamento dominante defende que a matéria escura é exótica, logo totalmente diferente da matéria vulgar. "O mais plausível - diz também Domingos Barbosa - é que seja feita de uma partícula exótica."

Teresa Firmino, in Publico 8-1-2007

sábado, janeiro 06, 2007

Valores da Ciência

A ciência pode ser vista como a investigação racional ou estudo da natureza, direccionado à descoberta da verdade. O cientista será aquele que faz desta a sua actividade profissional. No entanto, a ciência pode ser também encarada como um modo de vida ou como uma base de ensino para as gerações futuras. Viver segundo os valores da ciência é viver de forma racional, procurando sempre o caminho da verdade e a compreensão da realidade, fugindo ao mundo das crenças e à autoridade. A ciência tem regras, mas pressupões acima de tudo um pensamento livre. Eis alguns dos valores básicos inerentes a um espírito científico:

• Espírito crítico: valorização das provas e da argumentação, distinguindo-as cuidadosamente da
tradição e da autoridade.

• Valorização do estudo cuidadoso, informado, imparcial e objectivo, distinguindo-o da opinião
avulsa, desinformada, parcial e aleatória.

• Honestidade intelectual.

• Aceitação das regras da discussão racional de ideias.

• Amor pela verdade e pela precisão.

• Curiosidade intelectual.

• Criatividade.

O princípio da precaução

O princípio da precaução foi definido pela ONU em 1994 e enuncia-se assim:

"Quando há risco de perturbações graves irreversíveis, a ausência de certezas cientificas absolutas não pode servir de pretexto para diferir a adopção de medidas."

Este princípio permite que sejam tomadas medidas em relação a certos fenómenos, como é o caso das alterações climáticas, sem ser preciso esperar pelas provas completas e irrefutáveis da existência de um perigo eminente.

"No entanto, o cientista tem o dever de julgar com espírito crítico a extensão das ameaças actuais e apresentar com a maior prudência os resultados , bem como os elementos de prova." (Hubert Reeves (2006) - A Agonia da Terra, Ciência Aberta, Gradiva, nº155)

quinta-feira, janeiro 04, 2007

um pensamento

Os piores cenários dos fenómenos de alteração climática são hoje uma realidade. É caso para dizer que a geração rasca passou agora a ser uma geração à rasca.

Afinal, pode mesmo haver lagos de metano líquido em Titã

A primeira aproximação da sonda Cassini à lua Titã, em Outubro de 2004, lançou um balde de água fria na Terra. Não havia sinais dos famosos lagos de metano ou do oceano global que toda a gente especulava existirem na maior lua de Saturno. Mas novas observações, em Julho de 2006, acabaram por descobrir lagos no hemisfério norte de Titã, anuncia-se hoje na revista Nature.


Os lagos não são de água, como na Terra. São de metano, o segundo elemento mais abundante na atmosfera de Titã e uma das poucas moléculas que pode ser líquida à superfície de Titã, onde a temperatura é de 180 graus Celsius negativos.

À primeira vista, parece não haver semelhanças entre a Terra e Titã. Mas há. A atmosfera primitiva da Terra terá sido como a de Titã, onde o azoto é o principal elemento, como ainda é no nosso planeta. E ambas possuem um ciclo "hidrológico"; o da Terra é com água e o de Titã com metano.

O grande mistério é saber de onde vem o metano que continua a reabastecer a atmosfera de Titã, ao ponto de originar brumas tão densas que pouco deixam ver da sua superfície a quem esteja na Terra.

Confrontaram-se duas hipóteses. Ou vem de uma fonte à superfície, como um oceano ou lagos. Ou do subsolo, através de vulcões de gelo ou de fracturas causadas por meteoritos. Caso contrário, ao longo dos 4500 milhões de anos de existência de Titã, já o metano teria sido tudo todo destruído e agora não haveria nenhum na atmosfera. Nem etano, resultante da destruição pela luz solar do metano.

Quando o módulo europeu Huygens (levado até ao sistema de Saturno pela Cassini, dos EUA) atravessou a atmosfera de Titã e pousou na sua superfície, em Janeiro de 2005, a paisagem circundante mostrava sinais de um ciclo de metano. Viam-se uma linha de costa e canais sinuosos.

Outros dados desta missão trouxeram mais revelações: está quase sempre a chuviscar metano durante metade do ano em Titã (que dura 29,5 anos terrestres), há nuvens em ambos os hemisférios e pode cair neve de etano nos pólos.

Mas o oceano ou os lagos de metano não apareceram, o que punha de lado a hipótese mais popular e a que mais aproximava Titã da Terra. Portanto, o metano viria do interior da lua, como sugeria a primeira aproximação da Cassini a Titã, quando ficou a 1174 quilómetros da superfície, ainda antes da travessia da Huygens .

Agora, a equipa de Ellen Stofan, da University College de Londres, volta a baralhar tudo, com base nas observações de radar da Cassini em 22 de Julho de 2006. É caso para abrir a garrafa de champanhe, diz Christophe Sotin, da Universidade de Nantes (França), num comentário, também na Nature.

Viram-se mais de 75 manchas escuras, entre os três e os 70 quilómetros, numa região onde se espera que o metano e o etano líquidos sejam abundantes e estáveis à superfície. "É a primeira prova definitiva da presença de lagos na superfície de Titã", escreve a equipa.

Algumas manchas estão associadas a canais, o que leva a equipa a dizer que as imagens obtidas mostram lagos. Outras são redondinhas, como se fossem crateras de meteoritos ou caldeiras vulcânicas com líquido. "Alguns lagos não enchem por completo a depressão, e aparentemente há depressões secas. A interpretação que fazemos é que há lagos num em vários estados, incluindo parcialmente secos e repletos de líquido", explica a equipa.

"Manchas escuras como estas são características de superfícies lisas. Infere-se a sua natureza líquida pela presença dos canais que conduzem até elas, o que parece indicar que os rios fornecem pelo menos parte do líquido", explica também Sotin no comentário. "Embora não se possa determinar a composição do líquido pelas observações por radar, o metano é o único candidato plausível: é das poucas moléculas que pode ser líquida com as condições existentes na superfície de Titã."

Os lagos encontraram-se só no hemisfério norte (em latitudes elevadas), onde agora é Inverno e o Verão chegará daqui a 13 anos. Para Sotin, esse facto pode indicar que os lagos aumentam no Inverno de Titã e encolhem no Verão, com a evaporação. Para a semana (dia 13), a Cassini aproximar-se-á de novo a Titã. Que outras surpresas trará no Ano Novo?

Teresa Firmino, in publico 04.01.2007

Dinastia Tang e Civilização Maia terão sido vítimas de uma alteração climática

O declínio da dinastia Tang (618-906), uma das mais importantes da história da China, e da Civilização Maia, na América Central, poderá residir em alterações nas monções na Ásia, revela um estudo internacional publicado na revista “Nature” amanhã nas bancas.

A investigação foi coordenada por Gerald Haug, do Centro de Investigação sobre a Terra (GeoforschungsZentrum), em Potsdam (Alemanha).

Os cientistas avançam que o declínio destas duas grandes culturas coincide com modificações do ciclo climático entre o ano 700 e o ano 900 da nossa Era.

A seca provocada por alterações no regime das chuvas, com a catastrófica redução das colheitas agrícolas, e um empobrecimento quase geral, poderão explicar as profundas tensões que levaram ao desaparecimento daquelas sociedades.

Os investigadores baseiam a sua conclusão na análise de sedimentos do lago Huguang Maar, no Sudeste da China. As propriedades magnéticas e o seu teor em titânio, explicam, fornecem indicações sobre a intensidade das monções na Ásia oriental. Estes ventos periódicos sopram no Inverno para o mar (monção seca) e no Verão para a Terra (monção húmida).

Gerald Haug e os seus colegas chineses e norte-americanos constataram que, ao longo dos últimos 16 mil anos, existiram três períodos onde a monção de Inverno foi forte e o clima seco na China, nomeadamente aquando do declínio da dinastia Tang, célebre pelas suas artes e trocas comerciais com a Índia e o Médio Oriente.

Aos olhos dos investigadores, as variações na cintura de chuvas tropicais poderão ter sido globais e explicar assim, ainda que parcialmente, o fim da era clássica Maia (250-900) no actual México e na Guatemala. Conhecida pelas suas cidades-Estado, a sua escrita hieroglífica, as suas artes decorativas, o seu calendário solar de 365 dias e as pirâmides, esta grande civilização desapareceu bruscamente.

in Publico, 3-1-2007

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Erosão Costeira...Porque será?

Chegam-nos notícias, cada vez mais frequentes, da erosão da praia de S. João da Caparica. Muitos pensam no "e agora?", aqui pensamos no "Porquê?".




No mundo natural tudo está em equilíbrio, ou procura esse equilíbrio. É a maneira que a Natureza tem de "simplificar" os seus processos.
Na zona costeira é isso que acontece. Pelo "trabalho" das marés, das ondas e do vento, os sedimentos (areias) são transportados para o mar ou para a costa, consoante o estado de equilíbrio das forças. Nem com as habituias marés vivas, os sedimentos se "perdem" de vez, porque, por uma questão de equilíbrio, o sedimento que foi "retirado" à costa é devolvido em fases mais calmas. Uma peça importante nisto tudo, é a existência de...sedimentos, pois claro.

Tem-se falado nas consequências, ou seja, como vamos ser "prejudicados". Pouco sobre as causas. O que ouvi era suficiente para gerar debates, para arregaçar as mangas a "pensar" em soluções de futuro, e não só para a costa da caparica.
De entre a ocupação urbana da zona costeira, à subida do nível do mar, há uma explicação que me parece mais "natural" de que todas as outras.

Porque será que a "primeira" praia da costa da caparica a sofrer esta erosão é a de S. João? Como disse anteriormente, uma peça importante para se estabelecer o equilíbrio, é o sedimento. Esse sedimento vem do rio Tejo, importante "fornecedor" dos mesmos, que, através das correntes se depositam junto à costa e entram no, agora já famoso, equilíbrio. Aliás, basta pensar nas zonas de praia ao longo da costa atlântica portuguesa para reparar que se situam em zonas de influência de rios importantes.

Está aqui, para mim, a verdadeira causa da erosão costeira no nosso país. A extracção de areias, a dragagem na foz dos rios (ambos sem controle e planeamento) e a acumulação de sedimentos nas barragens, estão a quebrar o ciclo que existe entre as forças das marés, das ondas e do vento. Não havendo sedimento a ser "reposto" na zona costeira, o mar vai "roubando" a areia cada vez mais para o interior, até às dunas, até deixar de haver dunas, até deixar de haver areia. Quando isto acontecer e porque na Natureza tudo se faz com equilíbrios, o mar vai começar a procurar a areia noutros locais. Eu digo...mais a sul, não sei porquê... Mais uma vez, os ciclos...As correntes, naquela zona, levam os sedimentos para sul, e é assim que vão sendo transportados de praia em praia.


Que venha mais um pontão para reter a areia, porque se não houver areia a ser transportada para ali...pouco importa.

revisto a 8 de Janeiro

terça-feira, janeiro 02, 2007

Endogamia

Portugal é o país europeu com maior índice de endogamia nas universidades, o que não constitui motivo de orgulho. Endogamia é a contratação de docentes da própria instituição em detrimento de candidatos externos, resultando num défice de mobilidade e, assim, da rede internacional de contactos cada vez mais relevante na actividade científica.

A endogamia é tida como um dos factores que aprofunda a distância em termos de produtividade entre as universidades europeias e americanas, em que este indicador é pelo menos 10 vezes inferior. Para solucionar a questão, multiplicam-se os programas de mobilidade que promovem a saída de investigadores dos seus países de origem, tentando mais tarde incentivar o seu regresso com programas de reintegração. As estratégias implementadas não são no entanto, de acordo com os dados disponíveis, suficientes para alterar o panorama português.

in ciencia hoje; 22-2-2006

Investigador alerta que 2007 poderá ser o ano mais quente de que há memória

O efeito de estufa e o fenómeno climatérico conhecido como El Niño poderão fazer de 2007 o ano mais quente desde que há registo, defende um especialista britânico da Universidade de East Anglia.

Segundo Phil Jones, director da Unidade de Investigação do Clima da Universidade de East Anglia, 2007 será um ano de condições climatéricas extremas, que poderão originar, por exemplo, secas na Indonésia e inundações na Califórnia.

Num artigo citado hoje no jornal britânico "The Independent", o professor alerta que o sobre-aquecimento global será agravado pela chegada do El Niño.

O fenómeno climatérico — causado pela subida das temperaturas médias do mar no Oceano Pacífico — "faz com que o mundo seja mais quente e exista uma tendência de maior calor que aumenta as temperaturas globais entre uma e duas décimas de grau centígrado por década", explica Jones.

O El Niño (que tem esta designação por se formar habitualmente na época do Natal e que ocorre entre cada dois a sete anos) poderá ter consequências dramáticas no continente americano, no Sudeste asiático e no Sul de África nos primeiros quatro meses de 2007, refere o artigo publicado no "The Independent".

in publico; 1/1/2007

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Roménia e Bulgária aderem à UE no primeiro dia de 2007

A União Europeia integra, a partir de amanhã, mais dois Estados-membros – a Bulgária e a Roménia –, passando a contar com quase 500 milhões de cidadãos. No mesmo dia, a Eslovénia torna-se o 13º país a aderir ao euro.


Para pensarmos todos....

Nivel de educação dos jovens (% da polulaçao entre os 20 e 24 anos que terminou o ensino secundario)
Bulgaria: 76,5
Romenia: 76
Portugal: 49
UE25: 77,5

Nivel de educaçao geral (% da populaçao entre os 25 e os 64 anos que terminou o ensino secundario)
Bulgaria: 72,5
Romenia: 73
Portugal: 26;5
UE25: 69,1

Robô britânico vai mergulhar na Antárctica para estudar relação entre glaciares e fundos marinhos

O primeiro robô submarino de controlo remoto britânico prepara-se para mergulhar a mais de seis quilómetros de profundidade nas águas da Antárctica. A primeira missão do Isis será estudar os efeitos dos glaciares nos fundos marinhos e descobrir que espécies vivem nessas águas.

A missão começa em Janeiro e terá uma duração de três semanas, informou hoje a BBC online. Depois desta expedição, o Isis será enviado para estudar o fundo do mar da costa portuguesa.

O Isis será transportado pelo navio da British Antarctic Survey, o “RSS James Clark Ross”, até à Baía Marguerite, no lado ocidental da Península antárctica.

Orçado em 6,7 milhões de euros, o submersível foi concebido no Centro nacional de Oceanografia de Southampton, em colaboração com o norte-americano Woods Hole Oceanographic Institution.

Isis mede 2,7 metros de comprimento, dois de altura e 1,5 de largura. Pesa cerca de três toneladas. Dez quilómetros de cabos ligam o veículo ao navio que o transporta, permitindo aos cientistas controlá-lo e receber os dados recolhidos em tempo real.

O robô leva consigo para o fundo do mar projectores, câmaras, sonares e dois braços robotizados para recolher amostras ou colocar instrumentos científicos no fundo do mar.

Já em Janeiro, o Isis vai investigar em detalhe os sedimentos que têm sido depositados ao longo de 20 mil anos no fundo oceânico da Baía Marguerite pelas placas de gelo que a cobrem. “A história ambiental da Antárctica está encerrada nestes sedimentos”, comentou Peter Mason, coordenador da investigação e director do Scott Polar Research Institute, na Universidade de Cambridge. O projecto vai ajudar os cientistas a compreender melhor a actividade dos glaciares no passado.

Paralelamente vai decorrer outro projecto para identificar as criaturas marinhas da Baía, este coordenado por Paul Tyler, do Centro nacional de Oceanografia de Southampton.

“Estou interessado nos efeitos dos glaciares no fundo marinho e como isso afecta a fauna. Quero saber de que forma a vida animal na Antárctica muda à medida que vamos mergulhando mais fundo”, disse Paul Tyler. Através do Isis, “podemos saber, por exemplo, por que razão umas criaturas vivem a maiores profundidades do que outras”.

in publico; 29-12-2006

Árctico: massa de gelo com 66 quilómetros quadrados desprende-se e forma nova ilha do Pólo Norte

Uma massa de gelo gigante com 66 quilómetros quadrados desprendeu-se há 16 meses da zona costeira da ilha de Ellesmere, no Árctico canadiano, e transformou-se numa nova ilha do Pólo Norte. Os cientistas apontam o dedo às alterações climáticas e ao sobre-aquecimento global.

Warwick Vincent, da Universidade de Laval, viajou até à nova ilha e confessa ter ficado espantado com o que viu.

“Isto é algo dramático e preocupante. Mostra que estamos a perder características únicas do Norte canadiano, que existem há muitas centenas de anos”, comentou Vincent. “Estamos a ultrapassar fronteiras climáticas e isto pode ser um sinal das alterações que ainda estão para vir”.

Esta massa de gelo era uma das seis maiores do Árctico canadiano, com gelo com mais de três mil anos, e flutuam no mar mas estão ligadas à terra.


Alterações climáticas estarão na base da nova ilha

Este fenómeno “é consistente com as alterações climáticas”, disse Vincent, lembrando que as restantes massas de gelo estão hoje 90 por cento mais pequenas do que quando foram descobertas, em 1906. “Ainda não conseguimos ter o cenário completo... mas temperaturas invulgarmente quentes tiveram, definitivamente, um papel determinante”.

Laurie Weir monitoriza as condições do gelo no Canadian Ice Service. No ano passado, quando passava em revista as imagens de satélite detectou que a massa de gelo Ayles se tinha quebrado e separado.

Weir contactou Luke Copland, da Universidade de Otava, que, utilizando imagens de satélite e informações sísmicas, chegou à conclusão de que a massa de gelo se desprendeu ao início da tarde de 13 de Agosto de 2005.

Copland ficou surpreendido com a rapidez com que as alterações climáticas afectaram as massas de gelo. “Ainda há dez anos, os cientistas assumiram que quando as alterações climáticas começassem a fazer-se sentir, isso aconteceria gradualmente. Esperávamos que as massas de gelo se iriam derretendo lentamente”, acrescentou.

A comunidade científica receia agora que, com as temperaturas mais quentes da Primavera, a nova ilha se desloque no mar e cause transtorno para os navios.

“Nos próximos anos, esta nova ilha de gelo poderá entrar em rotas de navegação comerciais”, alertou Weir.

in publico, 29-12-2006

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Adivinhem de quem é a culpa...

O planeta está a aquecer e a culpa, em grande parte, é do homem. Mesmo que hoje se reduzissem drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa, o aquecimento global é inevitável pelo menos nos próximos cem anos. São as conclusões de um relatório de referência que reúne 2500 cientistas de todo o mundo. O tom é de alerta. Os decisores políticos saberão lê-lo? Por Kathleen Gomes

É uma verdade inconveniente: os efeitos do aquecimento global vão continuar a sentir-se nos próximos cem anos, mesmo que de hoje para amanhã se eliminem as emissões de gases com efeito de estufa. Ou seja, mesmo que você deixe o carro na garagem ou os países industrializados reduzam drasticamente as emissões de gases poluentes para a atmosfera, o aquecimento global não voltará atrás tão depressa. E a culpa é sua. Já se desconfiava, as provas são cada vez mais irrefutáveis: o homem tem uma grande responsabilidade nas alterações climáticas registadas nos últimos anos.

Estas são as principais conclusões do novo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que não é apenas mais um estudo académico sobre a matéria - é o documento de referência porque reúne 2500 cientistas de todo o mundo com produção relevante sobre mudanças climáticas. Como nota Francisco Ferreira, dirigente da organização ambiental Quercus que tem estudado as alterações climáticas, "este é o relatório científico mais extenso e rigoroso sobre as alterações climáticas à escala mundial". O relatório será apresentado no início de 2007 mas o seu esboço final foi ontem antecipado pelo diário espanhol El País


A culpa humana

Os cientistas podem hoje afirmar com maior grau de certeza que o homem tem responsabilidade no aquecimento global. Esta é uma preocupação dos últimos dez anos que tem carecido de comprovação científica total, porque é impossível atribuir uma causa directa às alterações climáticas. Como lembra o climatologista Ricardo Trigo, do Centro de Geofísica da Faculdade de Ciências de Lisboa, há várias causas naturais que contribuem para o aquecimento global, entre elas, a variação da intensidade de radiação de energia solar e as erupções vulcânicas. O El País propõe esta analogia: é tão impossível dizer que um cancro de pulmão de um fumador se deve ao tabaco quanto dizer, com 100 por cento de segurança, que uma onda de calor se deve à acção do homem.


O anterior relatório do IPCC, publicado em 2001, já avançava que o homem tinha responsabilidade nas mudanças climáticas verificadas nos últimos 50 anos. Mas o tom era mais cauteloso. O novo relatório vem reforçar essa conclusão com mais provas e precisão. O documento assinala que o aumento de fenómenos extremos - como secas e ondas de calor - "pode ser atribuído a mudanças climáticas antropogénicas", isto é, produzidas por acção humana.Segundo o relatório, nunca os níveis de concentração de gases com efeito de estufa na altmosfera (gases que impedem a saída do calor emitido pela superfície terrestre) foram tão elevados. Nunca quer dizer: nos últimos 650 mil anos. A par disso, o ritmo actual de aumento desses gases na atmosfera "não tem precedentes nos últimos 20 mil anos", cita o jornal El País.



O mal está feito

Há mais más notícias: mesmo que se conseguisse estabilizar a concentração desses gases - o que implicaria mudar drasticamente a actividade e economia mundiais -, o mal está feito e o planeta levaria tempo a reabilitar-se. Ou seja, o aumento da temperatura e do nível do mar vai continuar durante mais de 100 anos.Nesse período, as projecções do IPCC apontam para um aumento de temperatura "entre 2 e 4,5 graus, sendo 3 graus o valor mais provável". Em todo o caso, valores superiores a 4,5 graus "não podem ser excluídos". Um aumento de dois graus, aponta Francisco Ferreira, já representa um aumento "de proporções catastróficas". O novo relatório do IPCC vem "concretizar suspeições que existem há dez anos", nota Ricardo Trigo, e isso é importante porque "ajuda a tirar dúvidas a quem ainda as tivesse".

Se o mal está feito - se, mesmo que mudássemos a nossa forma de vida tal como a conhecemos, os efeitos vão continuar -, isso quer dizer que é tarde demais? "É uma questão importante", sublinha Ricardo Trigo. "Muitos investigadores que trabalham nos melhores centros internacionais dizem que mesmo que no melhor dos cenários se conseguisse reduzir em 50 ou 60 por cento as emissões do gases com efeito de estufa é imprescindível gastar-se muito dinheiro em soluções tecnológicas que permitam aos países adaptar-se às novas condições. Se há um aumento do nível médio do mar, os países que têm costa precisam de pensar em medidas para enfrentar o problema."O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.


Relatório será "decisivo" para as negociações pós-Quioto

Para se ter uma ideia da relevância dos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) - desde 1990, este é o quarto - Francisco Ferreira, da Quercus, resume: "É com base nesses relatórios que têm sido sempre tomadas as decisões políticas. A Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas surge em 1992 como consequência do primeiro relatório. E o Protocolo de Quioto, em 1997, surge na sequência do segundo relatório, que é de 1995." Há, portanto, expectativas em relação ao novo documento. Francisco Ferreira espera que ele seja "decisivo na negociação do pós-Quioto", o que pode traduzir-se em metas mais austeras de redução de emissões de gases com efeito de estufa. A Alemanha, que terá a presidência da União Europeia a partir do início de 2007, já anunciou que na reunião de ministros europeus do Ambiente na próxima Primavera vai propor uma redução de 30 por cento até 2020 - a meta estabelecida por Quioto é de oito por cento entre 2008 e 2012. A versão final do relatório será apresentada numa reunião do IPCC em Paris, nos primeiros dias de Fevereiro. Mas "mais de 90 por cento está escrito", garante o climatologista Ricardo Trigo, e foi enviado pelas Nações Unidos a um grupo seleccionado de especialistas e governos para leitura. O que pode mudar entretanto, nota o El País, é o resumo para decisores políticos, que é aprovado frase a frase.

in publico: 27-12-2006

"The Day After Tomorrow"

Temos falado na nova cultura. Na aproximação do mundo das artes, ao mundo científico. O filme que passou na SIC, "The Day After Tomorrow", é um excelente exemplo disso.



Leva-nos aos temas que nos inquietam, cidadãos conscientes, cientistas de alma ou profissão. A preocupação é partilhada por todos e por uns mais friamente explicada.

As questões:
As alterações climáticas podem, ou não provocar enormes tempestades, da dimensão de continentes? E podem desenvolver-se em tão pouco tempo? E como é possível que depois do degelo dos glaciares, a concequência seja precisamente, uma nova idade do gelo?

Explicações aqui:
Ocean and Climate Change Institue

Do filme, achei um diálogo interessante, a discussão entre os mais altos decisores políticos e os mais especializados cientistas.

"Jack Hall: Our climate is fragile. The ice caps are disappearing at a dangerous rate.
Vice President Becker
: Dr. Hall, our economy is every bit as fragile as the environment. Perhaps you should keep that in mind before making sensationalist claims.
Jack Hall
: Well, the last chunk of ice that broke off was the size of Rhode Island. A lot of folks would say that was pretty sensational.
...

Vice President Becker
: Maybe you should stick to science and leave policy to us.
Tom
: We tried that approach. You didn't want to listen to the science when it could have made a difference. "


Urgente agora é fazer com que as questões ambientais e climatéricas deixem de ser apenas entendidas por especialistas. Mais uma vez, o apelo para que se consiga passar a mensagem de que é possível Viver na Terra de uma forma consciente. É possível usufruir dos recursos que ela nos dá. Mais, é possível fazê-lo até que se esgotem. Mas para o planeta isso é igual. Mais gelo, menos gelo. Mais frio, mais calor, mais gases, menos espécies...
É indiferente para um planeta vivo, que existe há cerca de 4.600 milhões de anos, se o Homem, que não habita nele sequer há 10 milhões, resistirá às Alterações Climáticas, por ele próprio aceleradas...


Links:
The Day After Tomorrow
Wikipedia
WHOI

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A Física no dia-a-dia...nos dias do Natal.

Se soprar entre as duas bolas de Natal, sabe o que acontece?

What happens when you blow between the two Christmas balls?

As bolas aproximam-se e batem uma na outra. Porque, ao soprar entre as duas bolas, o ar que aí estava desloca-se, diminuindo a pressão nesse lugar.
Exprimente neste Natal.
The Christmas balls approach each other and collide. When blowing between the balls, you displace the air and the local pressure decreases.
Try this experiment this Christmas.



Visite a exposição: A Física no Dia-a-Dia
As 73 Experiências do Livro no Centenário de Rómulo de Carvalho
No Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva
Parque das Nações, 1990-273 Lisboa

Alguns mamíferos conseguem cheirar debaixo da água

O «truque» está em lançar bolhas de ar que depois se inalam

Alguns mamíferos conseguem cheirar debaixo da água e assim detectar alimentos depositados no fundo dos rios ou lagos, graças à pr odução de bolhas de ar, indica um estudo hoje publicado pela revista Nature. O professor Kenneth Catania, da Universidade Vanderbilt de Nashville (Estados Unidos), fez a descoberta ao estudar o comportamento de duas espécies semiaquáticas, a toupeira de nariz estrelado (Condylura cristata) e o musaranho aquático (Sorex palustris). Como os aromas circulam no ar, pensava-se até agora que o olfacto se perdia na água.

Porém, o estudo agora publicado mostra que pelo menos aqueles dois mamíferos conseguem gerar bolhas de ar que veiculam os cheiros dentro da água. A experiência consistiu em comprovar se as duas espécies eram capazes de cheirar e identificar objectos depositadas no fundo de um tanque, duas das quais comestíveis (lombrigas e peixes pequenos).

Utilizando uma câmara de alta velocidade, o investigador constatou que, ao dirigir-se aos objectos, a toupeira emitia bolhas pelo nariz que tocavam no objecto visado antes de serem de novo inaladas pelo animal. Cinco toupeiras que participaram na experiência com lombrigas conseguiram detectá-las em pelo menos 75 de 100 casos. Keneth Catania também observou vários musaranhos com resultados idênticos.

A técnica usada por estes animais consiste em exalar numerosas pequenas bolhas que depois inalam para extrair moléculas odoríferas. A descoberta "foi uma surpresa total, porque se julgava que os mamíferos n ão tinham sentido de olfacto debaixo da água", afirmou o autor do estudo.

"Quando os mamíferos se adaptam ao meio aquático, o seu olfacto costuma degenerar", acrescentou. "O principal exemplo são os cetáceos, como as baleias e o s golfinhos, a maioria dos quais perderam o sentido olfactivo". Após esta descoberta, o investigador interroga-se sobre se outros mamíferos, como as lontras ou as focas, terão uma capacidade semelhante.

in Ciência Hoje, 21-12-2006

Dragões de Komodo podem reproduzir-se por autofecundação

Em Janeiro, no Zoo de Chester, no Reino Unido, oito crias de dragões de Komodo deverão sair dos ovos postos por Flora, uma fêmea que não foi fecundada por um macho, revelam biólogos na revista “Nature”.

Estes répteis originários de uma pequena ilha vulcânica da Indonésia, da qual receberam o nome, são capazes de se reproduzir por partenogénese (ou autofecundação), revelam os investigadores dirigidos por Phillip Watts, da Universidade de Liverpool.

Ameaçada em estado selvagem, a espécie é alvo de um programa internacional de criação em cativeiro. Os primeiros quatro dragões de Komodo “europeu” nasceram em Março no Zoo de Londres, graças a uma fêmea enviada pelo parque francês de Thoiry para evitar problemas de consanguinidade.

A análise genética aos ovos das fêmeas de Londres e de Chester revelou que elas se podem reproduzir sem ter contacto com um macho.

“A partenogénese constitui um fenómeno que ainda não é reconhecido para a gestão genética das populações ameaçadas”, notam os investigadores. Uma única fêmea, não fertilizada, pode fundar uma colónia no âmbito da qual pode ser retomada a reprodução sexual.

Estima-se que apenas existam na natureza quatro mil dragões de Komodo, mil dos quais fêmeas adultas.

in publico PT, 20-12-2006

Ossos de nova espécie de dinossauro gigante encontrados em Espanha

Uma equipa de investigadores espanhóis encontrou em Teruel 70 ossos de um saurópode gigante, com 35 metros de altura e 45 toneladas de peso. Os restos, com cerca de 145 milhões de anos, provam a descoberta de uma nova espécie de dinossauro, chamada Turiasaurus riodevensis.

Segundo o “El Mundo” online, os paleontólogos fizeram a descoberta em Maio de 2003. Três anos depois, a revista “Science” dedica um artigo sobre a descoberta de uma espécie nunca antes catalogada.

A comunidade científica escolheu o nome Turiasaurus riodevensis porque Turiasaurio significa em Latim “lagarto de Teruel” e riodevensis devido ao nome do local da descoberta.

Esta descoberta confirma que no Velho Continente “viveram dinossauros gigantes no final do Jurássico superior (há 145 milhões de anos)”, explica Alberto Cobos, um dos investigadores responsáveis, da Fundação Dinópolis. Até ao momento apenas tinham sido encontrados restos significativos destes animais na América e em África.

Os paleontólogos estimam que este animal se alimentava de plantas, vivia em grupos e reproduzia-se através de ovos. Entre os ossos encontrados está a pata dianteira esquerda, praticamente completa.

Segundo o jornal online, os paleontólogos identificaram outros ossos em Portugal, outras regiões espanholas, em França e Inglaterra, que poderão pertencer a este novo grupo de saurópodes, dinossauros herbívoros.

Os trabalhos de escavações continuam em Teruel e os investigadores esperam encontrar mais ossos.

in publico PT, 21-12-2006

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Uma Terra que gira... há um ano

Que a Terra gira sobre si mesmo e à volta do Sol, já todos nós sabemos. Mas nem sempre foi assim. Muitos foram aqueles que se questionaram, que em determinados momentos duvidaram e com paixão investigaram. Muitas descobertas foram feitas desde que a ciência se tornou uma estrutura sólida. Pelo caminho, muitos se calaram ou foram calados, muitos morreram no processo… numa batalha sem igual … Pela primeira vez, que se saiba, a matéria ganhou consciência de si própria… consciência que lhe deu a capacidade de duvidar, de questionar e assim aprender… ”e no entanto ela move-se”, desabafou Galileu no final de uma batalha perdida. Mas agora, mais do que nunca, novos desafios se levantam. Cientistas continuam a fazer novas descobertas todos os dias. Cientistas que têm a coragem de se questionar e de explorar o mundo em que todos vivemos, de ir mais além atravessando as fronteiras do mundo conhecido e partindo à procura de novas terras por esse universo fora.
O interesse por estas questões alargou-se, e através daqueles que albergam um espírito crítico e científico, as notícias das novas descobertas chegam a um público cada vez maior, curioso, que as segue com entusiasmo.
Os tempos são outros! Começa a desflorar uma nova consciência ambiental sem precedentes. Hoje as pessoas têm a noção de que os recursos da Terra não são inesgotáveis e de que há um risco real de sermos nós a destruir o sistema que nos permitiu chegar até aqui. É preciso fazer passar a mensagem, de uma forma clara.


Uma Terra Que Gira nasceu com esse objectivo, o de divulgar, o de dar a conhecer a Terra, aquilo que nos rodeia e as pessoas que vão fazendo a diferença, para que não assistamos com a indiferença habitual à vitória da ignorância sobre o conhecimento.
Aqui faz-se divulgação científica e dá-se a conhecer quem o faça. Pelo menos tenta-se.


Para preservar, é preciso primeiro explorar, investigar e aprender, mas cabe também a nós, cientistas de alma ou profissão fazer chegar esse conhecimento a toda a sociedade, para que todos possamos viver de uma forma sustentável e responsável nesta Terra que gira.


Terra que gira
, Dezembro 2006

...e no entanto ELA move-se!

e-card elaborado por: Inês Mateus