sábado, agosto 12, 2006














"O Caos não tem estátua nem figura e não pode ser imaginado; é um espaço que só pode ser conhecido pelas coisas que nele existem e ele contém o universo infinito."
Frances A. Yates

Na Mitologia grega, o Caos era considerado o estado não organizado, ou o nada, de onde todas as coisas surgiam. De acordo com a Teogonia de Hesiold, o Caos precedeu a origem, não só do mundo, mas também dos deuses. A cosmogonia de Orphic afirma que Chronos (personificação do tempo) deu origem a Ether e a Caos, este formou um enorme ovo de onde nasceu o Paraíso, a Terra e Eros.
Actualmente, com o desenvolvimento da Matemática e das outras ciências, a Teoria do Caos surgiu com o objectivo de compreender e dar resposta às flutuações erráticas e irregulares que se encontram na Natureza, resíduos da formação primordial vinda do grande ovo de Caos.
A ciência do Caos é relativamente recente e é considerada a terceira grande revelação deste século nas ciências físicas.
A investigação do Caos teve início nos anos 60, quando se descobriu que sistemas complexos, que podiam descrever possíveis previsões do tempo, podiam ser traduzidos por equações matemáticas simples. Do mesmo modo, sistemas que eram aparentemente simples e modelos deterministas, podiam levar a problemas muito complexos.
Através do estudo desta ciência, verificou-se que um sistema passa facilmente de um estado de ordem para um estado caótico, podendo surgir, por vezes de uma maneira espontânea, dentro do caos, a ordem. Também foi verificado que pequenas diferenças nas condições iniciais de um sistema podem conduzir a diferenças bastante significativas no resultado final, sendo deste modo fortemente abalado o paradigma da física determinista.
Porém, compreendendo o comportamento caótico, muitas vezes é possível entender como o sistema se comportará como um todo ao longo do tempo.
Esta ciência tem proporcionado algumas descobertas extraordinárias e levantado questões tão problemáticas que a tornam muito interessante e desafiante.
A geometria fractal está intimamente ligada à Teoria do Caos. São as estruturas quebradas, complexas, estranhas e belas desta geometria que conferem uma certa ordem ao caos, e esta é muitas vezes caracterizada como sendo a linguagem do caos.
A geometria fractal busca padrões organizados de comportamento dentro de um sistema aparentemente aleatório.

Vejamos o seguinte exemplo:
O João sai de casa às 9 horas para visitar a avó que vive a 30 Km.
Ao sair de casa, fica preso no elevador, por falta de corrente, o que o faz demorar 5 minutos e perder o autocarro que passa de 10 em 10 minutos (passou às 9 horas e 4 minutos). Chega à estação, acabando de perder o comboio (só o viu ao fundo da linha), o próximo é daí a 2 horas. Esta relação é um bom exemplo de caos: uma pequena alteração pode provocar uma diferença considerável, como no caso anterior.

Mas também pode acontecer que uma alteração não origine uma diferença significativa como se pode ver na situação seguinte:
Se o João tivesse saído de casa às 8 horas e 59 minutos, o elevador não tinha parado e teria chegado a horas a casa da avó.
Mas a mais pequena alteração pode ter consequências imprevisíveis.
Neste exemplo, saíndo às 9 horas, apenas um minuto mais tarde, o João vai chegar a casa da avó 2 horas e 14 minutos mais tarde.

Outra relação existente entre a geometria fractal e a Teoria dos Caos prende-se com o facto de ambas se terem desenvolvido e crescido graças ao desenvolvimento da informática. No entanto, embora a utilização de computadores seja indispensável, não podemos confiar cegamente nos computadores pois uma alteração mínima nas condições iniciais pode ser o suficiente para que o resultado sofra mudanças bastante significativas.
Apesar das inúmeras aplicações e utilidades, os fractais ainda têm um longo caminho pela frente. Faltam muitas ferramentas e vários problemas continuam sem solução. Uma teoria completa e unificada é necessária e a pesquisa prossegue neste sentido.

"O mundo que nos cerca é caótico mas podemos tentar limitá-lo no computador. A geometria fractal é uma imagem muito versátil que nos ajuda a lidar com os fenómenos caóticos e imprevisíveis."
Benoît Mandelbrot

Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm14/

Os fractais

"A Geometria dos Fractais não é apenas um capítulo da Matemática, mas também
uma forma de ajudar os Homens a verem o mesmo velho Mundo diferentemente"
(Benoît Mandelbrot)



Nos últimos anos, diferentes definições de fractais têm surgido. No entanto, a noção que serviu de fio condutor a todas as definições foi introduzida por Benoît Mandelbrot através do neologismo "Fractal", que surgiu do latino fractus, que significa irregular ou quebrado, como ele próprio disse: "Eu cunhei a palavra fractal do adjectivo em latim fractus. O verbo em latim correspondente frangere significa quebrar: criar fragmentos irregulares, é contudo sabido – e como isto é apropriado para os nossos propósitos! – que, além de significar quebrado ou partido, fractus também significa irregular. Os dois significados estão preservados em fragmento".

Os fractais são formas geométricas abstractas de uma beleza incrível, com padrões complexos que se repetem infinitamente, mesmo limitados a uma área finita. Mandelbrot, constatou ainda que todas estas formas e padrões, possuíam algumas características comuns e que havia uma curiosa e interessante relação entre estes objectos e aqueles encontrados na natureza.


Um fractal é gerado a partir de uma fórmula matemática, muitas vezes simples, mas que aplicada de forma iterativa, produz resultados fascinantes e impressionantes.

Uma 1ª definição, pelo próprio Mandelbrot, diz que: "Um conjunto é dito fractal se a dimensão Hausdorff deste conjunto for maior do que a sua dimensão topológica". Contudo, no decorrer do tempo ficou bastante claro que esta definição era muito restrita, embora apresentasse algumas motivações pertinentes.

Existem duas categorias de fractais: os geométricos, que repetem continuamente um modelo padrão e os aleatórios, que são feitos através dos computadores.

Além de se apresentarem como formas geométricas, os fractais representam funções reais ou complexas e apresentam determinadas características: auto-semelhança, a dimensionalidade e a complexidade infinita.

Uma figura é auto-semelhante se uma parte dela é semelhante a toda a figura. Podemos observar esta característica na curva de Koch.


" As imagens que calculei com a minha teoria matemática assemelhavam-se curiosamente à realidade: e se eu podia imitar a Natureza, era porque provavelmente teria descoberto um dos seus segredos..." (Benoît Mandelbrot)

"É possível acreditar que no dia de amanhã, ninguém poderá ser considerado cientificamente culto se não estiver familiarizado com os fractais." (John Archibald)

A informação desta "postagem" foi retirada de uma página da net elaborada por três estudantes de ensino de matemática da FCUL (Inês Quaresma, Jorge Oliveira e Paula Faria ). Parabens a eles, a página está muito boa e é uma excelente iniciativa. Se tiveram oportunidade visitem-na (http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm14/). Espero que o autores não se importem de ter retirado algumas coisas de lá. O meu objectivo, e penso que também o deles, é divulgar a ciência.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Geologia do Petróleo

O estudo do petróleo engloba várias áreas da geologia, desde a prospecção, através de métodos geofísicos (sísmica, gravimetria, magnetometria, etc.), ao estudo das rochas reservatório, que servem de armadilha às reservas de petróleo ou gás, através da sedimentologia, estratigrafia e paleontologia.

Estes estudos tornam mais eficiente a "busca" a esta fonte de energia, que é a principal em todo o mundo, pois permitem inferir, com um considerável nível de certeza/risco, a localização destas ditas armadilhas.

A geologia do petróleo é, como muitas vertentes da geologia, uma combinação de vários conhecimentos, sendo necessário uma equipa pluridisciplinar em qualquer das fases de trabalho.

As imagens seguintes demonstram como se encontram as reservas de petróleo e como é extraído.

http://encarta.msn.com/media_461531212_761576221_-1_1/Oil_Drill_Rig_and_Reservoir.html

Para saber mais:

Encarta

Wikipedia

A explicação do fenómeno geométrico

A visão às vezes cega a razão...

que é realmente o que explica o fenómeno!

Comecemos pela primeira figura... temos um triângulo grande de lados rectos com comprimento 5 e 13, o que faz com que a inclinação da sua hipotenusa seja exactamente 5/13 (vulgo tangente do ângulo que a hipotenusa faz com a recta horizontal). Da mesma forma, o triângulo vermelho tem lados rectos 5 e 8 o que prefaz uma inclinação da hipotenusa de 5/8 e para o triângulo verde temos lados 2 e 5 ou seja, inclinacao de 2/5! Acontece que 2/5, 5/8 e 5/13 são todos números diferentes... daí que a hipotenusa do triângulo maior, que nos parece ser uma linha recta, na realidade não o seja! É uma linha quebrada nos vértices dos triângulos pequenos! Na segunda o argumento é semelhante...

E está resolvido o mistério... a área do quadrado que sobra é a àrea dessa parte que foi tomada a mais...

Explicação enviada pelo mestre Pedro Serranho

UMA GRANDE "BOLA DE FOGO" COM A FORMA DE UM COMETA

Uma equipa internacional de cientistas, com o auxílio de dados obtidos pelosatélite de raios-x XMM-Newton, da ESA, descobriu uma bola de gás com a forma deum cometa com mais de mil milhões de vezes a massa do Sol. Esta "bola de fogo"colossal é de longe o maior objecto deste tipo a ser identificado até hoje eencontra-se a atravessar um enxame de galáxias distante, com uma velocidadesuperior a 750 quilómetros por segundo.
O tamanho e a velocidade deste objecto são verdadeiramente fantásticos. A bolade gás tem cerca de três milhões de anos-luz de extensão, o que corresponde aaproximadamente cinco mil milhões de vezes o tamanho do nosso sistema solar.Visto da Terra, este objecto aparece como uma "mancha" circular brilhante nosraios-x, possuindo o que se assemelha a uma cauda (como nos cometas) comaproximadamente metade do tamanho da Lua.
O enxame de galáxias em que a bola de gás está localizada é designado de Abell3266 e encontra-se a milhões de anos-luz da Terra, não representando assimqualquer perigo para o nosso sistema solar. O Abell 3266 contem centenas degaláxias e grandes quantidades de gás muito quente que se encontra atemperaturas de aproximadamente cem milhões de graus. Tanto o gás do enxame comoa bola gigante de gás encontram-se ligados pela atracção gravitacional dematéria negra.
Para os cientistas, o mais interessante não é apenas o tamanho desta bola de gásmas também o papel que esta desempenha na formação e evolução de estruturas noUniverso. Este objecto será provavelmente um grande "bloco de construção"entregue a uma das maiores concentrações de galáxias de que temos conhecimento.O enxame de galáxias Abell 3266 faz parte do super enxame Horologium-Reticulum eé um dos enxames de galáxias com maior massa. A bola de gás indica que esteenxame ainda se encontra activamente a aumentar de tamanho e que se tornará numadas maiores concentrações de massa no Universo próximo.
Com o auxílio dos dados do XMM-Newton os cientistas produziram um mapa deentropia - uma propriedade termodinâmica que fornece uma medida de desordem.Este mapa permitiu separar o gás frio e denso do "cometa", do gás mais quente erarefeito do enxame. Os dados mostram com grande detalhe o processo em que o gásé arrancado do núcleo do "cometa" para formar a grande cauda que contem gás maisfrio e denso. Os cientistas estimam que em cada hora o equivalente à massa doSol é arrancada do núcleo da bola de gás.
Para uma imagem de raios-x da bola de gás, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/ball.jpg
A bola de gás está confinada às regiões laranja na imagem. A parte da frente do"cometa" encontra-se na extremidade inferior direita da estrutura com áreasavermelhadas.
O que observamos no enxame Abell 3266 é a formação de estruturas. A matérianegra é a cola gravitacional que mantém a bola de gás inteira. À medida que esta"corre" pelo enxame de galáxias uma guerra de forças ocorre, sendo que por umlado encontra-se o enxame a puxar e do outro a bola de gás. Mas o enxame acabaeventualmente por ganhar este confronto, arrancando e dispersando o gás da bola,que talvez um dia, levará à formação de estrelas e ao crescimento das galáxiasdo enxame.
Fonte: ASTRONOVAS

segunda-feira, agosto 07, 2006

Nota

As imagens seguintes, são representações segundo uma escala relativa de alguns corpos que constituiem o sistema solar, assim como de algumas estrelas mais próximas. Estas imagens foram-me gentilmente enviadas por Vasco Valadares. Obrigado Vasco!

segunda-feira, julho 31, 2006

Sismologia: Pequenos sismos ajudam a prever os grandes

Uma notícia que saiu na Lusa, faz-me pensar no que pode acontecer no nosso cantinho da Terra que gira.

São os desastres naturais, como sismos e actividade vulcânica, que mais interesse despertam. Por certo estará relacionado com o medo, com a capacidade de transformação da paisagem...superior à nossa. O que é certo é que tem sido esta fonte de energia, a verdadeira "empresa de construção" em todo o mundo. Cria montanhas, oceanos...também os apaga, aproxima e afasta continentes. Aquece a Terra, oferece-nos Vida.

Lembro-me muitas vezes de que aconteça o que acontecer com o nosso "descuido" com a natureza, a Terra continuará a girar sobre si mesma, como se nem sequer tivéssemos existido. Nós, que somos o explendor máximo da criação...nem...sequer...existido.

A notícia da Lusa, enviada por I. M.

"Sismologia: Pequenos sismos ajudam a prever os grandes - estudo

Tóquio, 31 Jul (Lusa) - Investigadores japoneses e norte- americanosafirmam estar mais perto de desvendar os segredos da previsão sísmicadepois de terem descoberto uma ligação entre abalos quaseimperceptíveis, a grande profundidade, e terramotos devastadorescapazes de arrasar cidades.

A chave para a descoberta foram os chamados sismos silenciosos, que semovimentam tão lenta e gradualmente que não produzem ondas sísmicas,mas podem provocar abalos violentos ao acumular pressão sobre ascamadas superiores da crosta terrestre.

Este avanço na investigação sísmica resultou de um projecto de trêsanos das universidades de Tóquio e de Stanford (Estados Unidos), queencontrou um meio de fazer com exactidão um mapa dos epicentros dessespré-sismos minúsculos.

O trabalho, divulgado no princípio do mês pela revista Nature, poderácontribuir para melhorar as previsões sísmicas e ajudar a salvarvidas.
"Monitorizar estes sismos silenciosos é importante para prever grandessismos mais tarde", sublinhou Sho Nakamula, da Universidade de Tóquio.

Os sismos silenciosos só foram descobertos recentemente e, até agora,os cientistas tinham dificuldade em localizar o seu hipocentro (focono interior da Terra a partir do qual se considera iniciada apropagação da energia libertada por um sismo) e determinar comexactidão o mecanismo que os provoca.

O novo estudo assinala em pormenor a ligação entre os sismossilenciosos e outro tipo de abalos de profundidade, os tremores deterra de baixa frequência, que podem chegar a durar duas horas.

Ao monitorizar estes sismos de baixa frequência, os cientistas podem
concentrar pressão e onde é provável que ocorram grandes terramotos,com importantes consequências para as zonas de grande activida desísmica.


A investigação representa um progresso na previsão de grandes sismospor localizar exactamente a origem dos abalos de baixa frequência edos silenciosos, considerou Kazushige Obara, do Instituto Nacionalsobre Ciência da Terra e Prevenção de Desastres, que não participou noestudo mas descobriu em 2002 a existência dos sismos de baixa frequência.
"Todavia, não mostra ainda a relação exacta entre os tremores lentos eos grandes sismos", afirmou.

Duas das áreas estudadas neste projecto foram o sinclinal (a partecôncava de uma dobra da crosta terrestre) de Nankai, ao largo da costado Pacífico da ilha japonesa de Shikpku e a plataforma subaquática aolargo da costa pacífica dos estados norte-americanos de Washington e Oregon.
A região de Nankai é abalada uma vez por século por gigantescossismos, o último dos quais ocorreu em 1946 e causou cerca de 1.400mortos.
O noroeste do Pacífico é outra área crítica onde no último século seregistaram vários sismos de magnitude 7 e mais fortes e se estima queocorra um terramoto de magnitude 9, com maremoto, num intervalo de 400a 600 anos. O último com essa força data de 1700.

Este projecto trans-Pacífico, iniciado em 2002, foi dirigido pelosgeocientistas Greg Beroza e David Shelly, da Universidade de Stanford,e Satoshi Ide, da Universidade de Tóquio."

CM. Lusa

quarta-feira, julho 19, 2006

Brian Greene. O novo Carl Sagan...

Brian Greene, o mais célebre cosmólogo da atcualidade, defende a teoria das supercordas, que resume o Universo numa única equação.

ÂNGELA PIMENTA, de Nova York

Há 20 anos que um punhado de físicos se dedica a elaborar uma teoria que explique, numa única equação, o funcionamento das galáxias, a natureza e o comportamento das mais ínfimas partículas do Universo. Tal achado materializaria o mais caro sonho de Albert Einstein: a unificação da teoria geral da relatividade, que trata de grandes dimensões espaciais, com a mecânica quântica, que tenta compreender o que se passa no coração das subpartículas atómicas.
Até recentemente, o debate sobre tal hipótese - a teoria das supercordas - restringia-se a herméticos congressos astronómicos e publicações académicas. Mas eis que, nos últimos cinco anos, Brian Greene, um físico americano com uma ar juvenil, notável currículo académico e talento para traduzir conceitos sofisticados em metáforas cotidianas, tem conseguido electrizar o grande público.
Em 1999, ele publicou o seu primeiro best-seller, O Universo Elegante. Traduzido para 26 línguas, o livro que disseca a teoria das supercordas foi transformado no ano passado em documetário pelo canal educativo americano PBS. Recentemente, Greene lançou O Tecido do Cosmos, que trata de noções de espaço e tempo. Graças a seu sucesso popular, o físico vem sendo comparado ao cosmologista britânico Stephen Hawking, autor de Uma Breve História do Tempo, e ao americano Carl Sagan (1934-1996), consagrado nos anos 80 pela série de TV Cosmos.
Doutor em Física pela Universidade de Oxford, Greene leciona em Colúmbia, Nova York, onde também dirige um instituto dedicado a estudos cosmológicos.

Michael Faraday

Michael Faraday nasceu em Newington, Surrey, em 22 de setembro de 1791, e morreu em Hampton Court em 25 de agosto de 186. Faraday foi químico, filósofo e estudioso de eletricidade, sendo nesse campo em que se destacou mais e ficou conhecido mundialmente.
Faraday foi oriundo de uma família pobre e seu pai era ferreiro. Quando sua família emigrou para Londres, Faraday empregou-se com sr. Ribeau, um encadernador e comerciante de livros, e aí que ele começou seus métodos autodidatas.
Em 1812, Faraday foi convidado para assistir a quatro conferências de sir Humphry Davy, um importante químico inglês e presidente da Royal Society entre 1820 e 1827. Faraday tomou notas dessas conferências e, mais tarde, redigiu-as em formato mais completo. Ele foi então encorajado a enviar suas notas a sir H. Davy, que recebeu-as favoravelmente.
Em 1813, foi nomeado ajudante de laboratório da Royal Institution por recomendação de sir H. Davy. Recebeu a nomeção para diretor do laboratório em fevereiro de 1825 e, em 1833, tornou-se titular da cátedra Fullerton de química na Royal Institution.
Faraday teve importância na química como descobridor de dois cloretos de carbono, investigador de ligas de aço e produtor de vários tipos novos de vidros. Um desses vidros tornou-se historicamente importante por ser a substância em que Faraday identificou a rotação do plano de polarização da luz quando era colocado num campo magnético e também por ser a primeira substância a ser repelida pelos pólos de um ímã.
Porém, suas descobertas no campo da eletricidade ofuscaram quase que por completo sua carreira química. Entre elas a mais importante é a indução electromagnética.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Deriva Continental

A ideia da deriva continental foi proposta pela primeira vez por Alfred Wegener. Em 1912, ele propôs a teoria, com base nas formas dos continentes de cada lado do Oceano Atlântico, que pareciam se encaixar.
Muito tempo antes de Wegener, outros cientistas notaram este fato. A ideia da deriva continental surgiu pela primeira vez no final do século XVI, com o trabalho do holandês Abraham Ortelius que era um criador de mapas. No seu trabalho de 1596, Thesaurus Geographicus, Ortelius sugeriu que os continentes estariam estado juntos no passado. A sua sugestão teve origem apenas na similaridade geométrica das costas actuais da Europa e África com as costas da América do Norte e do Sul; mesmo para os mapas relativamente imperfeitos da época, ficava evidente que havia um bom encaixe entre os continentes. A ideia evidentemente não passou de uma curiosidade que não produziu consequências.
Outro geógrafo, Antonio Snider-Pellegrini utilizou o mesmo método de Ortelius para desenhar o seu mapa com os continentes encaixados em 1858. Como nenhuma prova adicional fosse apresentada, além da consideração geométrica, a ideia foi novamente esquecida.
A similaridade entre os fósseis encontrados em diferentes continentes, bem como entre formações geológicas, levou alguns geólogos do hemisfério Sul a acreditar que todos os continentes já estiveram unidos, na forma de um supercontinente que recebeu o nome de Pangeia.
A hipótese da deriva continental tornou-se parte de uma teoria maior, a teoria das placas tectónicas. Este artigo trata do desenvolvimento da teoria da deriva continental antes de 1950.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Tectónica de Placas

Tectónica de placas (do grego τεκτονικός relativo à construção) é uma teoria da geologia, desenvolvida para explicar o fenómeno da deriva continental, sendo a teoria actualmente com maior aceitação entre os cientistas que trabalham nesta área. Na teoria da tectónica de placas a parte mais exterior da Terra está composta de duas camadas: a litosfera que inclui a crusta e a zona solidificada na parte mais externa do manto. Sob a litosfera encontra-se a astenosfera que inclui a parte mais interior e viscosa do manto. Numa escala temporal de milhões de anos, o manto parece comportar-se como um líquido super-aquecido e extremamente viscoso, mas em resposta a forças repentinas, como os terramotos, comporta-se como um sólido rígido.

As placas tectónicas da Terra foram cartografadas na segunda metade do século XX
Basicamente, a litosfera flutua sobre a astenosfera, e encontra-se partida em pedaços que se designam por placas tectónicas. Abaixo listam-se as principais placas tectónicas:
Placa Africana
Placa da Antártida
Placa Euroasiática
Placa Norte-americana
Placa Sul-americana
Placa do Pacífico
Placa Australiana
Existem ainda várias e mais numerosas placas menores.

A teoria da tectónica de placas surgiu a partir da observação de dois fenómenos geológicos distintos: a deriva continental, identificada no início do século XX e a expansão dos fundos oceânicos, detectada pela primeira vez na década de 1960. A teoria propriamente dita foi desenvolvida no final dos anos 60 e desde então tem sido universalmente aceite pelos cientistas, tendo revolucionado as Ciências da Terra (comparável no seu alcance com o desenvolvimento da tabela periódica na Química, a descoberta do código genético na Biologia ou à mecânica quântica na Física).

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, julho 13, 2006

Por sugestão de um habitual visitante, aqui ficam dois livros de cabeceira:

"Sobre a Terra"
...é um livro de Ricardo Garcia, jornalista ambiental.
Como diz na capa, óptimo para quem lê e escreve sobre ambiente. É, de facto, urgente saber como escrever sobre ambiente, para que estes temas não caiam no esquecimento de uns "iluminados".

"Breve História de Quase Tudo" - Bill Bryson
Este é daqueles livro de consulta, do género almanaque da história. "Deixa-me abrir o livro e descobrir mais um pouco sobre uma época da evolução da ciência.." é o que apetece fazer às vezes.
Um dos pontos fortes do livro é existirem duas histórias de quase tudo. Uma, que já referi, a evolução da ciência. A outra, e que acompanha a anteior de uma forma quase inperceptível, é a evolução do universo, do sistema solar, da Terra...
Mais um jornalista...

sexta-feira, junho 09, 2006

Gas Hydrates (Hidratos de Metano)

No passado mês tive o previlégio de estar a bordo de um navio de investigação onde foi recolhido Hidratos de Metano (Gas Hydrates), em águas portuguesas. Deixo aqui algumas imagens e informações para os mais curiosos.


Gas Hydrates recovered in the Gulf of Cadiz in June 2006, during the TTR16 research cruise.
This samples were colected in a deep sea mud volcano.


WHY DO I LIKE GAS HYDRATES?
Because they are beautiful...
Because they look like diamonds in rock...
Because they make even pure alcohol soft and pleasant...
Because they are the last hope of humanity as pure energy source in the near future...
Because they are mistic and unknown...
BECAUSE!!!
(by VYakusshev)

Ice that burns!



Most loud of them are:

- natural hydrates containt several times more hydrocarbons than all oil and gas fields discovered as well as undiscovered;

- marine hydrate-containing sediments are the source of new unknown living things like "ice worms";

- marine hydrates can be the reason of ships and planes disappearance in the "Bermuda triangle";

- hydrates can cause catastrophic global warming;

- hydrate-containing sediments are real threat for deep sea constructions and communications


Structure of Gas Hydrates

What is Gas Hydrate?
Gas Hydrate is an ice-like crystalline solid formed from a mixture of water and natural gas, usually methane. They occur in the pore spaces of sediments, and may form cements, nodes or layers.


Where is Gas Hydrate found?
Gas Hydrate is found in sub-oceanic sediments in the polar regions (shallow water) and in continental slope sediments (deep water), where pressure and temperature conditions combine to make it stable.


Why is it important to study Gas Hydrate?
Natural Gas Hydrate contains highly concentrated methane, which is important both as an energy resource and as a factor in global climate change.

Um fim do dia no Golfo de Cadiz...

terça-feira, junho 06, 2006

O que "gira" à volta da Terra

É bom quando somos surpreendidos assim. Longe estava eu de imaginar que em pleno interior ribatejano, iria encontrar um parque temático da Ciência Viva, dedicado à Astronomia, tão bem desenvolvido e projectado.


O parque fica bem perto de Constância. Tem exposições diárias, com cinco módulos, bem como um observatório astronómico e um planetário. Aconselhado aos amantes, aos curiosos e aos aprendizes do universo que "gira" à volta da Terra.















Horário:
Segunda | Descanso Semanal
Terça e Quarta | 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00
Quinta | 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00 | 21h00 às 23h00
Sexta | 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00 | 21h00 às 23h00*
Sábado | 15h00 às 19h00 | 21h00 às 23h00
Domingo e Feriados | 15h00 às 20h00
* (Só na primeira Sexta-Feira de cada mês)


Centro de Ciência Viva de Constância

domingo, maio 14, 2006

E agora?

Ao princípio junta-se o útil ao agradável. A necessidade de oferta com a ciência da procura.
As casas cobrem-se de rochas ornamentais, as estradas ganham quilómetros e alguns bolsos enchem-se de dinheiro. Abrem-se buracos, rasgam-se serras, sempre com a intenção de explorar os recursos e equilibrar a economia. O pior é quando os buracos se somam, as serras desaparecem e a economia não ajuda.

Estremoz, 2006

Estremoz, 2006


E agora?


Lanço um desafio...

Que fazer às pedreiras abandonadas ou em fim de exploração?
Que reabilitação poderão ter?

sábado, maio 06, 2006

Antropologia Pós-Moderna Portuguesa

"Daniel Kaufmann, director do Instituto do Banco Mundial, fez cálculos e concluiu que Portugal podia ter o nível de desenvolvimento da Finlândia, se melhorasse o seu índice de controlo de corrupção que, numa escala de 0 a 100, se situava, em 2004, nos 86,7 pontos."

"(...) a incidência nas autarquias é brutal e representa quase metade (42%) da corrupção investigada pela PJ (...)" (Francisco Galope, in Visão)

A concentração dos poderes executivos nos autarcas facilita em muito o tráfico de influências, nomeadamente entre os perversos meios do futebol e construção.

E nós, alegres ignorantes, ficamos a ver esses senhores, "chicos espertos", que mais se parecem com nojentas ratazanas de esgoto, a esbodegar o mundo em que vivemos.

quarta-feira, maio 03, 2006

VISÃO PANORÂMICA DO UNIVERSO

Um novo mapa do Universo confirma resultados anteriores, incluindo a existência de matéria escura e energia escura.

Uma equipa internacional de astrónomos anunciou que criou um mapa de uma profundidade de 2 mil milhões de anos-luz que revela a constituição mais precisa do Universo até à data. Retirando informação do levantamento Sloan Digital Sky Survey (SDSS), os astrónomos realizaram medições precisas da distribuição em larga escala dos agregados de galáxias e da matéria escura associada. Ao representarem as posições tridimensionais de 205 443 galáxias dispersas por cerca de 6% do céu, este grupo de astrónomos obteve a visão mais apurada do traçado de agrupamento gravitacional entre galáxias.

Enquanto numa escala de milhões de anos-luz, surge uma distribuição heterogenea, já numa escala mais ampla (larga escala) surge uma imagem do Universo mais uniforme.

Os resultados foram publicados no Astrophysical Journal e no Physical Review em dois artigos separados, e os autores fixaram a constituição do Universo em 70% energia escura, 25% matéria escura e apenas 5% matéria comum composta por átomos.

ASTRONOVAS

UM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO NUCLEO DE UMA PEQUENA GALAXIA

Nas últimas semanas, os astronómos descobriram um buraco negro supermassivo (de massa muito elevada)no núcleo de uma pequena galáxia espiral. Esta descoberta revela que afinal mesmo as galáxias sem núcleos bojudos podem possuir este tipo de buracos negros.

- Que galáxia foi estudada?

A galáxia estudada foi a NGC4395, que se encontra a cerca de 11 milhões de anos-luz e que é visível no hemisfério norte, na direcção da constelação "Cannes Venatici". Esta galáxia é uma galáxia "achatada", aparentando não possuir qualquer bojo central. Contudo, possui, no seu centro, um buraco negro cuja massa é cerca de 10000 a 100000 de vezes superior à massa do nossso Sol. Esta descoberta sugere que outras galáxias semelhantes, isto é, outras galáxias "achatadas", ao contrário do que até agora se pensava, podem possuir um buraco negro supermassivo no seu centro.

- Mas que tipo de buraco negro é este?

Tipicamente, os buracos negros supermassivos possuem uma massa que é milhões ou biliões de vezes superior à massa do Sol, sendo que este tipo de buracos negros são milhões de vezes mais massivos do que aqueles que resultam do colapso gravitacional dos núcleos de estrelas muito massivas. No entanto, este buraco negro situado na galáxia NGC4395, apesar de supermassivo, é o mais pequeno até agora encontrado no centro duma galáxia, o que seria consistente com o facto da galáxia possuir apenas um pequeno bojo. Mas, na realidade, este bojo não aparenta ser pequeno, mas sim inexistente, o que torna esta descoberta algo "estranha".

- Como foi feita a descoberta?

Esta galáxia é há muito conhecida por emitir quantidades significativas de radiação do seu núcleo, incluindo radiação visível e raios X. Este facto é um sinal da presença de um buraco negro central e gigante e que se encontra a sugar matéria de modo a criar um disco de acrecção rotativo e bastante quente. No entanto, até agora, tal buraco negro não havia ainda sido descoberto. Os cientistas usaram, então, o telescópio de 10 metros Keck I situado no Hawai e o telescópio de raios X ASCA para encontrarem este buraco negro massivo mas que, mesmo assim, fica bastante aquém de outros buracos negros supermassivos já descobertos.

-Que técnicas foram utilizadas para a determinação da sua massa?

A técnica usada para estimar a massa do buraco negro foi a técnica de dispersão de velocidades.Esta técnica baseia-se na medição da velocidade média das estrelas que orbitam o buraco negro central. Embora esta teoria tenha sido prevista na década de 90, só em 2000 veio a confirmação da estreita relação entre a dispersão das velocidades e a massa dum buraco negro supermassivo. Até aí pensava-se que essa correlação só se verificava para buracos negros com milhões ou biliões de massas solares. No entanto, a utilização desta técnica na galáxia NGC4395 provou que também é válida para galáxias com 66000 massas solares, ou seja, a relação entre a massa do buraco negro e a dispersão das velocidades verifica-se mesmo nas escalas de aglomerados de estrelas que contenham um buraco negro central relativamente leve.

-Que conclusões se podem tirar?

A galáxia NGC4395 pode, assim, representar um passo na evolução de buracos negros supermassivos, em galáxias nas quais um bojo se desenvolve à medida que o buraco negro cresce. Refira-se ainda que as medições da dispersão de velocidades foram efectuadas em aglomerados de estrelas perto do buraco negro, ou seja, isso é uma indicação de que um dia um bojo poderá aí vir a formar-se.

ASTRONOVAS

terça-feira, maio 02, 2006

UMA ESTRELA DE NEUTRÕES INTRIGANTE

Com o auxílio de dados obtidos pelo telescópio espacial XMM-Newton, da ESA, uma equipa internacional de astrofísicos "descobriu" uma estrela de neutrões que aparenta não ser o objecto de rotação estável que os cientistas acreditavam ser.

As estrelas de neutrões em rotação, também conhecidas por pulsares, são geralmente objectos com uma rotação estável e periódica.

Devido à periodicidade dos sinais que emitem, quer nos comprimentos de onda do rádio ou nos raios-x, estes objectos são "usados" como "relógios" astronómicos muito precisos. Os cientistas descobriram que nos últimos quatro anos e meio a temperatura de um destes objectos enigmáticos, designado por RX J0720.4-3125, tem vindo a subir. No entanto, observações recentes mostraram que esta tendência foi revertida ea gora a temperatura está a descer.

De acordo com a equipa este efeito não édevido a uma variação real da temperatura, mas sim à forma como vemos o objecto.Acredita-se que esta estrela de neutrões se encontra em "precessão", ou seja oseu eixo de rotação move-se lentamente, fazendo com que ao longo do tempodiferentes partes da sua superfície sejam observadas por um observador na Terra.

Para ver uma imagem da estrela de neutrões RX J0720.4-3125, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/neutr.jpg

As estrelas de neutrões são um dos finais possíveis da evolução de uma estrela. Com uma massa comparável à do Sol, confinada numa esfera com 20-40 quilómetros de diâmetro, a sua densidade é maior que a densidade de um núcleo atómico – mil milhões de toneladas por centímetro cúbico. Logo após o seu nascimento, originado apartir de uma explosão de supernova, a sua temperatura é de aproximadamente um milhão de graus Celsius e a maioria da sua emissão térmica é emitida na gama dos raios-x. Estrelas de neutrões jovens e isoladas arrefecem muito lentamente, levando cerca de um milhão de anos até se tornarem demasiado frias para que se possam observar nos raios-x.

As estrelas de neutrões são conhecidas por possuirem um campo magnético muito forte, tipicamente vários biliões de vezes mais forte que o da Terra. O campo magnético pode ser tão forte que influencia o transporte de calor do interior da estrela para a crosta, originando pontos quentes em torno dos pólos magnéticos na superfície da estrela.É a emissão destes pontos quentes que domina o espectro de raios-x.

Existem poucas estrelas de neutrões isoladas conhecidas a partir das quaispodemos observar directamente a emissão térmica proveniente da superfície. Uma destas estrelas é a RX J0720.4-3125, que possui um período de rotação de aproximadamente 8,5 segundos.

Devido ao facto de o período de arrefecimento de uma estrela de neutrões sermuito grande era portanto muito inesperado poder observar o espectro de raios-x variar em apenas um par de anos. É muito pouco provável que a temperatura global da estrela de neutrões variasse tão rápidamente. Na realidade, foram observadas diferentes áreas da superfície da estrela em momentos diferentes. Isto também é observado durante o período de rotação da estrela quando os pontos quentes se movem entrando e saindo da nossa linha de visão, fazendo com que a sua contribuição para a emissão total da estrela varie.

Durante as primeiras observações realizadas pelo XMM à estrela RX J0720.4-3125, em Maio de 2000, a temperatura observada encontrava-se num mínimo, e um ponto quente mais frio era predominantemente visivel. Ao fim de 4 anos, a precessão da estrela trouxe para o noso campo de visão um segundo ponto quente, com uma temperatura mais elevada que o primeiro, o que fez com que a temperatura observada aumentasse. Isto provavelmnete explica as variações de temperatura e de emissão observadas.

A equipa desenvolveu um modelo que explica muitas das características peculiares da RX J0720.4-3125. Neste modelo, a variação de temperatura é produzida pelas diferentes fracções de dois "pontos quentes" nos pólos da estrela, que entram no nosso campo de visão à medida que a estrela precessa, com um período de cerca de 7-8 anos. Para este modelo funcionar, as duas regiões polares emissoras têm de possuir temperaturas e tamanhos diferentes.

Observações adicionais serão realizadas com o XMM-newton para monotorizar este objecto intrigante. Espera-se aprender mais acerca da evolução térmica e da geometria do campo magnético desta estrela em particular, e ainda acerca da estrutura interior das estrelas de neutrões em geral.

ASTRONOVAS

sexta-feira, março 17, 2006

"Super Terra" a 9.000 anos-luz (por LUSA)

Uma equipa de astrónomos de vários países descobriu uma "Super Terra" fora do nosso sistema solar, a 9.000 anos-luz, indica um artigo hoje publicado por uma revista norte- americana de astronomia.

O planeta, formado por rochas e materiais semelhantes aos da Terra, pesa 13 vezes mais e tem uma temperatura média de 200 graus centígrados abaixo de zero, o que o converte num dos locais mais frios descobertos até agora fora do Sistema Solar.

Segundo a Astrophysical Journal Letters, este corpo celeste tem a massa de Neptuno e gira em volta de uma estrela duas vezes maior do que o Sol.

Os astrónomos detectaram o planeta no ano passado graças a um sistema chamado OGLE (acrónimo em inglês para Experiência de Lente Óptica Gravitacional), que analisa mudanças na luz vinda de estrelas distantes.

O método aplica-se quando uma estrela passa em frente de outro corpo celeste e a enorme força gravitacional actua como uma lente, aumentando a luz da estrela mais distante.

Observada a partir da Terra, a estrela que está atrás dessa luz parece maior e vai desaparecendo à medida que o outro corpo se afasta dela.

Segundo Andrew Gould, director do projecto, esta é a primeira vez que se detecta una estrela semelhante, porque os investigadores não tinham "os meios de a encontrar".

Por outro lado, o cientista assinalou que este tipo de "super Terras" geladas são bastante comuns, já que existem nas órbitas de "cerca de 35 por cento das estrelas", indicou.

Nos últimos anos, os astrónomos descobriram cerca de 170 planetas extra-solares, a maior parte dos quais gigantes gasosos como Júpiter.


agência LUSA
enviado por I. M.

quarta-feira, março 01, 2006

UM MAR DE VIDRO EM GALÁXIAS EM COLISÃO

Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, uma equipa de astrónomos observou uma população rara de galáxias em colisão cujos corações emaranhados, estão envoltos por pequenos cristais que se assemelham a pedaços de vidro.

Estes cristais são compostos essencialmente por silicatos (areia), grãos que se formaram de forma semelhante ao vidro, provavelmente no equivalente estelar das fornalhas. Esta é a primeira vez que cristais de silicato foram detectados numa outra galáxia que não a nossa.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir cristais pequenos e delicados no centro de um dos locais mais violentos do Universo. Os cristais com estas características são geralmente facilmente destruidos. Mas neste caso, estão provavelmente a ser criados por estrelas moribundas, de grande massa, a um ritmo maior do que aquele a que se dá a sua destruição.

Esta descoberta ajudará os astrónomos a compreender melhor a evolução das galáxias, incluindo a Via Láctea, que daqui a uns milhares de milhões de anos se fundirá com a sua vizinha Andrómeda.

A equipa de astrónomos diz que é como se uma enorme tempestade de areia estivesse a ocorrer no centro de galáxias em colisão. Os silicatos envolvem os núcleos das galáxias na forma de "cobertores" gigantes de vidro poeirento. O que presenciamos é análogo à colisão de duas carrinhas cheias de farinha. Quando isto acontece, uma nuvem de poeira branca é temporáriamente levantada. O Spitzer detectou uma nuvem temporária de silicatos cristalizados, criada aquando da colisão entre duas galáxias.

Para ver uma concepção artística da região atribulada do núcleo de duas galáxias em colisão com os cristais espalhados através deste, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/cristais.jpg

Podemos observar a verde os cristais de silicato. As regiões a branco representam uma população vigorosa de estrelas de todos os tamanhos e idades.

Os silicatos como o vidro, requerem temperaturas elevadas para se transformarem em cristais. Estas partículas podem ser encontradas em quantidades limitadas na Via Láctea, em torno de certos tipos de estrelas, como o Sol. Na Terra, estes cristais reluzem na areia das praias, e à noite podem ser observados a colidir, juntamente com outros materiais, na nossa atmosfera na forma de meteoros. Este tipo de cristais, foram também encontrados no interior do cometa Temple 1, com o qual a sonda "Deep Impact" colidiu.

As galáxias revestidas por cristais observadas pelo Spitzer, são bastante diferentes da Via Láctea. Estas galáxias brilhantes e poeirentas, designadas por galáxias infravermelhas ultraluminosas, encontram-se a "nadar" em cristais de silicato. Embora uma pequena fracção destas galáxias não possa ser observada com clareza suficiente para serem caracterizadas, a maioria destas consiste em duas galáxias em espiral no processo de fusão uma com a outra. Os seus núcleos misturados são locais de grande agitação, onde frequentemente são criadas estrelas de grande massa. No centro de algumas destas galáxias ultraluminosas estão buracos negros possuidores de uma enorme quantidade de massa.

De onde vêm então todos os cristais? Os astrónomos acreditam que as estrelas de grande massa, no centro destas galáxias, são as principais "fábricas" destes materiais. Os cristais são provavelmente ejectados pelas estrelas, antes e após estas explodirem como supernovas. No entanto, as partículas provenientes da explosão acabarão por bombardear e converter os delicados cristais de volta a um estado disforme. Pensa-se que todo este processo seja de curta duração.

O espectrógrafo de infravermelhos do Spitzer detectou cristais de silicatos em 21 das 77 galáxias infravermelhas ultraluminosas estudadas. As distâncias destas 21 galáxias estão compreendidas entre os 240 milhões e os 5,9 mil milhões de anos-luz. Espalhadas pelo céu, estas galáxias foram provavelmente detectadas no momento apropriado para se poder observar os cristais. As poeiras silicatadas nas outras 56 galáxias restantes poderão já ter assentado, ou
poderão estar prestes a ser "levantadas".

Fonte:
ASTRONOVAS
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Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa
Tapada da Ajuda, 1349-018 Lisboa