segunda-feira, julho 31, 2006

Sismologia: Pequenos sismos ajudam a prever os grandes

Uma notícia que saiu na Lusa, faz-me pensar no que pode acontecer no nosso cantinho da Terra que gira.

São os desastres naturais, como sismos e actividade vulcânica, que mais interesse despertam. Por certo estará relacionado com o medo, com a capacidade de transformação da paisagem...superior à nossa. O que é certo é que tem sido esta fonte de energia, a verdadeira "empresa de construção" em todo o mundo. Cria montanhas, oceanos...também os apaga, aproxima e afasta continentes. Aquece a Terra, oferece-nos Vida.

Lembro-me muitas vezes de que aconteça o que acontecer com o nosso "descuido" com a natureza, a Terra continuará a girar sobre si mesma, como se nem sequer tivéssemos existido. Nós, que somos o explendor máximo da criação...nem...sequer...existido.

A notícia da Lusa, enviada por I. M.

"Sismologia: Pequenos sismos ajudam a prever os grandes - estudo

Tóquio, 31 Jul (Lusa) - Investigadores japoneses e norte- americanosafirmam estar mais perto de desvendar os segredos da previsão sísmicadepois de terem descoberto uma ligação entre abalos quaseimperceptíveis, a grande profundidade, e terramotos devastadorescapazes de arrasar cidades.

A chave para a descoberta foram os chamados sismos silenciosos, que semovimentam tão lenta e gradualmente que não produzem ondas sísmicas,mas podem provocar abalos violentos ao acumular pressão sobre ascamadas superiores da crosta terrestre.

Este avanço na investigação sísmica resultou de um projecto de trêsanos das universidades de Tóquio e de Stanford (Estados Unidos), queencontrou um meio de fazer com exactidão um mapa dos epicentros dessespré-sismos minúsculos.

O trabalho, divulgado no princípio do mês pela revista Nature, poderácontribuir para melhorar as previsões sísmicas e ajudar a salvarvidas.
"Monitorizar estes sismos silenciosos é importante para prever grandessismos mais tarde", sublinhou Sho Nakamula, da Universidade de Tóquio.

Os sismos silenciosos só foram descobertos recentemente e, até agora,os cientistas tinham dificuldade em localizar o seu hipocentro (focono interior da Terra a partir do qual se considera iniciada apropagação da energia libertada por um sismo) e determinar comexactidão o mecanismo que os provoca.

O novo estudo assinala em pormenor a ligação entre os sismossilenciosos e outro tipo de abalos de profundidade, os tremores deterra de baixa frequência, que podem chegar a durar duas horas.

Ao monitorizar estes sismos de baixa frequência, os cientistas podem
concentrar pressão e onde é provável que ocorram grandes terramotos,com importantes consequências para as zonas de grande activida desísmica.


A investigação representa um progresso na previsão de grandes sismospor localizar exactamente a origem dos abalos de baixa frequência edos silenciosos, considerou Kazushige Obara, do Instituto Nacionalsobre Ciência da Terra e Prevenção de Desastres, que não participou noestudo mas descobriu em 2002 a existência dos sismos de baixa frequência.
"Todavia, não mostra ainda a relação exacta entre os tremores lentos eos grandes sismos", afirmou.

Duas das áreas estudadas neste projecto foram o sinclinal (a partecôncava de uma dobra da crosta terrestre) de Nankai, ao largo da costado Pacífico da ilha japonesa de Shikpku e a plataforma subaquática aolargo da costa pacífica dos estados norte-americanos de Washington e Oregon.
A região de Nankai é abalada uma vez por século por gigantescossismos, o último dos quais ocorreu em 1946 e causou cerca de 1.400mortos.
O noroeste do Pacífico é outra área crítica onde no último século seregistaram vários sismos de magnitude 7 e mais fortes e se estima queocorra um terramoto de magnitude 9, com maremoto, num intervalo de 400a 600 anos. O último com essa força data de 1700.

Este projecto trans-Pacífico, iniciado em 2002, foi dirigido pelosgeocientistas Greg Beroza e David Shelly, da Universidade de Stanford,e Satoshi Ide, da Universidade de Tóquio."

CM. Lusa

quarta-feira, julho 19, 2006

Brian Greene. O novo Carl Sagan...

Brian Greene, o mais célebre cosmólogo da atcualidade, defende a teoria das supercordas, que resume o Universo numa única equação.

ÂNGELA PIMENTA, de Nova York

Há 20 anos que um punhado de físicos se dedica a elaborar uma teoria que explique, numa única equação, o funcionamento das galáxias, a natureza e o comportamento das mais ínfimas partículas do Universo. Tal achado materializaria o mais caro sonho de Albert Einstein: a unificação da teoria geral da relatividade, que trata de grandes dimensões espaciais, com a mecânica quântica, que tenta compreender o que se passa no coração das subpartículas atómicas.
Até recentemente, o debate sobre tal hipótese - a teoria das supercordas - restringia-se a herméticos congressos astronómicos e publicações académicas. Mas eis que, nos últimos cinco anos, Brian Greene, um físico americano com uma ar juvenil, notável currículo académico e talento para traduzir conceitos sofisticados em metáforas cotidianas, tem conseguido electrizar o grande público.
Em 1999, ele publicou o seu primeiro best-seller, O Universo Elegante. Traduzido para 26 línguas, o livro que disseca a teoria das supercordas foi transformado no ano passado em documetário pelo canal educativo americano PBS. Recentemente, Greene lançou O Tecido do Cosmos, que trata de noções de espaço e tempo. Graças a seu sucesso popular, o físico vem sendo comparado ao cosmologista britânico Stephen Hawking, autor de Uma Breve História do Tempo, e ao americano Carl Sagan (1934-1996), consagrado nos anos 80 pela série de TV Cosmos.
Doutor em Física pela Universidade de Oxford, Greene leciona em Colúmbia, Nova York, onde também dirige um instituto dedicado a estudos cosmológicos.

Michael Faraday

Michael Faraday nasceu em Newington, Surrey, em 22 de setembro de 1791, e morreu em Hampton Court em 25 de agosto de 186. Faraday foi químico, filósofo e estudioso de eletricidade, sendo nesse campo em que se destacou mais e ficou conhecido mundialmente.
Faraday foi oriundo de uma família pobre e seu pai era ferreiro. Quando sua família emigrou para Londres, Faraday empregou-se com sr. Ribeau, um encadernador e comerciante de livros, e aí que ele começou seus métodos autodidatas.
Em 1812, Faraday foi convidado para assistir a quatro conferências de sir Humphry Davy, um importante químico inglês e presidente da Royal Society entre 1820 e 1827. Faraday tomou notas dessas conferências e, mais tarde, redigiu-as em formato mais completo. Ele foi então encorajado a enviar suas notas a sir H. Davy, que recebeu-as favoravelmente.
Em 1813, foi nomeado ajudante de laboratório da Royal Institution por recomendação de sir H. Davy. Recebeu a nomeção para diretor do laboratório em fevereiro de 1825 e, em 1833, tornou-se titular da cátedra Fullerton de química na Royal Institution.
Faraday teve importância na química como descobridor de dois cloretos de carbono, investigador de ligas de aço e produtor de vários tipos novos de vidros. Um desses vidros tornou-se historicamente importante por ser a substância em que Faraday identificou a rotação do plano de polarização da luz quando era colocado num campo magnético e também por ser a primeira substância a ser repelida pelos pólos de um ímã.
Porém, suas descobertas no campo da eletricidade ofuscaram quase que por completo sua carreira química. Entre elas a mais importante é a indução electromagnética.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Deriva Continental

A ideia da deriva continental foi proposta pela primeira vez por Alfred Wegener. Em 1912, ele propôs a teoria, com base nas formas dos continentes de cada lado do Oceano Atlântico, que pareciam se encaixar.
Muito tempo antes de Wegener, outros cientistas notaram este fato. A ideia da deriva continental surgiu pela primeira vez no final do século XVI, com o trabalho do holandês Abraham Ortelius que era um criador de mapas. No seu trabalho de 1596, Thesaurus Geographicus, Ortelius sugeriu que os continentes estariam estado juntos no passado. A sua sugestão teve origem apenas na similaridade geométrica das costas actuais da Europa e África com as costas da América do Norte e do Sul; mesmo para os mapas relativamente imperfeitos da época, ficava evidente que havia um bom encaixe entre os continentes. A ideia evidentemente não passou de uma curiosidade que não produziu consequências.
Outro geógrafo, Antonio Snider-Pellegrini utilizou o mesmo método de Ortelius para desenhar o seu mapa com os continentes encaixados em 1858. Como nenhuma prova adicional fosse apresentada, além da consideração geométrica, a ideia foi novamente esquecida.
A similaridade entre os fósseis encontrados em diferentes continentes, bem como entre formações geológicas, levou alguns geólogos do hemisfério Sul a acreditar que todos os continentes já estiveram unidos, na forma de um supercontinente que recebeu o nome de Pangeia.
A hipótese da deriva continental tornou-se parte de uma teoria maior, a teoria das placas tectónicas. Este artigo trata do desenvolvimento da teoria da deriva continental antes de 1950.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Tectónica de Placas

Tectónica de placas (do grego τεκτονικός relativo à construção) é uma teoria da geologia, desenvolvida para explicar o fenómeno da deriva continental, sendo a teoria actualmente com maior aceitação entre os cientistas que trabalham nesta área. Na teoria da tectónica de placas a parte mais exterior da Terra está composta de duas camadas: a litosfera que inclui a crusta e a zona solidificada na parte mais externa do manto. Sob a litosfera encontra-se a astenosfera que inclui a parte mais interior e viscosa do manto. Numa escala temporal de milhões de anos, o manto parece comportar-se como um líquido super-aquecido e extremamente viscoso, mas em resposta a forças repentinas, como os terramotos, comporta-se como um sólido rígido.

As placas tectónicas da Terra foram cartografadas na segunda metade do século XX
Basicamente, a litosfera flutua sobre a astenosfera, e encontra-se partida em pedaços que se designam por placas tectónicas. Abaixo listam-se as principais placas tectónicas:
Placa Africana
Placa da Antártida
Placa Euroasiática
Placa Norte-americana
Placa Sul-americana
Placa do Pacífico
Placa Australiana
Existem ainda várias e mais numerosas placas menores.

A teoria da tectónica de placas surgiu a partir da observação de dois fenómenos geológicos distintos: a deriva continental, identificada no início do século XX e a expansão dos fundos oceânicos, detectada pela primeira vez na década de 1960. A teoria propriamente dita foi desenvolvida no final dos anos 60 e desde então tem sido universalmente aceite pelos cientistas, tendo revolucionado as Ciências da Terra (comparável no seu alcance com o desenvolvimento da tabela periódica na Química, a descoberta do código genético na Biologia ou à mecânica quântica na Física).

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, julho 13, 2006

Por sugestão de um habitual visitante, aqui ficam dois livros de cabeceira:

"Sobre a Terra"
...é um livro de Ricardo Garcia, jornalista ambiental.
Como diz na capa, óptimo para quem lê e escreve sobre ambiente. É, de facto, urgente saber como escrever sobre ambiente, para que estes temas não caiam no esquecimento de uns "iluminados".

"Breve História de Quase Tudo" - Bill Bryson
Este é daqueles livro de consulta, do género almanaque da história. "Deixa-me abrir o livro e descobrir mais um pouco sobre uma época da evolução da ciência.." é o que apetece fazer às vezes.
Um dos pontos fortes do livro é existirem duas histórias de quase tudo. Uma, que já referi, a evolução da ciência. A outra, e que acompanha a anteior de uma forma quase inperceptível, é a evolução do universo, do sistema solar, da Terra...
Mais um jornalista...

sexta-feira, junho 09, 2006

Gas Hydrates (Hidratos de Metano)

No passado mês tive o previlégio de estar a bordo de um navio de investigação onde foi recolhido Hidratos de Metano (Gas Hydrates), em águas portuguesas. Deixo aqui algumas imagens e informações para os mais curiosos.


Gas Hydrates recovered in the Gulf of Cadiz in June 2006, during the TTR16 research cruise.
This samples were colected in a deep sea mud volcano.


WHY DO I LIKE GAS HYDRATES?
Because they are beautiful...
Because they look like diamonds in rock...
Because they make even pure alcohol soft and pleasant...
Because they are the last hope of humanity as pure energy source in the near future...
Because they are mistic and unknown...
BECAUSE!!!
(by VYakusshev)

Ice that burns!



Most loud of them are:

- natural hydrates containt several times more hydrocarbons than all oil and gas fields discovered as well as undiscovered;

- marine hydrate-containing sediments are the source of new unknown living things like "ice worms";

- marine hydrates can be the reason of ships and planes disappearance in the "Bermuda triangle";

- hydrates can cause catastrophic global warming;

- hydrate-containing sediments are real threat for deep sea constructions and communications


Structure of Gas Hydrates

What is Gas Hydrate?
Gas Hydrate is an ice-like crystalline solid formed from a mixture of water and natural gas, usually methane. They occur in the pore spaces of sediments, and may form cements, nodes or layers.


Where is Gas Hydrate found?
Gas Hydrate is found in sub-oceanic sediments in the polar regions (shallow water) and in continental slope sediments (deep water), where pressure and temperature conditions combine to make it stable.


Why is it important to study Gas Hydrate?
Natural Gas Hydrate contains highly concentrated methane, which is important both as an energy resource and as a factor in global climate change.

Um fim do dia no Golfo de Cadiz...

terça-feira, junho 06, 2006

O que "gira" à volta da Terra

É bom quando somos surpreendidos assim. Longe estava eu de imaginar que em pleno interior ribatejano, iria encontrar um parque temático da Ciência Viva, dedicado à Astronomia, tão bem desenvolvido e projectado.


O parque fica bem perto de Constância. Tem exposições diárias, com cinco módulos, bem como um observatório astronómico e um planetário. Aconselhado aos amantes, aos curiosos e aos aprendizes do universo que "gira" à volta da Terra.















Horário:
Segunda | Descanso Semanal
Terça e Quarta | 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00
Quinta | 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00 | 21h00 às 23h00
Sexta | 10h00 às 13h00 - 14h30 às 18h00 | 21h00 às 23h00*
Sábado | 15h00 às 19h00 | 21h00 às 23h00
Domingo e Feriados | 15h00 às 20h00
* (Só na primeira Sexta-Feira de cada mês)


Centro de Ciência Viva de Constância

domingo, maio 14, 2006

E agora?

Ao princípio junta-se o útil ao agradável. A necessidade de oferta com a ciência da procura.
As casas cobrem-se de rochas ornamentais, as estradas ganham quilómetros e alguns bolsos enchem-se de dinheiro. Abrem-se buracos, rasgam-se serras, sempre com a intenção de explorar os recursos e equilibrar a economia. O pior é quando os buracos se somam, as serras desaparecem e a economia não ajuda.

Estremoz, 2006

Estremoz, 2006


E agora?


Lanço um desafio...

Que fazer às pedreiras abandonadas ou em fim de exploração?
Que reabilitação poderão ter?

sábado, maio 06, 2006

Antropologia Pós-Moderna Portuguesa

"Daniel Kaufmann, director do Instituto do Banco Mundial, fez cálculos e concluiu que Portugal podia ter o nível de desenvolvimento da Finlândia, se melhorasse o seu índice de controlo de corrupção que, numa escala de 0 a 100, se situava, em 2004, nos 86,7 pontos."

"(...) a incidência nas autarquias é brutal e representa quase metade (42%) da corrupção investigada pela PJ (...)" (Francisco Galope, in Visão)

A concentração dos poderes executivos nos autarcas facilita em muito o tráfico de influências, nomeadamente entre os perversos meios do futebol e construção.

E nós, alegres ignorantes, ficamos a ver esses senhores, "chicos espertos", que mais se parecem com nojentas ratazanas de esgoto, a esbodegar o mundo em que vivemos.

quarta-feira, maio 03, 2006

VISÃO PANORÂMICA DO UNIVERSO

Um novo mapa do Universo confirma resultados anteriores, incluindo a existência de matéria escura e energia escura.

Uma equipa internacional de astrónomos anunciou que criou um mapa de uma profundidade de 2 mil milhões de anos-luz que revela a constituição mais precisa do Universo até à data. Retirando informação do levantamento Sloan Digital Sky Survey (SDSS), os astrónomos realizaram medições precisas da distribuição em larga escala dos agregados de galáxias e da matéria escura associada. Ao representarem as posições tridimensionais de 205 443 galáxias dispersas por cerca de 6% do céu, este grupo de astrónomos obteve a visão mais apurada do traçado de agrupamento gravitacional entre galáxias.

Enquanto numa escala de milhões de anos-luz, surge uma distribuição heterogenea, já numa escala mais ampla (larga escala) surge uma imagem do Universo mais uniforme.

Os resultados foram publicados no Astrophysical Journal e no Physical Review em dois artigos separados, e os autores fixaram a constituição do Universo em 70% energia escura, 25% matéria escura e apenas 5% matéria comum composta por átomos.

ASTRONOVAS

UM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO NUCLEO DE UMA PEQUENA GALAXIA

Nas últimas semanas, os astronómos descobriram um buraco negro supermassivo (de massa muito elevada)no núcleo de uma pequena galáxia espiral. Esta descoberta revela que afinal mesmo as galáxias sem núcleos bojudos podem possuir este tipo de buracos negros.

- Que galáxia foi estudada?

A galáxia estudada foi a NGC4395, que se encontra a cerca de 11 milhões de anos-luz e que é visível no hemisfério norte, na direcção da constelação "Cannes Venatici". Esta galáxia é uma galáxia "achatada", aparentando não possuir qualquer bojo central. Contudo, possui, no seu centro, um buraco negro cuja massa é cerca de 10000 a 100000 de vezes superior à massa do nossso Sol. Esta descoberta sugere que outras galáxias semelhantes, isto é, outras galáxias "achatadas", ao contrário do que até agora se pensava, podem possuir um buraco negro supermassivo no seu centro.

- Mas que tipo de buraco negro é este?

Tipicamente, os buracos negros supermassivos possuem uma massa que é milhões ou biliões de vezes superior à massa do Sol, sendo que este tipo de buracos negros são milhões de vezes mais massivos do que aqueles que resultam do colapso gravitacional dos núcleos de estrelas muito massivas. No entanto, este buraco negro situado na galáxia NGC4395, apesar de supermassivo, é o mais pequeno até agora encontrado no centro duma galáxia, o que seria consistente com o facto da galáxia possuir apenas um pequeno bojo. Mas, na realidade, este bojo não aparenta ser pequeno, mas sim inexistente, o que torna esta descoberta algo "estranha".

- Como foi feita a descoberta?

Esta galáxia é há muito conhecida por emitir quantidades significativas de radiação do seu núcleo, incluindo radiação visível e raios X. Este facto é um sinal da presença de um buraco negro central e gigante e que se encontra a sugar matéria de modo a criar um disco de acrecção rotativo e bastante quente. No entanto, até agora, tal buraco negro não havia ainda sido descoberto. Os cientistas usaram, então, o telescópio de 10 metros Keck I situado no Hawai e o telescópio de raios X ASCA para encontrarem este buraco negro massivo mas que, mesmo assim, fica bastante aquém de outros buracos negros supermassivos já descobertos.

-Que técnicas foram utilizadas para a determinação da sua massa?

A técnica usada para estimar a massa do buraco negro foi a técnica de dispersão de velocidades.Esta técnica baseia-se na medição da velocidade média das estrelas que orbitam o buraco negro central. Embora esta teoria tenha sido prevista na década de 90, só em 2000 veio a confirmação da estreita relação entre a dispersão das velocidades e a massa dum buraco negro supermassivo. Até aí pensava-se que essa correlação só se verificava para buracos negros com milhões ou biliões de massas solares. No entanto, a utilização desta técnica na galáxia NGC4395 provou que também é válida para galáxias com 66000 massas solares, ou seja, a relação entre a massa do buraco negro e a dispersão das velocidades verifica-se mesmo nas escalas de aglomerados de estrelas que contenham um buraco negro central relativamente leve.

-Que conclusões se podem tirar?

A galáxia NGC4395 pode, assim, representar um passo na evolução de buracos negros supermassivos, em galáxias nas quais um bojo se desenvolve à medida que o buraco negro cresce. Refira-se ainda que as medições da dispersão de velocidades foram efectuadas em aglomerados de estrelas perto do buraco negro, ou seja, isso é uma indicação de que um dia um bojo poderá aí vir a formar-se.

ASTRONOVAS

terça-feira, maio 02, 2006

UMA ESTRELA DE NEUTRÕES INTRIGANTE

Com o auxílio de dados obtidos pelo telescópio espacial XMM-Newton, da ESA, uma equipa internacional de astrofísicos "descobriu" uma estrela de neutrões que aparenta não ser o objecto de rotação estável que os cientistas acreditavam ser.

As estrelas de neutrões em rotação, também conhecidas por pulsares, são geralmente objectos com uma rotação estável e periódica.

Devido à periodicidade dos sinais que emitem, quer nos comprimentos de onda do rádio ou nos raios-x, estes objectos são "usados" como "relógios" astronómicos muito precisos. Os cientistas descobriram que nos últimos quatro anos e meio a temperatura de um destes objectos enigmáticos, designado por RX J0720.4-3125, tem vindo a subir. No entanto, observações recentes mostraram que esta tendência foi revertida ea gora a temperatura está a descer.

De acordo com a equipa este efeito não édevido a uma variação real da temperatura, mas sim à forma como vemos o objecto.Acredita-se que esta estrela de neutrões se encontra em "precessão", ou seja oseu eixo de rotação move-se lentamente, fazendo com que ao longo do tempodiferentes partes da sua superfície sejam observadas por um observador na Terra.

Para ver uma imagem da estrela de neutrões RX J0720.4-3125, consulte:http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/neutr.jpg

As estrelas de neutrões são um dos finais possíveis da evolução de uma estrela. Com uma massa comparável à do Sol, confinada numa esfera com 20-40 quilómetros de diâmetro, a sua densidade é maior que a densidade de um núcleo atómico – mil milhões de toneladas por centímetro cúbico. Logo após o seu nascimento, originado apartir de uma explosão de supernova, a sua temperatura é de aproximadamente um milhão de graus Celsius e a maioria da sua emissão térmica é emitida na gama dos raios-x. Estrelas de neutrões jovens e isoladas arrefecem muito lentamente, levando cerca de um milhão de anos até se tornarem demasiado frias para que se possam observar nos raios-x.

As estrelas de neutrões são conhecidas por possuirem um campo magnético muito forte, tipicamente vários biliões de vezes mais forte que o da Terra. O campo magnético pode ser tão forte que influencia o transporte de calor do interior da estrela para a crosta, originando pontos quentes em torno dos pólos magnéticos na superfície da estrela.É a emissão destes pontos quentes que domina o espectro de raios-x.

Existem poucas estrelas de neutrões isoladas conhecidas a partir das quaispodemos observar directamente a emissão térmica proveniente da superfície. Uma destas estrelas é a RX J0720.4-3125, que possui um período de rotação de aproximadamente 8,5 segundos.

Devido ao facto de o período de arrefecimento de uma estrela de neutrões sermuito grande era portanto muito inesperado poder observar o espectro de raios-x variar em apenas um par de anos. É muito pouco provável que a temperatura global da estrela de neutrões variasse tão rápidamente. Na realidade, foram observadas diferentes áreas da superfície da estrela em momentos diferentes. Isto também é observado durante o período de rotação da estrela quando os pontos quentes se movem entrando e saindo da nossa linha de visão, fazendo com que a sua contribuição para a emissão total da estrela varie.

Durante as primeiras observações realizadas pelo XMM à estrela RX J0720.4-3125, em Maio de 2000, a temperatura observada encontrava-se num mínimo, e um ponto quente mais frio era predominantemente visivel. Ao fim de 4 anos, a precessão da estrela trouxe para o noso campo de visão um segundo ponto quente, com uma temperatura mais elevada que o primeiro, o que fez com que a temperatura observada aumentasse. Isto provavelmnete explica as variações de temperatura e de emissão observadas.

A equipa desenvolveu um modelo que explica muitas das características peculiares da RX J0720.4-3125. Neste modelo, a variação de temperatura é produzida pelas diferentes fracções de dois "pontos quentes" nos pólos da estrela, que entram no nosso campo de visão à medida que a estrela precessa, com um período de cerca de 7-8 anos. Para este modelo funcionar, as duas regiões polares emissoras têm de possuir temperaturas e tamanhos diferentes.

Observações adicionais serão realizadas com o XMM-newton para monotorizar este objecto intrigante. Espera-se aprender mais acerca da evolução térmica e da geometria do campo magnético desta estrela em particular, e ainda acerca da estrutura interior das estrelas de neutrões em geral.

ASTRONOVAS

sexta-feira, março 17, 2006

"Super Terra" a 9.000 anos-luz (por LUSA)

Uma equipa de astrónomos de vários países descobriu uma "Super Terra" fora do nosso sistema solar, a 9.000 anos-luz, indica um artigo hoje publicado por uma revista norte- americana de astronomia.

O planeta, formado por rochas e materiais semelhantes aos da Terra, pesa 13 vezes mais e tem uma temperatura média de 200 graus centígrados abaixo de zero, o que o converte num dos locais mais frios descobertos até agora fora do Sistema Solar.

Segundo a Astrophysical Journal Letters, este corpo celeste tem a massa de Neptuno e gira em volta de uma estrela duas vezes maior do que o Sol.

Os astrónomos detectaram o planeta no ano passado graças a um sistema chamado OGLE (acrónimo em inglês para Experiência de Lente Óptica Gravitacional), que analisa mudanças na luz vinda de estrelas distantes.

O método aplica-se quando uma estrela passa em frente de outro corpo celeste e a enorme força gravitacional actua como uma lente, aumentando a luz da estrela mais distante.

Observada a partir da Terra, a estrela que está atrás dessa luz parece maior e vai desaparecendo à medida que o outro corpo se afasta dela.

Segundo Andrew Gould, director do projecto, esta é a primeira vez que se detecta una estrela semelhante, porque os investigadores não tinham "os meios de a encontrar".

Por outro lado, o cientista assinalou que este tipo de "super Terras" geladas são bastante comuns, já que existem nas órbitas de "cerca de 35 por cento das estrelas", indicou.

Nos últimos anos, os astrónomos descobriram cerca de 170 planetas extra-solares, a maior parte dos quais gigantes gasosos como Júpiter.


agência LUSA
enviado por I. M.

quarta-feira, março 01, 2006

UM MAR DE VIDRO EM GALÁXIAS EM COLISÃO

Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, uma equipa de astrónomos observou uma população rara de galáxias em colisão cujos corações emaranhados, estão envoltos por pequenos cristais que se assemelham a pedaços de vidro.

Estes cristais são compostos essencialmente por silicatos (areia), grãos que se formaram de forma semelhante ao vidro, provavelmente no equivalente estelar das fornalhas. Esta é a primeira vez que cristais de silicato foram detectados numa outra galáxia que não a nossa.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir cristais pequenos e delicados no centro de um dos locais mais violentos do Universo. Os cristais com estas características são geralmente facilmente destruidos. Mas neste caso, estão provavelmente a ser criados por estrelas moribundas, de grande massa, a um ritmo maior do que aquele a que se dá a sua destruição.

Esta descoberta ajudará os astrónomos a compreender melhor a evolução das galáxias, incluindo a Via Láctea, que daqui a uns milhares de milhões de anos se fundirá com a sua vizinha Andrómeda.

A equipa de astrónomos diz que é como se uma enorme tempestade de areia estivesse a ocorrer no centro de galáxias em colisão. Os silicatos envolvem os núcleos das galáxias na forma de "cobertores" gigantes de vidro poeirento. O que presenciamos é análogo à colisão de duas carrinhas cheias de farinha. Quando isto acontece, uma nuvem de poeira branca é temporáriamente levantada. O Spitzer detectou uma nuvem temporária de silicatos cristalizados, criada aquando da colisão entre duas galáxias.

Para ver uma concepção artística da região atribulada do núcleo de duas galáxias em colisão com os cristais espalhados através deste, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/cristais.jpg

Podemos observar a verde os cristais de silicato. As regiões a branco representam uma população vigorosa de estrelas de todos os tamanhos e idades.

Os silicatos como o vidro, requerem temperaturas elevadas para se transformarem em cristais. Estas partículas podem ser encontradas em quantidades limitadas na Via Láctea, em torno de certos tipos de estrelas, como o Sol. Na Terra, estes cristais reluzem na areia das praias, e à noite podem ser observados a colidir, juntamente com outros materiais, na nossa atmosfera na forma de meteoros. Este tipo de cristais, foram também encontrados no interior do cometa Temple 1, com o qual a sonda "Deep Impact" colidiu.

As galáxias revestidas por cristais observadas pelo Spitzer, são bastante diferentes da Via Láctea. Estas galáxias brilhantes e poeirentas, designadas por galáxias infravermelhas ultraluminosas, encontram-se a "nadar" em cristais de silicato. Embora uma pequena fracção destas galáxias não possa ser observada com clareza suficiente para serem caracterizadas, a maioria destas consiste em duas galáxias em espiral no processo de fusão uma com a outra. Os seus núcleos misturados são locais de grande agitação, onde frequentemente são criadas estrelas de grande massa. No centro de algumas destas galáxias ultraluminosas estão buracos negros possuidores de uma enorme quantidade de massa.

De onde vêm então todos os cristais? Os astrónomos acreditam que as estrelas de grande massa, no centro destas galáxias, são as principais "fábricas" destes materiais. Os cristais são provavelmente ejectados pelas estrelas, antes e após estas explodirem como supernovas. No entanto, as partículas provenientes da explosão acabarão por bombardear e converter os delicados cristais de volta a um estado disforme. Pensa-se que todo este processo seja de curta duração.

O espectrógrafo de infravermelhos do Spitzer detectou cristais de silicatos em 21 das 77 galáxias infravermelhas ultraluminosas estudadas. As distâncias destas 21 galáxias estão compreendidas entre os 240 milhões e os 5,9 mil milhões de anos-luz. Espalhadas pelo céu, estas galáxias foram provavelmente detectadas no momento apropriado para se poder observar os cristais. As poeiras silicatadas nas outras 56 galáxias restantes poderão já ter assentado, ou
poderão estar prestes a ser "levantadas".

Fonte:
ASTRONOVAS
Lista de distribuição de notícias de Astronomia em Português
Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa
Tapada da Ajuda, 1349-018 Lisboa

sábado, fevereiro 11, 2006

Preservar vs Divulgar

Somos muitas vezes confrontados com esta escolha. Uma parte de nós leva-nos a querer partilhar os achados, os lugares intocados, mas por outro lado, desconfiados por natureza, reservamos esses direitos apenas para uns "predestinados".
Confesso-me incapaz, ainda, de saber definir as fronteiras entre a protecção e a divulgação. Penso ser essencial o envolvimento da população para a preservação do mundo natural. No entanto, como fazê-lo sem invadir esses espaços? Como incentivar uma povoação a participar numa escavação paleontológica sem que os trabalhos sejam "perturbados"? Qual é, nestes casos, o papel da divulgação?
A divulgação do património terá sempre os seus custos. Teremos de correr alguns riscos no início, principalmente porque este início já vem tarde. Urge conquistar a sociedade civil para os projectos de investigação, para o crescimento cultural e ambiental.

Monumento Natural das Pegadas de dinossáurios da Serra de Aire

cadaval, 2006

golfinhos do Sado


lince ibérico

lobo ibérico

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Pulsares

No passado fim-de-semana vi um programa acerca de “Pulsares” e fiquei fascinado. Estes objectos são espectaculares e desafiam a imaginação de qualquer curioso. Os pulsares foram descobertos acidentalmente em 1967 por Joselyn Bell, durante os seus trabalhos de doutoramento sobre o meio interestelar. Joselyn identificou sinais de rádio emitidos em pulsos extremamente regulares, como se originados por um relógio. O sinal repetia-se em cada 1.3 segundos. A primeira hipótese para explicação deste estranho fenómeno foi que existia problemas nos instrumentos, e a segunda foi que estes sinais estariam a ser emitidos por civilizações extraterrestres.

Após estas hipótese terem sido descartadas, percebeu-se que estes sinais provinham de objectos estelares bastante pequenos, menores que a distância entre a Terra e a Lua, e que a regularidade dos pulsos só poderia ter origem na vibração ou rotação destes objectos. No ano seguinte foi descoberto um segundo pulsar, na nebulosa de Caranguejo, com um período de somente 33 milésimos de segundo. Isto indicava a rotação de um objecto de menos de 150 quilómetros de diâmetro (o Sol tem 1.400.000 quilómetros de diâmetro). Como poderia um objecto tão pequeno ser observado a tal distância? Fowler em 1926 sugeriu a possível existência de estrelas super densas, e Landau em 1932 sugeriu um modelo de como poderia ser a sua estrutura; Zwicky em 1934 previu que, ao explodir uma super nova, o núcleo da estrela poderia comprimir-se e formar uma estrela deste tipo. Em 1939, Robert Oppenheimer, calculou em detalhe a estrutura de estrelas super densas “hipotéticas”, formadas por neutrões praticamente em contacto. Desde há 25 anos sabe-se que os pulsares são de facto estrelas de neutrões e que giram muito rapidamente sobre o seu eixo. Os modelos de numéricos demonstram que estes têm uma massa 40% superior à do Sol contida num diâmetro de apenas 20 quilómetros. Isto significa que um cubo de um centímetro de lado desta matéria pesa 100 milhões de toneladas. As estrelas de neutrões estão no limite da densidade que pode ter a matéria: o passo seguinte é um buraco negro.

Desde o descoberta do primeiro pulsar foram identificados cerca de 600 destes objectos. Os pulsares são laboratórios astrofísicos inigualáveis já que:

  • A sua densidade é comparável à do núcleo dos átomos, irreproduzível na Terra. A sua densidade origina campos gravíticos superados apenas pelos buracos negros, porém mais fáceis de serem medidos.
  • O mais rápido dos pulsares dá 600 voltas sobre seu eixo num segundo. Por tanto, sua superfície roda a 36.000 quilómetros por segundo!
  • As estrelas de neutrões têm os campos magnéticos mais intensos que se conhecem no Universo, milhões de vezes mais fortes que os produzidos em qualquer laboratório terrestre.
  • Nalguns casos a regularidade das suas pulsações é igual ou superior à precisão dos relógios atómicos - os melhores que temos na Terra. Existem propostas para empregar alguns pulsares como padrões para medição de tempo.

É incrível pensar como um objecto com uma dimensão superior à da Terra pode rodar várias centenas de vezes por segundo.

Texto adaptado de Carlos Bertulani.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Será mais fácil de perceber assim?


...e se as mudanças nos começassem a afectar a nós? Incomodariam? Mudaríamos de atitude?

imagem enviada por Inês Mateus

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

domingo, janeiro 29, 2006

Cientistas descobrem planeta parecido com a Terra

Uma equipa de cientistas de vários países descobriu um planeta semelhante à Terra a cerca de 20 mil anos-luz, um avanço importante na procura de vida extraterrestre, anunciaram hoje peritos da Universidade de St. Andrews (Escócia).
Situado perto do centro da via láctea, o planeta tem uma atmosfera muito parecida com a da Terra, embora seja muito frio.
Com esta descoberta, resultante de um projecto internacional em que participaram 73 cientistas de doze países, os investigadores estão mais confiantes que haja outros planetas similares.
Um professor da Universidade de St. Andrews que participou nestes estud os, Keith Horne, afirmou hoje que o próximo objectivo é encontrar outros parecidos com a Terra, para determinar se abundam ou não planetas habitáveis. «Se abundarem, o próximo passo será a procura de vida nesses planetas», afirmou o cientista.
Este novo achado, baptizado com o nome «OGLE-2005-BLG-390Lb», tem uma massa cinco vezes maior do que a da Terra e orbita à volta de uma estrela cinco vezes menor do que o Sol.
A sua atmosfera é idêntica à da Terra e os especialistas acreditam que existe uma superfície rochosa por baixo de oceanos congelados.
«Embora não tenhamos encontrado um verdadeiramente análogo à Terra, pelo menos sabemos que planetas pequenos existem e que são mais quentes ou mais frios do que a Terra», explicou Martin Dominik, também da Universidade de St. Andrews.
O planeta foi localizado com a ajuda de uma tecnologia conhecida como «microlente gravitacional», um método que utiliza o fundo estelar como uma espécie de lente de aumentar para ajudar a detectar estrelas distantes e seus planetas .
O outro planeta parecido com a Terra e que está mais perto é «GJ 876», que tem 7,5 vezes mais massa do que a Terra, mas demasiado quente para ter vida.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mozart .o Matemático!


De acordo com a irmã, quando era aluno, Mozart "só falava e só pensava em números"! Além disso, nas margens de algumas das suas composições encontramos equações matemáticas, onde calculava as probabilidades de ganhar a lotaria!
As raízes da matemática e da música são muito próximas, dadas as suas propriedades de ordem, harmonia, combinações. A música brilhante de Mozart tanto pode ser fruto do seu génio musical, como resultado de equações matemáticas.
Na exposição Matemática Viva, patente no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, o módulo Jogo de Dados de Mozart ilustra, de uma maneira interactiva, a influência do génio musical e da matemática na obra do compositor. Reza a história que Mozart era preguiçoso e muitas vezes, quando lhe era encomendada uma peça, não estava com vontade de trabalhar. Assim, produziu uma série de compassos e colocou-os numa tabela com dezasseis colunas e 11 linhas. Com base nisso, construiu um método de composição que exigia apenas dois dados. Ao lançar os dados, escolhia aleatoriamente um compasso. O número de diferentes melodias que se podem obter por este processo é de 42 seguido de 34 zeros!
O que significa que, se vier ao Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva experimentar o Jogo dos Dados de Mozart, muito provavelmente irá obter uma composição musical inédita da autoria de Mozart. De facto, se um visitante experimentasse este jogo uma vez por minuto, sem nunca parar e obtendo sempre combinações diferentes, demoraria muitos milhares de anos até esgotar todas as possibilidades.
Neste Ano Mozart, venha à uma exposição de Matemática no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva ouvir uma música inédita de Mozart.
Fonte: Pavilhão do Conhecimento
Para mais informações:
Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva
Tel. 218 917 100
Email: info@pavconhecimento.pt

terça-feira, janeiro 24, 2006

Comics 2

comics 1

Scientists say they have witnessed the possible birth of a future ocean

Scientists say they have witnessed the possible birth of a future ocean basin growing in north-eastern Ethiopia. The team watched an 8m rift develop in the ground in just three weeks in the Afar desert region last September. It is one small step in a long-term split that is tearing the east of the country from the rest of Africa and should eventually create a huge sea. The UK-Ethiopian group says it was astonished at the speed with which the 60km-long fissure system developed. «It's the first large event we've seen like this in a rift zone since the advent of some of the space-based techniques we're now using, and which give us a resolution and a detail to see what's really going on and how the earth processes work; it's amazing,» said Cindy Ebinger, from Royal Holloway University of London. Professor Ebinger and colleagues described the event here at the American Geophysical Union Fall Meeting.
«About a week into the sequence, there was a volcanic eruption,» explained Dr Ebinger. «A lot of ash was thrown up in the air, and a lot of cracks appeared in the ground; some of which were more than a metre wide. «Using satellite techniques we can see ground deformation, and about a month after the sequence, we could see a 60km long section had opened up, and it opened up about 8m in its central part. «It appears that we've seen the birth of an ocean basin.» The movements of September are only a small part of what would be needed to create a whole ocean - the complete process takes millions of years - and in other regions of the planet, ocean development has been started only to stall at a later time. But the Afar event has given geologists a unique opportunity to study the rupture process at close quarters.
By Roland Pease, BBC science unit, San Francisco

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Boas novas do Vaticano!

Este fim-de-semana o meu pai, numa das nossas eternas conversas acerca do mundo, informou-me de algo que me espantou profundamente. Saiu no jornal Público do dia 21 de Janeiro de 2006, um artigo acerca de um facto que considero histórico. Neste pode-se ler: “A concepção inteligente do mundo – que coloca em causa a teoria de Darwin – não é ciência e, por isso, não deve ser ensinada nas escolas, a par do evolucionismo. O argumento, defendido por muitos cientistas, aparece agora onde menos se esperava: no L’Osservatore Romano – o jornal oficial do Vaticano” (*). O artigo foi publicado na passada terça-feira no jornal romano, assinado pelo padre Fiorenzo Facchini. A concepção inteligente é uma teoria muito semelhante à do criacionismo, defendendo que o aparecimento da vida na Terra requer a existência de uma inteligência superior. “O que a Igreja Católica insiste, esclarece Fiorenzo Facchini, é que a emergência do ser humano supõe um acto de Deus e que a vertente espiritual não pode ser vista como um mero produto do processo da evolução natural. Mas este salto ontológico não tem que colidir com a visão darwinista.”(*) “Se o modelo de Darwin parecer inadequado, deve procurar-se outro, mas não é correcto entrar num ramo da ciência fingindo-se fazer ciência. (…) A concepção inteligente não pertence à ciência e não há qualquer justificação para que seja ensinada como teoria científica, a par da explicação darwinista.”(**) “No artigo, Fiorenzo Facchin concorda mesmo com o juiz da Pensilvânia que, em Dezembro, considerou inconstitucional o ensino da concepção inteligente numa escola de Dover, em alternativa à teoria da evolução das espécies.”(*)
Fiquei extremamente surpreendido com esta notícia. Para além de mostrar uma nova abertura da Igreja Católica, que nos dá uma nova esperança, demonstra como a administração americana pode ser mais papista que o Papa. Resta esperar que esta mensagem seja espalhada pelos fiéis seguidores do Senhor, e algumas bocas mais arrogantes possam ser caladas. Desde há muito tempo que existem cientistas crentes em Deus e crentes que acreditam na ciência. Esta nova perspectiva do Vaticano vem demonstrar que as duas coisas não são incompatíveis, antes pelo contrário. O próprio Einstein acreditava em Deus, tendo mesmo esta sua visão do mundo condicionado alguns dos seus trabalhos, bem expresso pela frase caricatural “Deus não joga aos dados”, referindo-se à matemática probabilística da mecânica quântica. Resta ainda esperar e ter esperança de que este artigo não venha a ser desmentido e que o nobre padre, professor de antropologia, não venha a ser queimado numa fogueira qualquer.

(*) Sofia Jesus, in Público.
(**) Fiorenzo Facchini, in L’Osservatore Romano.

domingo, janeiro 22, 2006

Antimatéria e Matéria Negra

Tenho-me apercebido em conversas com amigos que conceitos como antimatéria, matéria escura e energia escura ainda estão longe de se encontrarem enraizados no senso comum. Talvez nunca venham a estar! Estes termos tendem a causar alguma confusão e espanto aos não entendidos na matéria. Quero por isso tentar desfazer esta confusão e elucidar os leitores deste espaço virtual acerca do que estes termos significam.
A antimatéria foi pela primeira vez imaginada no final do século XIX por sir Arthur Schuster. Este, por ser um forte defensor de uma natureza simétrica, idealizou um mundo espelho do nosso, em que os átomos possuiriam propriedades exactamente opostas. No final dos anos 20, Paul Dirac, enquanto procurava uma equação que predissesse o comportamento dos electrões, conciliando a abordagem quântica e relativista, apercebeu-se de que a cada solução de energia positiva que a equação lhe fornecia se podia associar uma solução de energia negativa. Não foi preciso esperar muito para que as hipóteses teóricas fossem confirmadas. Em 1932, Carl Anderson observou na radiação cósmica uma partícula que tinha a mesma massa que o electrão, mas carga oposta, o positrão. Pouco tempo depois foram produzidos em labortório pares electrão-positrão. Em 1955, Emílio Segrè, Owen Chamberlain, Clyde Wiegand e Tom Ypsilantis, descobriram o antiprotão, e no ano seguinte o antineutrão utilizando um acelerador de partículas. A partir dos anos 60, foram descobertas dezenas de partículas, mas havia uma certeza, para cada nova partícula, observava-se sempre uma antipartícula associada. Em 1995 foram produzidos pela primeira vez no CERN átomos de antihidrogénio, combinando antiprotões e positrões. Hoje não se conhece nenhuma partícula que não possua uma antipartícula, e isto é dado adquirido em ciência. Os positrões são rotineiramente utilizados na medicina, numa técnica denominada tomografia por emissão de positrões. No entanto não se sabe ainda se existem vastas áreas do universo onde a antimatéria está concentrada, se, pelo contrário, esta se encontra diluída ou se após o Big-Bang a maioria da antimatéria tenha sido aniquilada.
Algo mais vago e ainda muito discutível é a matéria escura, também conhecida por matéria negra, tantas vezes mal interpretada e sujeita a especulações desmesuradas. Os problemas relacionados com este tipo de matéria são muito mais delicados. Esta é invisível aos nossos instrumentos, não emitindo qualquer tipo de radiação, sendo apenas detectada através dos seus efeitos gravitacionais. Os cientistas acreditam que cerca de 90% do Universo é constituído por este tipo de matéria. O problema trata-se de saber onde ela está. Várias hipóteses têm sido discutidas. Os cientistas pensam ter descoberto uma galáxia constituída por este tipo de matéria e acreditam que uma grande fracção desta se encontra em halos em volta das galáxias constituídas por matéria comum. De uma coisa os cientistas têm a certeza a maior parte da matéria que constitui o nosso Universo é escura e ainda não está explicada.
Queria ainda salientar o facto de que antimatéria e matéria escura serem coisas diferentes, que não devem ser confundidas.
Novos “posts” se seguiram discutindo estes assuntos com maior detalhe.
Bibliografia:
L'Antimatière. Gabriel Chardin.

quinta-feira, janeiro 19, 2006