terça-feira, dezembro 05, 2006

Pirâmides do Egipto construídas com pedra sintética

As pirâmides do Egipto foram construídas com pedra sintética que teria sido vazada como betão, indica um estudo de uma equipa internacional de investigadores hoje divulgado pela revista francesa "Science et Vie". Segundo os investigadores, a composição das pedras das pirâmides é "muito mais complexa do que a das pedreiras oficiais" de Toura e Maadi, de onde foram extraídos os materiais usados nos túmulos de Gisé.

Exames com raios-X e tocha de plasma mostraram que "certos microconstituintes dessas pedras apresentam vestígios de uma reacção química rápida que não lhes permitiu uma cristalização natural (...), uma reacção inexplicável se as pedras tivessem sido talhadas, mas compreensível se tivessem sido vazadas como betão", refere a "Science et Vie".

Várias técnicas de microscopia electrónica revelaram que "os espectros de difracção de pedras retiradas das pirâmides diferem nitidamente dos das pedreiras", de acordo com os trabalhos de Gilles Hug, do Gabinete Nacional de Estudos e Investigações Aeroespaciais (ONERA), de França, e Michel Barsoum, da Universidade de Drexel em Filadélfia (EUA), citados pela revista.

Na perspectiva de outro especialista, o químico Joseph Davidovits, que há 30 anos defende a tese do betão geopolimérico para a construção dos túmulos dos faraós, foram vazados no local blocos de calcário natural reconstruído. Eram constituídos por "93 a 97 por cento de agregados de calcário natural e três a sete por cento de ligante", argila caulinítica, um silico-aluminato que se desagrega na água e a que se teria juntado cal extinta.

Outro cientista, o físico Guy Dumortier, das Faculdades Universitárias Notre-dame de la Paix de Namur (Bélgica), defende também nesta revista de divulgação científica a teoria da pedra aglomerada, afirmando que observou um teor muito mais elevado do que no natural em flúor, silício, magnésio e sódio.

A "Science et Vie" provocou uma polémica em 2001 ao anunciar que as pirâmides eram feitas de "pedras falsas", citando uma investigadora do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), Suzanne Raynaud, que tinha observado diferenças entre as pedras das pedreiras e amostras retiradas dos monumentos.

Fonte: Ciência Hoje, 2006-11-30

2 comentários:

J. Moedas Duarte disse...

Estas descobertas comprovam, mais uma vez, que em Ciência nunca há "verdades" indescutíveis, descobertas definitivas.
Verdadeiramente estimulante, este post.
Continuação de bom trabalho!

joaosete disse...

A diferença que existe para outros tempos.
Lançam-se teorias, discutem-se métodos, imaginam-se as soluções. Pergunta-se e responde-se.
Deixar a ciência girar, Livre.

"E no entanto, ela move-se"