quarta-feira, dezembro 13, 2006

Cientistas americanos estimam que Árctico pode ficar sem gelo no Verão a partir de 2040

O sobre-aquecimento do planeta está a causar alterações no Árctico, região que, segundo uma equipa de cientistas norte-americanos, poderá ficar sem gelo durante o Verão a partir de 2040.

“Os efeitos do sobre-aquecimento estão a começar a mostrar a sua cara feia”, comentou Mark Serreze, cientista do National Snow and Ice Data Center da Universidade do Colorado, em Boulder.

Marika Holland, cientista do Centro Nacional de Investigação Atmosférica, prevê um declínio lento mas constante do gelo no Ártico, num cenário de sobre-aquecimento global.

Os resultados da investigação, publicados hoje na revista “Geophysical Research Letters”, indicam que todos os meses de Setembro, a extensão de gelo pode reduzir-se tão drasticamente que, dentro de 20 anos, estará a desaparecer quatro vezes mais rapidamente do que em qualquer altura desde que existem registos.“

O gelo estará bastante estável até 2025 mas depois, começam os problemas”, disse Holland, no encontro de Outono da American Geophysical Union, em São Francisco.

Numa simulação, o gelo de Setembro pode passar, num espaço de dez anos, de seis milhões de quilómetros quadrados para dois milhões de quilómetros quadrados.


Impactes ambientais e estratégicos

Apesar de estar longe do ponto de vista geográfico, o degelo no Árctico pode alterar os ecossistemas do planeta, a vida no mar e na terra, o clima, padrões de navegação e ainda as necessidades nacionais de defesa.“

Neste jogo vão haver vencedores e vencidos, mas penso que o balanço é negativo”, comentou Serreze.

Para a Rússia, “as rotas de navegação vão abrir-se, o que trará benefícios económicos”. “Para o Canadá, isto poderá representar um crescimento económico”.

O degelo poderá criar uma série de problemas, quer para a vida selvagem – como os ursos polares -, quer para os países. Todos terão de se adaptar e responder a novas fronteiras.

Em cima da mesa estão ainda questões de geoestratégia, lembrou Mead Treadwell, da U.S. Arctic Research Commission em Anchorage, no Alasca. Talvez os Estados Unidos tenham de passar a patrulhar a sua fronteira a Norte, no Alasca, e preparar-se para novos derrames de petróleo, quando se abrirem novas rotas de navegação.

A falta do arrefecimento do Árctico poderá alterar os padrões climatéricos um pouco por todo o planeta, por exemplo, com efeitos nas oportunidades de desportos de Inverno, como o esqui, ou ainda nas épocas das plantações.

Os cientistas acreditam que reduzir as emissões de gases com efeito de estufa poderia ajudar a abrandar o ritmo do degelo no Árctico.

in publico, 2-12-2006

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