quarta-feira, maio 03, 2006

UM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO NUCLEO DE UMA PEQUENA GALAXIA

Nas últimas semanas, os astronómos descobriram um buraco negro supermassivo (de massa muito elevada)no núcleo de uma pequena galáxia espiral. Esta descoberta revela que afinal mesmo as galáxias sem núcleos bojudos podem possuir este tipo de buracos negros.

- Que galáxia foi estudada?

A galáxia estudada foi a NGC4395, que se encontra a cerca de 11 milhões de anos-luz e que é visível no hemisfério norte, na direcção da constelação "Cannes Venatici". Esta galáxia é uma galáxia "achatada", aparentando não possuir qualquer bojo central. Contudo, possui, no seu centro, um buraco negro cuja massa é cerca de 10000 a 100000 de vezes superior à massa do nossso Sol. Esta descoberta sugere que outras galáxias semelhantes, isto é, outras galáxias "achatadas", ao contrário do que até agora se pensava, podem possuir um buraco negro supermassivo no seu centro.

- Mas que tipo de buraco negro é este?

Tipicamente, os buracos negros supermassivos possuem uma massa que é milhões ou biliões de vezes superior à massa do Sol, sendo que este tipo de buracos negros são milhões de vezes mais massivos do que aqueles que resultam do colapso gravitacional dos núcleos de estrelas muito massivas. No entanto, este buraco negro situado na galáxia NGC4395, apesar de supermassivo, é o mais pequeno até agora encontrado no centro duma galáxia, o que seria consistente com o facto da galáxia possuir apenas um pequeno bojo. Mas, na realidade, este bojo não aparenta ser pequeno, mas sim inexistente, o que torna esta descoberta algo "estranha".

- Como foi feita a descoberta?

Esta galáxia é há muito conhecida por emitir quantidades significativas de radiação do seu núcleo, incluindo radiação visível e raios X. Este facto é um sinal da presença de um buraco negro central e gigante e que se encontra a sugar matéria de modo a criar um disco de acrecção rotativo e bastante quente. No entanto, até agora, tal buraco negro não havia ainda sido descoberto. Os cientistas usaram, então, o telescópio de 10 metros Keck I situado no Hawai e o telescópio de raios X ASCA para encontrarem este buraco negro massivo mas que, mesmo assim, fica bastante aquém de outros buracos negros supermassivos já descobertos.

-Que técnicas foram utilizadas para a determinação da sua massa?

A técnica usada para estimar a massa do buraco negro foi a técnica de dispersão de velocidades.Esta técnica baseia-se na medição da velocidade média das estrelas que orbitam o buraco negro central. Embora esta teoria tenha sido prevista na década de 90, só em 2000 veio a confirmação da estreita relação entre a dispersão das velocidades e a massa dum buraco negro supermassivo. Até aí pensava-se que essa correlação só se verificava para buracos negros com milhões ou biliões de massas solares. No entanto, a utilização desta técnica na galáxia NGC4395 provou que também é válida para galáxias com 66000 massas solares, ou seja, a relação entre a massa do buraco negro e a dispersão das velocidades verifica-se mesmo nas escalas de aglomerados de estrelas que contenham um buraco negro central relativamente leve.

-Que conclusões se podem tirar?

A galáxia NGC4395 pode, assim, representar um passo na evolução de buracos negros supermassivos, em galáxias nas quais um bojo se desenvolve à medida que o buraco negro cresce. Refira-se ainda que as medições da dispersão de velocidades foram efectuadas em aglomerados de estrelas perto do buraco negro, ou seja, isso é uma indicação de que um dia um bojo poderá aí vir a formar-se.

ASTRONOVAS

2 comentários:

Anónimo disse...

Great site lots of usefull infomation here.
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Leandro Araujo disse...

o mais pequeno que gira entorno...