quarta-feira, março 01, 2006

UM MAR DE VIDRO EM GALÁXIAS EM COLISÃO

Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, uma equipa de astrónomos observou uma população rara de galáxias em colisão cujos corações emaranhados, estão envoltos por pequenos cristais que se assemelham a pedaços de vidro.

Estes cristais são compostos essencialmente por silicatos (areia), grãos que se formaram de forma semelhante ao vidro, provavelmente no equivalente estelar das fornalhas. Esta é a primeira vez que cristais de silicato foram detectados numa outra galáxia que não a nossa.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir cristais pequenos e delicados no centro de um dos locais mais violentos do Universo. Os cristais com estas características são geralmente facilmente destruidos. Mas neste caso, estão provavelmente a ser criados por estrelas moribundas, de grande massa, a um ritmo maior do que aquele a que se dá a sua destruição.

Esta descoberta ajudará os astrónomos a compreender melhor a evolução das galáxias, incluindo a Via Láctea, que daqui a uns milhares de milhões de anos se fundirá com a sua vizinha Andrómeda.

A equipa de astrónomos diz que é como se uma enorme tempestade de areia estivesse a ocorrer no centro de galáxias em colisão. Os silicatos envolvem os núcleos das galáxias na forma de "cobertores" gigantes de vidro poeirento. O que presenciamos é análogo à colisão de duas carrinhas cheias de farinha. Quando isto acontece, uma nuvem de poeira branca é temporáriamente levantada. O Spitzer detectou uma nuvem temporária de silicatos cristalizados, criada aquando da colisão entre duas galáxias.

Para ver uma concepção artística da região atribulada do núcleo de duas galáxias em colisão com os cristais espalhados através deste, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/cristais.jpg

Podemos observar a verde os cristais de silicato. As regiões a branco representam uma população vigorosa de estrelas de todos os tamanhos e idades.

Os silicatos como o vidro, requerem temperaturas elevadas para se transformarem em cristais. Estas partículas podem ser encontradas em quantidades limitadas na Via Láctea, em torno de certos tipos de estrelas, como o Sol. Na Terra, estes cristais reluzem na areia das praias, e à noite podem ser observados a colidir, juntamente com outros materiais, na nossa atmosfera na forma de meteoros. Este tipo de cristais, foram também encontrados no interior do cometa Temple 1, com o qual a sonda "Deep Impact" colidiu.

As galáxias revestidas por cristais observadas pelo Spitzer, são bastante diferentes da Via Láctea. Estas galáxias brilhantes e poeirentas, designadas por galáxias infravermelhas ultraluminosas, encontram-se a "nadar" em cristais de silicato. Embora uma pequena fracção destas galáxias não possa ser observada com clareza suficiente para serem caracterizadas, a maioria destas consiste em duas galáxias em espiral no processo de fusão uma com a outra. Os seus núcleos misturados são locais de grande agitação, onde frequentemente são criadas estrelas de grande massa. No centro de algumas destas galáxias ultraluminosas estão buracos negros possuidores de uma enorme quantidade de massa.

De onde vêm então todos os cristais? Os astrónomos acreditam que as estrelas de grande massa, no centro destas galáxias, são as principais "fábricas" destes materiais. Os cristais são provavelmente ejectados pelas estrelas, antes e após estas explodirem como supernovas. No entanto, as partículas provenientes da explosão acabarão por bombardear e converter os delicados cristais de volta a um estado disforme. Pensa-se que todo este processo seja de curta duração.

O espectrógrafo de infravermelhos do Spitzer detectou cristais de silicatos em 21 das 77 galáxias infravermelhas ultraluminosas estudadas. As distâncias destas 21 galáxias estão compreendidas entre os 240 milhões e os 5,9 mil milhões de anos-luz. Espalhadas pelo céu, estas galáxias foram provavelmente detectadas no momento apropriado para se poder observar os cristais. As poeiras silicatadas nas outras 56 galáxias restantes poderão já ter assentado, ou
poderão estar prestes a ser "levantadas".

Fonte:
ASTRONOVAS
Lista de distribuição de notícias de Astronomia em Português
Observatório Astronómico de Lisboa
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa
Tapada da Ajuda, 1349-018 Lisboa

3 comentários:

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