quarta-feira, janeiro 11, 2006

Qual a relação entre um Cubo 4D e o Tempo?

Se olharmos atentamente para o Cubo 4D, e depois de alguma confusão inicial, percebemos que na "realidade" se trata de dois cubos independentes nos quais os 8 vértices de cada um estão ligados por 8 vectores. Esses 8 vectores são elementos da quarta dimensão, são vectores temporais. Este exemplo é semelhante ao da circunferência que se desloca deixando para trás um tubo. Na verdade um Cubo 4D pode ser idealizado como um cubo 3D em movimento. Mas não quer dizer que o cubo se está a deslocar na realidade num espaço 3D, ele está sim a deslocar-se no tempo. Se tivermos um cubo em "repouso" em cima de uma mesa, ele continua sempre a deslocar-se no tempo. Podemos imaginar o tempo como um rio que flui com uma corrente muito forte, e o nosso Universo seria um barco a flutuar segundo a corrente. A questão é que, para nós o barco está fechado, não sendo possível termos a noção que estamos em movimento segundo a direcção da corrente, no nosso caso não temos a percepção de que estamos de facto a deslocar-nos ao longo de uma "corrente muito forte", a "flecha do tempo". Esta noção é muito importante. Nas três dimensões espaciais é sempre possível andar em duas direcções, para a frente e para trás, para a direita e para a esquerda e para cima e para baixo. No tempo apenas temos uma direcção em que nos podemos deslocar. Pelo menos ainda não se descobriu uma forma eficaz de nos deslocarmos para trás no tempo, o que não quer dizer que não seja possível*. Talvez seja por isso que não temos uma ideia intuitiva do tempo, por não o podermos controlar. Como tal não precisamos de nos preocupar no dia a dia com ele, em andar em diferentes direcções dentro dele. Preocupamos-nos apenas com o facto de que ele anda na realidade, é por isso que temos relógios. Não é de facto simples ter a percepção do tempo, mas a verdade é que ficamos descalços quando nos perguntam: afinal o que é o tempo? Podemos dizer: é a quarta dimensão! Mas a verdade é que é extremamente difícil ter noção do que isso representa. Com algum treino essa percepção pode ser atingida, e quando isso acontece, é das coisas mais magníficas e gratificantes que se pode alcançar nesta nossa insignificante existência.

*Os físicos definem por vezes um positrão como um electrão que anda para trás no tempo.

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